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VINÍCOLA SALVATI E SIRENA: 15 anos elaborando vinhos artesanais

Há 15 anos, o enólogo Silvério Salvati e a família Sirena se uniram com o desejo de criar uma vinícola pequena, familiar e de qualidade, priorizando o melhor do trabalho e da cultura de seus antepassados italianos. Localizada em Bento Gonçalves, no roteiro turístico Caminhos de Pedra, distrito de São Pedro, a vinícola se diferencia pelo resgate de variedades de uvas não comerciais. Os produtos da vinícola hoje se destacam pela produção artesanal de vinhos que vão além das conhecidas Merlot e Cabernet Sauvignon. Contribuindo com a manutenção da cultura tradicional, foram recuperadas variedades de uva “perdidas” na histó- ria como a branca Peverella, a rosada Goethe e a tinta Barbera Piemonte.

Segundo Salvati, a vinícola é uma das poucas no mundo a elaborar vinhos com a Peverella e a Barbera Piemonte, vindas na bagagem dos imigrantes italianos da região de Vêneto. Já a Goethe foi introduzida no Brasil pelos imigrantes alemães que se estabeleceram na região do Vale dos Sinos.

salvati-divulgação

A varietal subiu a Serra em intercâmbios comerciais feitos na época entre as colônias. A vinícola é uma das únicas do Caminhos de Pedra, roteiro com opções para todas as idades. O diferencial dos empreendimentos do destino turístico é a preservação dos modos de produ- ção das primeiras levas de imigrantes italianos e austríacos que se instalaram na Serra Gaúcha, em 1875.

Vinícola Salvati (2)

“Não queremos volume, queremos qualidade”, afirma o enólogo, que conduz visitações mais intimistas. De acordo com Salvati, a vinícola recebe cerca de 25 mil pessoas por ano, a maioria independente de excursões. “Às vezes, se a pessoa está junto de uma excursão, ela não quer vir e fica desconfortável. Já, por indicação, vem quem realmente gosta de vinho”, explica. “Com excursões ganharíamos mais fluxo de pessoas, mas faltaria o contato e o aconchego de pequenos grupos”, ressalta. Ele acrescenta que o lucro é consequência de um trabalho realizado por amor.

Vinícola Salvati (3)

Casa de pedra basáltica em formato octogonal

A casa de pedra basáltica, que levou nove anos para ser construída, chama a atenção pelo seu formato octogonal, idealizado ainda na infância por Salvati, que descobriu ser o octógono a melhor forma geométrica para aproveitamento do espaço. “O octógono é o quadrado com os cantos cortados, então não desperdiça espaço”, explica.

No interior da cantina, de 524 metros quadrados de área construída, vinhos armazenados em nove pipas de madeiras são servidos por Salvatti durante a visitação. “A matura- ção em pipa de madeira dá um sabor especial e é uma característica dos nossos produtos”, afirma o enólogo.

Vinícola Salvati (4)

Ao redor da casa de pedra, são colhidos bons frutos em seis hectares de área de cultivo. Em consequência, oferecem bons vinhos. Por ano, a vinícola elabora cerca de 10 mil litros de suco de uva, 2 mil de espumante e 18 mil de vinho. A empresa trabalha com as variedades brancas Peverella e Moscato, com a Goethe e as tintas Merlot, Cabernet Sauvignon, Tannat e Barbera Piemonte.

A faixa de preço dos vinhos e espumantes varia de 30 a 60 reais e a degustação custa 10 reais. A casa também oferece suco e outros produtos da uva. A visitação é aberta ao público diariamente, das 9h às 18h. Para grupos acima de 15 pessoas, a visita deve ser agendada com antecedência.

Cooperativa Vinícola Garibaldi comemora desempenho em concursos de vinhos

No primeiro semestre de 2018, marca recebeu mais de 30 distinções nacionais e internacionais

Com um trabalho focado em planejamento, investimentos em inovação e cuidados primorosos durante todo o processo produtivo, a Cooperativa Vinícola Garibaldi ergue as taças para comemorar o desempenho de seus produtos em concursos nacionais e internacionais. Entre medalhas, menções honrosas e outros títulos, a marca gaúcha contabiliza 31 distinções somente no primeiro semestre de 2018 – reafirmando a qualidade dos seus vinhos e espumantes para especialistas de todos os continentes.

Essa performance reflete o empenho da Cooperativa em otimizar seus produtos com ações que vão desde os vinhedos até o engarrafamento. As boas notícias começaram já no início de 2018, quando divulgado o aumento de 10% no faturamento da marca em relação ao ano anterior, chegando aos R$ 134 milhões. Respondendo por esses bons números, a linha de espumantes registrou crescimento de 30% em 2017, ultrapassando os dois milhões de garrafas vendidas.

Desde então, a marca mira na continuidade do crescimento e na excelência dos seus vinhos, espumantes e sucos. Para tanto, reviu sua previsão de investimentos, estimando cerca de R$ 7,5 milhões que serão aplicados em melhorias estruturais no setor produtivo ao longo de 2018. Com as modernizações, é calculado um aumento de cerca de 20% na capacidade produtiva da vinícola.

Produtos mais premiados

O topo do ranking é formado pelos espumantes Garibaldi Moscatel (7), Garibaldi Chardonnay (7) e Garibaldi Prosecco (6), que juntos somam 64,5% das premiações recebidas pela Cooperativa no período (Confira as distinções recebidas pelo TOP 3 na relação abaixo). Entre os vinhos tranquilos, destaque para o Chalet du Clermont Chardonnay – eleito o melhor na categoria Vinhos Brancos do concurso Vinandino, realizado na Argentina, além de ter recebido medalha de Ouro no 9º Brazil Wine Challenge.

GARIBALDI ESPUMANTE MOSCATEL

  1. CINVE – Concurso Internacional de Vinos y Espirituosos – Prata – Espanha
  2. Thessaloniki International Wine Competition – Prata – Grécia
  3. XVI Concurso Internacional de Vinhos – Bacchus 2018 – Ouro – Espanha
  4. International Wine Challenge – Prata – Inglaterra
  5. Concurso Les Citadelles du Vin – Ouro – França.
  6. Brazil Wine Challenge 2018 – Ouro – Brasil
  7. Sélections Mondiales des Vins – Ouro – Canadá

GARIBALDI ESPUMANTE CHARDONNAY

  1. Thessaloniki International Wine Competition – Bronze – Grécia
  2. Vinalies Internationales – Prata – França
  3. Chardonnay du Monde – Prata – França
  4. Challenge International du Vin 2018 – Ouro – França
  5. Brazil Wine Challenge 2018 – Ouro – Brasil
  6. Prêmio Brinda Brasil (Júri Técnico) – Prata – Brasil
  7. Vinandino – Prata – Argentina

GARIBALDI ESPUMANTE PROSECCO

  1. Thessaloniki International Wine Competition – Bronze – Grécia
  2. Vinalies Internationales – Prata – França
  3. Challenge International du Vin 2018 – Prata – França
  4. International Wine Challenge – Recomendação Honrosa – Inglaterra
  5. Concours Mondial de Bruxelles –Prata – China
  6. Vinandino – Melhor da categoria Espumantes Brancos e Rosés – Argentina

Sobre a Cooperativa Vinícola Garibaldi

Em 2018, a Cooperativa Vinícola Garibaldi celebra a passagem de seu 87º aniversário, festejando a concretização de mais um ano em sua história – que começou a ser escrita pela união de diversas famílias de agricultores como alternativa para vencer as dificuldades econômicas do país na época. Atualmente, congrega 400 famílias associadas, distribuídas em 15 municípios da Serra gaúcha. Seu portfólio tem cerca de 60 produtos distribuídos em 15 linhas, entre vinhos tintos e brancos, espumantes de diversas variedades, linhas de exportação, frisantes, filtrados, sucos de uva e opções orgânicas.

Artistas Associados de Garibaldi lançam site

Os Artistas Associados de Garibaldi lançaram na noite da última quarta-feira, 14, um novo site para a divulgação de seus trabalhos. O palco foi a Vinícola Peterlongo, onde, junto ao Museu da Vinícola, ficará uma exposição alusiva aos 105 anos da empresa.

Disponível em www.artistasdegaribaldi.com.br, o portal abriga a agenda dos artistas, os contatos e tem como objetivo integrar a comunidade por meio da expressão artística e cultural.

A história da Vinícola, pioneira na fabricação de espumantes no Brasil, chama a atenção pelas instalações que remetem à região francesa de Champagne, apresentando uma cave subterrânea e uma residência em forma de castelo.

O prefeito de Garibaldi, Antonio Cettolin, felicitou os artistas pelo trabalho, que representa e divulga a cultura e o turismo do Município. Também parabenizou a Vinícola Peterlongo pelo título da fabricação do primeiro champagne brasileiro. Além disso, ressaltou a importância da empresa abrir as portas para abrigar a arte produzida em solo garibaldense.

Lançamento Manoel Peterlongo - A arte e a história e do site dos Artistas Associados Jean Teixeira (13)

O secretário de Turismo e Cultura, Paulo Salvi, ressaltou a importância da associação para o crescimento e organização dos artistas. Também estiveram presentes representantes da Associação de Pequenas e Médias Empresas (Apeme), Museu Municipal, Arquivo Histórico, professores, artesãos e comunidade em geral.

A Associação

Fundada em 2015, o objetivo da Associação é unir potencialidades e conseguir mais representatividade. Atualmente, dispõe de três espaços permanentes:  o varejo da Cooperativa Vinícola Garibaldi, a Vinícola Peterlongo e a Biblioteca Pública Frei Miguel. Em julho de 2016, foi inaugurada a primeira Pinacoteca de Garibaldi, na Vinícola Garibaldi, com mostra permanente que contou com a doação de 13 obras dos artistas locais.  Para maior interação com a comunidade, os associados participam de vários eventos como Fenachamp, Expogaribaldi, Semana do Vinho e Feira do Livro, por exemplo.

Foto: Jean Teixeira

Vinícola Aurora participa de feiras e rodadas de negócios em 3 continentes

França receberá novamente, vinhos da vinícola. Novos embarques também estão previstos para EUA e Bolívia nos próximos dias

 A Vinícola Aurora, que exportou em janeiro volume equivalente ao exportado em todo o primeiro semestre do ano passado, acaba de embarcar para a França 3000 garrafas de seu vinho fino Aurora Varietal Cabernet Sauvignon. Para os próximos dias, estão programados embarques de 3500 garrafas para os Estados Unidos e de 6000 garrafas para a Bolívia, com vinhos top de linha, brancos, tintos e espumantes Procedências, além de Grappa, Licoroso tinto, vinhos de entrada da linha Saint Germain e de mesa.

 A partir desta terça-feira, a vinícola cumpre agenda de rodadas de negócios, eventos e feiras em 3 continentes.

ProWein 2017

 Com foco em espumantes e suco de uva integral, participa, nestas terça e quarta-feiras, de rodada de negócios com degustação em Bogotá (Colômbia), organizada pelo Wines of Brazil e Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), e em Lima (Peru), nos dias 7 e 8 de março.

 De 7 a 10 de março, a vinícola terá sua quinta participação na Foodex, no Japão. Será em parceria com seu mais tradicional importador naquele país e estará apresentando vinhos brancos e tintos das linhas Aurora Varietal e Aurora Reserva, assim como vinhos da Aurora Uruguai. Dias 18 a 20 de março, lança seu Aurora Reserva Rosé na Prowein Dusseldorf (Alemanha), em sua 10ª participação nessa feira mundial, considerada a maior feira de vinhos do mundo.

LEIA TAMBÉM: Vinícola Aurora comemora 87 anos com investimento em tecnologia

 Dias 22 a 24 de março, a Aurora estreia na CFDF (China Food & Dinks Fair), na cidade de Chegdu (China). Será em estande próprio, apresentando a linha completa de sucos de uva integrais, vinhos e espumantes. “Nosso foco nas exportações em 2018 segue sendo a Ásia, porém temos um trabalho contínuo de construção de nossas marcas em importantes mercados da América do Norte e Europa, além dos países vizinhos que são apreciadores dos vinhos do Brasil”, comenta Rosana Pasini, gerente de Exportações da Vinícola Aurora.

SAIBA MAIS: 29º Festimalha terá três dias a mais

Fenavinho: Há 50 anos, festa acelerou o crescimento de Bento Gonçalves

Reportagem: Natália Zucchi
Edição: Kátia Bortolini

Mudança nos estatutos com previsão de retorno em 2019

selo-fenavinho-450x333O presidente da última Fenavinho, João Strapazzon, ocorrida em 2011, permanece temporariamente no cargo para convocar a assembleia que elegerá a diretoria da próxima edição, prevista para 2019.

Há três comitês trabalhando nessa tentativa de retorno. O primeiro, formado por juristas e advogados, reviu os estatutos da festa, permitindo a participação do poder público. O segundo, é formado por profissionais que estão renegociando as dívidas deixadas pela última edição, na ordem de R$ 1,2 milhão. O terceiro comitê tem a tarefa de projetar como a próxima edição sairá do papel. Conforme Strapazzon, parte do valor da dívida já foi abatido por empresas e pessoas físicas credoras que deixaram o valor do débito como contribuição à festa.

Para o decorrer deste ano estão previstas diversas ações alusivas ao cinquentenário do evento, considerado patrimônio da comunidade. Entre elas, desfiles temáticos na Semana da Pátria, em setembro, e no aniversário de emancipação política de Bento Gonçalves, em outubro. O projeto de comemoração dos 50 anos da Fenavinho, coordenado pela prefeitura, está envolvendo 40 entidades.

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O Jornal Integração da Serra reporta, neste especial Fenavinho 50 anos, histórias e fatos pitorescos dos bastidores da festa que projetou Bento Gonçalves nacionalmente, com destaque para acontecimentos da primeira edição do evento.

“Fuzide Bento”

boneco-fenavinhop2Um dos fatos mais pitorescos da Fenavinho, presente no imaginário popular, aconteceu na terceira edição da festa, ocorrida de 15 de fevereiro a 9 de março de 1975. Um dos bonecos colocados pela organização em postes para enfeitar a cidade, teria sido furtado por uma turma de Caxias do Sul e pendurado na entrada daquele município, portando um cartaz no pescoço com os dizeres: “Fuzi de Bento”.

3246121756_99dfb6e725_oAo se deparar com a brincadeira, a prefeitura de Caxias do Sul, para evitar confusões, resgatou o boneco e providenciou que voltasse ao seu poste de origem, em Bento Gonçalves. Três dias depois, o mesmo boneco aparece na entrada de Caxias, de novo no mesmo poste,com outro cartaz pendurado com os dizeres “Fuzi de novo”, e ficou por lá mesmo. Na fenavinho-(1)época, a rivalidade entre os dois municípios era muito presente.

A história do boneco consta no livro de contos de causos “Frótole e Buzie”, dos escritores bento-gonçalvenses Ademir Antonio Bacca e Hary Dalla Colletta (in memoriam).

A primeira edição da Festa

A ideia da festa surgiu na Associação de ex-Alunos do Colégio Marista Aparecida. A associação promovia dois a três eventos por ano, muito frequentados por jovens da época. Em 1965,por ocasião dos 25 anos da educação Marista em Bento Gonçalves, a associação optou por promover um evento maior, designado Festa do Vinho, na época o principal produto da cadeia secundária do município.

A proposta, liderada pelo presidente da associação, engenheiro agrônomo Loreno Gracia e por seu vice, o empresário Moysés Michelon, contagiou seus pares e a direção do colégio. Como o ano também coincidia com os 50 anos da instalação das Irmãs Carlistas do Colégio Medianeira no município e com os 75 anos de emancipação política de Bento Gonçalves, Gracia e o irmão marista Avelino Madalosso, diretor do Colégio Aparecida na época,visitaram o então prefeito Milton Rosa e sugeriram a realização da Festa do Vinho, englobando as três comemorações. O Prefeito gostou da ideia e, algumas reuniões após, Gracia foi indicado para presidir a comissão organizadora da 1ª Festa Nacional do Vinho (Fenavinho), tendo como vice Enio Fasolo.

A Fenavinho então iria acontecer no ano seguinte, mas meses depois Gracia foi a trabalho aos Estados Unidos e depois a Minais Gerais, ficando a festa acéfala. Mediante a situação, o padre Ernesto Mânica, pároco da Igreja Santo Antônio, que exercia forte liderança na comunidade, procurou o Prefeito para propor a renovação da Diretoria da Fenavinho e indicou o empresário Moysés Michelon para a presidência do evento. Michelon foi procurado pelo Prefeito e pelo Padre em seu escritório na empresa Massas Isabela, em maio de 1966, aceitando o desafio de preparar a festa em seis meses.

A missão foi cumprida com o auxílio do poder público municipal, através da compra da área de terras para a instalação de um pavilhão para sediar o evento, coordenada pelo então prefeito em exercício, o médico Ervalino Bozzetto, que substituía Milton Rosa,afastado por problemas de saúde. O dinheiro da obra veio da promoção de um leilão, da Casa Civil do Governo do Estado e de contribuições de empresas locais que, ao todo, arrecadaram sete milhões e meio de cruzeiros. O Batalhão Ferroviário, na época instalado no município, disponibilizou soldados e oficiais para ajudar na construção do pavilhão e a comunidade se envolveu de forma maciça no projeto. O evento, ocorrido de 25 de fevereiro a 12 de março de 1967, deu à cidade o título de Capital Brasileira do Vinho.

Acesso asfáltico

fenavinho-(6)A visita do então Presidente da República, Humberto de Alencar Castelo Branco, à 1ª Fenavinho também foi articulada pelo padre Mânica.

O padre era amigo e cabo eleitoral do político Daniel Faraco, Ministro da Indústria e Comércio de Castelo Branco, e solicitou a sua intervenção para convidar o Presidente. O Ministro salientou a Castelo Branco que na região estava concentrada a maior produção de uvas e vinhos do Brasil. Também ressaltou que a maior parte da comunidade de Bento Gonçalves estava mobilizada em torno da organização da 1ª Festa Nacional do Vinho.

O Presidente da República aceitou o convite e, na companhia do então chefe da Casa Civil, General Ernesto Geisel, nascido em Bento Gonçalves, e do então governador do estado, Perachi de Barcelos, foi recebido com festa em Bento Gonçalves em 25 de fevereiro de 1967. Percorreu de carro o trajeto entre Porto Alegre e Bento Gonçalves, por estrada de chão, porque o mau tempo não permitiu o deslocamento aéreo da comitiva. No percurso, Castelo Branco perguntou ao então Governador como uma cidade que estava promovendo uma festa nacional não tinha acesso asfáltico. Meses após, foi emitida a ordem de serviço do Estado para o asfaltamento dos 120 quilômetros de estrada entre Bento Gonçalves e a capital do Estado.

 A bebida do pecado

Fena4Outro fato inusitado na história da primeira Fenavinho foi o baile para a escolha da Imperatriz e Damas de Honra. Devido ao curto espaço de tempo para o evento, a data prevista para o baile coincidiu com a quaresma, período em que a igreja católica não permitia a promoção de festas. Consultado sobre o assunto, o padre Mânica autorizou a realização do baile, ocorrido no Clube Ipiranga, com a escolha de Sandra Guerra como Imperatriz e Iegle Ghelen e Liana Mazzini como Damas de Honra.carros-alegoricos

 Além disso, o vinho, até então visto como potencial econômico e também como “a bebida do pecado”, passou a ser enaltecido nos sermões de Mânica e de outros padres da Paróquia Santo Antônio. Eles liam nas missas passagens da Bíblia que citavam o vinho como “a bebida sagrada”. Além disso, o tema escolhido para o desfile de carros alegóricos foi “O Vinho na Bíblia”.

“O doce vinho que afasta as mágoas do coração”

Fenavinho---Moysés-Michelon-(3)“A união de Bento Gonçalves em torno da realização da primeira Fenavinho foi marcante. Ninguém se omitiu à festa”, afirma o empresário Moysés Michelon, que presidiu o evento. “Conseguimos trazer, pela primeira vez, autoridades nacionais para a cidade, incluindo o Presidente da República, Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco e o proprietário do Diário Associados, o embaixador Assis Chateaubriand. A cobertura da imprensa nacional colocou o município no mapa de atrativos turísticos do Brasil”, recorda ele. Michelon observa que a 1ª Fenavinho foi um marco para a cidade, por projetá-la no cenário nacional, fortalecendo a vitivinicultura e impulsionando o crescimento da economia secundária do município.

Fenavinho---Moysés-Michelon-(7)Michelon salienta que nos preparativos da primeira edição foram criados o brasão, o hino e a bandeira de Bento Gonçalves. A bandeira, com fundo branco, ressalta a paz e o trabalho. O brasão, em seus símbolos e cores, recorda a uva e o vinho e exalta o trabalho das famílias bento-gonçalvenses. Conforme diz a letra do hino, escrito por Maria Borges Frota e musicado por Rui Barros, “…uvas de várias castas, enriquecem a região, com teu doce vinho afastas, as mágoas do coração…”. 

A historiadora Assunta de Paris, no Livro Memórias de Bento Gonçalves, ressalta que “a 1ª Fenavinho foi e é a expressão mais plena do esforço de todos, sem reservas. Empresários, trabalhadores abnegados, exército, padres, mulheres, homens, crianças, todos, enfim, deixaram de lado suas diferenças para trabalhar incansavelmente na preparação da festa. Por isso, ela não pertence a ninguém de forma especial, é um patrimônio cultural de nossa comunidade”.

Nossa capa

fenavinho-(11)Nossa capa mostra a naturalidade das jovens da época com a imagem de Sandra Guerra eleita a 1ª Imperatriz do Vinho, aos 16 anos de idade, no dia 26 de novembro de 1966, no salão de festas do Clube Ipiranga. Sandra Guerra Mocellin, hoje com 67 anos, moradora de Porto Alegre, recorda com carinho os momentos vividos na ocasião.

“A Fenavinho nos proporcionou muitas experiências em viagens feitas pelo estado e em entrevistas para programas de TV, revistas e jornais. Também participamos, a Iegle, a Liane e eu, dos programas da Hebe Camargo e do impagável Chacrinha, no seu auge de audiência”, lembra ela.

Fena-34Sandra acentua que a comunidade de Bento Gonçalves foi a maior beneficiada com a promoção da 1ª Fenavinho. “Por ser uma festa temática, divulgou ao país a cultura local e os produtos da região, com destaque ao vinho”, afirma. Ela acrescenta que foi marcante vivenciar a união das pessoas organizadas de forma voluntária, seja em comissões ou individualmente, para disponibilizar hospedagem em casas de família, já que não havia hotéis e pensões suficientes. “Também, foi dada muita atenção à estrutura de alimentação para atender às milhares de pessoas que vieram conhecer a cidade. Foi tudo muito bonito”.

Divulgação nacional

Fena22Outros fatos importantes da primeira edição da festa que divulgaram o evento no cenário nacional foram a distribuição gratuita de vinhos e suco de uva no centro da cidade e a visita do presidente dos Diários e Emissoras Associadas, o embaixador Assis Chateaubriand, um dos brasileiros mais poderosos do século XX, dono de um vasto império de comunicação, responsável por trazer a televisão para a América Latina, entre outros feitos. As estadas do Presidente da República e de Chateaubriand em Bento Gonçalves transformaram a Fenavinho em notícia nos principais meios de comunicação do Brasil.

Revista1A repercussão foi tanta que a Imperatriz e as Damas de Honra foram recebidas em programas de televisão comandados por Hebe Camargo e Chacrinha. A revista O Cruzeiro, um dos veículos dos Diários Associados, de circulação nacional, dedicou a capa e várias páginas da edição de 1º de dezembro de 1970 à Fenavinho e às “Uvas de Bento”, representadas pela Imperatriz e Damas de Honra.

Fenavinho---Moysés-Michelon-(4)Castelo Branco e Chateaubriand foram recepcionados em datas diferentes na recém-inaugurada adega da vinícola Dreher. O vinho servido no almoço presidencial foi engarrafado para a ocasião com o rótulo: “Especial para o almoço presidencial”. Chateaubriand também foi homenageado pela Dreher com o “Velho Capitão”. Ele esteve na cidade a convite do comendador Carlos Dreher Neto, que presidia o Clube Colibri, formado por grandes anunciantes dos Diários Associados.

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Imperatriz e Damas de Honra em visita às vinícolas . Foto: Acerco Itacyr Giacomello

Em 1967, Bento Gonçalves era o maior produtor de vinhos e uvas do Brasil. Também era o maior fabricante de acordeões da América Latina e o segundo no estado em arrecadação pública. Era, ainda, um dos municípios de menor índice de analfabetismo do país.

Trabalho harmônico

“A Fenavinho foi fruto da coragem e da visão empresarial de muita gente. A primeira Fenavinho foi decisiva para mudar os rumos do desenvolvimento de Bento Gonçalves, dando início a uma nova etapa social e econômica do município”. A afirmação é do jornalista Itacyr Giacomello, que coordenou a Comissão de Imprensa do evento durante suas primeiras edições. Ele salienta fenavinho-(4)que, além de valorizar os vinhos e vinhedos da região, a festa abriu caminho e impulsionou os setores moveleiros, metalmecânico e de couros, dando início a atual diversificação do parque industrial de Bento Gonçalves. “A Fenavinho foi um evento irreversível, marcou para sempre Bento Gonçalves no Brasil. Foi um trabalho harmônico e abnegado por todos os envolvidos”, ressalta.

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Itacyr Giacomello

Ele comenta que, em 1967, o setor vinícola liderava a economia secundária do município, capitaneado pelas companhias Dreher, Mônaco, Cooperativa Vinícola Aurora, Vinícola Salton, Vinhos Fontanive, Cooperativa Vinícola Tamandaré, Cia. Vinícola Riograndense e Vinícola Salgado. Acrescenta que o setor moveleiro despontava com as empresas de móveis Miolo, Sperotto, Zardo e, posteriormente, com os mó veis Pozza e Barzenski. 

“Encantados com o vinho, os turistas, na maioria vindos de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, não dispensavam o contato com os moradores locais para entender os detalhes da festa. Foi um evento que surpreendeu o Brasil inteiro”, destaca Itacyr.

Engenharia do vinho encanado

vinho-encanado---CópiaA distribuição do chamado vinho encanado no centro da cidade, que surpreendeu os moradores e visitantes, estava a cargo da Cooperativa Vinícola Aurora, que representava as vinícolas participantes da festa. Posteriormente, cada uma devolvia a ela a porcentagem de vinho e suco de uva distribuído correspondente ao acordo feito entre as vinícolas. A explicação é de Vitalino Nichetti, então funcionário da Cooperativa Vinícola Aurora, que presidiu o trabalho de comissões criadas para a organização da atração.

Vitalino Nichetti

Vitalino Nichetti

“O transporte dos vinhos tinto e branco e do suco e uva da Cooperativa até o centro de Bento Gonçalves, era feito com camionetes. Na primeira edição, as bebidas foram bombeadas até tanques instalados para armazenamento no terceiro andar do Edifício Pozza, no Centro. Do terceiro andar, mangueiras desciam e percorriam a rua Marechal Deodoro até as três tendas onde as bebidas eram distribuídas. A primeira tenda ficava no início da rua Marechal Deodoro, a segunda no meio e a terceira, em frente à Igreja Santo Antônio. Na segunda Fenavinho, o vinho ficou armazenado no Edifício Millan. Na terceira, no prédio da Vinícola Salton. Já na quarta edição do evento, os tanques foram alocados no Edifício Zanoni, permanecendo o mesmo sistema de distribuição às tendas”, conta Nichetti.

Ele acrescenta que somente na 5ª Fenavinho, em 1985, o vinho passou a ser distribuído de forma centralizada na recém-inaugurada “Casa Del Vino”, ainda instalada no centro de Bento Gonçalves, próximo à prefeitura. “Na Casa Del Vino, os vinhos e suco de uva distribuídos passaram a ser refrigerados por um circuito fechado, através dos tanques de aço inoxidável revestidos por pipas de madeira, na parte superior da Casa. Desses tanques, mangueiras conduziam as bebidas até as pequenas pipas fixadas nos balcões que circundam a Casa, onde os visitantes se serviam pelas torneiras. Nas edições anteriores, tanto os vinhos quanto o suco de uva eram servidos em temperatura ambiente”, detalha.

Fena-31Nichetti acrescenta que a Casa Del Vino, contendo 32 barris e 48 torneiras, demandava o trabalho de 24 pessoas entre atendentes, enólogos e técnicos para administrar o sistema. A refrigeração dos tanques, que segundo ele, tinha um papel fundamental para a degustação das bebidas, era controlada por Igino Bitarello. Nichetti ressalta que Hugo Justi, técnico em manutenção da Aurora, também ajudava de forma intensa no que era preciso para o sistema estar sempre em pleno funcionamento. Ele também lembra de Mauro Morbini e Dario Crespi como sendo os enólogos que mais trabalharam com o vinho encanado.

Selos e cartazes Fenavinho 

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