Doenças fúngicas em videiras

Por Thompsson Didoné
Enólogo
Emater/RS – Ascar
Bento Gonçalves
tdidone@emater.tche.br

A brotação da videira (Vitis spp.) está acontecendo de forma bastante uniforme, com uma quantidade de brotos bastante satisfatória. A precipitação pluviométrica está acontecendo dentro e até acima da normalidade, contribuindo no vigor da brotação. A produção da videira está diretamente relacionada à sanidade do dossel vegetativo e, quando cultivada em condições climáticas favoráveis (elevada umidade e temperaturas amenas) ao desenvolvimento de fungos, várias doenças podem ocorrer.

As principais doenças de início de brotação são o Míldio (Plasmopara vitícola), principal doença fúngica da videira, que ocorre em todos os estágios vegetativos; Antracnose (Elsinoe ampelina), mais comumente conhecida como Varola, e a Escoriose (Phomopsis viticola). As duas últimas apresentam sintomas bastante parecidos e é comum a confusão entre ambas. Lembrando que para a ocorrência dessas fitopatias devem existir condições ideais de temperatura, umidade do ar, molhamento foliar e quantidade de esporos dos fungos presentes no ambiente.

Abaixo estaremos relatando a caracterização das três doenças fúngicas, conforme informativo da EMBRAPA Uva e Vinho:

Míldio

Sintomatologia: Nas folhas, na parte superior aparecem manchas amarelas, translúcidas contra a luz do sol com aspecto encharcado, denominadas de “mancha de óleo”. Em umidade relativa alta (acima de 95%), surge a esporulação branca do fungo na parte inferior da mancha (Figura 2), a seguir a área afetada fica necrosada, podendo causar a queda da folha. Nas inflorescências infectadas ocorre o escurecimento da ráquis, podendo ainda haver esporulação do fungo, seguido pelo secamento e queda dos botões florais. Este sintoma nesta fase de desenvolvimento é denominado de “míldio larvado” ou grão preto.

Condições predisponentes: A temperatura ideal para o desenvolvimento do míldio fica entre 18ºC a 25ºC. O fungo necessita de água livre nos tecidos por um período mínimo de duas horas para haver infecção. A presença de água livre, seja proveniente de chuva, de orvalho, ou de gutação, é indispensável para haver a infecção, sendo a umidade relativa do ar acima de 98% necessários para haver a esporulação.

Antracnose

Sintomatologia: A doença ataca todos órgãos verdes da planta (folhas, gavinhas, ramos, inflorescência e frutos). Nos ramos, a doença causa o aparecimento de cancros com formatos irregulares de coloração cinzenta no centro e bordo preto. Com a evolução da doença nas folhas, as manchas ficam perfuradas no centro. Nas bagas também aparecem manchas circulares de cor cinza no centro e preta nas bordas, comumente chamada de “olho-de-passarinho”.

Condições predisponentes: O desenvolvimento do fungo é favorecido por alta umidade provocada pela precipitação, nevoeiro e orvalho. O fungo pode se desenvolver desde temperatura de 2ºC a 32ºC, porém desenvolve- -se melhor em temperatura em torno de 20ºC.

Escoriose

Sintomatologia: A escoriose se manifesta principalmente na base dos ramos do ano, apresentando os seguintes sintomas: necroses arredondadas escuras, rachaduras e escoriações superficiais no córtex. No limbo foliar, forma manchas arredondadas de 3 mm a 15 mm de diâmetro, sendo escura no centro e amarela (cloróticas) na periferia.

Os ramos de ano podem quebrar facilmente devido ao intumescimento da sua inserção. Devido à morte das gemas basais a poda deve ser realizada na parte mediana do ramo, que distancia muito a produção da cepa, causando desequilíbrio da planta.

Condições predisponentes: Períodos prolongados de chuva e frio são as condições ideais para o patógeno. Temperatura entre 1ºC e 37ºC e períodos prolongados de água livre ou umidade relativa acima de 95% são as condições favoráveis às infecções. Os tecidos tenros (jovens) na fase inicial da brotação são altamente sensíveis ao fungo.

Em caso de dúvidas e para uma recomendação de tratamentos fitossanitários preventivos ou curativos procure sempre um técnico de sua confiança.

Programas de Agroindústria Familiar em Bento

Sabor de BentoO Programa de Agroindústria Familiar no estado do Rio Grande do Sul foi instituído através da Lei Estadual 13.921 de 18/01/2012 e regulamentado pelo Decreto Lei 49.948 de 13/12/2012.

A região da Serra Gaúcha é a que atualmente desponta no cenário estadual com o maior número de agroindústrias familiares inclusas no programa e comercializando seus produtos de forma totalmente formalizada. Isso se deve ao espírito empreendedor das famílias rurais que habitam a região e que, em grande parte, sabem aproveitar as oportunidades que surgem. Sem dúvida alguma o Programa Estadual de Agroindústria Familiar foi e está sendo uma ferramenta que proporciona aos pequenos produtores rurais empreenderem novos negócios.

A região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul abrange 49 municípios. Nesses municípios estão presentes 166 agroindústrias familiares, comercializando produtos de ótima qualidade, que vão desde conservas vegetais, derivados de farinha, embutidos, queijos e tantos outros produtos que são elaborados de maneira artesanal conservando a maneira tradicional que nossos antepassados produziam, mas sempre mantendo a segurança alimentar e a inocuidade dos alimentos.

Há também mais de 200 famílias rurais em processo de desenvolvimento de seus projetos e que em breve estarão atuando no mercado de maneira formal.

Dos 49 municípios da região administrativa da Emater/RS-Ascar, regional Caxias do Sul, o município de Bento Gonçalves é o que desponta no número de empreendimentos. Hoje temos em Bento Gonçalves 33 agroindústrias que são permanentemente acompanhadas pela secretaria municipal da Agricultura, Vigilância Sanitária e Emater.

Esta parceria entre as entidades é reflexo de um projeto piloto a partir da criação do programa municipal de agroindústria familiar, sendo único município do Rio Grande do Sul a possuir um programa específico para essa atividade, instituído a partir da Lei municipal n° 5553, de 26/02/2013 e regulamentado pelo Decreto n° 8458, de 28/03/2014.

Os frutos desse trabalho podem ser identificados através do selo Sabor de Bento, marca própria que exalta a originalidade, característica e a qualidade de seus produtos.

A parceria entre os responsáveis pela Vigilância Sanitária Municipal, Secretaria Municipal da Agricultura (Serviço de Inspeção Municipal) e Emater/RS-Ascar/BG, que operacionalizam os Programas Estadual e Municipal de Agroindústria Familiar, têm incentivado a consolidação do programa e, mais do que isso, através da orientação prestada aos empreendedores, as agroindústrias estão evoluindo e oferecendo produtos de ótima qualidade aos consumidores.

Manejo de inverno em pessegueiros

Por Thompson Didoné
Enólogo Emater/RS-Ascar Bento Gonçalves
AGRICULTURA

No período de dormência das plantas do pessegueiro (inverno) vários tratos culturais são necessários para que se obtenha uma boa produção de frutas com qualidade. Podemos citar como práticas que estão sendo executadas: a adubação, poda seca, cultivo de culturas de cobertura de solo e tratamentos fitossanitários de inverno.

A adubação de correção deve ser baseada em análises de amostras de solo e, no caso de adubação de manutenção, deve também ser considerada a exportação de nutrientes do solo pelo volume de produção de frutos que são comercializados.

A poda seca é a principal prática cultural que está sendo feita e encontra-se bastante adiantada nas variedades superprecoces como a BRS Kampai e PS 25.399 (do cedo), cultivadas em mesoclimas mais quentes (vales de rios). Essas variedades já demonstram a abertura das primeiras flores, de forma antecipada, devido ao escasso número de horas de frio acumulado até o momento. Nesse caso, deve-se ter cuidado com a aplicação de caldas como tratamento de inverno, pois podem resultar em danos nas gemas floríferas.

Nos locais mais altos, boa parte da poda seca já foi feita na pré-poda ou poda de outono, cabendo destaque para a variedades Chimarrita (variedade mais cultivada) e PS 10.711 (do tarde). Nessas variedades recomenda-se a aplicação de calda bordalesa ou sulfocálcica.

A grande maioria dos pomares possui cobertura vegetal no solo, tendo importância evidenciada nesse ano de períodos chuvosos constantes. A proteção do solo, evitando ou diminuindo o efeito da erosão, a manutenção e elevação da matéria orgânica, a reciclagem dos nutrientes e a melhoria da estrutura do solo são algumas das vantagens que podem ser evidenciadas nesta prática.

Como tratamentos fitossanitários que podem e devem ser feitos destacamos a aplicação de calda sulfocálcica (enxofre e cal, mais fervura). Porém, deve-se ter o cuidado para que a calda seja armazenada de forma correta, em local seco e ao abrigo da luz. Também se faz necessário que a calda tenha a graduação em que são feitas as recomendações de diluição em água, que são baseadas em caldas com 32° Be. Sempre é importante saber a graduação da calda para fazer a diluição correta.

Na microrregião de maior concentração e cultivo de plantas de produção de pêssegos de mesa da Serra Gaúcha, constituída pelos municípios de Pinto Bandeira, Bento Gonçalves e Farroupilha, está sendo instalado o sistema piloto de monitoramento e alerta da presença de mosca das frutas, principal praga da cultura na região.

No mês de agosto o sistema de alerta passará a divulgar as informações e recomendações sobre o controle da mosca das frutas. Assim, no mês de julho estaremos divulgando em que se constitui e como funcionará o Sistema de Alerta Fitossanitário para a presença da Mosca das Frutas. Para mais informações entre em contato com o Escritório Municipal da EMATER/RS-ASCAR de um dos municípios citadas ou com a EMBRAPA de Bento Gonçalves.