Tratamento de Inverno em Frutíferas Temperadas

Por Melissa Maxwell Bock 

Engenheira Agrônoma Emater/RS-Ascar Pinto Bandeira 

Durante o inverno, as fruteiras de clima temperado entram no período de dormência, ocorrendo a perda total das folhas, fazendo com que a planta fique exposta. Este é o momento ideal para a realização do tratamento de inverno, a fim de diminuir a fonte de inóculo de pragas e de doenças, deixando que as plantas tenham sua sanidade assegurada no próximo ciclo.

Primeiramente é necessário eliminar todos os galhos e ramos secos, doentes e mal posicionados, bem como os ramos improdutivos através de podas. Em segundo lugar, coletar todos os frutos que ficaram no pomar e estão mumificados, bem como as folhas doentes que permanecem na planta e queimá-los e/ou enterrá-los longe dos pomares. No caso das podas é necessário proteger os cortes da entrada de microorganismos patogênicos com pasta bordalesa ou tinta plástica.

Após este processo, fazer o tratamento de inverno, aplicando produtos fungicidas/inseticidas à base de cobre e enxofre, como a Calda Bordalesa e a Calda Sulfocácica, além dos fungidas cúpricos. Porém, é necessário fazer a correta regulagem dos bicos dos pulverizadores, a fim de evitar desperdício e deposição destes produtos no solo, pois como sabemos, nossos solos estão com alto índice de cobre, o que prejudica o crescimento e desenvolvimento das plantas.

Estes tratamentos fitossanitários são as práticas mais utilizadas dentro do Manejo Integrado de Pragas e Doenças, pois além de reduzir os efeitos das moléstias, através de práticas simples e menos agressivas ao homem e ao meio ambiente, também melhoram a qualidade final do produto.

Para as recomendações de dosagem e regulagem de pulverizadores para a realização do tratamento de inverno procure um técnico.

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Sucesso na implantação de pomares

Por Melissa Maxwell Bock
Engenheira Agrônoma
Emater/RS-Ascar
Pinto Bandeira

Para que o novo pomar se desenvolva satisfatoriamente e seja produtivo é necessário que uma série de medidas sejam adotadas na sua implantação. A escolha do local é o primeiro passo, pois, como se tratam de culturas perenes e não poderá sofrer alteração, as características de clima e de solo devem ser observadas. Um solo bem drenado com exposição solar norte ou nordeste, para que as plantas recebam os primeiros raios solares e fiquem protegidas dos ventos frios do sul, e a escolha das cultivares mais adaptadas à região onde se quer produzir é fundamental para o sucesso do empreendimento.

Após, deve-se fazer uma correta coleta de solo, a fim de verificar as possíveis deficiências do mesmo e para que os corretivos e fertilizantes sejam colocados no momento correto e na quantidade adequada. É necessário que a amostragem seja feita de forma representativa, retirando solo de vários pontos e na profundidade adequada, pois uma amostragem mal feita pode afetar as etapas subsequentes que são a análise de solo, interpretação dos resultados e elaboração das recomendações dos fertilizantes e corretivos.

A utilização de plantas de cobertura do solo como aveia preta, ervilhaca, nabo forrageiro, azevém, trevos e milheto é muito importante para que o solo, após ter sido trabalhado para introduzir calcários e adubos e fazer patamares, não fique desprotegido e suscetível à erosão hídrica e eólica.

As mudas devem ser adquiridas de viveiros idôneos e que garantam o máximo de cuidados na sua produção e para que não haja a presença de agentes patogênicos. Os requisitos mínimos para uma muda ser sadia são: raiz nua, bem formada, com comprimento mínimo de 20 centímetros e raízes secundárias abundantes, não noveladas e torcidas e apresentar calode soldadura do enxerto bem formado.

Na ocasião do plantio das mudas, deve ser realizado o toalete (limpeza) e as mesmas devem ser banhadas com fungicida registrado ou com trichoderma. A profundidade de plantio deve ser suficiente para cobrir as raízes e não cobrir o ponto de enxertia. Após o plantio, é necessário molhar abundantemente as mudas a fim de evitar a morte por falta de água, principalmente em períodos de estiagem.

Estes cuidados básicos trarão sucesso na implantação dos pomares e nos anos subsequentes, pois não haverá necessidade de replantio de mudas, o pomar será livre de pragas e doenças e será produtivo, trazendo lucros ao produtor.

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Podridão parda do pessegueiro

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Por Melissa Maxwell Bock
Engenheira Agrônoma Emater/RS-Ascar
Pinto Bandeira

A Serra Gaúcha é responsável pela maior parte do pêssego (Prunus pérsica L. Batsch) produzido hoje nos país, sendo que a maior concentração da produção da fruta está nos municípios de Pinto Bandeira, Bento Gonçalves e Farroupilha. A colheita teve início em novembro e deve seguir até janeiro, porém é no mês de dezembro onde é colhida maior parte das frutas.

A cultura pode ser atacada por uma série doenças, ocasionadas por fungos, bactérias, vírus e por diversas pragas, principalmente os insetos. Destaca-se entre todas as doenças a podridão parda, que é causada por um fungo fitopatogênico e é a principal doença das frutas de caroço, incluindo pêssegos, nectarinas e ameixas.

Esta doença ataca ramos, flores e frutos e pode ocasionar perda total ou parcial da produção além de poder causar a morte das plantas. Contudo, é nos frutos, tanto em pré-colheita quanto em pós-colheita, que causa o maior prejuízo. As condições favoráveis ao aparecimento da doença são temperatura em torno de 25° C e umidade relativa alta e no pomar perpetuam-se em cancros nos ramos e nos frutos mumificados, que permanecem na planta ou no solo de um ano para o outro.

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A fase mais suscetível ao aparecimento da doença é na floração e no desenvolvimento dos frutos. Na floração o fungo ataca os botões florais que se toram marrons e murcham e ficam aderidos ao ramo por uma goma e servem como fonte de inócuo para a disseminação da doença. A infecção pode se estender internamente até os ramos, resultando no desenvolvimento de cancros ocasionando a morte dos mesmos.

Nos frutos os sintomas iniciais são manchas pardas, pequenas e circulares que aumentam rapidamente. Ferimentos de origens diversas como os ocasionados por insetos ou granizo são porta de entrada para a doença e a retirada dos frutos do pomar com sintomas deve ser realizada. Frutos em fase de maturação são extremamente suscetíveis a doença devido ao aumento da sensibilidade a danos mecânicos. No pós-colheita o fungo também pode atacar os frutos nas câmaras frias e nas gondolas dos supermercados, deixando o produto improprio para o consumo e comercialização.

Como medida de controle, é necessário fazer a retirada dos frutos mumificados e caídos no chão e os ramos atacados pelo patógeno para que não haja fonte de inócuo na próxima safra, sempre lembrando retirá-los do pomar ou queimá-los. Na poda de inverno, é importante lembrar de proteger os cortes com tinta plástica ou pasta bordalesa e efetuar tratamentos a base de cobre ou calda sulfocálcica após a poda.

No inverno, em pomares que sofreram ataque severo de podridão parda, fazer no mínimo dois tratamentos com cobre ou calda sulfocálcica.

Para maiores informações técnicas, consulte a Emater do seu município.

Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas na Serra Gaúcha

Por Melissa Maxwell Bock

Engenheira Agrônoma Emater/RS-Ascar Pinto Bandeira

Os produtores e técnicos da Serra Gaúcha estão tendo à disposição um Boletim Informativo semanal visando a orientação sobre a presença da mosca-das-frutas (Anastrepha fraterculus) na região. Este programa é o resultado do Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas Serra Gaúcha, uma iniciativa da Embrapa Uva e Vinho e Emater/RS-Ascar, que conta com o apoio das Prefeituras de Bento Gonçalves, Farroupilha, Pinto Bandeira e Veranópolis.

O objetivo do Sistema de Alerta é informar os produtores sobre a evolução da ocorrência da praga na região e orientá-los para o manejo integrado nos pomares, para que o controle da mosca seja feito com maior eficiência e precisão.

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A mosca-das-frutas ataca todas as espécies de frutíferas cultivadas na Serra Gaúcha, sendo a principal praga das frutas de caroço, como ameixa e pêssego, e pode levar o produtor a perder toda a sua produção, se não for controlada. Os danos ocorrem em função da oviposição nos frutos que, além de abrir entrada para microrganismos, irão desenvolver a larva e o consequente apodrecimento do fruto.

Sempre que possível, os produtores também devem realizar o monitoramento na sua propriedade com armadilhas McPhail (tipo bola), as mesmas utilizadas pela rede de monitoramento. A recomendação é colocar pelo menos duas armadilhas por pomar de até 5 hectares, sempre nas bordas numa altura de 1,5 metros do chão. Deve-se utilizar de 300 a 500 ml de proteína hidrolisada de origem animal em cada armadilha, pois é o melhor atrativo para a mosca-das-frutas. Semanalmente, o produtor deve verificar as armadilhas e repor o volume do atrativo, se necessário, porque ela não precisa ser trocada.

O Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas está funcionando da seguinte forma:

Segunda-feira: visitas aos pomares com monitoramento das armadilhas e coleta dos dados pelos técnicos da Emater e envio para a Embrapa;

Terça-feira: compilação dos dados e elaboração das orientações técnica pelos técnicos da Embrapa;

Quarta-feira: envio do Boletim via e-mail, Whats- -App ou no site da Embrapa para a imprensa, produtores e técnicos.

Os interessados em receber o boletim devem realizar o cadastro no site https://www.embrapa.br/uva-e-vinho ou ligar no escritório municipal da Emater de Pinto Bandeira e deixar o contato, que será feito o cadastro. O telefone da Emater é (54) 3452-0208.

Doenças de início de ciclo da Videira

VideiraNesta época do ano começam as brotações da videira e, por esse motivo, alguns cuidados são necessários para a prevenção de doenças. Antes de mais nada é imprescindível que seja feita a diagnose correta para que se consiga um controle eficaz do patógeno.

No início do estádio vegetativo, as principais doenças que acometem a videira são a Antracnose (“varola” ou “olho de passarinho”) e a Escoriose. Ambas possuem sintomas semelhantes. Muitas vezes, o agricultor confunde essas doenças e acaba fazendo o controle errado, não erradicando a doença e prejudicando a planta.

A Antracnose pode causar danos na produção do ano e também comprometer as safras futuras, estragando as brotações e galhos novos. O patógeno ataca todas as partes verdes e jovens da planta que possuem tecidos mais suscetíveis do início da brotação até o início da maturação dos frutos, o que deprecia o produto. O fungo da Antracnose causa prejuízos com temperaturas na faixa de 15° a 18°C, primaveras úmidas, com chuvas abundantes e ventos frios. Nas folhas, aparecem pequenas manchas castanho-escuras no limbo, pecíolo e nervuras, na ponta dos ramos e dos brotos novos aparecem cancros profundos e dão a impressão de queimadura. Após o desenvolvimento dos cachos, o ataque pode ocorrer no pedúnculo e nas bagas, aparecendo lesões arredondadas, necróticas e deprimidas, dando aspecto de olho-de-passarinho.

O fungo da Escoriose ataca tecidos jovens da videira, incluindo ramos, folhas, flores, ráquis e frutos. A temperatura ótima de infecção é de 23°C e com água livre ou 100% de umidade relativa. O fungo sobrevive durante o inverno em ramos, ráquis e no interior de gemas e na primavera reinicia o ciclo da doença. Períodos prolongados de chuva no início da primavera, quando as brotações estão emergindo, são favoráveis a infecção. Se o frio e a umidade se prolongarem, o patógeno pode prosperar e a infecção se espalhar causando epidemia. O patógeno tende a se propagar dentro do vinhedo e não de um vinhedo para o outro e a disseminação a longas distâncias é causada pelo transporte, material de propagação ou mudas infectadas. Os sintomas característicos surgem nas bases dos ramos do ano, geralmente até o terceiro ou quarto entrenó, no início da brotação e se apresentam na forma de crostas ou escoriações superficiais de cor marrom-escura ou na forma de lesões alongadas longitudinais.

O controle da Antracnose pode ser feito seguindo as seguintes recomendações:

– Evitar plantio em baixadas úmidas, ventos frios;

– Pomar com boa insolação e arejamento;

– Eliminar da parreira ramos com cancro (enterro, compostagem);

– Utilização de quebra vento;

– Utilização de cultivares resistentes (Concord, Isabel);

– Tratamento de inverno com calda sulfocálcica (cuidar com as variedades suscetíveis ao enxofre como a Concord e Bordô) e calda bordalesa;

– Controle químico no estádio 5 (ponta verde) até 35 (início da maturação) – repetir o tratamento com a ocorrência de condições favoráveis;

O controle da Escoriose pode ser feito seguindo as seguintes recomendações:

– Pomares com boa orientação solar (leste-oeste), aeração e evitar baixadas úmidas;

– Realizar a poda verde;

– Retirar o material infectado do interior do vinhedo;

– Tratamento de inverno com produtos à base de enxofre e cobre);

– Utilização de fungicidas no estádio 5 (ponta verde) e no estádio 7 (primeiras folhas separadas).