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Rir e Chorar

GavaDemócrito e Heráclito foram dois filósofos gregos. Não há certeza sobre quando nasceram e morreram; sabe-se que viveram entre os séculos VI e V antes de Cristo. Demócrito desenvolveu a teoria do átomo; veja só prezado leitor: como é que alguém, há dois mil e quinhentos anos, tem uma ideia dessas? Não era fraco esse Demócrito. Heráclito também teve uma “sacada” genial – muito conhecida, aliás –, nos mostrando que é impossível banhar-se duas vezes no mesmo rio, lembra? Tudo muda, dizia ele, quem entra no rio e o próprio rio, que nunca é o mesmo. Uma admirável representação da impermanência de todas as coisas, de nossa própria vida que a todo instante se esvai.

Mas há uma historinha menos conhecida sobre os dois filósofos: quem a conta é Montaigne, o grande pensador francês. Ensina ele que Demócrito vivia a debochar e fazer gracejos da condição humana, do ridículo e absurdo da existência. Já Heráclito, piedoso e sentimental, passava a chorar as dores do mundo e da vida. E então Montaigne nos pergunta: riso ou lágrimas? Devemos ser como Demócrito, o “risonho”, ou como Heráclito, o “chorão”?

Montaigne opta pelo riso. Não por ser mais agradável, explica, mas porque mostra que não devemos levar tudo tão a sério. As lágrimas, dizia ele, sempre carregam consigo um tanto de vaidade, do dar-se importância desmedida às coisas. Mas o riso a que se refere Montaigne, repare, não é o riso de escárnio; é o que antes chamaríamos de “alegre bom humor”; essa virtude de ver a vida sob o prisma da leveza de espírito. E de aceitação de tudo, assim como tudo é. Isso, no entanto, nem sempre é tarefa fácil. Há momentos – sabemos todos – em que só as lágrimas nos salvam.

O homem é o único animal que ri e chora. Os outros animais até podem gemer, grunhir, uivar, ou emitir sons parecidos com uma risada, como faz a hiena. Macacos têm dutos lacrimais, mas somente para fins de limpeza. Um cachorro pode verter lágrimas, mas não de emoção. Somente o cérebro humano está capacitado para fazer rir e chorar. Se pararmos para pensar, isso é assombroso. Riso e choro nos distinguem, nos fazem verdadeiramente humanos.

A verdade é que a vida é feita de risos e lágrimas. A realidade nos dá motivos de sobra para essas duas emoções. E muitas vezes elas até mesmo se misturam: choramos de felicidade; rimos por nervosismo. Um olhar lúcido sobre o mundo e nos desesperamos: doença, tragédias, maldade, miséria, guerra, corrupção. Mas esse mesmo olhar nos mostra também o amor, a amizade, a caridade, a simplicidade e a beleza do universo. Razões não faltam, portanto, para rir ou para chorar.

Penso que risos e lágrimas são bênçãos dos céus. Enlouqueceríamos sem as boas gargalhadas da vida; também ficaríamos loucos se nos fosse vedado chorar. Quando perdemos a capacidade de rir, instala-se a melancolia. E quem já tentou chorar e não conseguiu, bem sabe o quão ruim é. Assim, alternando risos e lágrimas, seguimos. Por entre alegrias e tristezas; encantos e sofrimentos. Nesta doce e amarga tragicomédia que se chama vida.

Programas de Agroindústria Familiar em Bento

Sabor de BentoO Programa de Agroindústria Familiar no estado do Rio Grande do Sul foi instituído através da Lei Estadual 13.921 de 18/01/2012 e regulamentado pelo Decreto Lei 49.948 de 13/12/2012.

A região da Serra Gaúcha é a que atualmente desponta no cenário estadual com o maior número de agroindústrias familiares inclusas no programa e comercializando seus produtos de forma totalmente formalizada. Isso se deve ao espírito empreendedor das famílias rurais que habitam a região e que, em grande parte, sabem aproveitar as oportunidades que surgem. Sem dúvida alguma o Programa Estadual de Agroindústria Familiar foi e está sendo uma ferramenta que proporciona aos pequenos produtores rurais empreenderem novos negócios.

A região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul abrange 49 municípios. Nesses municípios estão presentes 166 agroindústrias familiares, comercializando produtos de ótima qualidade, que vão desde conservas vegetais, derivados de farinha, embutidos, queijos e tantos outros produtos que são elaborados de maneira artesanal conservando a maneira tradicional que nossos antepassados produziam, mas sempre mantendo a segurança alimentar e a inocuidade dos alimentos.

Há também mais de 200 famílias rurais em processo de desenvolvimento de seus projetos e que em breve estarão atuando no mercado de maneira formal.

Dos 49 municípios da região administrativa da Emater/RS-Ascar, regional Caxias do Sul, o município de Bento Gonçalves é o que desponta no número de empreendimentos. Hoje temos em Bento Gonçalves 33 agroindústrias que são permanentemente acompanhadas pela secretaria municipal da Agricultura, Vigilância Sanitária e Emater.

Esta parceria entre as entidades é reflexo de um projeto piloto a partir da criação do programa municipal de agroindústria familiar, sendo único município do Rio Grande do Sul a possuir um programa específico para essa atividade, instituído a partir da Lei municipal n° 5553, de 26/02/2013 e regulamentado pelo Decreto n° 8458, de 28/03/2014.

Os frutos desse trabalho podem ser identificados através do selo Sabor de Bento, marca própria que exalta a originalidade, característica e a qualidade de seus produtos.

A parceria entre os responsáveis pela Vigilância Sanitária Municipal, Secretaria Municipal da Agricultura (Serviço de Inspeção Municipal) e Emater/RS-Ascar/BG, que operacionalizam os Programas Estadual e Municipal de Agroindústria Familiar, têm incentivado a consolidação do programa e, mais do que isso, através da orientação prestada aos empreendedores, as agroindústrias estão evoluindo e oferecendo produtos de ótima qualidade aos consumidores.

Se Deus sabia que iríamos enfrentar o mal, porque mesmo assim decide criar?

DeusEssa pergunta é possível ao coração humano. Deus é onisciente. Sabe tudo. Sabe o antes o agora e o depois. Sabe o que aconteceu, o que estamos vivendo e sabe o que iremos enfrentar. Assim é com a criação. Deus sabia, ao criar, que a criação seria limitada e finita, por isso atormentada por males das mais diferentes proporções. Isso faz parte do conhecimento de Deus. Sabendo que sofreríamos o mal porque mesmo assim decide criar? Primeiro temos que perceber que Deus cria por amor. Ele que é puro amor cria o mundo, que é uma obra diferente de si. O mundo não é idêntico a Deus. Se fosse idêntico seria perfeito e ilimitado, o que já dissemos que não é possível. Deus não cria a si mesmo. Ele é o eterno e incriado. Sem princípio e sem fim. A criação carrega em si os traços de Deus e do seu amor. O amor por sua natureza não se fecha em si, mas tem necessidade interna de criar. O amor não permanece fechado em si mesmo, se auto contemplando. Ele cria algo, pela própria necessidade do amor. O amor traz dentro dele mesmo a necessidade de saída. Saída para onde? Aqui a saída é o próprio ato de criar. Por isso, a criação é um ato de amor. Um amor que não se esgota pelo fato de criar, mas que se realiza na permanente atividade de amar. Deus ama continuamente a criação que sai dele.

Esse amor também é sustento contra o mal. Ele não é garantia de ausência de mal. A presença do amor não evita uma doença ou um terremoto, mas pode dar um sentido novo para aceitação desses males. Embora nos aconteça o mal podemos nos sentir guardados por um amor que nunca abandona. Esse parece ser o sentido maior para suportarmos os males. Não se deve colocar do lado do mal a onipotência de Deus que, pensamos, na maioria das vezes de forma errada, que poderia evitar os males. Do lado do mal que nos acontece podemos colocar a presença do Deus amor, que está conosco. Sofrendo conosco. Sofrendo a impotência do amor, mas dando um sentido novo ao sofrimento. Só o amor pode resignificar o mal que nos acontece.

Se isso é verdade podemos dizer que vale a pena a criação. Embora Deus sabendo que a criação, que nós, seus filhos, padeceríamos do mal, decidiu criar. É uma decisão de amor. O amor embora não entenda todo o mal, o resignifica. E a vida se resolve nos significados.  Muito embora haja o mal. Alguém poderia dizer: mas minha vida foi só sofrimento. Mesmo assim, a partir do amor dirá que valeu a pena ter nascido. O sofrimento, os males, não anulam a potência da vida e do sentido. Deus sabia que o mal seria algo inevitável, como possibilidade, na criação. Sabia que iríamos sofrer a força do mal. Contudo, sabe que o mal só é suportável na perspectiva do amor. O amor cuida. O amor dá sentido. Sendo Deus uma oferta de amor incondicional, sabia que o absurdo do mal somente seria totalmente exterminante longe do amor. Como a criação é sustentada pelo amor e a nossa liberdade recebe continuamente a oferta de amor, que dá sentido, então de alguma forma, apesar do mal, nunca estaríamos totalmente jogados no mundo e desamparados, submetidos a força do mal. Mesmo o mal mais radical poderá encontrar algum sentido se lhe tiver alcançado a palavra ou presença do amor. Por isso, a criação vale a pena apesar do mal. O mal embora seja um mistério absurdo, não tem força para desfazer o sentido radical e profundo da vida e do amor. Ele não é mais forte que o amor. Mesmo que leve à morte. Para levar à morte precisa ter havido a vida, que é por si mesma produto do amor. Embora às vezes não se perceba isso, a verdade é que para sofrer o mal radical é necessário estar vivo. E se eu disser que a vida não vale a pena porque o mal é forte e destruidor, deveria admitir que a vida para a maioria não é isso. O mal que eu sofro não deveria simplesmente anular o sentido da vida em si mesma. Não deve anular o sentido da vida e sua beleza.