Jogo Baleia Azul e série da Netflix trouxeram à tona um tabu: o suicídio

unnamed (1)Por: Natália Zucchi

Desde março deste ano, o Desafio da Baleia Azul, criado na Rússia com 50 desafios que culminam no suicídio, e a série Thirteen Reasons Why da Netflix, ganharam espaço nas redes sociais e tornaram-se pauta para discutir um assunto ainda tabu na mídia e também na sociedade: o suicídio. A visibilidade impulsionou a curiosidade dos jovens, a preocupação das famílias, mobilizando a sociedade para enfrentar o tema, com olhos mais atentos.

O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com maior incidência de suicídios do país. Segundo o Mapa da Violência de 2013, 11 das 20 cidades com mais casos de suicídio são gaúchas. Na Serra Gaúcha, o Centro de Valorização à Vida de Garibaldi, inaugurado em fevereiro deste ano, é uma porta para quem precisa de ajuda psicológica. Através do número 188, ligações são atendidas por 20 voluntários plantonistas, durante 24 horas. Recebendo ligações desde o dia 6 de março, somente nos primeiros 26 dias o CVV prestou 1.306 atendimentos. O Rio Grande do Sul possui sete CVVs, nas cidades de Porto Alegre, Novo Hamburgo, Santa Maria, Santa Cruz do Sul, Caxias do Sul e, agora, em Garibaldi.

Mantido pelo Núcleo de Apoio à Vida de Garibaldi (NAVIGA), o CVV Garibaldi foi idealizado pela médica psiquiátrica e presidente do NAVIGA, Cristina Pont Ferreira, 48 anos. Com a ideia bem recebida pela gestão municipal, em assembleia com 20 sócios fundadores, foi eleita a Diretoria do Núcleo de Apoio à Vida de Garibaldi, em julho de 2016. Em seguida, a equipe dedicou-se a seleção e treinamento dos voluntários para atuarem no CVV. Até maio deste ano, entre o NAVIGA e o CVV, são cerca de 40 voluntários, entre eles, 20 plantonistas, que se revezam em turnos de quatro horas semanais.

unnamed (2)O CVV Garibaldi está interligado à Central 188, que liga todos os postos do CVV no Rio Grande do Sul, podendo receber chamadas de todo o Estado, uma vez que as ligações são direcionadas ao posto onde houver plantonista disponível. Os atendimentos são sigilosos. Nome, idade e cidade não são identificados, garantindo o anonimato.

Segundo a psiquiatra Cristina, a depressão e a solidão estão entre os desabafos mais comuns nos atendimentos. O volume de ligações aumentou consideravelmente entre os últimos meses de março e abril, em todos os postos do CVV. “Precisamos deixar claro a importância de falarmos sobre o suicídio. Para muitas pessoas em intenso sofrimento, essa parece ser a única saída para interromper a dor. Um dos papéis primordiais do CVV é mostrar que sempre há opção. Por mais irreversível que pareça a situação em que a pessoa se encontra, por mais doloroso que seja acordar todos os dias, sempre há opção”. Cristina também alerta que situações envolvendo automutilação podem ser tentativas de suicídio, mas também uma forma de pedir ajuda.

Centro de Valorização à Vida

O Centro de Valorização à Vida existe no Brasil desde 1962. É uma associação civil sem fins lucrativos e filantrópica, que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. O CVV realiza mais de um milhão de atendimentos anuais, por aproximadamente 2.000 voluntários em 18 estados. Esses atendimentos são feitos pelos telefones 188, no Rio Grande do Sul e 141 nos demais Estados, 24 horas por dia, em 76 postos espalhados pelo país. Além disso, o CVV oferece atendimentos por chat, Skype, email e através do site www.cvv.org.br.

Para ser um voluntário

Ter mais de 18 anos, disponibilidade de tempo de quatro horas semanais e capacidade para escutar o outro de forma isenta de preconceitos e julgamentos. Contato: email cvvgaribaldi@gmail.com ou fanpage CVV Garibaldi.

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