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Homenagem ao Dia do Colono: Empreendedor inicia cultivo de abacaxis em Santa Tereza

Reportagem: Natália Zucchi | Edição: Kátia Bortolini

IMG_20170630_150454530_HDREm uma visita a casa de sua mãe, Paulo Lorenzini viu no abacaxi uma oportunidade de negócio. Ao observá-lo entre as frutas recém compradas, encontrou uma nova chance de investir na agricultura, após tentativas descartadas de produzir tomate e cana, no município de Santa Tereza. Esforçado, pesquisou e estudou os meios de produção do abacaxi sozinho, através da internet. Mas foi a partir do apoio da Secretaria de Agricultura de Santa Tereza e da Emater, que o atual auxiliar de produção, hoje com 38 anos, passou a produzir pés de abacaxi em uma área de terras de um hectare, a cerca de mil metros das margens do rio Taquari. Após pouco mais de dois anos, ele está cultivando quatro mil pés de abacaxi, de quatro variedades diferentes.

Como a média é de dois anos entre produzir cada muda e nascer o primeiro fruto, os primeiros dez abacaxis ficaram prontos em dezembro de 2016. Agora em 2017, a expectativa também é de uma colheita simbólica, mas com abacaxis doces, de excelente qualidade.

IMG_20170630_144123895_HDRCultivadas uma a uma por Lorenzini, as mudas são uma alternativa de multiplicar o fruto sem a semente, para posteriormente produzir de forma original. Ele plantou a coroa do abacaxi, onde concentram-se as folhas, em um substrato depositado em copos plásticos e esperou criar as raízes. Com o intuito de otimizar a produção da forma mais ecológica possível, recolheu copos plásticos usados em bailes e festas do município e os higienizou para o uso. O cultivo das mudas também conta com o apoio de restaurantes de Bento Gonçalves e de Garibaldi. Lorenzini busca semanalmente sobras de abacaxi para o aproveitamento da coroa. Segundo o empreendedor, a plantação conta com maior predominância da variedade de abacaxi Pérola, e com outras três variedades ainda não identificadas.

O abacaxi leva de 90 a 120 dias para amadurecer, conforme o período e as condições climáticas. De forma natural, o abacaxizeiro fornece apenas um fruto por safra, em que a colheita ocorre no verão, nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro.

IMG_20170630_150616761“Quando o fruto nasce, é um espetáculo da natureza. Ele vem vermelho como sangue, é realmente muito bonito. Conforme cresce ele vai escurecendo, e depois migra para tonalidades de laranja e amarelo, até estar maduro. Nesse ano, espero vê-los ainda na metade de agosto para poder iniciar a colheita no período correto”, exalta Lorenzini. Ele também acrescenta que, ao redor da raiz desses frutos, os brotos originais ficarão concentrados. A partir deles, Lorenzini pretende ampliar a produção para dez mil pés de abacaxi nos próximos anos. Mesmo sem uso de agrotóxicos, a produção não é considerada orgânica por utilizar fósforo e potássio para correção de solo. Mas ele garante que não serão aplicados pesticidas.

Conforme o secretário de Agricultura de Santa Tereza, Ernani Michelon, que acompanha o processo, “quando o sol é mais forte, os frutos são enrolados em plásticos para proteger dos raios UV”. Conforme o técnico da Emater, Aldacir Pancotto, que também acompanha o processo, a primeira safra prevista para dezembro de 2017 promete surpresas quanto ao sabor dos frutos. “O município de Santa Tereza tem áreas de terra vermelha, ricas em potássio, que deixam o abacaxi menos ácido e muito mais doce. Nosso clima também influencia. Estamos numa região de vale, de muito calor, propício para o cultivo da fruta. Se fosse no frio intenso da Serra, não iria se desenvolver tão bem”, explica Pancotto.

Especial de capa

Empreendedorismo no meio rural –  Em homenagem a todos agricultores é comemorado, em 25 de julho, o Dia do Colono. A data foi instituída em setembro de 1968 pela da Lei Federal 5.496. Popularmente, a data se tornou conhecida em 1924, em função das comemorações do centenário da vinda dos alemães para o Rio Grande do Sul. A reportagem de capa desta edição do Jornal Integração da Serra homenageia a todos os que tiram seu sustento da terra gerando alimentos e riquezas para suas cidades. São quatro histórias de empreendedorismo rural, como acréscimo de rentabilidade.