O que você precisa saber antes de ir para o Rock In Rio 2019

Por Natália Zucchi 

Ninguém fala sobre o sol forte, sobre o calor carioca, sobre as horas na fila, sobre a correria na entrada, as horas de espera próximo as grades, do calor, da chuva, do suor, dos cheiros desagradáveis, de gente fazendo xixi nos seus tênis, muito menos sobre o fato de que você corre o risco de ser esmagado por outras pessoas mais altas que você caso decida manter seu lugar perto de um dos maiores palcos de um dos maiores festivais do mundo. Aliás, você provavelmente vai ficar sem ar muitas vezes ao passar pelas ondas humanas, que emburram primeiro a galera contra a grade e depois a galera da grade empurra de volta – tudo para movimentar o pessoal e ver se alguém decide (na força) abrir espaço. Sim, o Rock in Rio é cheio de glamour, cheio de história, mas tem seu darkside que você conhece por aqui, caso ainda não teve a experiência de ficar bem próximo das atrações.

Possíveis cenários

O negativo: desodorante nem sempre cumpre seu papel (então passe bem o seu) e nem todo mundo é educado ou se importa com o seu bem-estar. Estou falando principalmente da galera que entra no parque já no início dos shows e quer chegar na grade nem que seja no tapa – sempre tem. Água é ouro depois do segundo show do Palco Mundo, então garanta a sua bem cheia para sobreviver até o último minuto. Depois da segunda banda dificilmente vai aparecer um ambulante lá na frente e abandonar os centímetros quadrados conquistados está fora de cogitação. Lembre que são mais de 100 mil pessoas que estão bem atrás de você.

O positivo: tem aquele outro lado lindo que todo mundo fala. A energia dos shows, ver a banda que você mais curte dando o máximo em cima do palco e as amizades, a galerinha do outro lado do país, dos estados mais longínquos, quem veio curtir o festival e foi super gente fina com você, cantou com você, dividiu água com você, chocolate com você, dorflex com você (droga lícita que sugiro levar para o festival caso queria aguentar o dia inteiro em pé na festividade). Adicionou no Facebook, seguiu no Instagram e até hoje você mantém contato. A energia do lugar mescla diferentes estilos e pessoas de todos os estados, e provavelmente você vai encontrar alguém de Sul, de Caxias ou Porto Alegre perto de você.

Dicas dadas, vamos ao contexto histórico

O Rock in Rio chega a sua 20ª edição neste ano, a oitava em solo carioca, que será realizada nos dias 27 a 29 de setembro e 3 a 6 de outubro no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, com ingressos entre R$262,50 a R$525. Abril é o mês das vendas para o público geral, sendo comum o esgotamento dos dias mais disputados em poucas horas.

Mas vamos fazer um tour ao passado. A edição first one do RIR foi em 1985, com uma programação mais rock impossível. Graças ao seu fundador Roberto Medina, que está por trás do festival até hoje, o Brasil viu o maior festival de música do planeta com AC/DC, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Queen, Scorpions, Whitesnake, Rod Stewart, Yes, Barão Vermelho, Os Paralamas do Sucesso e mais. O evento foi um incentivo para essas grandes bandas incluírem a América do Sul nas tournes, que antes não chegavam perto daqui. De 85 até então, já se passaram 19 edições (BR e Europa e EUA), melhorando ano a ano não só na produção musical, como também na estrutura de entretenimento que o evento vem se consolidando (aqui mais uma parte positiva, continue a leitura). É um verdadeiro parque de diversões! Roda Gigante,Tirolesa, Montanha Russa e a rua temática já são clássicos e hoje uma série de lojas, área vip, áreas gastronômicas e mais diversas opções de tendas e espaços com música vem agregando ainda mais as atrações do festival. Fui em 2013 e em 2017, e a estrutura ganhou um up considerável entre esses quatro anos. Para 2019, Nave, Rock Street Ásia e Espaço Favela prometem ser os diferenciais da edição.

Desde 2011, a Cidade do Rock abre suas portas a cada dois anos para receber bandas e artistas do mundo inteiro. Nesses mais de 30 anos, mais de nove milhões de pessoas passaram pelo festival.

Dica final: se você tiver condições financeiras e tempo para programar um dia extra no Rock in Rio, vá para curtir o parque e finalize a noite com os shows, mesmo que seja de longe.

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365 dias de quê, Spotify?

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Por Natália Zucchi

Para quem vive de Spotify, o serviço de streaming de música já liberou a retrospectiva musical de 2018!

Todo ano, o Spotify Wrapped disponibiliza para cada usuário um resumo dos artistas, músicas e gêneros mais ouvidos ao longo dos quase 365 dias (afinal, o ano ainda não acabou). O streaming também gera playlists com os dados coletados, com os mais tocados no Brasil e no Mundo, além de outras listas disponíveis para todos os membros.

Desde o último dia 6, o Spotify liberou também duas playlists pessoais, uma para curtir as 100 mais tocadas do seu ano e outra “expandida” com 50 faixas para você conhecer artistas e músicas similares ao seu gosto.

Para você ter uma ideia de quantas playlists personalizadas foram geradas, o Spotify já possui 170 milhões de usuários ativos mensalmente. Desses, 75 milhões assinam a versão premium.

Mas e aí, já conferiu a sua?

Meu 2018 teve 9.678 minutos de música. Eu achei pouco! Minha lista de artistas mais tocados também está muito similar a 2017. Parece que tenho escutado as mesmas bandas… Green Day, Aerosmith, Metallica, Pink Floyd, até aqui o de sempre mesmo. Em quinto lugar, aparece a Greta! <3 Minha aposta musical!

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Vou dar satisfações

  • O Dia Verde (versão abrasileirada para Green Day) permanece no topo pelo segundo ano consecutivo – resquícios do show incrível e animado de novembro de 2017, que motivou uma viagem pela discografia dos caras. Nimrod foi o álbum que mais ouvi da banda em 2018.
  •  Aerosmith e Metallica são para ouvir na volta da faculdade, já que minha cabeça fica muito agitada e dormir é impossível.
  • Pink Floyd foi pelo show do Roger Waters, comentado na coluna anterior.
  • Greta Van Fleet foi minha descoberta desse ano e já contei sobre eles na coluna de outubro. O novo álbum “Anthem of the Peaceful Army”, lançado também nos mês dez, veio para tirar o título de cover de Led Zeppelin e colocar os rapazes em outro patamar. Para o coração de metal aqui, até as tranquilas grudaram: Anthem e You’re the One.
  • Mesmo não aparecendo na lista, um álbum que curti muito em 2018 foi o Walls da banda Kings of Leon, lançado em 2016.

Agora vamos à promessa musical 2019: se em 2018 foram quase 10 mil minutos de música, a meta é dobrar esse número no próximo ano! Mais música, mais descobertas para contar por aqui. Viva ao algoritmo musical!

Aquele toque informativo

O Spotify foi lançado em 2008. Hoje, o aplicativo está disponível na versão desktop para curtir no computador e também nas versões para Android e iOS. Ele é gratuito para quem quiser escutar online e ser interrompido de vez em quando com anúncios. Já os planos de assinatura ficam entre R$ 16,90 (plano individual) e R$ 26,90 (plano família, que pode ser compartilhado entre você e mais cinco pessoas). É o Netflix da música! Com a versão premium, é possível baixar as canções e ouvir no modo offline, sem passar por publicidade

Artistas locais no Spotify

Não, o Integração e eu não recebemos patrocínio para falar sobre o Spotify. Chego até aqui para lembrar que o mais legal é que vários artistas locais possuem seu material disponível na plataforma: Lela Rosanelli, Elixir Inc., Darkship, Supersonic Brewer, Hollow, Rotten Penetration, Jovem Ainda, Os Bardos da Pangeia, Rainha de Espadas, Laura Dalmas e mais uma galera da Serra Gaúcha pode ser encontrada no Spotify. Se você ainda não é usuário, experimente a versão gratuita. 😉 Até mais!

US+THEM

Por Natália Zucchi

Pink Floyd foi o que eu mais vi ao vivo nessa minha turnê pelas bandas que tanto gosto. Claro, uma parte assisti com Waters e outra com Gilmour, separados desde 1985. The Wall, inclusive, foi meu primeiro show internacional, lá em 2012, na capital. Roger Waters, baixista e um dos fundadores da banda, tocou o álbum na íntegra, enquanto o muro gigantesco era construído, atravessando o Beira Rio.

Comecei minha tour de shows em grande estilo: Roger Waters entregou um concerto repleto de efeitos visuais inesquecíveis. Mas se já não bastasse o título do primeiro show, somado à estrutura surpreendente, o espetáculo me deixou outra marca: aos 14 anos, adolescente, enfrentava o início da separação dos meus pais, quando meu pai saiu de casa nas vésperas. Meu muro estava em construção também.

Já em 2015, foi a hora de ver David Gilmour com toda sua sensibilidade na Arena do Grêmio. Foi INCRÍVEL! Fui pelo Pink Floyd, mas também curtindo o pouco trabalho solo que conheço do cara. A tour Rattle That Lock foi linda, com menos efeitos especiais em comparação ao Waters, mas com direito a lasers dançantes e a animações nas características do Pink passando no telão. Gilmour precisa de pouco. Coming Back To Life ficou como performance inesquecível do show.

Voltando ao Waters

Seis anos depois do The Wall, comprei novamente o ingresso para o show da turnê US +THEM do Roger Waters, em Porto Alegre, no último dia 30 de outubro. Dói admitir que todo o estresse das eleições e manifestações políticas me deram uma boa intoxicada criativa, diga-se de passagem. Acabei anestesiada, sem ansiedade ou expectativa.

Uma pena. Para quem só vive o momento do show, não sabe como é gostoso passar pelos dias que antecedem o espetáculo ouvindo toda a discografia de quem você vai assistir, ficar repassando as letras para não errar nos refrões, relembrar os momentos já vividos com aquelas músicas e sentir aquela energia viva de ansiedade boa e motivadora. O efeito dos shows para mim duram muito, por isso invisto tanto neles. Mas no último show, na verdade, eu não esperava nada até às19h30, quando Renato Borghetti fez as aberturas.

Animals

Felizmente, Waters não decepcionou no repertório, muito menos nos efeitos visuais do show. Misturou sucessos de álbuns como Dark Side of The Moon, Wish You Were Here, The Wall e Animals com suas canções em carreira solo. Another Brick In The Wall foi o momento para o coro do público e novamente cantei contra meu muro interno. Entre latidos de cachorros e grunhidos de porcos, Dogs e Pigs, duas pérolas brilhantes na noite. Dogs pelos mais de 16 minutos de execução impecável e riffs hipnotizantes e Pigs, bom, por ser Pigs. O grande porco passeou pelo estádio com a mensagem #StayHuman. Trump no telão, no mínimo, tirou umas risadas da galera. Importante para descontrair os momentos mais tensos do show, não devido às imagens, mas pelas pessoas.

Pagando para arranjar briga

Roger Waters sempre foi um cara político e não tinha como esperar algo diferente em seus shows. Tudo bem. Mas também me ensinaram que o significado da arte não é gerado somente por quem a cria, mas, sim, pela interpretação de quem com ela interage.

Roger Waters chegou com sua tour no Brasil incendiando ainda mais o conturbado período eleitoral de 2018. Porém, no show que sucedeu a eleição, Waters não tocou no nome do presidente eleito. Nem foi preciso. O público se encarregou de pegar para si toda e qualquer manifestação do telão e retribuir com algum mantra de protesto hit nessas eleições. Totalmente previsível e esperado. Porém, a frequência dos protestos foi exaustiva. Já na metade do show, tenho minhas dúvidas se as vaias eram contrárias ao conteúdo ou se já eram um pedido de basta de quem não aguentava mais o “Ele Não” ou o “Fora PT”. Não acreditei quando percebi os seguranças correndo de um lado para o outro devido às brigas e discussões geradas, muito provavelmente por divergências políticas. Assustador, triste, cansativo e chato. Pra mim, esse show só reforçou que o discurso de ódio e a intolerância são independentes da sigla política.

Ouvidos em outro Estádio

Outro momento inusitado, que me faz questionar o potencial auditivo das pessoas, foi o flagra no senhor que passou o show com fones de ouvido, acompanhando o jogo do Grêmio. Cada um com seu fanatismo

The Great Gig In The Sky

A noite do último dia 30 foi marcada por um temporal feio que atacou o RS. Em Porto Alegre, a eletricidade acima do estádio chegou na parte 02 do show e complementou os efeitos de luzes, com raios rosados iluminados no céu. Interferências naturais durante os shows: comece a observá-las 😉 Pena ter sido o motivo pelo corte de Mother no setlist.

Elipse e Brain Damage

Vivi para ver a capa de Dark Side of The Moon nas proporções do gramado do Beira Rio, pairando no ar. Duvido que quem presenciou um dia irá esquecer as luzes coloridas atravessando o grande prisma. Esperança de que quando passamos pela arte, saímos renovados.

Greta Van Fleet

Por Natália Zucchi
natalia@integracaodaserra.com.br
@nataliazucchi

– Escuta isso!
“Aaaaaaah” de repente, uma super potência vocal em um grito muito enérgico.
– Led Zeppelin se reuniu e lançou música nova?

A comparação é inevitável durante o grito. Os mais fãs que relevem, mas a primeira impressão foi essa mesmo: Greta Van Fleet com seu hit Highway Tune me pareceu totalmente Robert Plant e companhia nos primeiros segundos. O que eu não considero negativo. Afinal, para ser comparado com O Led Zeppelin, é preciso ser muito bom. Já li críticas afirmando que definir os caras como “cover” da banda setentista é muita limitação e falta de crença na nova geração de bandas de rock e derivados. Porém, os próprios membros da Greta afirmaram que a comparação até soa engraçada, mas que é uma honra para eles. Não é mesmo?

Não dá simplesmente para ignorá-los. Até Plant já fez comentários positivos a respeito dos garotos. Entretanto, os riffs e principalmente o timbre de Josh Kiszka fazem muita gente se questionar se eles são ou não um plágio. Eu duvido. Pode ser difícil criar algo tão disruptivo no rock quanto Led Zeppelin naquela época, mas acredito no talento da Greta Van Fleet. Eles ainda estão formando sua identidade, como jovens. Inclusive, que bom que finalmente bandas novas e com bom potencial musical estão ganhando espaço – melhor ainda se for no nível de Led Zeppelin.

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Hora de fazer as devidas apresentações:

Com vocês, Greta Van Fleet!

O quarteto norte-americano foi formado em 2012 em Frankenmuth, Michigan. Três dos membros são irmãos: os gêmeos Josh e Jake Kiszka, respectivamente vocalista e guitarrista com 22 anos, e Sam Kiszka, 19 anos, que assume o baixo. Com eles, o amigo Danny Wagner, com 18 anos, na função de baterista desde 2013. Os jovens criaram uma mistura de rock, hard rock, blues e folk em sua produção autoral, que vem crescendo e expressando muita qualidade.

Em 2017, a banda lançou o EP From The Fires com sete canções. Até agora, minhas músicas preferidas são Black Smoke Rising, Safari Song (mais uma vez o grito na intro e o refrão muito Zeppelin) e a calminha Flower Power (fofa!). É possível notar também outras referências e similaridades. Por exemplo, o refrão de Edge of Darkness lembra Rush pra mim. Também não tem como não se encantar pelo cover de A Change is Gonna Come, gravada originalmente por Sam Cooke e eternizada na voz de grandes nomes como Aretha Franklin.

Se até aqui você já procurou o EP disponível no Spotify ou já partiu para o Youtube para conferir a performance dos rapazes, quem sabe você dá uma chance também para o lançamento oficial do primeiro disco de estúdio em longa versão. Anthem of the Peaceful Army será lançado no próximo dia 19 de outubro, com 10 faixas no LP e 11 na versão digital. Algumas músicas já foram lançadas como single, com videoclipe bem psicodélico!

Greta no Lolla

Para quem já é fã da banda e torce muito para que os caras cresçam ainda mais com um som de qualidade, como já vem acontecendo, a primeira oportunidade para conhecermos a performance ao vivo dessas figuras pode estar bem próxima – ainda mais se você estiver disposto a ir para um festival. Existe rumores de que banda virá ao Brasil em 2019 para a edição do Lollapalooza, que ocorrerá nos dias 05, 06 e 07 de abril no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Mesmo com venda dos passaportes já aberta (preços variam entre R$ 633 e R$ 3270 + taxas para os três dias), até o fechamento desta edição a organização do festival não confirmou a presença da banda, nem divulgou o tão esperado Line-up.

Sonhando alto

Bom seria se os vetchos do Led Zeppelin entrassem em competição com a Greta, se reunissem, produzissem algo novo e saíssem em turnê! Vai dizer que não ia ser massa demais?! Lembrando que neste ano o Led Zeppelin completa 50 anos de existência. Motivos não faltam, hein.

Em outra oportunidade falo sobre a Zepparella, grupo-tributo a Led Zeppelin formado apenas por mulheres. Enquanto isso dá um Google!

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Anthem Of The Peaceful Army

1. Age of Man
2. The Cold Wind
3. When The Curtain Falls
4. Watching Over
5. Lover, Leaver (Taker Believer)
6. You’re The One
7. The New Day
8. Mountain of the Sun
9. Brave New World
10. Anthem
11. Lover, Leaver (Taker, Believer) (Exclusivo do digital)

OTHERSIDE

Por Natália Zucchi

10 de agosto de 2018, sexta-feira. O dia em que meu estômago passou por uma sessão fotográfica. O drama a seguir é pela endoscopia somada a experiência hospitalar, mas que me rendeu uma história que só pode estar aqui por causa da voz do Anthony Kiedis, do Red Hot Chili Peppers. Vou contar rapidinho.

Vou pular a parte em que eu mobilizei uns seis profissionais da saúde diferentes, questionando sobre o que aconteceria e como eu deveria proceder se eu acordasse durante o procedimento (meu pai me contou nas vésperas que ele despertou durante a endoscopia com o cano na garganta. Pra meio paranóico, um pai desses já basta). Já acrescento minha confissão para facilitar o seu entendimento: um dos meus maiores medos, com certeza, é hospital.

Esticada na maca, rapidamente varri a sala com os olhos, localizei um monitor grandão operado por uma enfermeira, mais uns outros equipamentos estranhos e, do meu lado, o monitor cardíaco. Ali estava meu primeiro desafiante.

Logo prenderam meu dedinho e eu passei a acompanhar sonoramente o ritmo do meu coração. Na minha cabeça, eu recitava frases de autoajuda, mas o batuque carnavalesco só aumentava.

As enfermeiras começaram a procurar minhas veias, já que as espertas resolveram sumir – nosso corpo tem reações tão rápidas quando a gente está com medo. Comecei a sentir diversas picadas diferentes, o que fez com que eu procurasse um ponto de concentração para não contabilizar a possibilidade do meu braço se tornar uma peneira. Queridas, elas não tiveram culpa.

Foi aí que percebi a presença de um radinho na sala E TOCAVA RED HOT CHILI PEPPERS. Então eu pensei: pronto, pelo menos uma coisa o universo conspirou em favor.

Mas, não. À medida que eu ia prestando atenção na música, a tradução é inevitável. A canção fala em: morte. Até que I’ve got to take it on the otherside (tenho que levar para o outro lado, em tradução livre). Eu só pensei: É AGORA.

Já era. Chegou minha hora!

“Agora você vai sentir uma leve tonturinha e logo irá apagar”, comunicou docemente a enfermeira. Ansiedade prolonga o tempo mental e para mim já se passavam minutos após aquelas palavras, logo o terror de morrer foi substituído pelo terror de permanecer acordada. Pensei: o negócio não vai fazer efeito e a endoscopia vai ser a seco mesmo. Comecei a reclamar e só elas sabem o que eu devo ter falado. Apenas lembro de reivindicar minha situação desperta até o último momento consciente.

Mas otherside, mesmo, eu fui parar no pós-procedimento, já em casa. Tive uma bela sexta-feira inteira de soninho. How long, how long…

Agradecimento

Obrigada a toda equipe do Hospital Tacchini pela paciência. Vocês, enfermeiras, tenham meu muito obrigado, admiração e respeito! À profe Solange, da escola Cecília Meireles, meu maior obrigado por ter se lembrado de mim da época do ensino médio e por ter conversado comigo para me acalmar durante a espera do procedimento. Admiração por essas profes.