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Deficiência de Cálcio ou fundo preto em tomates

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Aldacir H. Pancotto
Técnico Agrícola
EMATER/RS-ASCAR
Santa Tereza

O tomateiro é muito cultivado em nossa região, seja em áreas comerciais, ou em pequenos quintais, tanto no interior como nas cidades.

É, sem dúvida, uma das culturas mais plantadas, porém é um dos cultivos que mais tem problemas durante todo o ciclo de vida. O tomateiro é muito suscetível a doenças como fungos, bactérias e vírus. Também existe um problema muito comum no tomate, a deficiência de cálcio, conhecida como fundo preto. A maioria dos produtores, principalmente os de fundo de quintal, quando se defrontam com esse problema, sentem dificuldades em resolvê-lo.

O sintoma característico é uma lesão bronzeada clara e flácida na extremidade do fruto, que se transforma em uma necrose deprimida, de coloração marrom escuro. A lesão tipicamente aumenta e se torna mais afundada, frequentemente acompanhada por uma podridão seca. Um fungo preto pode crescer na superfície da lesão. Às vezes, há uma necrose dos tecidos internos do fruto, com poucos ou nenhum sintoma externo, conhecido por coração preto. Normalmente, os frutos que estão na metade do desenvolvimento são os primeiros a mostrar os sintomas. Os frutos amadurecem prematuramente e não são comercializáveis.

Em geral, os sintomas estão relacionados com a disponibilidade deste nutriente para a planta e não com o baixo suprimento no solo. O cálcio é fornecido para os tecidos da planta através da água absorvida pelas raízes. Os sintomas podem aparecer se o solo ficar muito seco entre as regas. A deficiência de cálcio ocorre principalmente em solos arenosos com pouca retenção de água, solos com pH baixo ou solos ricos em sódio ou amônia. Em geral, o pH ideal do solo para tomateiros fica em torno de 6,5. A umidade elevada do ar e o alagamento dos solos também podem diminuir o transporte de água para os tecidos e, assim, menos cálcio é absorvido.

Para pequenas áreas, cascas de ovos podem ser usadas. Elas contêm cálcio na forma não solúvel, que não fica disponível para a planta absorver, a menos que esteja finamente moída. Para converter o cálcio em uma forma acessível, depois de triturar totalmente as cascas de ovos, deve-se misturar o pó fino com vinagre. A capacidade de retenção da umidade pode ser melhorada adicionando matéria orgânica ao solo. Um composto ou esterco também pode ser utilizado para melhorar a quantidade de cálcio no solo.

O cálcio pode ser fornecido pela calagem (carbonato de cálcio), gesso (sulfato de cálcio) ou fertilizantes líquidos. O calcário dolomítico ou com grande quantidade de cálcio pode ser usado como fonte para a planta e para corrigir o pH do solo. O correto é fazer a calagem de dois a quatro meses antes do plantio dos tomateiros e de manter uma umidade adequada do solo. Aplicações foliares de cálcio não são eficientes contra a podridão apical do fruto, devido ao baixo transporte de cálcio para eles. Tome cuidado com o cloreto de cálcio, porque em altas temperaturas (acima de 30 °C) ele pode queimar as plantas. A pulverização de cálcio não substitui o manejo adequado de irrigação e fertilização.

Medidas preventivas

Escolha uma variedade de tomateiro menos suscetível à patologia. Teste o pH do solo através da uma análise. Se necessário, faça a calagem para obter um pH dentro do limite ideal. Durante o desenvolvimento inicial do fruto, não fertilize demais com nitrogênio. Quando estiver trabalhando perto das plantas, tome cuidado para não machucar as raízes. Regue com frequência, mas não em excesso. Uma cobertura plástica ou verde (palha ou serragem) pode ajudar o solo a manter a umidade. Monitore a plantação regularmente e remova frutos com os sintomas.

1º Prêmio Mulheres do Agro tem inscrições prorrogadas até 04 de outubro

  • Finalistas irão a São Paulo para participar do 3º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio

1º Prêmio Mulheres do Agro, criado pela Bayer em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), nasceu com o intuito de dar voz à luta das mulheres rurais em prol da igualdade de gênero. A iniciativa visa contemplar gestoras e produtoras que estão à frente dos negócios, nas categorias pequena, média e grande propriedade. Para possibilitar que mais mulheres possam concorrer, as inscrições foram prorrogadas até dia 04 de outubro.

As finalistas ganharão uma viagem a São Paulo com todas as despesas inclusas para acompanhar a programação do 3º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, realizado entre os dias 23 e 24 de outubro, receberão troféu durante cerimônia no evento e ainda poderão contar suas histórias na série audiovisual Ser Agro É Bom da Bayer.

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Para se inscrever, é necessário entrar no site www.premiomulheresdoagro.com.br, baixar o formulário, preencher as informações e submeter o documento no mesmo site. É importante que as concorrentes completem o máximo de dados possível para que a comissão de jurados possa conhecer melhor a história das candidatas. Esta é uma forma de dar visibilidade às mulheres que enfrentam desafios no campo, além de agregar valor à propriedade.

Serviço

O que: 1º Prêmio Mulheres do Agronegócio
Onde: 3º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (Transamérica Expo Center – Av. Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues, 387, São Paulo)
Quando: 23 e 24 de outubro (cerimônia de premiação às 18h do dia 24/10)
Inscrições: Até as 23h59 do dia 04 de outubro

Mais informações: www.premiomulheresdoagro.com.br/.

Brasil inicia o maior projeto de pesquisa já elaborado para desenvolver a aquicultura

Foi iniciado o maior projeto de pesquisa em aquicultura já realizado no País. O BRS Aqua envolve 22 centros de pesquisa, 50 parceiros públicos e 11 empresas privadas – números que ainda devem aumentar ao longo de sua duração. Trata-se de um marco em investimentos no tema, fruto da parceria entre Embrapa, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a atual Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, ligada à Presidência da República, (SEAP).

O projeto é o terceiro maior já financiado pelo BNDES Funtec – linha de crédito não reembolsável a projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação. Serão R$ 45 milhões financiados pelo banco estatal, R$ 6 milhões da Embrapa e R$ 6 milhões da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, totalizando R$ 57 milhões. A meta, ao fim dos quatro anos de duração, é estabelecer a infraestrutura e a pesquisa científica necessárias para atender demandas do mercado de aquicultura.

“Esse projeto é de grande importância não só para o nosso centro de pesquisa, mas também para a Embrapa inteira e para o Brasil. É a comprovação de que a aquicultura chegou para ficar e tornou-se uma área estratégica no País”, comemora Eric Arthur Bastos Routledge, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), unidade que coordena o BRS Aqua.

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Quatro espécies estudadas

No Brasil, um dos maiores desafios em aquicultura está na falta de pacotes tecnológicos para a criação de importantes espécies aquícolas. Por isso, o projeto focará na pesquisa do tambaqui (Colossoma macropomum), tilápia (Oreochromis niloticus), camarão (Litopenaeus vannamei) e bijupirá (Rachycentron canadum), que apresentam grande demanda de mercado ou possuem alto potencial de produtividade.

“Essas espécies se encontram em diferentes patamares tecnológicos e para cada uma delas haverá uma abordagem diferente”, explica a pesquisadora e coordenadora do projeto, Lícia Maria Lundstedt, da Embrapa Pesca e Aquicultura. Segundo ela, enquanto a tilápia possui um pacote tecnológico mais avançado, as pesquisas com o bijupirá ainda são incipientes no País, embora seja uma espécie nativa do litoral brasileiro e tenha potencial para ser uma opção para o desenvolvimento da piscicultura marinha nacional.

Reforço na infraestrutura de pesquisa

“Cada uma dessas espécies por si só renderia vários projetos. De qualquer forma, o BRS Aqua vai gerar os mais diversos produtos, entre eles um incremento da infraestrutura para futuras pesquisas em aquicultura na Embrapa”, explica Lundstedt. A Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE), por exemplo, terá um novo laboratório para pesquisar espécies marinhas; a Embrapa Meio Norte (PI), que já trabalha com camarão, também terá melhorias em suas instalações para pesquisas na área e várias outras unidades da Embrapa receberão um reforço na infraestrutura para incrementar as pesquisas em aquicultura.

Para atender às mais diversas demandas, o BRS Aqua funciona como um grande guarda-chuva sob o qual há oito projetos componentes (Germoplasma, Nutrição, Sanidade, Manejo e gestão ambiental, Tecnologia do pescado, Economia do setor aquícola, Transferência de tecnologia e Gestão), com pesquisas distribuídas em diversos centros de pesquisa da Embrapa e polos produtivos.

Formação de banco de germoplasma

“Um dos destaques em genética é a geração de informações científicas e tecnológicas que tenham impacto direto na produção de alevinos (filhotes) de tambaqui com melhor qualidade, o que vai refletir em redução da mortalidade e aumento na produção”, explica Lundstedt, acrescentando que o projeto pretende estabelecer uma coleção de germoplasma qualificado de tambaqui na Embrapa Pesca e Aquicultura para futuros investimentos públicos ou privados em melhoramento genético.

Segundo a pesquisadora, atualmente o setor produtivo do tambaqui utiliza germoplasma pouco caracterizado cientificamente e sem melhoramento genético. Para que a produção avance, é necessário que o germoplasma seja geneticamente melhorado quanto às características produtivas, como melhoria nas taxas de crescimento, maior resistência a doenças, adaptação a sistemas intensivos de cultivo, entre outros avanços.

Em sanidade, o projeto pretende mapear os mais importantes desafios sanitários do tambaqui e seus fatores de risco para propor boas práticas de manejo, sistemas de diagnóstico rápido de doenças e desenvolver seus respectivos tratamentos. Um dos principais resultados nessa área será a identificação dos fatores de risco preponderantes relacionados à mortalidade do camarão, causada pela doença da mancha branca, a fim de propor medidas para evitar ou mitigar os efeitos em sua produção no Nordeste.

Causada por um vírus, a doença se manifesta na fase inicial de desenvolvimento do crustáceo, calcificando-o, provocando falta de apetite, letargia e manchas brancas em sua casca. Em seguida, o animal morre e contamina os outros. Com isso, produções inteiras são perdidas antes mesmo de chegarem ao consumidor. Um dos casos mais recentes da doença ocorreu no Ceará em meados de 2017. Em seis meses, 30 mil toneladas de camarão foram perdidas – o equivalente a 60% da produção do período.

Em nutrição, o foco será em tambaqui e tilápia. Serão definidos protocolos alimentares para a produção intensiva do tambaqui, nas fases de larva, engorda e abate, em viveiros e tanques-rede, tendo por base a capacidade de digestão dos ingredientes da ração e as exigências nutricionais do peixe. Além disso, o projeto abordará aspectos relacionados à tecnologia de processamento de rações, uma vez que há diversos parâmetros que precisam ser cuidadosamente monitorados para obtenção de produtos de alta qualidade. Também serão avaliadas nutricionalmente as rações disponíveis no mercado. É justamente esse insumo que impacta em até 82% nos custos de produção, dependendo do sistema adotado. Na prática, o produtor acaba gastando mais do que o necessário para engordar o animal.

Mudanças climáticas e piscicultura

Questões relacionadas ao aquecimento global e à sustentabilidade ambiental igualmente estão no radar do projeto, que prevê o desenvolvimento de equipamentos para monitoramento da liberação dos gases de efeito estufa na piscicultura. Também está prevista a análise da relação da produção em tanques rede, suas emissões de gases de efeito estufa e a qualidade da água. O acompanhamento das variáveis físicas, químicas e biológicas de sedimentos e da água, incluindo contaminação do solo e tratamento de efluentes gerados pela produção de peixes, também será alvo de estudos. Da mesma forma, será desenvolvido um sistema para tratamento de efluentes da produção de peixes.

Novos produtos de pescado

O BRS Aqua vai atuar ainda em diferentes aspectos relacionados ao processamento do pescado. O projeto vai trabalhar no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o abate eficiente e humanitário de peixes, padronização e controle de qualidade de filés, uso de resíduos e co-produtos do processamento na elaboração de materiais com valor agregado. Do mesmo modo, haverá um estudo de modelos para gestão de resíduos sólidos na indústria de processamento do pescado.

Além dos gargalos tecnológicos, a aquicultura brasileira também carece de dados e análises econômicas.  “Por se tratar de um setor relativamente recente, se comparado a cadeias agroindustriais tradicionais como a de outras carnes ou grãos, há poucas informações sobre diversos aspectos da cadeia do pescado”, justifica o pesquisador da Embrapa Manoel Xavier Pedroza Filho, responsável pelo segmento de economia do projeto. Segundo ele, faltam dados sobre viabilidade econômico-financeira dos sistemas de cultivo, estrutura da cadeia produtiva, risco de investimento, impacto econômico da adoção de tecnologias, além de dados macroeconômicos da aquicultura nacional (empregos, PIB, etc).

“A ausência dessas informações dificulta a tomada de decisões dos setores público e privado, uma vez que são fundamentais não apenas para orientar os investimentos, mas também subsidiar a formulação de políticas públicas para o setor”, ressalta o especialista. O BRS Aqua pretende gerar informações econômicas das quatro espécies contempladas no projeto, por meio de análises de viabilidade econômica de sistemas de produção, impacto de adoção de tecnologias, risco de investimento, entre outras.

Grande potencial nacional

Apesar de possuir 12% da água doce mundial e uma costa litorânea com mais de 8.500 quilômetros de extensão, a produção brasileira de animais aquáticos é inferior ao seu potencial. As causas desse desempenho são diversas e incluem baixa qualidade das matrizes reprodutoras; poucos estudos sobre a capacidade de suporte de ambientes de cultivo (número máximo de peixes ideal para uma determinada área); limitada assistência técnica; deficiência nas formas de controle e monitoramento das enfermidades de animais aquáticos; utilização incipiente de resíduos para produção de derivados; falta de tratamento e aproveitamento de efluentes de aquicultura e de padronização de indicadores para o licenciamento ambiental nos diferentes ambientes onde a aquicultura é praticada.

“Fizemos um levantamento de informações sobre o setor entre 2012 e 2013, que gerou dois estudos que revelaram todo o potencial na área de aquicultura do Brasil. Isso foi na época do Ministério da Pesca e Aquicultura, que desejava investir no desenvolvimento aquícola”, recorda Marcos Rossi Martins, chefe do Departamento da Área de Indústria e Serviços do BNDES.

A análise constatou grandes gargalos e oportunidades. A variedade de peixes da Bacia do Rio Amazonas, por exemplo, é um diferencial para o Brasil atingir novos mercados. O clima é outra vantagem a favor do País, cujas condições para o cultivo da tilápia – uma das espécies de peixe mais consumidas no mundo – são excelentes. Outros cultivos, como o de crustáceos e moluscos, também têm potencial de escala no Brasil. No entanto, a indústria de pescados ainda é incipiente no País, tanto na pesca quanto na aquicultura.

Segundo dados de 2014 de um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), o consumo mundial na aquicultura é da ordem de 20 kg per capta, enquanto o de carne bovina atingiu menos da metade: 6,54 kg. Nesse cenário é fácil perceber como o mercado da pesca e da aquicultura é promissor no País.

“A demanda mundial por pescados vem crescendo de forma acelerada em decorrência do aumento populacional e da busca por alimentos mais saudáveis. No Brasil isso também ocorre. Em 2003, o consumo era inferior a 6,5 quilos de pescado por pessoa ao ano, hoje esse valor subiu para nove quilos per capta. Se a população ingerisse a quantidade recomendada pela OMS, que é de 12 quilos, isso já representaria um impacto no consumo de 5.722 mil toneladas”, calcula Jaldir Lima, um dos coordenadores do estudo do BNDES.

Expectativa de melhora na competitividade

O projeto foi bem recebido também por representantes do setor produtivo. Para Antônio Albuquerque, diretor técnico da Associação Cearense dos Criadores de Camarão (ACCC), ele é um sinal de que a pesquisa está atenta às demandas do mercado. “Essa iniciativa da Embrapa de ouvir vários atores, incluindo outras cadeias produtivas, para saber quais são as principais demandas, é muito positiva. Também é muito útil que a pesquisa saiba qual tipo de apoio o setor produtivo pode dar”, diz.

Francisco Medeiros, diretor presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, a Peixe BR, tem muitas expectativas. “Temos acompanhado a elaboração dessa proposta desde 2015. Trata-se de um setor carente de soluções que ofereçam melhor competitividade. No Brasil, temos grandes pesquisadores em aquicultura, no entanto, observamos baixa utilização de tecnologias geradas por essas instituições de pesquisa”, analisa ele. “Temos um grande problema de competitividade e esperamos que todas essas ações tragam soluções que promovam melhores condições de mercado. Vamos acompanhar de perto a execução desse trabalho”, resume.

Elisângela Santos (MTb 19.500/RJ)
Embrapa Pesca e Aquicultura

Embrapa apresenta documento com a visão de futuro para a agricultura brasileira

A Embrapa lança, no último dia 24 de abril, quando comemora os 45 anos de criação, “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”. O documento de 212 páginas teve a colaboração de aproximadamente 400 colaboradores da Embrapa e instituições parceiras. Foram analisados durante 18 meses sinais e tendências globais e nacionais sobre as principais transformações na agricultura em questões científicas, tecnológicas, sociais, econômicas e e ambientais e seus potenciais impactos.

“Visão 2030” terá versões digital e impressa e oferece bases para o planejamento estratégico das organizações públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Edson Bolfe, coordenador do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa (Agropensa) e da produção do documento, diz que “no esforço de análise e de prospecção de cenários buscou-se antever transformações e, assim, contribuir para a definição de diretrizes que orientem a programação de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) de instituições públicas e privadas com foco no desenvolvimento sustentável da agricultura”. Na Embrapa, vai, particularmente, subsidiar estratégias e prioridades da Empresa, a produção do próximo plano diretor e o trabalho dos 2.448 pesquisadores da Empresa.

O documento traz perspectivas e os principais desafios científicos, tecnológicos e organizacionais baseados em análises do ambiente interno e externo, nacional e internacional. Um dos destaques é a identificação de sete megatendências. São elas: Mudanças Socioeconômicas e Espaciais na Agricultura; Intensificação e Sustentabilidade dos Sistemas de Produção Agrícolas; Mudança do Clima; Riscos na Agricultura; Agregação de Valor nas Cadeias Produtivas Agrícolas; Protagonismo dos Consumidores; e Convergência Tecnológica e de Conhecimentos na Agricultura. A publicação explora aspectos relacionados a cada uma das megatendências e sugere desafios e oportunidades, por exemplo.

           

Para chegar à identificação das sete megatendências, o trabalho desenvolvido ao longo de mais de um ano, se baseou em sinais e tendências apontados por diferentes setores da sociedade, incluindo atores das cadeias produtivas agrícolas, segmentos da iniciativa privada, do terceiro setor e de outras organizações públicas. Internamente, estudos realizados no âmbito do Sistema Agropensa, da carteira de projetos e do programa de cooperação internacional da Empresa (Laboratórios Virtuais no Exterior – Labex) forneceram os subsídios para as contribuições e análises de pesquisadores e especialistas que atuam nos mais de 40 centros de pesquisa da Embrapa no País.

           

            Impactos, cenários e megatendências: as projeções da pesquisa agropecuária para um futuro sustentável

           

O Sistema Agropensa da Embrapa vem trabalhando há anos com a análise e a projeção de cenários sobre a evolução e o futuro da agropecuária no Brasil e no mundo. Tendo em vista os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pelas Nações Unidas, o documento lançado este ano – “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira” – dá continuidade às análises e prospecções futuras consolidadas em duas outras publicações anteriores: “O Futuro do Desenvolvimento Tecnológico da Agricultura Brasileira” (2014), e “Cenários exploratórios para o desenvolvimento tecnológico da agricultura brasileira” (2016).

           

No primeiro estudo foram indicados os cinco eixos de impacto para orientar a atuação futura da Embrapa. No segundo, identificou-se quatro possíveis cenários para a evolução da agricultura do Brasil a médio e a longo prazo. Dialogando com essas prospecções de forma inovadora, esse terceiro estudo aponta sete megatendências delineadas por aspectos científicos, tecnológicos, socioeconômicos, ambientais e mercadológicos emergentes. “Tratam-se de indicadores de forças que se formam de maneira lenta, mas geram consequências que perduram por um longo prazo na agricultura”, explica Edson Bolfe.

           

Além de explorar aspectos específicos que levaram à percepção das sete megatendências, na publicação lançada agora, em 2018, são identificados os grandes desafios delas derivados. “A partir desses desafios foram feitas análises sobre como poderá ser a agricultura brasileira nos próximos anos. O objetivo é que as análises geradas contribuam para a tomada de decisões estratégicas da Embrapa e parceiros públicos e privados e para o maior desenvolvimento social, econômico e ambiental do Brasil”, finaliza Bolfe.

           

            A trajetória e o atual posicionamento da agricultura brasileira frente às tendências e sinais forneceram as premissas para a condução das análises das megatendências. Entre elas, destacam-se o fato de que o Brasil continuará figurando entre os principais protagonistas mundiais na produção e no comércio de grãos e carnes nos próximos anos e a constatação de que a tecnologia foi responsável pelo alcance dessa posição e continuará funcionando como um vetor transformador.

           

Contribuições da ciência frente aos desafios

           

            Soluções apresentadas recentemente pela Embrapa indicam que a empresa já vem atuando no sentido de responder a alguns das dezenas de desafios apontados pelo estudo. O Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária Brasileira (www.embrapa.br/macrologistica), lançado em março, atende, por exemplo, ao desafio de “Ampliar o uso da inteligência territorial estratégica em ações de governança e gestão pública e privada das cadeias produtivas da agricultura”, apontado pelas análises relacionadas à megatendência “Mudanças socioeconômicas e espaciais na agricultura”.

           

            Sistemas de produção intensivos e sustentáveis, soluções resultantes da pesquisa e técnicas que dispensam o uso de insumos químicos integram o conjunto de soluções que fazem frente a desafios impostos pela megatendência “Intensificação e sustentabilidade dos sistemas de produção agrícolas”.

           

            Nesse sentido, um dos principais exemplos de sistemas de produção intensivos e sustentáveis é o de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), implantado, atualmente, em diferentes combinações, em mais de 11 milhões de hectares no Brasil. Com o audacioso objetivo de chegar a 1 milhão de hectares em 2030, a Rede ILPF constituída em 2012 pela Embrapa e quatro parceiros (Cocamar, John Deere, Soesp, Syngenta),  foi transformada em março em Associação, mudança de status marcada pela adesão de dois novos integrantes: a SOS Mata Atlântica e o Bradesco. Com foco na internacionalização, na agregação de valor por meio da certificação e na inovação, a agora Associação Rede ILPF continuará o trabalho de transferência de tecnologia, capacitação de assistência técnica e de comunicação, buscando aperfeiçoá-lo.

           

Com foco na mitigação dos efeitos da mudança do clima, uma ferramenta criada pela Embrapa é a Plataforma ABC, que tem como missão articular ações multi-instittucionais de monitoramento da redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) dos setores da agropecuária brasileira, sobretudo as reduções derivadas das ações previstas e em execução pelo Plano agricultura de baixa emissão de carbono – Plano ABC).

           

Entre as soluções resultantes da pesquisa, uma das mais recentes que será apresentada durante a solenidade de 45 Anos da Embrapa no próximo dia 24 é o processo de inoculação de braquiária com Azospirillum que, entre outras vantagens, também traz benefícios ambientais ao favorecer o sequestro de carbono da atmosfera e eliminar a necessidade de aplicação de insumos químicos à lavoura.

           

            Outro exemplo de contribuição da pesquisa agropecuária para o enfrentamento dos desafios que, por sua vez, atende à necessidade de reduzir perdas e desperdício de alimentos por meio do desenvolvimento de novas embalagens é a que resultou na criação de uma película biodegradável. Funcionando como um revestimento comestível para frutas, no caso do coco verde, a película pode prolongar em até quatro vezes a vida útil do produto. Ao ser adotada este ano pelo mercado, a solução está permitindo que uma fruta tipicamente tropical chegue à Europa atendendo a um mercado consumidor exigente: o revestimento garante a manutenção das características nutricionais do coco natural e a água dentro dele sem alteração de cor ou sabor. Mais uma prova concreta do quanto a ciência contribui, de fato, para a ampliação das exportações de produtos alimentícios.

2º Ciclo de Encontros Rurais da Serra Gaúcha, de 18 de abril a 30 de maio

Em sete encontros, será focada a segurança das propriedades rurais e a rastreabilidade da produção primária

 Até 30 de maio deste ano ocorre o 2º Ciclo de Encontros Rurais da Serra Gaúcha inicia. O evento, que iniciou no dia 18 deste mês em Faria Lemos, segue com mais seis encontros em outros locais. ‘Defesa da Propriedade Rural – Legislação, Fiscalização e Segurança’ é o tema da programação do ciclo, promovido pelo Sindicato Rural da Serra Gaúcha nos seis municípios de atuação da entidade: Bento Gonçalves, Garibaldi, Carlos Barbosa, Santa Tereza, Monte Belo do Sul e Pinto Bandeira. Serão encontros direcionados ao desenvolvimento socioeconômico da propriedade rural, através de capacitações e repasse de informações. Ao término de cada encontro, profissionais das áreas jurídica e ambiental estarão à disposição dos participantes, para esclarecimento de dúvidas.

A primeira edição, ocorrida em 2016, foi marcada por onze encontros entre produtores rurais dos seis municípios que, ao todo, reuniram cerca de 400 pessoas. Para a pró- xima edição, a expectativa do presidente do Sindicato Rural da Serra Gaúcha, Elson Schneider, é mobilizar mais de 800 pessoas em torno das explanações técnicas do encontro, seguidas por troca de opiniões sobre os temas apresentados.

Schneider adianta que as palestras técnicas sobre formas de defender a propriedade rural vão focar maneiras simples e acessíveis a qualquer produtor rural da região Nordeste do Estado. Também adianta outro assunto que será destaque nos encontros: a rastreabilidade da produção primária, prevista em lei federal para produtores de frutas e hortaliças direcionadas a consumo in natura. O assunto vai ser abordado pelo chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Uva e Vinho, Marcos Botton.

Agende-se

18 de abril – Abertura, às 18 horas, no salão da Linha Paulina, Faria Lemos
26 de abril – Encontro, às 18 horas, no salão de São José da Costa Real, distrito de Garibaldi
2 de maio – Encontro, às 18 horas, no salão paroquial de Monte Belo do Sul
9 de maio – Encontro, às 18 horas, no salão paroquial de Pinto Bandeira
16 de maio – Encontro, às 18 horas, no salão da comunidade Graciema Baixa, interior de Santa Tereza
18 de maio – Encontro, às 18 horas, no salão da comunidade de Santo Antônio de Castro, interior de Carlos Barbosa
30 de maio – Encerramento, às 13h30min, no auditório da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves

Foto: Difusora 890

Insetos cortadores

formigas-cortadeiras-35São assim designados aqueles insetos que cortam pedaços de folhas e outras partes vegetais, não para utilizá-los diretamente como alimento, mas com propósitos diversos. Tais insetos cortadores pertencem à ordem dos himenópteros, que inclui, entre outros, as abelhas, as vespas e as formigas.

Entretanto, os principais insetos desse grupo são as formigas cortadeiras. Existindo em todo o território brasileiro e atacando grande número de plantas cultivadas, tais formigas representam, inegavelmente, os mais sérios inimigos da nossa agricultura.

As formigas constroem suas moradias subterrâneas com o fim de, abrigadas no seu interior, preparar seu alimento e criar sua sucessão. Elas vivem exclusivamente à custa de um cogumelo ou fungo, que cultivam cuidadosamente no interior dos ninhos. O cogumelo ou fungo nada mais é do que uma planta e, como tal, necessita de cuidados para se desenvolver. Daí a intensa atividade das formigas, cortando e transportando para seus ninhos pedaços de folhas e de outras partes vegetais, para com elas adubar os canteiros de cogumelos. Portanto, as formigas não comem as partes que cortam das plantas.

De modo geral, os formigueiros são formados pelas seguintes partes: olheiros – os buracos ou “olhos” vistos na superfície do solo e que servem como entrada ou saída dos ninhos; canais – a continuação dos olheiros, descem para o subsolo como se fossem tubos; panela – verdadeiros ocos escavados no interior do solo, comunicando-se com os canais através de ramificações curtas.

Dentro das panelas, as formigas cultivam o fungo que lhes serve de alimento. Nos formigueiros de saúvas, ou sauveiros, vive grande quantidade de formigas. Por isso, eles apresentam várias panelas, todas interligadas por canais, com grande número de olheiros na superfície do solo. Nos sauveiros velhos, são comuns panelas situadas além de 5 metros de profundidade.

Nos formigueiros vivem formigas de diversos tamanhos, todas, porém, adultas. As maiores encarregam-se principalmente de defender o ninho contra qualquer inimigo. Por isso, são chamadas de “soldados”. As de tamanho um pouco menor trabalham no corte e transporte de plantas para o formigueiro: são as “cortadeiras”. De tamanho menor ainda são as “jardineiras”, cuja tarefa é cuidar dos canteiros do fungo no interior das panelas.

A sociedade toda é comandada por uma só “rainha”, mãe de todas as demais formigas do ninho e de tamanho bem maior que elas. A rainha, que pode viver mais de dez anos, existe somente para colocar ovos, dos quais sairão larvas que, depois da fase pupal, darão origem a novas formigas para povoar o ninho e garantir a sua procriação.

Nos meses da primavera, encontra-se também nos ninhos formigas com asas, que são fêmeas e machos, prestes a abandona-los para formar novos formigueiros.

Para evidenciar a importância econômica das formigas cortadeiras, basta referir que tais insetos vivem permanentemente cortando as folhas de um grande número de plantas, chegando, às vezes, a causar o seu desfolhamento completo. Tal dano pode ser notado em pomares, lavouras, hortas, campos e jardins, enfim, onde quer que existam plantas. Assim, os prejuízos que causam à agricultura são enormes.

Homenagem ao Dia do Colono: Com vitivinicultura e enoturismo, Família Vaccaro recebe turistas

Reportagem: Natália Zucchi | Edição: Kátia Bortolini

Propriedade situada no Roteiro Estrada do Sabor cresceu com seus familiares fazendo o que dominam bem: receber pessoas

materia capa (1)A Família Vaccaro, da comunidade de Santo Alexandre, agregou enoturismo a vitivinicultura e hoje é um dos destinos mais procurados do roteiro Estrada do Sabor, de Garibaldi. Grupos de turistas, sob reserva antecipada, são recebidos na residência de Augusto Vaccaro pelo filho Francisco e pela nora Natalina para almoços e piqueniques, com pratos da gastronomia típica da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Os visitantes costumam passear pelo local em trilhas da propriedade ou em visita a cantina, situada nas proximidades.

A produção de uvas e vinhos iniciou com Francisco Vaccaro, conhecido como Guerino, com a elaboração de vinho comum para consumo familiar. Vendo que sua produção aumentava, o nono Francisco, em 1953, decidiu construir sua própria cantina e, com o passar do tempo, registrou-a como Vinícola Vaccaro e Cia Ltda. Atualmente, a empresa também elabora vinhos finos e espumantes. A produção é comercializada para turistas, em feiras e eventos e em pontos de vendas da região e da grande Porto Alegre.

A produção vitivinícola aliada a rota turística Estrada do Sabor, inaugurada em 2001, garante trabalho para a família de Francisco Vaccaro, conhecido como Chico, e para a de José Vaccaro. Chico e a esposa Natalina trabalham diretamente com o turismo e a gastronomia. A atividade conta com a participação da nova geração representada pelos irmãos Vinicius e Willian e o primo Diego, filho de José. Vinicius é formado em Administração, Willian em Enologia e Diego, em Turismo. Já José lida tanto nas parreiras como na vinícola, em várias frentes. Nos últimos cinco anos, os sócios investiram na reforma da sede da empresa e em novos varietais.

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materia capa (13)O nono Augusto Francisco, pai de Chico, recebe os turistas na propriedade com passeio regado a histórias e lembranças da família. Além da boa conversa, ele leva os turistas para visitar o “museu do nono”, espaço no porão da casa com pertences históricos. Natalina comanda a cozinha com o apoio da sogra Maria, responsável pelo toque caseiro muito procurado pelos turistas. Os eventos são regados a vinho e suco de uva à vontade para acompanhar as mais tradicionais receitas da família, entre elas o frango recheado assado no forno a lenha, localizado no terreno da propriedade. Eles recebem grupos entre 10 e 45 pessoas, durante a semana e também no final de semana, somente mediante reserva. “A família não pode ficar sobrecarregada. Precisamos ter nosso próprio tempo para garantir boa recepção aos grupos, porque o atendimento é primordial. Além disso, gostamos dos pequenos grupos. Nos tornamos mais íntimos”, afirma Natalina.

Para eles, o turismo já fazia parte da vida antes mesmo do empreendimento. Chico conta que recebiam muitos parentes com frequência, há- bito comum das comunidades do interior. Segundo ele, isso também fez com que o recebimento dos turistas seja feito de forma natural, espontânea, como se cada um realmente fosse parte da família. “Turismo é coisa boa, só gente amiga. Eles gostam de conversar, gostam de ouvir nossas histórias, não tem vergonha de perguntar. Eu gosto muito”, comemora. Mas não só de trabalho que os Vaccaro interagem com o turismo. Chico conta que as viagens para outras cidades e outros estados sempre foram comuns. A maioria delas para visitar os parentes espalhados por Santa Catarina e Paraná, entre outros Estados. “A gente também tem que conhecer outros lugares, outras rotas. Isso é bom para a nossa qualidade de vida e também para ampliarmos nossa visão dentro do nosso atendimento”, acrescenta Natalina.

Antes era o braço e o boi

materia capa (12)O nono Augusto, que acompanhou as mudanças na comunidade e nos negócios com o passar dos anos, lembra com carinho da sua infância. Ele conta que as famílias vizinhas seguiam o mesmo padrão do interior, de colher uva e fazer vinho, e que a maioria delas foi evoluindo junto. “Antigamente a despesa era pouca. Hoje a renda aumentou, mas o custo de vida é alto. No tempo que eu era guri, o dia a dia era muito mais simples. Lembro que a gente não se importava muito com o que vestia. Íamos para a escola de pés descalços. No início da vinícola, a uva era moída com a mão. Na época, a luz vinha da parte central de Garibaldi e qualquer problema na rede deixava a gente sem luz, mas para nós era natural ficar no escuro. Hoje, se a gente fica sem luz, não faz mais nada”, analisa. Para ele, além do orgulho do passado, fica a satisfação com o presente, onde os filhos dão continuidade ao trabalho do seu pai. “Antes era o braço e o boi. Mas o que nunca faltou foi uma xícara de café cedo pela manhã. Nossa família sempre foi amiga do trabalho”.

Especial de capa

Empreendedorismo no meio rural –  Em homenagem a todos agricultores é comemorado, em 25 de julho, o Dia do Colono. A data foi instituída em setembro de 1968 pela da Lei Federal 5.496. Popularmente, a data se tornou conhecida em 1924, em função das comemorações do centenário da vinda dos alemães para o Rio Grande do Sul. A reportagem de capa desta edição do Jornal Integração da Serra homenageia a todos os que tiram seu sustento da terra gerando alimentos e riquezas para suas cidades. São quatro histórias de empreendedorismo rural, como acréscimo de rentabilidade.

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Homenagem ao Dia do Colono: Empreendedorismo feminino na agroindústria Sabores da Montanha

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Reportagem: Natália Zucchi | Edição: Kátia Bortolini

“Eu queria evoluir, não queria ficar só na roça”. A afirmação é de Cirley Antunes dos Santos Lorenzatti, 60 anos, proprietária da agroindústria Sabores da Montanha. Moradora da Linha Jansen, interior de Pinto Bandeira, ela é mais uma, entre tantas mulheres empreendedoras, que arriscaram investir na agroindústria como forma de ampliar a renda familiar. Com o apoio do marido, Antoninho, e dos dois filhos, Moisés e Otávio, a família deu início ao novo negócio em 2008, a partir de economias pessoais e também do financiamento através do Pronaf Mulher, extensão do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), voltado às mulheres produtoras rurais.

Na propriedade, a família cultiva uva, pêssego, figo, laranja, lima, bergamota, caqui, tomate e marmelo. Com essas frutas, Cirley elabora doces cristalizados, frutas desidratadas, geleias diversas (com e sem açúcar) e molhos de tomate. Outros doces também são feitos com produtos criteriosamente escolhidos através de uma distribuidora, com abacaxi, banana, morango e maçã, não cultivados por Cirley. Os produtos são comercializados na propriedade, em feiras e em alguns estabelecimentos comerciais da região. Também são enviados pelos correios para Gramado e alguns municípios de Santa Catarina.

Das uva e pêssegos a outras variedades de frutas 

20294226_1240905049371479_3750705905107276983_nA família Lorenzatti sempre cultivou uva na propriedade de 8,4 hectares. Eles entregavam para a Cooperativa São João. Também cultivavam pêssegos, distribuídos nas câmaras frias. Segundo Cirley, a agricultura tem permanecido familiar porque há pouca mão de obra no interior. “As pessoas que vivem na nossa zona rural dependem da própria renda. A agroindústria foi uma forma de dar
oportunidade aos nossos filhos de ficarem por perto. O novo negócio trouxe o dobro de trabalho, mas fico feliz em garantir a sucessão familiar nesse ramo”, salienta ela.

Produção certificada

A marca Sabores da Montanha possui o selo estadual “sabor gaúcho” e o federal “aqui tem agricultura familiar”, certificações para produtos oriundos de agroindústrias familiares rurais produzidos artesanalmente, respeitando o meio ambiente e a legislação vigente. Para a produção, Cirlei construiu um espaço atrás da sua residência, seguindo as especificações sanitárias e técnicas exigidas. Ali, ela separa as frutas e faz a higienização e o corte.

materia de capaa (8)Algumas são destinadas às geleias, outras, para os doces e, ainda, para o forno, onde ocorre a desidratação. Nele, as frutas podem ficar entre 35 e 40 horas, a 35ºC, em média. Dentro desse horário, é preciso fazer o manejo das bandejas para melhor distribuir os pedaços de frutas. “Cada uma tem um tempo diferente. O abacaxi e a banana levam mais tempo para desidratar por terem bastante água”, explica. De todos os processos, esse é o mais tranquilo, conforme ela conta. Acrescenta que às vezes chega a trabalhar 19 horas por dia. “É puxado.
Mas eu desejo ter muita saúde para trabalhar ainda bastante tempo. É o que eu gosto”.

Merenda escolar

A agroindústria Sabores da Montanha está cadastrada no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) através do qual fornece frutas, pães e molho de tomate para o cardápio de lanches de escolas municipais e estaduais de Bento Gonçalves e de Pinto Bandeira. Previsto em lei, 30% da merenda escolar deve ser fornecida pela agricultura familiar da região, valorizando a produção local. Em Bento Gonçalves, a agricultura familiar é responsável por de 90% dos produtos utilizados na merenda escolar  da rede municipal de ensino.

Elogios e críticas

20245361_1240905116038139_2245978171016241782_nCirley participa de diversas feiras, entre elas ExpoBento, ExpointerFenadoce. Também participa de edições da Feira de Agricultura Familiar, através de instituições como Emater, Fetag e Embrapa. “Essas feiras são uma maneira de agregarmos valor aos nossos produtos, como também mostrar o que pode ser feito com frutos como o caqui. A Fenadoce, por exemplo, foi uma experiência fantástica. Feira longa, cansativa, mas valeu a pena. Público enorme. A maior parte dos nossos produtos terminou antes do fim da feira”, relata. A oportunidade serviu para divulgar o município de Pinto Bandeira, através da distribuição de dois mil panfletos. “Pouca gente conhece Pinto Bandeira. O fato de eu estar lá colaborou muito para divulgar meu trabalho e também a produção da cidade. Eu voltei com elogios e críticas para o município”, destaca.

Especial de capa

Empreendedorismo no meio rural –  Em homenagem a todos agricultores é comemorado, em 25 de julho, o Dia do Colono. A data foi instituída em setembro de 1968 pela da Lei Federal 5.496. Popularmente, a data se tornou conhecida em 1924, em função das comemorações do centenário da vinda dos alemães para o Rio Grande do Sul. A reportagem de capa desta edição do Jornal Integração da Serra homenageia a todos os que tiram seu sustento da terra gerando alimentos e riquezas para suas cidades. São quatro histórias de empreendedorismo rural, como acréscimo de rentabilidade.

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Reportagem: Natália Zucchi | Edição: Kátia Bortolini materia capa (8)

Foi com o cultivo da uva que Flávio Strapazzon, de 78 anos, morador de São Pedro, distrito de Bento Gonçalves, sustentou a família, passando tanto por períodos prósperos como dificultosos. Foi sucedido na lida da viticultura pelos filhos Lucimar, 41 anos e Celso Antônio, 50 anos, que há 20 anos diversificaram a produção da propriedade, investindo em horticultura. “Foi uma alternativa. Observamos que era uma cultura de crescimento rápido e contínuo. Além disso, logo vimos que o retorno financeiro em relação a uva era bem mais rápido”, ressalta Celso Antônio Strapazzon.

horticultura (2)A lida com as parreiras e hortaliças envolve sete pessoas das famílias de Celso Antônio e Lucimar Strapazzon. Os irmãos e familiares dividem as tarefas e se ajudam. Lucimar cuida mais dos parreirais. Celso, das estufas de hortaliças e morangos e na plantação de tomates. A colheita e separação é feita por todos, de manhã cedo e no fim da tarde.

A família produz rúcula, alfaces, radicci, tomate e temperos, como salsa e cebolinha. A produção é feita de forma convencional, mas com orientações e controle da Emater, respeitando a aparência natural dos alimentos e também o meio ambiente, utilizando produtos registrados. Eles comercializam a produção para festas em comunidades e abastecem restaurantes e mercados de Bento Gonçalves e região, além de serem fiéis aos clientes da feira livre de Bento Gonçalves. Nas manhãs de sábado, a família comercializa parte da produção na feira que ocorre na praça Centenário, no centro da cidade.

horti (2)Gessi Strapazzon, esposa de Flávio, ressalta que a família sempre teve um pequeno canteiro, exclusivo para consumo próprio. Ela acrescenta que há cerca de 30 anos fortes geadas queimaram os parreirais da família, trocados na época pelo plantio de tomates. “Foram tempos difíceis. Superamos com a solidariedade da comunidade”. As dificuldades financeiras continuavam, mesmo com a plantação de tomates. A situação começou a melhorar em 1997, quando a família montou a primeira estufa para horticultura. Com o retorno financeiro, aos poucos, novos investimentos foram feitos. Em 2001, a segunda estufa foi concluída, bem maior que a primeira.

Hoje, a propriedade tem três grandes estufas de hortaliças, uma de morango e outra de tomate cereja. “As pessoas gostaram dos produtos, se fidelizaram. Ampliamos nossas estufas e, com a produção maior, fomos atrás de novos clientes, como supermercados e restaurantes de Bento Gonçalves e região”.

Verão: menos alface, destaque ao morango

materia capa (3)Há cerca de 12 anos, a família também cultiva morangos semi-hidropônicos. A cultura veio como alternativa à queda da venda de alface durante o verão. Suzana, filha de Celso, explica que no verão a alface fica pronta para consumo em cerca de 30 dias, aumentando a produção. “Quando o calor chega, o pessoal também planta em casa. Além disso, muita gente tem feito hortas criativas em apartamentos.
Assim, eles acabam deixando de consumir dos produtores durante o período”, acrescenta. Ela explica ainda sobre o cultivo da alface. “Colhemos no fim do dia, quando o sol e o calor baixam, assim elas não murcham. Isso mantém a qualidade de vida útil do alimento”, destaca. “Mesmo na horticultura, o trabalho também é pesado. Corremos o risco de não colher quando o tempo não ajuda”, afirma.

materia capa (7)O pai Celso acentua que o trabalho na agricultura tem que ser planejado conforme a demanda das produções, entre outros fatores. “Os confortos da vida moderna exigem muito. Para ter mais qualidade de vida hoje é preciso plano de saúde, seguro de carro, de casa, entre outros itens. A renda de nossas famílias vem do nosso trabalho conjunto, que tem dado certo”, comemora ele.

Já as inovações tecnológicas foram decisivas para a manutenção do cultivo da uva. Em 1995, através de financiamentos bancários, a família comprou um trator, agilizando o processo e aumentando a produção. “Hoje é um trabalho de uma só pessoa, mais assertivo. O tempo gasto é um pouco menor também”, ressalta Lucimar, filho de Gessi e Flávio. Gessi acentua que, se não fosse pelo trator, a família teria deixado de trabalhar com a uva.

Feira livre: um ambiente amigável

horti (3)Vender na feira em Bento Gonçalves já é tradição da família. Celso salienta que foi seu tio, Rústico Strapazzon, um dos fundadores da feira, quem o incentivou a apostar no comércio de hortigranjeiros. Às 3h15min da madrugada do sábado, eles acordam para organizar os produtos que serão oferecidos na feira. “Moramos perto da cidade e a estrada é de fácil acesso, fatores que facilitam o comércio da produção. Mas o horário da madrugada em que trabalhamos para distribuição nos mercados e para chegar na feira está muito perigoso. A violência cresceu muito em Bento Gonçalves nos últimos anos”, observa Celso.

A família se divide e intercala sábado a sábado na feira. O pai, Flávio Strapazzon, hoje com 78 anos, deixou de liderar o comércio na feira há dois anos, e agora apenas frequenta o local, esporadicamente, para reencontrar os amigos. “A feira cresceu muito. Mas, a maioria das pessoas ainda gosta de conhecer o produtor, de conversar com a gente. Muitos vão à feira exclusivamente para bate-papo. É um ambiente
amigável”, destaca Celso.

A família valoriza o conhecimento e a experiência do “nono” Flávio, sempre consultado antes de decisões importantes. “O aval final vem sempre dele”, acentua Lucimar.

Especial de capa

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Manejo de inverno em pessegueiros

Por Thompson Didoné
Enólogo Emater/RS-Ascar Bento Gonçalves
AGRICULTURA

No período de dormência das plantas do pessegueiro (inverno) vários tratos culturais são necessários para que se obtenha uma boa produção de frutas com qualidade. Podemos citar como práticas que estão sendo executadas: a adubação, poda seca, cultivo de culturas de cobertura de solo e tratamentos fitossanitários de inverno.

A adubação de correção deve ser baseada em análises de amostras de solo e, no caso de adubação de manutenção, deve também ser considerada a exportação de nutrientes do solo pelo volume de produção de frutos que são comercializados.

A poda seca é a principal prática cultural que está sendo feita e encontra-se bastante adiantada nas variedades superprecoces como a BRS Kampai e PS 25.399 (do cedo), cultivadas em mesoclimas mais quentes (vales de rios). Essas variedades já demonstram a abertura das primeiras flores, de forma antecipada, devido ao escasso número de horas de frio acumulado até o momento. Nesse caso, deve-se ter cuidado com a aplicação de caldas como tratamento de inverno, pois podem resultar em danos nas gemas floríferas.

Nos locais mais altos, boa parte da poda seca já foi feita na pré-poda ou poda de outono, cabendo destaque para a variedades Chimarrita (variedade mais cultivada) e PS 10.711 (do tarde). Nessas variedades recomenda-se a aplicação de calda bordalesa ou sulfocálcica.

A grande maioria dos pomares possui cobertura vegetal no solo, tendo importância evidenciada nesse ano de períodos chuvosos constantes. A proteção do solo, evitando ou diminuindo o efeito da erosão, a manutenção e elevação da matéria orgânica, a reciclagem dos nutrientes e a melhoria da estrutura do solo são algumas das vantagens que podem ser evidenciadas nesta prática.

Como tratamentos fitossanitários que podem e devem ser feitos destacamos a aplicação de calda sulfocálcica (enxofre e cal, mais fervura). Porém, deve-se ter o cuidado para que a calda seja armazenada de forma correta, em local seco e ao abrigo da luz. Também se faz necessário que a calda tenha a graduação em que são feitas as recomendações de diluição em água, que são baseadas em caldas com 32° Be. Sempre é importante saber a graduação da calda para fazer a diluição correta.

Na microrregião de maior concentração e cultivo de plantas de produção de pêssegos de mesa da Serra Gaúcha, constituída pelos municípios de Pinto Bandeira, Bento Gonçalves e Farroupilha, está sendo instalado o sistema piloto de monitoramento e alerta da presença de mosca das frutas, principal praga da cultura na região.

No mês de agosto o sistema de alerta passará a divulgar as informações e recomendações sobre o controle da mosca das frutas. Assim, no mês de julho estaremos divulgando em que se constitui e como funcionará o Sistema de Alerta Fitossanitário para a presença da Mosca das Frutas. Para mais informações entre em contato com o Escritório Municipal da EMATER/RS-ASCAR de um dos municípios citadas ou com a EMBRAPA de Bento Gonçalves.