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O que as locadoras de vídeo e de jogos estão fazendo para sobreviver?

Por Natália Zucchi

Locadoras de filmes, séries e jogos deixaram de ser negócios rentáveis. “Se não houver uma mudança de mentalidade, não teremos mais vida útil”

Video Line

20294315_1243530495775601_7102139571756915208_nCom mais de 20 anos de história no bairro São Francisco em Bento Gonçalves, a Video Line possui acervo de mais de oito mil títulos e cadastro com cerca de sete mil clientes. Após passar pela administração de quatro proprietários ao longo dos anos, a quinta dona Carol M, é a responsável pela locadora desde 2014. Segundo ela, nos últimos 18 meses, houve uma queda brusca nas locações. Ela afirma que os fatores são diversos e aliados a crise econômica pela qual atravessa o país.

Entre eles, aponta a Netflix com seus planos de contas múltiplas, dispondo de séries televisivas, documentários e filmes e os planos de TV a cabo com valores mais acessíveis. Também ressalta como outro motivo a quantidade de filmes piratas disponíveis na internet, incluindo lançamentos que ainda estão no cinema.

Para enfrentar o cenário, Carol passou a fazer uso de ferramentas como o aplicativo WhatsApp de forma personalizada. Criou ainda planos de mensalidade fixa com locações livres para o acervo. Com o futuro incerto, Carol agregou, no final de 2015 o serviço de costuras e reformas. “Antes era apenas meu hobby”, afirma.

A faixa etária dos clientes da Video Line permanece bem flexível, entre 18 a 60 anos, além das crianças que buscam os lançamentos infantis. Segundo Carol, com a crise, as pessoas que antes frequentavam o cinema regularmente, passaram a ir na locadora com mais frequência. Mas, acrescenta ela, clientes que antes alugavam com frequência, deixam de retirar filmes também como medida de retenção de gastos. “Por isso, antes de comprar um novo filme, é necessário fazer uma pesquisa prévia na internet para ver se a produção já está disponível em alguma plataforma digital”, explica.

Outro problema, que também encarece os custos de uma locadora, é a vida útil das mídias, em que os discos de hoje tem qualidade inferior aos de 10 anos atrás, sofrendo ranhuras com mais facilidade.

20431267_1243531355775515_7769122098427182597_nCarol observa que a falta de honestidade de muitos brasileiros também ajuda a diminuir a demanda de locadoras. “No Brasil, a corrupção é algo cultural e atinge, obviamente o mercado das locadoras de vídeo. Isso porque uma grande parcela dos telespectadores não respeitam, nem valorizam, as produções cinematográficas. A ação de aderir por formas ilegais para assistir ou adquirir um vídeo tem depreciando a produção como um todo, porque tira vantagem em cima do ator, da atriz, da produtora, de cada um que faz parte desse ramo. São poucos clientes que enxergam o outro lado e veem nosso trabalho de forma importante. Se não houver uma mudança de mentalidade, não teremos mais vida útil. Locadora já deixou de ser um negócio rentável. Só sobrevive nesse ramo quem está aqui por amor”, declara.

20292799_1243531092442208_8811198836857395637_nCarol também buscou ampliar seu acervo de filmes brasileiros adquirindo obras que possam ser passadas em sala de aula, devido a crescente procura dos professores pelos títulos. “O acervo cultural e histórico da locadora tem um valor incalculável. Não são só os 4 reais cobrados pelo aluguel”.

Segundo a comerciante, a ação de enviar mensagens pelo WhatsApp acabou viciando alguns clientes, que deixaram de ir até a locadora para escolher seu filme. Outra criação da Video Line para a manutenção da clientela foi o sistema de devolução expressa através do qual o locador pode depositar o filme em um local específico fora do estabelecimento, caso necessite devolver a mídia fora do horário de funcionamento da locadora.

Depoimentos de clientes e de quem vende para locadoras

20375902_1243530855775565_6432037885574793403_nVitor Hugo Toffoli, 24 anos, cliente da Video Line, revela que raramente costuma alugar vídeos. Em média, ele aluga um filme a cada dez meses. “Retiro na locadora somente quando não está disponível nos canais da TV paga ou quando eu não encontro na internet”, afirma. Já Rejane Turcatel é fiel a locadora. “Não passo uma semana sem retirar um filme. Também retiro vários para o fim de semana. Muito é por causa da indicação da Carol, que me conhece e acerta nos meus gostos. Gosto também de retirar os lançamentos, porque eles não passam na TV”, explica.

O representante comercial Leonardo Alves atua há 10 anos com venda direta de filmes a locadoras do Vale do Taquari e Serra Gaúcha. Hoje ele atende cerca de 30 clientes, mas antes eram muito mais. “O ramo de atividade está diminuindo. Fecharam diversas lojas nos últimos cinco anos. Incentivo os clientes a aumentarem a divulgação dos títulos através de redes sociais e promoções especiais. As locadoras tem seu espaço no mercado, mas para se manterem precisam que os clientes valorizem o trabalho realizado”, destaca.

Fantastic Video Locadora

20264998_1243531005775550_2669901307611914432_n (1)Situada no Shopping Bento, a Fantastic Vídeo locadora está aberta desde junho de 2004, data também de inauguração do Shopping no centro de Bento Gonçalves. Quem administra o estabelecimento, é Fernanda Bottega Tomasini, com a ajuda do seu pai Gelson Tomasini.

Ela também confirma a queda nas locações nos últimos 18 meses. Hoje, a locadora, que possui mais de 10 mil clientes cadastrados, tem os filmes lançamentos como o carro chefe. Por mês, Fernanda adquire até 70 lançamentos. “Investimos neles para manter os clientes”, revela ela.

Ação, aventura e terror são os gêneros mais retirados pelo público jovem e mesmo com a Netflix, as séries televisivas continuam tendo boa saída, analisa a proprietária. “Vimos que muitas pessoas estão cancelando a tv a cabo e gastando metade do valor da assinatura em locação de filmes”, comenta.

20294516_1243531049108879_5186649430464407087_nTambém como forma de atrair clientela, o estabelecimento aceita pagamentos no cartão de crédito e débito. Nas mídias digitais, a Fantastic está somente no Facebook, plataforma onde é publicado as capas dos filmes, sinopses e trailers. Além do telefone, é também através da rede social que recebe solicitações de reservas.“Já abri nova ficha para um senhor de 88 anos”, destaca Gelson Tomasini.

A locadora também oferece pacotes de filmes para o fim de semana, opções de combos de três e seis filmes. Segundo Fernanda, há alguns anos, eram mais frequentes promoções junto a produtoras de filmes, com brindes para o locador, “mas com a crise, isso ficou bem incomum”, afirma.

Para Fernanda, uma mídia que poderia ter ganho mais destaque é o blu-ray, “superior ao DVD pela melhor qualidade de imagem e material mais resistente a riscos”. Mas com o fato de que, para assistir um blu-ray e o blu-ray 3D, é necessário ter os aparelhos como leitor e TV compatível a tecnologia, além de óculos especiais, tornando muito trabalhoso e caro usufruir das produções. Mesmo assim, a versão tem um público fiel. Muitas pessoas comentam que enfrentam dificuldade para encontrar aparelhos blu-ray, tanto nas lojas físicas da cidade, quanto na internet, comenta ela.

Project Video

20294109_1243530699108914_6084464017604934205_nDirlei também aderiu ao pagamento no cartão de crédito, as publicações no Facebook e aos pacotes de filme para o fim de semana. Além disso, como alternativa à crise na locação, Dirlei foi gradativamente agregando outros serviços e produtos. Hoje a Project tem lan house, papelaria e faz cópia.

Filmes que tiveram boa bilheteria nos cinemas

20375911_1243530769108907_8024679264092100505_n“Às vezes ganho mais com as cópias do que com a locação”, afirma. Ela conta que hoje, outra estratégia é adquirir filmes que tiveram boa bilheteria nos cinemas. Há cerca de oito anos, ela deixou de trabalhar com filmes eróticos porque a saída era baixa, e mesmo num espaço reservado, a sessão chamava muito atenção de crianças e jovens.

Um diferencial da Project Vídeo é a parceria com escola EMTI São Roque, onde sua filha estuda. Lá, todos os professores podem retirar filmes de graça para fins educativos. “É uma forma de ajudar a comunidade e também a escola”, declara.

Questão de Vídeo

20293059_1243530962442221_1091958215267202618_nDiferente da Project Vídeo, a locadora Questão de Vídeo, situada na avenida Oswaldo Aranha, há 25 anos no mercado, investiu até o início deste ano somente em novos filmes eróticos. “A Questão de Vídeo consegue se manter pelas locações de filmes pornográficos, mesmo com o conteúdo gratuito hoje disponível na internet. A procura é de homens e mulheres, principalmente a partir dos 50 anos. Se hoje houvesse uma locadora somente de filmes do gênero, comercializando outros produtos eróticos para agregar, acredito que teria um bom público”, revela a proprietária Rejane Refatti.

Ela também confirma a queda drástica das locações nos últimos 18 meses. “Se tivesse que pagar aluguel, não me sustentaria”, declara. Conforme Rejane, a locadora já teve mais de 10 mil clientes, mas os que se mantém são os mesmos há 20 anos. “A época boa foi o do VHS e da transição para o DVD, depois disso só decaiu”, observa.

Ainda no ano passado, Rejane já pensava no fechamento do estabelecimento, mas acabou adiando. Só que agora chegou a hora. No final de agosto, Rejane pretende suspender as atividades da Questão de vídeo. Ainda no início do próximo mês, os filmes serão colocados à venda.

Queda nas locações de jogos

20292941_1243531389108845_6064533740121619639_nA Solar Games, localizada no Centro da cidade, têm 25 anos de história e também sofreu com a queda nas locações de jogos. Laercio Bischoff, proprietário desde 2008, afirma que o movimento começou a cair ainda em 2014. Alguns dos fatores para a queda dos aluguéis são as lojas virtuais que ficam disponíveis dos aparelhos, como o Playstation 4, desenvolvido pela SONY e o XBOX ONE, pela Microsoft. Além de disponibilizar jogos para a venda por um preço um pouco inferior a versão física, justamente por não ter o custo da fabricação da mídia e comercialização, essas lojas também disponibilizam aluguéis de diversos jogos por um tempo determinado e a valores similares aos das locadoras.

Outro fator são os grupos no Facebook, onde muitos usuários vendem seus próprios jogos ou fazem trocas. “Antes os usuários faziam trocas com a loja. Hoje é muito cômodo para os usuários aderir ao jogo disponível pelo aparelho. Ainda mais se tratando de um público que parece estar mais preguiçoso”, observa Bischoff. Ele acrescenta que antigamente as locações também eram maiores porque os jogos eram mais caros. Hoje, vários e-commerces e lojas como Saraiva, Americanas, Submarino dispõe de jogos diversos, aumentando a concorrência.

Público fiel

20294089_1243531462442171_5450480513098190867_n“O aluguel caiu bastante, mas há um público fiel”, afirma. A Solar games tem um acervo de aproximadamente 400 jogos para locação, entre os formatos para o PlayStation 3 e 4. Os jogos mais retirados são de futebol Fifa 17 e PES 17 e o GTA 5. O público predominante é das faixas etárias entre 20 e 40 anos, muito mais adultos do que crianças. Isso porque, há cerca de dez anos, uma série de jogos estão sendo desenvolvidos especialmente para o público adulto. “Tem gente que tem o aparelho em casa e vem até a loja para jogar com as pessoas, trocar informações, dicas de jogos e socializar”, analisa.

Como resposta a crise, a loja tem trabalhado com emulsionamento nas publicações da Fanpage do Facebook “chegamos no cliente de forma mais assertiva”, conclui. Há anos, além da venda e locação de jogos, a loja vem agregando produtos diversos e acessórios para ampliar o rendimento. Aparelhos antigos estão em exposição e a venda. O estabelecimento também dispõe de um técnico para manutenções em aparelho.

Já a loja Star Games, localizada no bairro São Bento, desde de dezembro de 2016, quando foi reformada, no lugar dos aluguéis de jogos, abriu um espaço para a prática de card game, boardgame e rpg, modalidades que podem ser jogadas em grupos. “A alta taxa de inadimplência fez com que parássemos de locar jogos”, afirma o funcionário Diogo Marchiori. Ele acrescenta que o fato dos jogos, hoje, estarem mais longos e terem extensões online, vale mais a pena para o consumidor comprar um jogo.

CineSesc Bento Gonçalves traz um catálogo de produções alternativas

Cine SescO CineSesc Bento Gonçalves traz um catálogo de produções alternativas na programação de cinema para o mês de março, em sessões gratuitas. A agenda foi aberta com o filme árabe “O Sonho de Wadjda” (2012), com exibição gratuita no dia sete. Os próximos títulos a serem exibidos são “Amar, Beber e Cantar” no dia 14, e “Uma Viagem Extraordinária” no dia 21 de março, ambos a partir das 20h. Após a exibição de cada filme será realizado um bate-papo sobre as questões apontadas nas tramas, conduzida por profissionais que vão de encontro com a temática do longa.

Amar Beber e Cantar
Quando: 14 de março

Sinopse: Um grupo de teatro amador está ensaiando uma nova peça, quando uma notícia triste abala a todos: George, amigo próximo da trupe, está doente. De acordo com os médicos, ele tem no máximo seis meses de vida. Enquanto as mulheres do grupo começam a relembrar a antiga paixão pelo mulherengo George, os homens têm uma ideia inusitada: e se o amigo doente fosse chamado para interpretar um dos personagens da peça?
País de origem: França
Gênero: Comédia/ Drama
Tempo de duração: 108 min
Indicação: 12 anos

Uma Viagem Extraordinária
Quando: 21 de março

Sinopse: Aos doze anos de idade, T.S. Spivet é um garoto superdotado, apaixonado por cartografia. Quando ele ganha um prêmio científico de prestígio, o garoto decide abandonar sua família em Montana para atravessar sozinho os Estados Unidos, até chegar em Washington. O único problema é que o júri não sabe que o vencedor ainda é uma criança.
País de origem: França
Gênero: Aventura
Tempo de duração: 105 min
Indicação: 10 anos

Documentário para televisão italiana gravado na região


012345“Nas trilhas da imigração italiana”,documentário que tem por objetivo destacar os costumes italianos que ainda encontram força na região Nordeste do Rio Grande do Sul, foi gravado recentemente em Bento Gonçalves, Garibaldi e Farroupilha. 
Em Garibaldi, as gravações foram realizadas no Sítio do Celo, no Parque Fitarelli e na Família Mariani, com filmagens e entrevistas com os proprietários. Além disso, imagens da Maria Fumaça passando sobre a Ponte de Pedra, da igreja “Ceseta” – a mais antiga do Município, que fica na Linha Presidente Soares-, e de casas de pedra e de madeira construídas pelos imigrantes italianos também foram captadas.De acordo com Denize Amilibia, da empresa Deam, responsável pelo projeto,a ideia é descrever a imigração italiana, com informações históricas e culturais, sem deixar de enfatizar a beleza local da serra gaúcha.  Inicialmente, a produção será dirigida à televisão italiana. Depois, a ideia é veicular também no Brasil

Cine Via del Vino acontece nessa quarta-feira

16640870_1341247379276162_4429142754048269424_nSessão de cinema ao ar livre acontece no centro de Bento Gonçalves na próxima quarta-feira, dia 22 de fevereiro. O Cine Via del Vino será às 20h30, em frente a prefeitura, com a exibição do filme “Comer, Rezar e Amar” do diretor Ryan Murphy. Haverá distribuição de uvas e degustação de sucos e vinhos promovidas pelo Circolo Trentino.

Cinema e espumante no Carnaval da Peterlongo

A Vinícola Peterlongo lança uma edição especial do Wine Movie Peterlongo, cinema ao céu aberto realizado entre os vinhedos que cercam a vinícola. O evento é uma opção alternativa para quem deseja evitar a folia do Carnaval. A sessão será dia 24 de fevereiro, às 19h, com a exibição do filme ‘Curtindo a vida adoidado’.  Será a última sessão do Wine Movie Peterlongo no primeiro semestre do ano, retornando somente em setembro para a chegada da primavera. Ingressos custam R$ 30 antecipado e R$ 40 na hora. Eles estão à venda no varejo da vinícola, em Garibaldi (RS), e pelo site www.sympla.com.br.

unnamed (3)Realizado entre vinhedos, à sombra de uma nogueira centenária e ao lado do Castelo Peterlongo, o Wine Movie Peterlongo proporciona a um público limitado de 120 pessoas, assistir a um filme enquanto degusta espumantes, vinho e suco de uva. Trufas, pipoca, algodão doce e balas também são distribuídos. Para acomodar os visitantes, haverá bancos de paletes e almofadas.  A projeção do filme é feita em HD em uma tela de 8×5 metros.

O ingresso dá direito a uma taça personalizada com uma dose de espumante, vinho ou suco de uva. Em caso de chuva ou mau tempo o evento será cancelado.

O filme

Curtindo a vida adoidado é um clássico da década de 1980. A comédia conta a história de Ferris Bueller (Broderick), um garoto esperto e cheio de truques, que decidiu tirar um dia de folga. Ele, a namorada (Mia Sara) e um amigo (Alan Ruck), inventam muitas mentiras para não irem à escola e saem pelas ruas de Chicago com a Ferrari do pai de Cameron (Alan Ruck). Juntos, aproveitam ao máximo o dia livre, enquanto o diretor da escola (Jeffrey Jones)e a irmã (Jennifer Grey) invejosa de Ferris estão atrás deles.

O Lado Ruim da Paz

Por Natália Zucchi

Coordenado pela Biblioteca Pública Castro Alves, programa Recode, da Fundação Bill e Melinda Gates, inseriu jovens em atividades culturais. O grupo Litearte Protagonistas do Amanhã se destacou pela produção cinematográfica “O Lado Ruim Da Paz”

Através do Programa Recode, da Fundação Bill e Melinda Gates, vinte estudantes de Bento Gon- çalves participaram de encontros semanais na Biblioteca Pública Castro Alves, entre abril e outubro de 2016, voltados ao desenvolvimento das competências do século XXI, à autonomia em Tecnologias da Informação e à resolução de problemas sociais. Os estudantes, com idades entre 13 e 16 anos, foram divididos em três grupos de trabalho, coordenados pela bibliotecária Eunice Pigozzo. Com um encontro semanal nas manhãs das terças, quartas e quinta -feiras, em contra turno às atividades escolares, Eunice buscou inserir a garotada nas mais diversas manifestações culturais e literárias.

No evento de encerramento do primeiro ciclo do projeto, em 31 de outubro de 2016, na Fundação Casa das Artes, cada grupo apresentou um produto midiático, como culminância das atividades propostas: jogo de RPG, encenação e curta-metragem. Entre os trabalhos, o curta “O Lado Ruim da Paz”, de 18 minutos, se destacou pelo engajamento do grupo, autointitulado Litearte Protagonistas do Amanhã – e pela atuação da protagonista, a pró- pria Eunice. Incentivados pela boa repercussão da experiência, o grupo se organiza para um próximo filme.

“Filhotinhos culturais”

Durante os encontros, Eunice apresentou aos estudantes o mundo da cultura e das artes, procurando ampliar suas interações. Através de análises reflexivas de fotografias, artes plásticas, música e literatura, explicou conceitos e características dos movimentos artísticos e literá- rios, fazendo conexões entre a ficção e a realidade dos jovens. O projeto oportunizou aos grupos a participa- ção em shows e visitas a centros culturais em Bento Gonçalves e Porto Alegre. “Foi um ano riquíssimo para eles. Cresceram muito através das diversas relações estabelecidas entre pessoas e arte. Esses jovens e tantos outros que já conviveram comigo na Biblioteca, são meus filhotinhos culturais”, comemora Eunice.

Como culminância do projeto, ela identificou em cada grupo a área em que os integrantes mais tinham aproveitado e, assim, propôs a atividade de encerramento. Visto a tendência ao audiovisual e a experiência prematura dos estudantes com as câmeras, ficou claro a escolha de um curta para o grupo formado por Marcos Vítor Prado, 13 anos, Laura Bergozza Pereira, 15, Júlia Nichet, 14, Êmelly Coghetto, 14, Lauren Bianchi, 14, Maria Eduarda Signor, 13 e Vitória Azambuja, 13. Em apenas três meses, os integrantes roteirizaram, produziram e gravaram o suspense “O Lado Ruim da Paz”, com direção e edição de Marcos Vítor Prado.

A narrativa é baseada no assassinato de um policial na Escola Mestre. Após dois anos, a viúva do policial (interpretada por Eunice), acha pistas que deixam o crime ainda mais intrigante. O curta foi gravado com a filmadora de Marcos e a câmera fotográfica de Laura. Como cenários, eles utilizaram a casa de Júlia e de sua tia Lisete Enderle, a biblioteca Castro Alves e o Cemitério Municipal de Bento Gonçalves.

Histórias de repercussão midiática

Até agora, o curta foi apresentado na Fundação Casa das Artes, na Livraria Dom Quixote e na Feira do Livro de Porto Alegre. “Meu canal serviu como um laboratório para aprender a lidar com a câmera e entender como funciona o processo de edição. Isso colaborou muito para a gravação desse primeiro filme”, conta o jovem diretor Prado, que também possui o canal “O Eclético”, no Youtube. Além de Marcos, Êmelly produz Fanfic (histórias ficcionais escritas por fãs baseadas em outras histórias de repercussão midiática) e histórias originais, de autoria da garota, publicados na internet. “Quando tinha 8 anos, pegava minha câmera e gravava pequenos filmes de terror. Na época, ganhei meu primeiro computador, mas como eu não tinha internet, ficava editando essas filmagens. Poder produzir o curta “O Lado Ruim da Paz” foi a concretização de um desejo”, revela.

Com o novo filme em vista, os jovens têm vendido o DVD desse primeiro curta, pelo valor simbólico de R$10,00, a fim de arrecadar recursos para o próximo trabalho. Também receberam doações de apoiadores e da livraria Dom Quixote. Ainda no início do mês de janeiro, o grupo iniciou o planejamento e roteiro para o novo filme, que será um média ou longa metragem, que abordará o assunto LGBT e amizade virtual, com mesclas de drama e comédia. “São assuntos que estão em destaque e que ainda tem muito a ser falado”, afirma a integrante Êmelly. Com estréia prevista para agosto deste ano, os estudantes já estão firmando parcerias com outros produtores culturais de Bento Gonçalves para iniciar as gravações em março. “Agora temos mais conhecimento sobre o que o que é viável fazer e o que dá errado. Nesse segundo filme, teremos mais tempo para produzir, com mais qualidade”, destaca a estudante Júlia.