Posts

Fenavinho: Há 50 anos, festa acelerou o crescimento de Bento Gonçalves

Reportagem: Natália Zucchi
Edição: Kátia Bortolini

Mudança nos estatutos com previsão de retorno em 2019

selo-fenavinho-450x333O presidente da última Fenavinho, João Strapazzon, ocorrida em 2011, permanece temporariamente no cargo para convocar a assembleia que elegerá a diretoria da próxima edição, prevista para 2019.

Há três comitês trabalhando nessa tentativa de retorno. O primeiro, formado por juristas e advogados, reviu os estatutos da festa, permitindo a participação do poder público. O segundo, é formado por profissionais que estão renegociando as dívidas deixadas pela última edição, na ordem de R$ 1,2 milhão. O terceiro comitê tem a tarefa de projetar como a próxima edição sairá do papel. Conforme Strapazzon, parte do valor da dívida já foi abatido por empresas e pessoas físicas credoras que deixaram o valor do débito como contribuição à festa.

Para o decorrer deste ano estão previstas diversas ações alusivas ao cinquentenário do evento, considerado patrimônio da comunidade. Entre elas, desfiles temáticos na Semana da Pátria, em setembro, e no aniversário de emancipação política de Bento Gonçalves, em outubro. O projeto de comemoração dos 50 anos da Fenavinho, coordenado pela prefeitura, está envolvendo 40 entidades.

Fena-11

O Jornal Integração da Serra reporta, neste especial Fenavinho 50 anos, histórias e fatos pitorescos dos bastidores da festa que projetou Bento Gonçalves nacionalmente, com destaque para acontecimentos da primeira edição do evento.

“Fuzide Bento”

boneco-fenavinhop2Um dos fatos mais pitorescos da Fenavinho, presente no imaginário popular, aconteceu na terceira edição da festa, ocorrida de 15 de fevereiro a 9 de março de 1975. Um dos bonecos colocados pela organização em postes para enfeitar a cidade, teria sido furtado por uma turma de Caxias do Sul e pendurado na entrada daquele município, portando um cartaz no pescoço com os dizeres: “Fuzi de Bento”.

3246121756_99dfb6e725_oAo se deparar com a brincadeira, a prefeitura de Caxias do Sul, para evitar confusões, resgatou o boneco e providenciou que voltasse ao seu poste de origem, em Bento Gonçalves. Três dias depois, o mesmo boneco aparece na entrada de Caxias, de novo no mesmo poste,com outro cartaz pendurado com os dizeres “Fuzi de novo”, e ficou por lá mesmo. Na fenavinho-(1)época, a rivalidade entre os dois municípios era muito presente.

A história do boneco consta no livro de contos de causos “Frótole e Buzie”, dos escritores bento-gonçalvenses Ademir Antonio Bacca e Hary Dalla Colletta (in memoriam).

A primeira edição da Festa

A ideia da festa surgiu na Associação de ex-Alunos do Colégio Marista Aparecida. A associação promovia dois a três eventos por ano, muito frequentados por jovens da época. Em 1965,por ocasião dos 25 anos da educação Marista em Bento Gonçalves, a associação optou por promover um evento maior, designado Festa do Vinho, na época o principal produto da cadeia secundária do município.

A proposta, liderada pelo presidente da associação, engenheiro agrônomo Loreno Gracia e por seu vice, o empresário Moysés Michelon, contagiou seus pares e a direção do colégio. Como o ano também coincidia com os 50 anos da instalação das Irmãs Carlistas do Colégio Medianeira no município e com os 75 anos de emancipação política de Bento Gonçalves, Gracia e o irmão marista Avelino Madalosso, diretor do Colégio Aparecida na época,visitaram o então prefeito Milton Rosa e sugeriram a realização da Festa do Vinho, englobando as três comemorações. O Prefeito gostou da ideia e, algumas reuniões após, Gracia foi indicado para presidir a comissão organizadora da 1ª Festa Nacional do Vinho (Fenavinho), tendo como vice Enio Fasolo.

A Fenavinho então iria acontecer no ano seguinte, mas meses depois Gracia foi a trabalho aos Estados Unidos e depois a Minais Gerais, ficando a festa acéfala. Mediante a situação, o padre Ernesto Mânica, pároco da Igreja Santo Antônio, que exercia forte liderança na comunidade, procurou o Prefeito para propor a renovação da Diretoria da Fenavinho e indicou o empresário Moysés Michelon para a presidência do evento. Michelon foi procurado pelo Prefeito e pelo Padre em seu escritório na empresa Massas Isabela, em maio de 1966, aceitando o desafio de preparar a festa em seis meses.

A missão foi cumprida com o auxílio do poder público municipal, através da compra da área de terras para a instalação de um pavilhão para sediar o evento, coordenada pelo então prefeito em exercício, o médico Ervalino Bozzetto, que substituía Milton Rosa,afastado por problemas de saúde. O dinheiro da obra veio da promoção de um leilão, da Casa Civil do Governo do Estado e de contribuições de empresas locais que, ao todo, arrecadaram sete milhões e meio de cruzeiros. O Batalhão Ferroviário, na época instalado no município, disponibilizou soldados e oficiais para ajudar na construção do pavilhão e a comunidade se envolveu de forma maciça no projeto. O evento, ocorrido de 25 de fevereiro a 12 de março de 1967, deu à cidade o título de Capital Brasileira do Vinho.

Acesso asfáltico

fenavinho-(6)A visita do então Presidente da República, Humberto de Alencar Castelo Branco, à 1ª Fenavinho também foi articulada pelo padre Mânica.

O padre era amigo e cabo eleitoral do político Daniel Faraco, Ministro da Indústria e Comércio de Castelo Branco, e solicitou a sua intervenção para convidar o Presidente. O Ministro salientou a Castelo Branco que na região estava concentrada a maior produção de uvas e vinhos do Brasil. Também ressaltou que a maior parte da comunidade de Bento Gonçalves estava mobilizada em torno da organização da 1ª Festa Nacional do Vinho.

O Presidente da República aceitou o convite e, na companhia do então chefe da Casa Civil, General Ernesto Geisel, nascido em Bento Gonçalves, e do então governador do estado, Perachi de Barcelos, foi recebido com festa em Bento Gonçalves em 25 de fevereiro de 1967. Percorreu de carro o trajeto entre Porto Alegre e Bento Gonçalves, por estrada de chão, porque o mau tempo não permitiu o deslocamento aéreo da comitiva. No percurso, Castelo Branco perguntou ao então Governador como uma cidade que estava promovendo uma festa nacional não tinha acesso asfáltico. Meses após, foi emitida a ordem de serviço do Estado para o asfaltamento dos 120 quilômetros de estrada entre Bento Gonçalves e a capital do Estado.

 A bebida do pecado

Fena4Outro fato inusitado na história da primeira Fenavinho foi o baile para a escolha da Imperatriz e Damas de Honra. Devido ao curto espaço de tempo para o evento, a data prevista para o baile coincidiu com a quaresma, período em que a igreja católica não permitia a promoção de festas. Consultado sobre o assunto, o padre Mânica autorizou a realização do baile, ocorrido no Clube Ipiranga, com a escolha de Sandra Guerra como Imperatriz e Iegle Ghelen e Liana Mazzini como Damas de Honra.carros-alegoricos

 Além disso, o vinho, até então visto como potencial econômico e também como “a bebida do pecado”, passou a ser enaltecido nos sermões de Mânica e de outros padres da Paróquia Santo Antônio. Eles liam nas missas passagens da Bíblia que citavam o vinho como “a bebida sagrada”. Além disso, o tema escolhido para o desfile de carros alegóricos foi “O Vinho na Bíblia”.

“O doce vinho que afasta as mágoas do coração”

Fenavinho---Moysés-Michelon-(3)“A união de Bento Gonçalves em torno da realização da primeira Fenavinho foi marcante. Ninguém se omitiu à festa”, afirma o empresário Moysés Michelon, que presidiu o evento. “Conseguimos trazer, pela primeira vez, autoridades nacionais para a cidade, incluindo o Presidente da República, Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco e o proprietário do Diário Associados, o embaixador Assis Chateaubriand. A cobertura da imprensa nacional colocou o município no mapa de atrativos turísticos do Brasil”, recorda ele. Michelon observa que a 1ª Fenavinho foi um marco para a cidade, por projetá-la no cenário nacional, fortalecendo a vitivinicultura e impulsionando o crescimento da economia secundária do município.

Fenavinho---Moysés-Michelon-(7)Michelon salienta que nos preparativos da primeira edição foram criados o brasão, o hino e a bandeira de Bento Gonçalves. A bandeira, com fundo branco, ressalta a paz e o trabalho. O brasão, em seus símbolos e cores, recorda a uva e o vinho e exalta o trabalho das famílias bento-gonçalvenses. Conforme diz a letra do hino, escrito por Maria Borges Frota e musicado por Rui Barros, “…uvas de várias castas, enriquecem a região, com teu doce vinho afastas, as mágoas do coração…”. 

A historiadora Assunta de Paris, no Livro Memórias de Bento Gonçalves, ressalta que “a 1ª Fenavinho foi e é a expressão mais plena do esforço de todos, sem reservas. Empresários, trabalhadores abnegados, exército, padres, mulheres, homens, crianças, todos, enfim, deixaram de lado suas diferenças para trabalhar incansavelmente na preparação da festa. Por isso, ela não pertence a ninguém de forma especial, é um patrimônio cultural de nossa comunidade”.

Nossa capa

fenavinho-(11)Nossa capa mostra a naturalidade das jovens da época com a imagem de Sandra Guerra eleita a 1ª Imperatriz do Vinho, aos 16 anos de idade, no dia 26 de novembro de 1966, no salão de festas do Clube Ipiranga. Sandra Guerra Mocellin, hoje com 67 anos, moradora de Porto Alegre, recorda com carinho os momentos vividos na ocasião.

“A Fenavinho nos proporcionou muitas experiências em viagens feitas pelo estado e em entrevistas para programas de TV, revistas e jornais. Também participamos, a Iegle, a Liane e eu, dos programas da Hebe Camargo e do impagável Chacrinha, no seu auge de audiência”, lembra ela.

Fena-34Sandra acentua que a comunidade de Bento Gonçalves foi a maior beneficiada com a promoção da 1ª Fenavinho. “Por ser uma festa temática, divulgou ao país a cultura local e os produtos da região, com destaque ao vinho”, afirma. Ela acrescenta que foi marcante vivenciar a união das pessoas organizadas de forma voluntária, seja em comissões ou individualmente, para disponibilizar hospedagem em casas de família, já que não havia hotéis e pensões suficientes. “Também, foi dada muita atenção à estrutura de alimentação para atender às milhares de pessoas que vieram conhecer a cidade. Foi tudo muito bonito”.

Divulgação nacional

Fena22Outros fatos importantes da primeira edição da festa que divulgaram o evento no cenário nacional foram a distribuição gratuita de vinhos e suco de uva no centro da cidade e a visita do presidente dos Diários e Emissoras Associadas, o embaixador Assis Chateaubriand, um dos brasileiros mais poderosos do século XX, dono de um vasto império de comunicação, responsável por trazer a televisão para a América Latina, entre outros feitos. As estadas do Presidente da República e de Chateaubriand em Bento Gonçalves transformaram a Fenavinho em notícia nos principais meios de comunicação do Brasil.

Revista1A repercussão foi tanta que a Imperatriz e as Damas de Honra foram recebidas em programas de televisão comandados por Hebe Camargo e Chacrinha. A revista O Cruzeiro, um dos veículos dos Diários Associados, de circulação nacional, dedicou a capa e várias páginas da edição de 1º de dezembro de 1970 à Fenavinho e às “Uvas de Bento”, representadas pela Imperatriz e Damas de Honra.

Fenavinho---Moysés-Michelon-(4)Castelo Branco e Chateaubriand foram recepcionados em datas diferentes na recém-inaugurada adega da vinícola Dreher. O vinho servido no almoço presidencial foi engarrafado para a ocasião com o rótulo: “Especial para o almoço presidencial”. Chateaubriand também foi homenageado pela Dreher com o “Velho Capitão”. Ele esteve na cidade a convite do comendador Carlos Dreher Neto, que presidia o Clube Colibri, formado por grandes anunciantes dos Diários Associados.

Fena-33

Imperatriz e Damas de Honra em visita às vinícolas . Foto: Acerco Itacyr Giacomello

Em 1967, Bento Gonçalves era o maior produtor de vinhos e uvas do Brasil. Também era o maior fabricante de acordeões da América Latina e o segundo no estado em arrecadação pública. Era, ainda, um dos municípios de menor índice de analfabetismo do país.

Trabalho harmônico

“A Fenavinho foi fruto da coragem e da visão empresarial de muita gente. A primeira Fenavinho foi decisiva para mudar os rumos do desenvolvimento de Bento Gonçalves, dando início a uma nova etapa social e econômica do município”. A afirmação é do jornalista Itacyr Giacomello, que coordenou a Comissão de Imprensa do evento durante suas primeiras edições. Ele salienta fenavinho-(4)que, além de valorizar os vinhos e vinhedos da região, a festa abriu caminho e impulsionou os setores moveleiros, metalmecânico e de couros, dando início a atual diversificação do parque industrial de Bento Gonçalves. “A Fenavinho foi um evento irreversível, marcou para sempre Bento Gonçalves no Brasil. Foi um trabalho harmônico e abnegado por todos os envolvidos”, ressalta.

fenavinho-(3)

Itacyr Giacomello

Ele comenta que, em 1967, o setor vinícola liderava a economia secundária do município, capitaneado pelas companhias Dreher, Mônaco, Cooperativa Vinícola Aurora, Vinícola Salton, Vinhos Fontanive, Cooperativa Vinícola Tamandaré, Cia. Vinícola Riograndense e Vinícola Salgado. Acrescenta que o setor moveleiro despontava com as empresas de móveis Miolo, Sperotto, Zardo e, posteriormente, com os mó veis Pozza e Barzenski. 

“Encantados com o vinho, os turistas, na maioria vindos de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, não dispensavam o contato com os moradores locais para entender os detalhes da festa. Foi um evento que surpreendeu o Brasil inteiro”, destaca Itacyr.

Engenharia do vinho encanado

vinho-encanado---CópiaA distribuição do chamado vinho encanado no centro da cidade, que surpreendeu os moradores e visitantes, estava a cargo da Cooperativa Vinícola Aurora, que representava as vinícolas participantes da festa. Posteriormente, cada uma devolvia a ela a porcentagem de vinho e suco de uva distribuído correspondente ao acordo feito entre as vinícolas. A explicação é de Vitalino Nichetti, então funcionário da Cooperativa Vinícola Aurora, que presidiu o trabalho de comissões criadas para a organização da atração.

Vitalino Nichetti

Vitalino Nichetti

“O transporte dos vinhos tinto e branco e do suco e uva da Cooperativa até o centro de Bento Gonçalves, era feito com camionetes. Na primeira edição, as bebidas foram bombeadas até tanques instalados para armazenamento no terceiro andar do Edifício Pozza, no Centro. Do terceiro andar, mangueiras desciam e percorriam a rua Marechal Deodoro até as três tendas onde as bebidas eram distribuídas. A primeira tenda ficava no início da rua Marechal Deodoro, a segunda no meio e a terceira, em frente à Igreja Santo Antônio. Na segunda Fenavinho, o vinho ficou armazenado no Edifício Millan. Na terceira, no prédio da Vinícola Salton. Já na quarta edição do evento, os tanques foram alocados no Edifício Zanoni, permanecendo o mesmo sistema de distribuição às tendas”, conta Nichetti.

Ele acrescenta que somente na 5ª Fenavinho, em 1985, o vinho passou a ser distribuído de forma centralizada na recém-inaugurada “Casa Del Vino”, ainda instalada no centro de Bento Gonçalves, próximo à prefeitura. “Na Casa Del Vino, os vinhos e suco de uva distribuídos passaram a ser refrigerados por um circuito fechado, através dos tanques de aço inoxidável revestidos por pipas de madeira, na parte superior da Casa. Desses tanques, mangueiras conduziam as bebidas até as pequenas pipas fixadas nos balcões que circundam a Casa, onde os visitantes se serviam pelas torneiras. Nas edições anteriores, tanto os vinhos quanto o suco de uva eram servidos em temperatura ambiente”, detalha.

Fena-31Nichetti acrescenta que a Casa Del Vino, contendo 32 barris e 48 torneiras, demandava o trabalho de 24 pessoas entre atendentes, enólogos e técnicos para administrar o sistema. A refrigeração dos tanques, que segundo ele, tinha um papel fundamental para a degustação das bebidas, era controlada por Igino Bitarello. Nichetti ressalta que Hugo Justi, técnico em manutenção da Aurora, também ajudava de forma intensa no que era preciso para o sistema estar sempre em pleno funcionamento. Ele também lembra de Mauro Morbini e Dario Crespi como sendo os enólogos que mais trabalharam com o vinho encanado.

Selos e cartazes Fenavinho 

cartaz-fenavinho2---Cópia

cartaz-fenavinho3---Cópia

cartaz-fenavinho---Cópia

Educação voltada ao senso crítico, à responsabilidade e ao empoderamento da mulher

editorial_aparecida_cred_marilia_dalenogare_DSC_0401.jpgA pedagoga Silvia Pagot Marodin é a primeira mulher a assumir a Direção do Colégio Marista Aparecida de Bento Gonçalves. Ela é natural de Bento Gonçalves, formada em Pedagogia licenciatura pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e em Orientação Educacional pela Educinter. Possui, entre as suas especializações, MBA em gestão escolar pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). Silvia já está há 15 anos fazendo parte da família Aparecida. Em 2001 entrou na escola como Orientadora Educacional. Em 2007 assumiu a vice-direção e em 2009 passou ao atual cargo.

Segundo Silvia, o foco do seu trabalho é a gestão do currículo, a forma que o colégio Marista Aparecida deve estar organizado e quais concepções teóricas e sociais precisam ser levadas para dentro de sala de aula. “Como cidadã e como educadora tenho que estar de olho no mundo e busco estar conectada com a linguagem que a garotada fala e com o ambiente que eles se relacionam. Tenho uma filha de 17 anos que está no terceiro ano do ensino médio e ela me ajuda muito nessas atualizações.”

Ela também observou o crescimento anual de estudantes matriculados da instituição. Hoje o Aparecida possui 720 alunos nos turnos de manhã e tarde, contemplando Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. “Buscamos incentivar o protagonismo juvenil e damos uma forte base teórica. Além disso, propomos atividades que busquem a valoriza- ção do humano em cada ação realizada aqui dentro. Nossa preocupação é que esses jovens saiam da escola com senso crítico e responsabilidade. É muito importante ter o Grêmio Estudantil e a Pastoral Juvenil Marista (PJM) ativos dentro do Marista”.

De acordo com a Diretora, a escola Marista Aparecida acredita que seja importante haver equilíbrio entre os gêneros dentro do ambiente escolar. Silvia observa que é recente a ocupa- ção de mulheres em cargos de gestão e liderança. “Não acho que as mulheres tenham conquistado seu lugar no mercado de trabalho plenamente. É preciso se empoderar de verdade, ter coragem e saber da capacidade imensa que cada uma tem. Se nós somos a maioria da população, por que na política temos poucas representantes? Por que não estamos na maioria dos cargos de liderança se investimos mais na nossa educação e temos melhor formação que os homens? Nosso estilo pode ser diferente do homem. Servimos para qualquer tipo de trabalho, mesmo superando nossos limites.

Ela afirma que através da educa- ção, é possível dialogar e expor essas questões de gêneros para os estudantes, de maneira tranquila e gradativa. “ Mesmo assim, não podemos achar que a missão está cumprida. A nova geração de mulheres precisa estar consciente do cenário para iniciar sua carreira, porque elas têm uma grande luta pela frente. Só haverá igualdade de gênero quando todas mulheres puderem ser felizes com suas escolhas fazendo o entorno melhor”.

Silvia relata que nos últimos seis anos constatou crescente participa- ção do pai com as ações que envolvem a escola. “Em muitas famílias houve a inversão dos papéis, a mulher trabalhar fora o dia inteiro e o pai é que vem levar e buscar os filhos, participa de reuniões e de atividades escolares. Nas reuniões da educação infantil vemos também que quase metade dos pais acompanhando as mães mesmo estando divorciados. Percebe-se que os pais da geração mais nova são os que mais se interessam e preocupam. Essa nova geração de pais está mais atenta a dividir as responsabilidades da família com a companheira. Acho que por outro lado nós precisamos trabalhar mais a questão das mulheres para elas não se sentirem tão culpadas por estar deixando o lar para o mercado de trabalho. Vemos que muitas carregam esse sentimento. As mulheres trabalham por necessidade e porque também querem”.

Em caso de separação do casal muitos filhos permanecem com as mães. “Vemos aqui que numa boa parcela desses casos a mulher se responsabiliza por trabalhar, levar e buscar o filho na escola e cuidar do lar. Muitas vezes esses filhos nem recebem pensão alimentícia. O máximo exigido do homem é que ele cumpra sua obrigação financeira. Mas se judicialmente não está definido, parece que o homem tem uma responsabilidade a menos. Nesse caso eu vejo como o peso é muito maior para as mulheres. É uma questão cultural, as mulheres são as últimas que abandonam, elas cuidam dos filhos, dos pais e dos familiares que adoecem”.