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Representatividade da Safra 2018 em 346 amostras de 49 vinícolas

Quarta maior edição em número de amostras, Avaliação Nacional de Vinhos conclui primeira fase com presença de quatro estados brasileiros

A expectativa em torno da qualidade da Safra 2018 é grande. Tanto é que 49 vinícolas da Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina inscreveram 346 amostras na 26ª Avaliação Nacional de Vinhos, a maior degustação de vinhos de uma safra do planeta. Promovido pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), o evento é único no gênero, evidenciando, muito além de marcas, o desempenho de cada safra, a pluralidade de castas e a performance da cada uma, contribuindo desta forma para a evolução do vinho brasileiro.

 Com estes 346 vinhos, a Avaliação Nacional de Vinhos rompe a barreira das 6 mil amostras. Numa trajetória de 26 edições, o evento soma 6.203 amostras. “Muito mais do que quantidade, a Avaliação Nacional de Vinhos é a vitrine da qualidade e evolução da produção nacional. Não existe no mundo outro evento como este. Nossa bandeira vai muito além de marcas e carrega consigo o DNA de um país formado por muitos terroirs. A Avaliação representa toda esta diversidade”, destaca o presidente da ABE, enólogo Edegar Scortegagna.

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 Encerradas as inscrições, a Associação parte para a segunda etapa: a coleta de amostras. Este processo é feito por um funcionário da Embrapa e/ou membro da diretoria da ABE, que percorre o Brasil, passando por cada vinícola participante. As amostras são retiradas dos tanques, recipientes ou lotes de barricas. Para os vinhos já engarrafados, são solicitadas vistas do estoque para conferir se o volume condiz com as regras.

A terceira etapa envolverá cerca de 120 enólogos brasileiros, que participarão da Degustação de Seleção no Laboratório de Análises Sensoriais da Embrapa Uva e Vinho, durante o mês de agosto. Às cegas, eles avaliarão cada amostra e o resultado somente será anunciado no dia 29 de setembro, no Pavilhão E do Parque de Eventos de Bento Gonçalves, quando cerca de 900 apreciadores conhecerão a relação dos 30% mais representativos em cada uma das cinco categorias. O público poderá, ainda, degustar 16 amostras selecionadas, provando na taça a representatividade da Safra 2018. As inscrições para os apreciadores abrem somente no início de setembro.

Imagens: Jeferson Soldi

Qualidade marca a safra de uva 2018 no Rio Grande do Sul 

Foram colhidos 663,2 milhões de quilos de uvas destinados ao processamento de produtos vinícolas. Estado gaúcho responde por 90% da produção nacional

Festejada pelos vitivinicultores como uma das melhores safras de uva da década em termos de qualidade, a colheita 2018 contabilizou o ingresso de 663,2 milhões de quilos da fruta nas vinícolas gaúchas. O volume, considerado dentro da normalidade histórica, é 12% menor que a vindima anterior. Do total, 597.699.541 foram de uvas americanas e híbridas e 65.540.421 de Vitis viniferas. Nesta safra, 113 variedades de uva foram colhidas em 129 municípios do Rio Grande do Sul, com processamento realizado em 64 cidades do Estado. Assim como nos últimos seis anos, 50% da produção foi destinada à elaboração de suco.

Marcio Ferrari, vice-presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e coordenador da Comissão Interestadual da Uva, explica que a queda na produção já era esperada, devido, principalmente, a supersafra de 2017 – a maior da história –, quando foram colhidos 753,2 milhões de quilos de uva para processamento. “Naturalmente, depois de uma colheita muito grande a parreira fica debilitada, sofrendo uma redução na produção. Também tivemos poucas horas de frio no inverno de 2017, o que fez com ela brotasse menos e, consequentemente, diminuísse o volume”, assinala.

O dirigente ressalta, ainda, a importância de uma boa matéria-prima para que os rótulos brasileiros continuem se destacando no mercado interno e no Exterior. “A qualidade desta safra se mostrou muito superior, tanto para os viticultores que vendem a uva para o processamento, como os que comercializamin natura. Quando falamos em qualidade é importante ressaltar que não levamos apenas em consideração a graduação de açúcar (brix), mas a sanidade e a cor da fruta. São esses três fatores que irão resultar em produtos de excelência”, pontua.

O presidente do Ibravin, Oscar Ló, concorda com a avaliação do vice-presidente da entidade, elogiando a qualidade da matéria-prima para a elaboração de vinhos, espumantes e sucos de uva. “Será uma safra de referência, especialmente para os vinhos tintos de guarda. A nossa expectativa é que reflita positivamente no setor, ajudando impulsionar as vendas”, acrescenta.

Entre as cultivares com maior produtividade neste ano no Estado estão a Isabel, Bordô e Niágara branca, entre as americanas e híbridas, e a Moscato branco, Merlot e Chardonnay, nas Vitis viniferas. “Pelos números, a variedade Bordô mostrou um crescimento no volume, se aproximando mais da produção da Isabel, pois é uma uva mais rentável, que vem sendo bastante solicitada para a produção de suco. Também percebemos uma grande produção da Niágara, que praticamente não tinha produzido na safra passada”, explica Ferrari.

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Flores da Cunha foi cidade que mais produziu uvas para processamento. Já Bento Gonçalves teve o maior volume de vinificação. Neste ano, a safra de uva começou na segunda quinzena de dezembro, no Vale dos Vinhedos, e encerrou no início de abril, nos Campos de Cima da Serra, região de maior altitude no Rio Grande do Sul. O Estado responde por 90% das uvas para processamento no Brasil.

18ª Jornada da Viticultura Gaúcha
Os dados da safra 2018 serão apresentados na 18ª Jornada da Viticultura Gaúcha, nesta quarta-feira (27), a partir das 8h30min, no Salão da Comunidade de Faria Lemos, distrito de Bento Gonçalves. A programação inclui a história da Comissão Interestadual da Uva, explanação sobre as conquistas e as atuais reivindicações setoriais, assistência técnica para otimização dos custos de produção e as perspectivas climáticas para a próxima safra (programação completa em anexo).

Dados da safra de uva para processamento 2018:

Total processado: 663.239.961 quilos de uva
– Uvas americanas e híbridas: 597.699.541 (90%)
– Vitis viniferas: 65.540.421 (10%)

Destino das uvas:       
– Vinhos e derivados: 50%
– Sucos e derivados: 50%

Vinícolas ativas no Rio Grande do Sul: 682
Vinícolas que processaram uvas em 2018: 410

Total de municípios que produziram uvas para processamento: 129
Total de municípios que processaram uva: 64

Principais cultivares americanas e híbridas: Isabel (216.376.954 quilos), Bordô (158.499.677 quilos) e Niágara branca (43.018.822 quilos)
Principais cultivares Vitis vinifera: Moscato branco (11.170.250 quilos), Merlot (6.201.038 quilos) e Chardonnay (6.052.520 quilos)

As safras anteriores*:

Ano Volume (milhões de kg)
2011 709,6
2012 696,9
2013 611,3
2014 606,1
2015 702,9
2016 300,3
2017 753,2

* Uvas para processamento de vinhos, espumantes, sucos e derivados. Dados referentes ao Rio Grande do Sul, provenientes do Cadastro Vitícola, mantido por meio de parceria entre Ibravin e Embrapa Uva e Vinho, com recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis).

 

MUNICÍPIOS COM MAIOR PRODUÇÃO

Flores da Cunha 100.955.699 quilos
Bento Gonçalves 98.519.420 quilos
Farroupilha 58.824.662 quilos
Caxias do Sul 54.376.210 quilos
Garibaldi 46.018.252 quilos
 

MUNICÍPIOS COM MAIOR PROCESSAMENTO

Bento Gonçalves 214.034.814 quilos
Flores da Cunha 171.074.079 quilos
Caxias do Sul 57.558.581 quilos
Farroupilha 56.296.016 quilos
Garibaldi 36.064.892 quilos

DEPOIMENTOS DAS REGIÕES PRODUTORAS DO RIO GRANDE DO SUL:

CAMPOS DE CIMA DA SERRA
PAULA SCHENATTO, enóloga:
“Foi uma excelente safra, como na maioria das regiões. A produção foi um pouco menor, devido as geadas na primavera, mas não chegamos a ter grandes prejuízos com isso, apenas uma pequena redução no volume. O consumidor pode esperar ótimos produtos dessa safra. Nos Campos de Cima, as variedades que mais se destacaram foram Cabernet Sauvignon, Merlot, Sauvingnon Blanc e Chardonnay.”

CAMPANHA GAÚCHA
CLORI PERUZZO, vitivinicultora e presidente da Associação dos Produtores de Vinhos Finos da Campanha Gaúcha:
“Tivemos pouca produção, mas com muita qualidade nas uvas. A falta de chuvas na época da maturação ajudou muito para que atingíssemos uma qualidade alta. Todas as castas superaram as expectativas, o que fará com que tenhamos vinhos ainda melhores do que os dos últimos anos.”

SERRA DO SUDESTE
ANTONIO CZARNOBAY, enólogo:
“Foi uma safra complicada em termos de volume. Tivemos problemas de chuva na floração e depois, quando o cacho já estava formado, com o vento e grazino. Tivemos muitas perdas no volume. Entretanto, no quesito qualidade, foi muito, muito bem. A Chardonnay, Merlot e Touriga tiveram um resultado bem interessante. Acredito que a última safra que tivemos tão boa quanto essa foi a de 2012.”

SERRA GAÚCHA
OLIR SCHIVENIN, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Flores da Cunha e Nova Pádua:        
“Apesar de não termos tido um inverno tão rigoroso, avalio a safra como sendo muito positiva, superando as expectativas. Tivemos um bom volume e a qualidade foi muito boa, principalmente a bordô, que é uma das mais produzida. O sabor, o aroma, a cor e graduação estão excelentes. Temos tudo para ter a melhor safra da década ou da história da vitivinicultura.”

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Legenda: 
Isabel, Bordô e Niágara branca (americanas e híbridas) e Moscato branco, Merlot e Chardonnay (Vitis viniferas) foram as variedades que apresentaram maior produtividade nesta safra        
Crédito: 
Dandy Marchetti/Ibravin


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2018 promete entrar na lista de grandes safras do Vale dos Vinhedos

Qualidade da uva colhida durante a Vindima 2018 no Vale dos Vinhedos se equipara a 2005 e 2012

Depois de um 2016 de grandes perdas, onde a colheita foi consideravelmente menor em quilos do que a média esperada, de um 2017 onde a quantidade de uvas atingiu expectativas, porém a qualidade manteve a média, chegou à vez de 2018 surpreender: uma colheita menor em quantidade, mas com destaque pela qualidade das uvas. Oficialmente encerrada após três meses de colheita, a Vindima 2018 trouxe a certeza sobre a qualidade dos cachos e a possibilidade de elaboração de grandes vinhos.

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Os amantes do vinho já sabem que o cultivo da uva depende de inúmeros fatores. A qualidade e as características da terra onde os vinhedos são cultivados, o trabalho diário do agricultor e o clima nas quatro estações do ano são influências importantes. Ao findar de cada colheita já iniciam os trabalhos de preparo para a nova safra que será realizada no ano posterior. Que nossas terras são propícias para o cultivo e o saber fazer de nossa gente, já não se discute. O clima é o grande desafio para o cultivo local em função de a natureza ser imprevista apesar da tecnologia avançada. Em relação ao tema, o desenvolvimento desta safra teve temperaturas bem divididas: noites frescas e dias quentes, inverno equilibrado e a antecipação da primavera. Apesar de picos de chuva em janeiro deste ano, elas não foram suficientes para influenciar de forma significativa. As cores e aromas foram intensificados e a doçura contribuirá para a elaboração de vinhos ícones com graduação mais elevada.

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Atendendo as expectativas dos enólogos das 23 vinícolas associadas a Aprovale, vinhos incríveis levarão o ano de 2018 a galeria das grandes safras de vinhos ícones. Segundo o diretor técnico da Aprovale e presidente do Conselho Regulador da Indicação Geográfica Vale dos Vinhedos, Daniel de Paris “a safra foi excelente, com uvas super maduras, de maturação fenólica muito boa e que originarão vinhos estruturados de altíssima qualidade”.

A tendência é que os rótulos tradicionalmente elaborados venham com qualidade ainda mais elevada e que os vinhos lançados apenas em safras especiais sejam reeditados em 2018. Os primeiros a chegarem ao mercado serão os brancos e espumantes, no segundo semestre do ano. Os tintos levam um tempo maior de maturação e levam mais tempo para serem lançados, mas a espera valerá a pena.

A qualidade da safra e a Denominação de Origem Vale dos Vinhedos (D.O.V.V.)

O Vale dos Vinhedos é a única Denominação de Origem para vinhos no Brasil e suas regras são bastante específicas, principalmente quanto aos cultivares autorizados e produtividade por pé e hectare. A qualidade dos produtos inscritos também é avaliada por um corpo especializado de degustadores. Ao adquirir um vinho com  D.O.V.V.,  o consumidor leva pra casa um vinho com as características únicas do Vale dos Vinhedos e a certeza de qualidade.

O processo de avaliação dos vinhos acontece sempre em setembro de cada ano e a expectativa para grandes safras, a exemplo de 2012, ano em que a D.O.V.V. foi oficialmente reconhecida pelo INPI, é de cerca de 20 amostras inscritas.

O processo da D.O.V.V. evoluiu ano a ano e, após 5 anos de reconhecimento e trabalho de internalização do conceito, o número de amostras aumentou. Em 2018 a expectativa decorrente da qualidade da safra, é de mais de 25 amostras inscritas por mais de 12 vinícolas associadas a Aprovale.

As regras completas para a para a D.O.V.V. podem ser conferidas no site do Vale, neste link: http://www.valedosvinhedos.com.br/vale/conteudo.php?view=98&idpai=132

 Fotos: Gilmar Gomes

Festa da Abertura da Vindima de Monte Belo do Sul inicia no dia 24 de janeiro

Entre os dias 24 e 28 de janeiro, Monte Belo do Sul promoverá a 7ª edição da Festa de Abertura da Vindima, evento oficial do município. Tendo como tema “Brindando Uva, Vinho e Pão”, a Festa acontecerá no Centro Comunitário da Vindima, complexo que abrange o Campo Municipal e Ginásio de Esportes, situado na sede do município. Na entrada, o valor de R$ 7,00 dará direito a uma taça personalizada e um vale uva, bem como o acesso a todas as atrações. Além das atividades e apresentações culturais, gastronomia típica, e cursos de degustação de vinho, também ocorre a EXPOMONTE – Feira de Negócios. Haverá a tradicional  exposição e distribuição de Uva, espaço para recreação infantil e shows diversos.

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Programação

Na quarta-feira,24, a abertura oficial será agraciada com a apresentação das oficinas de Música e Canto do Projeto “Monte Belo: Música, Canto e Dança”, bem como da Orquestra Municipal de Nova Prata. Já a quinta-feira contará com as apresentações da Oficina de Dança Italiana Infantil e Grupo Vicentino, com posterior apresentação do Filme “O Filme da Minha Vida”, de Selton Melo.

Desfile 02

A tarde da sexta-feira, 27, será dedicada à Melhor Idade, enquanto a noite contará com a apreciação da companhia de artes Caripaiguarás, precedendo o show nacional com Thomas Machado, vencedor do programa The Voice Kids 2017. No sábado, a Tarde Infantil será animada pela Cia Garagem de Teatro e brinquedos infláveis. Também nesse dia haverá a apresentação do Grupo de Cantos San Piero, seguido pela Banda de Rock Black Adder e show nacional com Rodrigo Ferrari, na sequência com DJ.

Desfile 03

No domingo, 28, a manhã contará com a realização do Torneio de Bochas – Modelo 48 e 1º Pedal da Vindima, em parceria com o grupo local Ciclistas Del Monte. À tarde, o show com Fanfarra Bersaglieri irá preceder uma das principais atrações da Festa, o Desfile de Carros Alegóricos, com início às 14h30min. Show com o Grupo Girotondo Italianíssimo, apresentação do Grupo Ballo D’Itália e o show de encerramento artístico com a Banda Magia do Amor. A programação será findada com o espetáculo pirotécnico.

Atrações artísticas

Para o Secretário Municipal de Cultura e Turismo e Presidente da Festa de Abertura da Vindima 2018, senhor Alvaro Manzoni: “o resgate da Festa de Abertura da Vindima se deve à necessidade da divulgação cultural e turística do município, apoio aos empreendedores, incentivo aos valores artísticos locais, como é o caso do Projeto “Monte Belo: Música, Canto e Dança”, que recebeu o Prêmio Gestor Público 2017. O evento também valoriza o trabalho do agricultor, revive a memória da imigração e fortalece a identidade enquanto descendentes de imigrantes de italianos, ao mesmo tempo que integra as demais etnias que compõe o município à nossa realidade histórica”.

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Show

Além do Uvalino, mascote do evento, a Festa de Abertura da Vindima conta com a representação das Soberanas, nesta edição composta pela Rainha Eduarda Canossa, 1ª Princesa Letícia Viel e 2ª Princesa Lilian Roieski, que estarão aguardando e acolhendo com muita receptividade todos os visitantes.

Confecção de Artesanato

O evento é uma realização da Prefeitura Municipal, com financiamento do Pró-Cultora/RS, da Secretaria de Estado da Cultura, patrocínio da Monello, da empresa Nutrire Indústria de Alimentos, Sicredi e Banrisul, e apoio cultural da AMESNE, Emater, Roder, APROBELO, TBT Produções, ACAMB e CTI.

Por: Equipe Organizadora FEAVI 2018

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Após recorde de 2017, safra da uva deverá ficar dentro da média histórica  

Com antecipação do início da colheita em torno 15 dias em relação ao período normal, vitivinicultores projetam volume 20% menor que o colhido no ano anterior, com ganhos na qualidade

Depois de registrar a maior colheita da história do Rio Grande do Sul, com 753 milhões de quilos de uva em 2017, antecedida pela quebra de safra recorde em 2016, com perda de 57%, a vindima 2018 deverá ficar dentro da normalidade e chegar a cerca de 600 mil toneladas da fruta destinadas ao processamento. Produtores e indústria estão otimistas com o desenvolvimento da produção no campo até o momento. As condições climáticas e o manejo adequado realizado ao longo dos meses estão proporcionando às uvas boa qualidade e níveis altos de graduação de açúcar, o que deverá resultar, novamente, em ótimos vinhos, espumantes e sucos de uvas 100%.

De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e também presidente da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho/RS), Oscar Ló, as primeiras uvas para processamento começaram a ser colhidas na segunda quinzena de dezembro, cerca de 15 dias antes do período normal. “As variedades precoces estavam adiantadas por conta do pouco frio feito no inverno. A brotação começou antes, porém, as noites mais frias no mês de dezembro fizeram com que as variedades tardias estejam maturando no período considerado normal. Isso pode prolongar a safra gaúcha, fazendo com que até o término, em março, ela feche o ciclo. A previsão é de um volume 20% menor do que no ano passado, e, devido às regularidades das chuvas e as uvas estarem amadurecendo com clima mais seco, vamos ter uma excelente qualidade. O clima está mais seco, as uvas estão com a sanidade melhor”, avalia.

Safra - Crédito Silvia Tonon

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS) também projeta uma safra dentro da média dos últimos anos. “Contabilizando todas as uvas, independente do destino, e incluindo o consumo in natura, acreditamos que devam ser colhidas cerca de 750 mil toneladas da fruta em todo o Estado. Se mensurássemos apenas as uvas para processamento, destinadas a elaboração de vinhos, espumantes e sucos de uva, acreditamos que este número passará para, aproximadamente, 600 mil toneladas”, prevê Enio Ângelo Todeschini, engenheiro agrônomo e assistente técnico regional de fruticultura da Emater. “Se o clima continuar assim para viticultura é muito bom, pois diminui o risco de doenças e melhora a maturação da uva. Por enquanto, a qualidade está excelente. O cultivo ao longo de 2017 foi dentro do recomendado, com podas, adubação sem exagero e com plantas com cobertura de solo, o que evita a perda de água e nutrientes, ou seja, a erosão, deixando a videira sem maiores riscos”, completa.

As variedades Bordô, Niágara, Violeta, Concord, Pinot Noir e Chardonnay, por exemplo, foram as primeiras a serem colhidas no Estado. Neste mês, as vinícolas estão recebendo também as Merlot, Riesling Itálico e Glera (Prosecco), e em fevereiro e março serão a vez das Cabernet Souvignon e Franc, Tannat, Moscato Branco, Isabel e Trebbiano.

Para o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Garibaldi, Denis Debiasi, a redução na produção da videira será uma das variáveis responsáveis pela boa qualidade da fruta. “Vamos ter uma diminuição no volume, pois no ano passado a safra foi grande e, claro, a parreira não aguenta dois anos seguidos grandes volumes. Mas isso também é bom, pois não houve acúmulo de uvas nas parreiras, as uvas estão mais distribuídas e se desenvolveram melhor. Na região, tem gente colhendo com um grau de açúcar bem satisfatório. Essas noites amenas, com chuvas periódicas e dias quentes nos proporcionam uma qualidade melhor, em que as uvas amadurecem dentro da normalidade. Quando a matéria-prima vem boa, melhora toda a cadeia”, pontua Debiasi.

Segundo o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus, as previsões climáticas previstas para o auge da safra 2018, no primeiro mês do ano, deverão se manter positivas para que se colham as uvas com a maturação adequada. “Os prognósticos meteorológicos apontam para uma influência moderada do La Niña até o final de janeiro, ou seja, uma incidência de chuvas abaixo do normal, o que favorece a maturação e, consequentemente, a boa qualidade das uvas. Estamos acompanhando as previsões, mas ainda é precipitado falar de fevereiro ou março”, observa.

Marcio Ferrari, vice-presidente do Ibravin, coordenador da Comissão Interestadual da Uva e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Farroupilha, explica que as precipitações ocorridas nos últimos meses de 2017 na Serra Gaúcha – região responsável por 85% da produção nacional – foram pontuais e não deverão prejudicar o volume total que será colhido em todo o Estado: “Tivemos algumas perdas em função da chuva de pedra, mas, de uma forma geral, essa diminuição de safra se dá em função da formação de cachos menores”, explica.

 Segundo o Cadastro Vitícola, no Rio Grande do Sul são cultivadas 138 variedades de uva, entre viníferas (destinadas à produção de vinhos finos e espumantes) e uvas americanas e híbridas (reservadas à elaboração de vinhos de mesa e sucos). As principais regiões produtoras são: a Serra, a Serra do Sudeste, os Campos de Cima e a Campanha.

Os números das últimas safras gaúchas*             

Ano Volume (milhões de quilos)
2011 709,6
2012 696,9
2013 611,3
2014 606,1
2015 702,9
2016 300,3
2017 753,2

 *Uvas para processamento de vinhos, espumantes, sucos de uva e derivados. Dados referentes ao estado do Rio Grande do Sul, provenientes do Cadastro Vinícola, mantido por meio de parceria entre Ibravin e Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi/RS), com recurso do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis).

 
Foto: Silvia Tonon

Governo Federal define preço mínimo da uva em R$ 0,92

 uva isabelO Governo Federal definiu o preço mínimo a ser pago para a uva industrial na safra 2017/2018 em R$ 0,92. O valor é referente à variedade Isabel de 15 graus Babo e foi estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional e publicado no Diário Oficial da União na última sexta-feira (8) por meio da portaria 2646, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O índice é valido para as regiões Sul, Sudeste e Nordeste do país e estará em vigência de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2018.