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Agroindústria de vinho colonial é inaugurada em Garibaldi

Aldo Lazzari e família, moradores de Marcorama, estão entre os primeiros do Estado a se certificar para comercializar vinho colonial, de acordo com a Lei 12.959/2014. A inauguração da La Nostra Cantina, registrada no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (PEAF/SDR), ocorreu na última quarta-feira, 8 de agosto, oportunidade em que também foi comemorado o aniversário de 55 anos da Emater em Garibaldi.

Inauguração La Nostra Cantina e 55 anos da Emater - Priscila Pilletti (1)

Para a adequação da agroindústria à Lei do Vinho Colonial, um dos critérios é o registro no PEAF, em que o papel da Emater é fundamental para a orientação ao produtor. Além desta, há mais quatro agroindústrias de vinho colonial sendo legalizadas no município.

“Esta nova lei traz muito alento e vai transformar o negócio de muitos produtores”, avalia o chefe do escritório da Emater de Garibaldi, Vanderlei Cercatto. “Mais indústrias como esta podem melhorar muito o setor e estimular o cultivo de uvas de qualidade”, acrescenta.

La Nostra Cantina - Priscila Pilletti (1)

A importância da legalização para a permanência da família no campo foi lembrada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Garibaldi, Luciano Rebelatto, que reafirmou o desejo de contar com mais vinícolas deste porte no município.

A gerente regional da Emater da região Caxias do Sul, Sandra Dalmina, destacou a parceria e envolvimento entre entidades para viabilizar a adequação do empreendimento, bem como a criação de políticas públicas nesse sentido.

O vice-prefeito Antonio Fachinelli e o secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Tarcisio Minetto, parabenizaram o aperfeiçoamento da família para ser uma das primeiras a ser certificada no Estado.

Emocionado, o produtor anfitrião Aldo Lazzari agradeceu a presença dos convidados e revelou o desejo de aumentar a produção de 14 mil para 20 mil litros na próxima safra, com a ajuda do trabalho da esposa Adriana e do filho Guilherme.

A chamada Lei do Vinho Colonial tem o objetivo de tirar os produtores da informalidade. Para obter o registro, eles devem produzir menos de 20 mil litros ao ano, as uvas devem ser de cultivo próprio, o vinho pode ser vendido na propriedade e em feiras municipais e as notas podem ser emitidas pelo talão do produtor, além de se cadastrar no PEAF.

55 anos da Emater em Garibaldi

Entidade responsável por orientar os produtores rurais em todo o Brasil, inclusive para a formalização das agroindústrias familiares, a Emater/Ascar aproveitou o encontro para celebrar os 55 anos de seu escritório no município.

Ao lembrar o histórico da entidade, Vanderlei Cercatto avaliou a transformação na agricultura no período. “Vimos a mudança do machado para a motosserra, da mangueira para o trator de pulverização. E a Emater esteve sempre presente”, destacou.

La Nostra Cantina - Priscila Pilletti (2)

Como Cercatto, Sandra Dalmina também lembrou a função da Emater de facilitar e atender às demandas dos agricultores.

“Propriedades rurais que sonhavam em ter energia elétrica, há algumas décadas, hoje têm internet e acessos asfaltados”, avalia o vice-prefeito Fachinelli. “O aumento da produtividade dos empresários do campo e o desenvolvimento de Garibaldi tem muito a ver com o trabalho da Emater”, completou.

O secretário Minetto lembrou que a entidade está presente em quase 100% dos municípios gaúchos, com o papel de transmitir o desenvolvimento e promover a transformação. “O melhoramento da cadeia da uva e vinho gera oportunidades de permanência no campo”, lembrou.

Comemoração aos 55 anos da Emater - Priscila Pilletti (2)

Pelos seus 55 anos em Garibaldi em 2018, a Emater/Ascar será homenageada nas comemorações da Semana da Pátria, no próximo mês, junto ao Rotary Club Garibaldi, que completa 60 anos.

Crédito das fotos: Priscila Pilletti

Após recorde de 2017, safra da uva deverá ficar dentro da média histórica  

Com antecipação do início da colheita em torno 15 dias em relação ao período normal, vitivinicultores projetam volume 20% menor que o colhido no ano anterior, com ganhos na qualidade

Depois de registrar a maior colheita da história do Rio Grande do Sul, com 753 milhões de quilos de uva em 2017, antecedida pela quebra de safra recorde em 2016, com perda de 57%, a vindima 2018 deverá ficar dentro da normalidade e chegar a cerca de 600 mil toneladas da fruta destinadas ao processamento. Produtores e indústria estão otimistas com o desenvolvimento da produção no campo até o momento. As condições climáticas e o manejo adequado realizado ao longo dos meses estão proporcionando às uvas boa qualidade e níveis altos de graduação de açúcar, o que deverá resultar, novamente, em ótimos vinhos, espumantes e sucos de uvas 100%.

De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e também presidente da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho/RS), Oscar Ló, as primeiras uvas para processamento começaram a ser colhidas na segunda quinzena de dezembro, cerca de 15 dias antes do período normal. “As variedades precoces estavam adiantadas por conta do pouco frio feito no inverno. A brotação começou antes, porém, as noites mais frias no mês de dezembro fizeram com que as variedades tardias estejam maturando no período considerado normal. Isso pode prolongar a safra gaúcha, fazendo com que até o término, em março, ela feche o ciclo. A previsão é de um volume 20% menor do que no ano passado, e, devido às regularidades das chuvas e as uvas estarem amadurecendo com clima mais seco, vamos ter uma excelente qualidade. O clima está mais seco, as uvas estão com a sanidade melhor”, avalia.

Safra - Crédito Silvia Tonon

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS) também projeta uma safra dentro da média dos últimos anos. “Contabilizando todas as uvas, independente do destino, e incluindo o consumo in natura, acreditamos que devam ser colhidas cerca de 750 mil toneladas da fruta em todo o Estado. Se mensurássemos apenas as uvas para processamento, destinadas a elaboração de vinhos, espumantes e sucos de uva, acreditamos que este número passará para, aproximadamente, 600 mil toneladas”, prevê Enio Ângelo Todeschini, engenheiro agrônomo e assistente técnico regional de fruticultura da Emater. “Se o clima continuar assim para viticultura é muito bom, pois diminui o risco de doenças e melhora a maturação da uva. Por enquanto, a qualidade está excelente. O cultivo ao longo de 2017 foi dentro do recomendado, com podas, adubação sem exagero e com plantas com cobertura de solo, o que evita a perda de água e nutrientes, ou seja, a erosão, deixando a videira sem maiores riscos”, completa.

As variedades Bordô, Niágara, Violeta, Concord, Pinot Noir e Chardonnay, por exemplo, foram as primeiras a serem colhidas no Estado. Neste mês, as vinícolas estão recebendo também as Merlot, Riesling Itálico e Glera (Prosecco), e em fevereiro e março serão a vez das Cabernet Souvignon e Franc, Tannat, Moscato Branco, Isabel e Trebbiano.

Para o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Garibaldi, Denis Debiasi, a redução na produção da videira será uma das variáveis responsáveis pela boa qualidade da fruta. “Vamos ter uma diminuição no volume, pois no ano passado a safra foi grande e, claro, a parreira não aguenta dois anos seguidos grandes volumes. Mas isso também é bom, pois não houve acúmulo de uvas nas parreiras, as uvas estão mais distribuídas e se desenvolveram melhor. Na região, tem gente colhendo com um grau de açúcar bem satisfatório. Essas noites amenas, com chuvas periódicas e dias quentes nos proporcionam uma qualidade melhor, em que as uvas amadurecem dentro da normalidade. Quando a matéria-prima vem boa, melhora toda a cadeia”, pontua Debiasi.

Segundo o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus, as previsões climáticas previstas para o auge da safra 2018, no primeiro mês do ano, deverão se manter positivas para que se colham as uvas com a maturação adequada. “Os prognósticos meteorológicos apontam para uma influência moderada do La Niña até o final de janeiro, ou seja, uma incidência de chuvas abaixo do normal, o que favorece a maturação e, consequentemente, a boa qualidade das uvas. Estamos acompanhando as previsões, mas ainda é precipitado falar de fevereiro ou março”, observa.

Marcio Ferrari, vice-presidente do Ibravin, coordenador da Comissão Interestadual da Uva e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Farroupilha, explica que as precipitações ocorridas nos últimos meses de 2017 na Serra Gaúcha – região responsável por 85% da produção nacional – foram pontuais e não deverão prejudicar o volume total que será colhido em todo o Estado: “Tivemos algumas perdas em função da chuva de pedra, mas, de uma forma geral, essa diminuição de safra se dá em função da formação de cachos menores”, explica.

 Segundo o Cadastro Vitícola, no Rio Grande do Sul são cultivadas 138 variedades de uva, entre viníferas (destinadas à produção de vinhos finos e espumantes) e uvas americanas e híbridas (reservadas à elaboração de vinhos de mesa e sucos). As principais regiões produtoras são: a Serra, a Serra do Sudeste, os Campos de Cima e a Campanha.

Os números das últimas safras gaúchas*             

Ano Volume (milhões de quilos)
2011 709,6
2012 696,9
2013 611,3
2014 606,1
2015 702,9
2016 300,3
2017 753,2

 *Uvas para processamento de vinhos, espumantes, sucos de uva e derivados. Dados referentes ao estado do Rio Grande do Sul, provenientes do Cadastro Vinícola, mantido por meio de parceria entre Ibravin e Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi/RS), com recurso do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis).

 
Foto: Silvia Tonon

Manejo de inverno em pessegueiros

Por Thompson Didoné
Enólogo Emater/RS-Ascar Bento Gonçalves
AGRICULTURA

No período de dormência das plantas do pessegueiro (inverno) vários tratos culturais são necessários para que se obtenha uma boa produção de frutas com qualidade. Podemos citar como práticas que estão sendo executadas: a adubação, poda seca, cultivo de culturas de cobertura de solo e tratamentos fitossanitários de inverno.

A adubação de correção deve ser baseada em análises de amostras de solo e, no caso de adubação de manutenção, deve também ser considerada a exportação de nutrientes do solo pelo volume de produção de frutos que são comercializados.

A poda seca é a principal prática cultural que está sendo feita e encontra-se bastante adiantada nas variedades superprecoces como a BRS Kampai e PS 25.399 (do cedo), cultivadas em mesoclimas mais quentes (vales de rios). Essas variedades já demonstram a abertura das primeiras flores, de forma antecipada, devido ao escasso número de horas de frio acumulado até o momento. Nesse caso, deve-se ter cuidado com a aplicação de caldas como tratamento de inverno, pois podem resultar em danos nas gemas floríferas.

Nos locais mais altos, boa parte da poda seca já foi feita na pré-poda ou poda de outono, cabendo destaque para a variedades Chimarrita (variedade mais cultivada) e PS 10.711 (do tarde). Nessas variedades recomenda-se a aplicação de calda bordalesa ou sulfocálcica.

A grande maioria dos pomares possui cobertura vegetal no solo, tendo importância evidenciada nesse ano de períodos chuvosos constantes. A proteção do solo, evitando ou diminuindo o efeito da erosão, a manutenção e elevação da matéria orgânica, a reciclagem dos nutrientes e a melhoria da estrutura do solo são algumas das vantagens que podem ser evidenciadas nesta prática.

Como tratamentos fitossanitários que podem e devem ser feitos destacamos a aplicação de calda sulfocálcica (enxofre e cal, mais fervura). Porém, deve-se ter o cuidado para que a calda seja armazenada de forma correta, em local seco e ao abrigo da luz. Também se faz necessário que a calda tenha a graduação em que são feitas as recomendações de diluição em água, que são baseadas em caldas com 32° Be. Sempre é importante saber a graduação da calda para fazer a diluição correta.

Na microrregião de maior concentração e cultivo de plantas de produção de pêssegos de mesa da Serra Gaúcha, constituída pelos municípios de Pinto Bandeira, Bento Gonçalves e Farroupilha, está sendo instalado o sistema piloto de monitoramento e alerta da presença de mosca das frutas, principal praga da cultura na região.

No mês de agosto o sistema de alerta passará a divulgar as informações e recomendações sobre o controle da mosca das frutas. Assim, no mês de julho estaremos divulgando em que se constitui e como funcionará o Sistema de Alerta Fitossanitário para a presença da Mosca das Frutas. Para mais informações entre em contato com o Escritório Municipal da EMATER/RS-ASCAR de um dos municípios citadas ou com a EMBRAPA de Bento Gonçalves.