Somos suficientes?

Por César Anderle 

Quando o tamanho de um desafio pesa em nosso coração e nos amedronta, é provável que não estejamos confiando em Deus, mas acreditando somente em nós mesmos.

É preciso reconhecer que nada podemos fazer por nós mesmos. A diferença está na fé. Se estivermos unidos na fé, produziremos paz. Por outro lado, se dispensarmos a fé, estaremos sendo levados para a ansiedade, nossas fragilidades, incompetências e, até mesmo, fraquezas, porque não dizer, para o pecado (tudo o que desagrada a Deus).

Podemos pensar que nossos dons, talentos e recursos podem nos ajudar a alcançar na busca da tão desejada paz de espírito.

As obras que realizamos, desde um simples bom dia, até a execução de uma obra material, só se realizam porque Deus está ao nosso lado, é ele quem nos dá o privilégio de acordar e adormecer.

Elaboramos planos, projetos, pensamos o nosso futuro para alguns anos ou décadas. Fazemos financiamentos como se não existissem crises, desemprego e como se nossa saúde fosse ficar normal por longos anos. Tomamos todos esses compromissos sem saber se estaremos vivos por todo esse período. É necessário fazer planos, sem dúvidas, assim avançaremos como seres e como pessoa. Não é nenhum problema planejar-se, organizar-se, mas onde está o problema? Talvez esteja na ilusão de tentar viver à revelia de Deus. Eu creio nele, mas eu deixo ele me conduzir na vida? Lembrarei “dele” somente quando algum planejamento der errado? Percebo muitas pessoas utilizando a expressão: “Se Deus quiser”. Mas, segundo a Bíblia, essa expressão significa: planejo fazer, mas só se Deus estiver de acordo. Se ele não quiser, eu também não quero.

Esse entendimento não é tão fácil de ser aceito, sem dúvidas. Todavia, se tivermos esse discernimento, poderemos evitar desconforto no futuro. Nada como o tempo para nos mostrar o acerto ou o erro de termos feito corretamente a escolha lá no passado, esteja ele distante ou não do hoje.

A plenitude da alma se desenha através desse pensamento e se perpetua se tivermos essa consciência. Seremos mais humanos se enxergarmos a sabedoria de Deus nas pessoas e a presença Dele nas obras do homem.

Podemos ser melhores, basta querermos hoje sermos melhores do que ontem. Assim, iremos trilhar caminhos mais assertivos rumo à paz tão desejada por todos.

Somos de fato suficientes individualmente?

Natal Bento 2020 será no formato Drive-In

Respeitando as regras contra Covid-19 apresentações passam para FUNDAPARQUE pavilhão E 

O ano de 2020 foi diferente, exigiu muita adaptação e algumas vezes mudanças. Porém, isso não significa que precisamos nos afastar da magia do Natal. Muito pelo contrário ainda há tempo de fazer os dias se tornarem especiais. Em virtude das regras do distanciamento controlado do Governo do Estado, segurança da comunidade e prevenção ao coronavírus a programação do Natal Bento foi transformada em drive-in.
Com isso, a partir da segunda-feira, 14 dezembro, os eventos serão realizados, a partir das 19:00, no pavilhão E da Fundaparque. “Resiliência, acredito que essa é a palavra para o ano. De forma alguma deixaríamos nossa cidade sem uma programação de Natal, vivemos um ano com tantas dificuldades e a magia do Natal Bento faz bem para todos. Os shows foram adaptados para o formato drive-in e até o dia 23 teremos programação diária no pavilhão E da Fundaparque. Precisamos com responsabilidade cuidar da saúde da nossa população e manter a alegria presente”, destaca o Secretário de Turismo, Rodrigo Ferri Parisotto.

 

Serão permitidos até 180 carros, com uso obrigatório de máscara, proibição de sair do veículo, apenas para uso dos banheiros, sinalizando com acendimento dos piscas. Para atividade é sugerida a doação de um brinquedo para crianças carentes. Serão apresentados shows de patinação, teatro, dança, do Músico Rodrigo Soltton, Sunset Riders, musicais e o Guri de Uruguaiana.

 

Todos os shows serão transmitidos pelo facebook.com/turismo.bento.

 

O Natal Bento tem organização da Secretaria de Turismo e patrocínio da Giordani Turismo, Malhas G’Dom, Sindilojas Regional Bento, CIC-BG, CDL, Loterias Caixa- Pátria Amada Brasil, Governo Federal. Acesse a programação no bento.tur.br.

 

Caravana de Natal pelos bairros da cidade

A banda dos papais noéis na Caravana do Natal seguirá levando alegria e músicas natalinas para os bairros do Município. As apresentações acontecem nos dias 15, 16, 21 e 22 de dezembro. Em caso de chuva os shows são cancelados.

 

Os bairros podem ser conferidos no link. https://www.google.com/maps/d/u/0/edit?mid=1DWEusgYhO72wh-r38VuckUBERkT3DTxO&usp=sharing

 

Expresso de Natal

A novidade fica por conta do Expresso de Natal: um trem que passará pela Via del Vino, a viagem contará com todas as regras de prevenção à Covid-19, além de ser ambiente arejado. O Expresso de Natal chegará no dia 14 de dezembro realizando um passeio com o Papai Noel pelas principais vias da cidade, já os passeios serão realizados a partir das 19:00, ingresso é 1kg de alimento ou ração.

O trem estará à disposição nos dias 15, 16, 17, 18, 20, 21 e 22.

Programação no pavilhão E da FundaParque Horário: 19h

14/dez

Espetáculo Magia de Natal

15/dez
Apresentação: A arte em um presente

16/dez

Show do Aladdin

17/dez
Rodrigo Soltton

18/dez
Show Natalino “A Voz do Coração”

19/dez
Sunset Riders

20/dez
Canarinhos com Tenor Dirceu Pastore

21/dez
Apresentação: A arte em um presente, após Frozen, um show congelante!

22/dez
Show do Aladdin

23/dez
Show “A volta do Natal do Guri de Uruguaiana”

*A programação da Caravana e do Expresso de Natal pode sofrer alterações caso haja novas regras para distanciamento controlado do Governo do Estado. 

André de Gasperin é o novo presidente da ABE

De Caxias do Sul, enólogo conduzirá a entidade até o final de 2022

A Associação Brasileira de Enologia (ABE) tem nova Diretoria para o biênio 2021/2022. Conduzida pelo jovem enólogo André de Gasperin, da Vinícola Don Affonso, de Caxias do Sul, a diretoria foi eleita por aclamação em Assembleia Geral realizada na sexta-feira, 4 de dezembro. Gasperin assume o posto do enólogo Daniel Salvador, que esteve à frente da entidade em 2019 e 2020. A nova equipe, já empossada, terá sua primeira reunião ainda este ano.

Com a celebração da ‘Safra das Safras’, a ABE viveu um ano histórico, isso sem contar a pandemia do Coronavírus, que levou a entidade a se reinventar, mantendo-se mais ativa do que nunca. “Foi um ano difícil, especialmente em relação a saúde, a economia e as mudanças necessárias em decorrência do vírus. Mas para o vinho, vivemos um momento espetacular. Enfim, o brasileiro descobriu o seu vinho, o vinho brasileiro. E nós, enólogos do Brasil, não apenas brindamos, mas trabalhamos arduamente para cumprir nosso calendário de ações de promoção do vinho, valorização e qualificação do enólogo. Foi trabalhoso, mas surpreendente, porque fomos além. Mesmo sem estar perto, sem a emoção do presencial, conseguimos unir multidões em torno do vinho. Só tenho a agradecer”, celebra Salvador.

O novo presidente assume com o desafio de seguir o trabalho da ABE, superando resultados. “A ABE vem numa ascendente e isso é fruto do trabalho de todas diretorias que empenhadas sempre seguiram a mesma missão. O enólogo é o centro de todo planejamento, a razão da existência da entidade. Vamos dar sequência, intensificando projetos como o Banco de Dados do Espumante, a Avaliação Nacional de Vinhos, além de cursos, palestras e missões técnicas úteis para a qualificação dos associados”, destaca Gasperin.

Quem é André de Gasperin?

Enólogo, Mestre em Biotecnologia pela Universidade de Caxias do Sul e com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, André de Gasperin é o Diretor Técnico e Enólogo Chefe da Vinícola Don Affonso e do Grupo DG do Brasil, de Caxias do Sul. É diretor da ABE desde 2015. É diretor de Agronegócios da CIC de Caxias do Sul. Foi professor de Viticultura e Enologia na Fisul, no curso de Tecnologia em Enoturismo. No IFRS – Campus Bento Gonçalves, foi docente de Enologia, Microbiologia e Química Enológica. Atuou como analista em técnicas cromatográficas no Laren – Laboratório de Referência Enológica e no Ibravin. Também estagiou na Embrapa Uva e Vinho.

Gasperin já participou como degustador internacional em concursos realizados no Chile, Hungria, Itália e Espanha, sendo que nestes dois últimos foi presidente de júri. Foi degustador do Corpo Técnico da Avaliação Nacional de Vinhos nas edições de 2005 a 2020, e da Seleção dos Melhores de Caxias do Sul nas edições de 2005 s 2020. Também foi presidente de mesa do Brazil Wine Challenge 2020.

DIRETORIA GESTÃO 2021/2022

Presidente: André Miguel de Gasperin

Vice-Presidente: Ricardo Morari

1° Tesoureiro: Dario Crespi

2° Tesoureiro: Christian Bernardi

1º Secretário: Daniel Salvador

2ª Secretário: André Larentis

Diretor Social: Felipe Bebber

Diretor de Eventos: André Peres Jr.

Diretor de Eventos: Jurandir Nosini

Diretor de Degustação: Michel Zignani

Diretor de Degustação: Mario Lucas Ieggli

Diretora Cultural: Bruna Cristofoli

Diretor Técnico em Viticultura: João Carlos Taffarel

Diretor Técnico em Viticultura: Bruno Motter

Diretor Técnico em Enologia: Leocir Bottega

Diretor Técnico em Enologia: Vagner de Vargas Marchi

Foto: Tatiane Cavagnoli

Covid 19: Serra Gaúcha e outras 19 regiões seguem na bandeira vermelha

A elevação de casos confirmados e de hospitalizações em leitos de UTI de pacientes com Covid-19 em grande parte das regiões do Estado culminou no indeferimento dos oito pedidos de reconsideração enviados ao mapa preliminar da 31ª rodada do Distanciamento Controlado, incluindo a Serra Gaúcha, que pela segunda semana consecutiva está classificada na bandeira vermelha. O Gabinete de Crise optou por manter, no mapa definitivo divulgado nesta segunda-feira (7/12), a classificação em bandeira vermelha (risco epidemiológico alto) em 20 regiões.

A única região classificada em bandeira laranja (risco epidemiológico médio) é a região de Taquara, com oito municípios. Isso significa que 98% da população gaúcha está situada em cidades cujo nível de contágio é considerado alto.

Os pedidos de reconsideração foram indeferidos em função da contínua redução de leitos livres e do aumento da ocupação de leitos de UTI nas macrorregiões. Mesmo que algumas regiões tenham apresentado média final menor do que na semana passada, optou-se pela manutenção das restrições mais severas da bandeira vermelha em um esforço para diminuir o contágio nestes 14 dias.

Veja o mapa definitivo da 31ª rodada: https://distanciamentocontrolado.rs.gov.br

A decisão de manter as 20 regiões em bandeira vermelha reforça o alerta emitido pelo governo do Estado desde novembro. A equipe que monitora os 11 indicadores do Distanciamento Controlado percebeu piora em todos eles – entre as maiores variações, estão o número de casos de Covid-19 ativos (aumento de 20%), os internados em leitos clínicos com Covid-19 registrados nos últimos sete dias (+15%) e os óbitos nos últimos sete dias (+29%).

É a primeira vez, em 31 rodadas, que o mapa definitivo tem apenas uma bandeira laranja e 20 regiões vermelhas. A vigência das novas bandeiras se inicia à 0h de terça-feira (8/12) e segue até as 23h59 da segunda-feira seguinte (14/12).

Uma vez que a cogestão regional do Distanciamento Controlado está suspensa até 14 de dezembro, as bandeiras anunciadas devem ser aplicadas seguindo os protocolos definidos pelo Estado.

Regra 0-0

Na 31ª rodada, 489 municípios (do total de 497) estão classificados em bandeira vermelha, somando 11,1 milhões de habitantes, o que corresponde a 98% da população gaúcha (total de 11,3 milhões de habitantes).

Desses, 194 municípios (934.765 mil habitantes, 8,4% da população gaúcha) podem adotar protocolos de bandeira laranja, porque cumprem os critérios da Regra 0-0, ou seja, não têm registro de óbito ou hospitalização de moradores nos últimos 14 dias, desde que a prefeitura crie um regulamento local.

RESUMO DA 31ª RODADA

BANDEIRA VERMELHA (20)
Novo Hamburgo
Passo Fundo
Capão da Canoa
Canoas
Ijuí
Palmeira das Missões
Erechim
Uruguaiana
Santa Maria
Lajeado
Santo Ângelo
Santa Rosa
Cruz Alta
Bagé
Santa Cruz do Sul
Pelotas
Caxias do Sul
Porto Alegre
Cachoeira do Sul
Guaíba

BANDEIRA LARANJA (1)
Taquara

Fonte: Governo do RS 

Programa Aprendiz Cooperativo do Campo, da Vinícola Aurora, ganha reconhecimento nacional

O programa Aprendiz Cooperativo do Campo, realizado pela Vinícola Aurora, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Rio Grande Do Sul (Sescoop/RS), foi finalista da categoria Comunicação e Difusão do Cooperativismo, no Prêmio SomosCoop Melhores do Ano. A distinção é promovida a cada dois anos pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), como forma de reconhecimento à criatividade, à visão e aos resultados obtidos aos seus cooperados e à comunidade ao longo do biênio. A cerimônia de premiação ocorreu no dia 24 de novembro, com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sistema OCB.

 

No total, 320 cooperativas, de Norte a Sul do país, inscreveram 595 cases, que foram avaliados por uma comissão julgadora formada por 63 integrantes.

 

“Estamos muito orgulhosos por sermos finalistas, e a terceira colocação na categoria Comunicação e Difusão do Cooperativismo, do Prêmio SomosCoop Melhores do Ano, mostra que estamos no caminho certo. É um importante reconhecimento, pois concorremos com outras centenas de projetos de cooperativas brasileiras. O Aprendiz Cooperativo do Campo não visa apenas a continuidade da nossa cooperativa, mas a preservação da atividade vitivinícola no futuro”, celebra o presidente do Conselho de Administração da Vinícola, Renê Tonello, que também é associado da Aurora desde 1980.

 

Desde 2017, o Aprendiz Cooperativo do Campo estimula a permanência dos jovens nas atividades do meio rural, promove a sucessão familiar e incentiva o aumento do quadro social das cooperativas. A iniciativa é voltada para jovens de 14 a 24 anos incompletos, filhos de cooperados, e abrange aulas teóricas e práticas na propriedade. Em virtude da pandemia, neste ano, parte do curso foi realizada através do ensino à distância, de forma virtual.

 

Em três anos, duas turmas foram formadas e, em 2020, haverá a conclusão de mais um grupo. Ao todo, cerca de 60 estudantes já foram contemplados no Aprendiz Cooperativo do Campo. Do total, aproximadamente 90% afirmaram que irão dar continuidade ao ofício da família.

 

A Aurora conta com 1,1 mil famílias cooperadas, presentes em 11 municípios da Serra Gaúcha. Os associados produzem mais de 60 variedades de uvas, que são cultivadas em 2,8 mil hectares. A cooperativa também é a maior e mais premiada vinícola do Brasil.

A Guerra do Esporte

Por Rogério Gava 

rogeriogava@integracaodaserra.com.br 

Um jogo é uma batalha de mentirinha, mas pena que muitos esqueçam disso.

 

A paixão pelo esporte é onipresente. Ou melhor, a paixão pela “competição” esportiva. Considerem – estimado leitor e cara leitora –  uma partida de futebol: o que vale aí não é se o jogo foi feio ou bonito, agradável ou enfadonho: se nosso time venceu (ou se classificou, mesmo que tenha empatado – ou até perdido – e jogado horrivelmente), estaremos satisfeitos. O que apreciamos é ganhar, apesar do discurso histórico de que o importante, ao final, seja competir. O fato é que somos obcecados pela rivalidade. Por que isso acontece? Por que esse verdadeiro “darwinismo esportivo”?

 

A explicação é simples: uma competição esportiva é, ao final, um substituto para a guerra. Um jogo é um conflito simbólico, uma batalha de mentirinha. Um combate artificial. Uma partida de futebol, por exemplo, é o eco de nosso passado primevo. Das lutas no Coliseu. Duvida? O que dizer então das pelejas da UFC, do MMA, boxe e pancadarias em geral? Homens das tribos afegãs jogavam polo com as cabeças decepadas de inimigos. No “Pot ta Pok”, espécie de futebol praticado pelos antigos Maias, do time que perdesse era escolhido um jogador para ser sacrificado. Evoluímos um pouco, por certo. Mas quantas vezes um jogo, uma competição esportiva, não viram uma batalha campal com saldo de mortos e feridos? Uma briga entre nações? Uma loucura sem qualquer controle?

 

Esporte é uma guerra de embuste, mas lida com o poder de verdade. Em 1936, Hitler quis mostrar ao mundo a supremacia da raça Ariana por meio do esporte. Para azar do ditador, eis que um negro americano – Jesse Owens – ganha quatro medalhas de ouro e se torna o grande astro da Olimpíada de Berlim. Ponto para a civilização. Mas fica a marca de que a competição esportiva tem muito de conflito, de mostrar a superioridade de um time, de uma cidade, de um estado, de um país sobre o outro. Guerra de mentirinha. Sem sangue (quase sempre), mas com muito suor e orgulho em jogo.

 

Já se entrou em guerra por causa do esporte, como ocorreu entre San Salvador e Honduras, em 1969. Os dois países, que na época já brigavam como gato e rato, tiveram seus níveis de hostilidade levados ao infinito após uma série de três partidas pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1970. Foi uma guerra generalizada: jogadores, torcedores e imigrantes nos dois países foram expulsos, perseguidos e assassinados. As duas nações romperam relações diplomáticas e iniciaram o conflito. A guerra terminou sem vencedores quatro dias depois. Resultado: quase dois mil mortos.

 

A língua do esporte trai sua origem bélica: o atacante é “matador”; o time “trucidou” o adversário; os torcedores estão preparados para a dura “batalha” da decisão. O corredor “matou” os adversários no cansaço. Atacar, defender, brigar, desafiar, contra-atacar, bater, gritar, chutar, derrubar, agarrar, rebater, acertar. Todas essas expressões de guerra encarnadas em todos os esportes. Às vezes tudo isso foge do controle. Cai-se no fanatismo. E só lembrar as tragédias, os hooligans ingleses. Os mais de 100 mortos no estádio de Heysel, na Bélgica, em 1985, na final da Copa dos Campeões entre Juventus e Liverpool. O quebra-quebra em frente aos estádios. A necessidade de milhares de homens da Brigada nas arenas modernas. Exércitos de guardas contra exércitos de torcedores.

 

No esporte deve haver vencedores e derrotados: senão não teria graça. Deve haver rivalidade, e muita. Dá para imaginar um Brasil x Argentina sem clima de hostilidade? De antipatia mútua? Um GRENAL de sangue doce? Esporte é concorrência, é disputa entre tribos. É por isso que empate não tem graça. Só, é claro, quando classifica o meu time ou desclassifica o rival. Mais vale ver o adversário perder do que meu time ganhar, muitos diriam.

 

Enfim, competir fascina. Lutar contra inimigos também. É só ver o sucesso dos videogames entre as crianças e adolescentes. A concorrência empresarial. Isso faz parte de nossa natureza. Pensando bem, é bom que tenhamos o esporte para dar vazão a nossa agressividade. Nem que seja para tocar flauta no vizinho. Que nos gozará na semana seguinte, quando nosso time perder. E que fique só nisso. Jogo é divertimento. Apenas isso. E é sempre melhor brigarmos de mentira do que nos matarmos de verdade.

 

De janeiro a março de 2021, Hotel Villa Michelon promove La Bella Vendemmia

Evento inicia no dia 15 de janeiro e contempla uma experiência no mundo da uva

 

Já virou tradição: quando os parreirais estão carregados de uma bela safra, é momento dos hóspedes do Hotel Villa Michelon vivenciarem uma das mais recompensadoras experiências quando falamos em enoturismo: conhecer a fundo a cultura dos primeiros imigrantes italianos da região e desfrutar de horas de imersão no mundo do vinho. La Bella Vendemmia, evento idealizado pelo fundador Moyses Luiz Michelon (in memoriam) chega à sua quarta edição em 2021, trazendo atrativos para toda a família.

 

Todas as sextas-feiras, a partir do 15 de janeiro, os hóspedes são convidados a embarcar em um evento de interação com as tradições italianas e o cultivo da uva. A programação inicia com recepção na Casa do Filó através de um bate papo com a diretora geral do hotel Villa Michelon, Elaine Michelon. “É um momento que faço questão que ocorra, porque é a minha maneira de desejar boas vindas e agradecer a cada hóspede que escolhe o Villa Michelon para viver as experiências que oferecemos. É o meu abraço a todos em nome do Vale dos Vinhedos”, pontua Elaine.

 

Após essa troca de experiências, é hora da visita guiada ao Parreiral Modelo. Um momento de conhecimento, embalado por cantorias e apresentando curiosidades do cultivo da uva pela fala do gerente Luciano Benvenutti. A tradição continua com a colheita simbólica, fazendo a alegria dos hóspedes, desde crianças até idosos. Um momento que leva de volta ao século XIX enquanto os primeiros imigrantes italianos do Vale dos Vinhedos realizavam a colheita embalados por cantorias que faziam o tempo passar menos devagar.

 

E é claro que o ápice está na pisa da uva. Um ritual que ganhou outro significado em tempos contemporâneos e que hoje, ao menos no Villa Michelon, é como se fosse um momento de limpeza, para começar de vez o ano com boas energias e revitalização! “É uma alegria sem tamanho! Em certo ano tivemos uma senhora que pisava na uva quando criança – por “obrigação”. Então, ela foi trazida pelo genro e a filha para reviver a experiência. Foi emocionante”, relembra Elaine.

 

A festa chega em sua reta final com a Colación e Filó, com um cardápio italiano e vinho e suco de uva encanados. Como brindes, os hóspedes levam para casa uma taça personalizada, avental e boné.

 

La Bella Vendemmia ocorre todas as sextas, de 15 e janeiro a 5 de março de 2021, em evento exclusivo para hóspedes do hotel. Para participar, é necessário reservar o pacote, que inclui hospedagem; café da manhã; jantar (sexta-feira Pisa e Filó, e sábado buffet no restaurante do hotel); uvas na recepção durante o período e programação para as crianças.

 

La Bella Vendemmia 2021

  • Café da manhã
  • Meia pensão – Jantares (sendo sexta-feira Pisa e Filó, e sábado buffet no restaurante do hotel)
  • Sexta-feira, a partir das 17h – Recepção na Casa do Filó, visita guiada e colheita simbólica de uvas no parreiral modelo, “pisa” das uvas (esmagamento das uvas com os pés). Após “Colacion e Filó” na casa do Filó. Brindes: taça personalizada, avental e boné
  • Uvas na recepção durante o período
  • Programação de lazer para crianças em todo o período

 

RESERVAS

E-mail: reservas@villamichelon.com.br

WhatsApp (somente mensagens de texto):

(54) 98112.5443

Telefone: (54) 2102.1800

www.villamichelon.com.br

 

Fotos: Rita Michelin

uvas

 

Manejo e criação de abelhas sem ferrão atrai cada vez mais adeptos

Por Rodrigo De Marco

rodrigo@integracaodaserra.com.br

@sr_demarco

 

Nos últimos anos, uma prática sustentável tem ganhado cada vez mais adeptos no Rio Grande do Sul. É o manejo de abelhas sem ferrão. Uma alternativa, inclusive, para quem busca um passatempo e deseja ter um contato próximo à natureza, sem precisar estar numa área rural. No entanto, é preciso estudar e se informar sobre a forma correta de realizar esse manejo.

 

Pensando nesse público diferenciado, no dia 12 de dezembro, ocorre a 4ª edição do curso “Criação de abelhas sem ferrão: um hobby doce e sustentável”. O ministrante será o engenheiro agrônomo e especialista Johannes Humbertus Falcade. O curso ocorre nas dependências do restaurante Valle Rústico, em Garibaldi.

 

De acordo com Falcade, será um dia inteiro de aulas práticas. “O curso vai das 9h até às 17h30, onde serão passadas informações sobre todo o manejo de abelhas sem ferrão, para quem quer iniciar a criação. Ensinamos como transferir da isca para uma caixa. É importante lembrar que temos dois grandes grupos de abelhas sem ferrão manejáveis: as Meliponas e as Trigonas. Dentro dessas duas grandes famílias existem diferentes espécies. No Rio Grande do Sul são 24 espécies, no Brasil mais de 300 e no mundo umas quatro mil”, explica.

 

O curso será ministrado para um número limitado de 20 pessoas. A programação inclui almoço e degustação de diferentes tipos de mel. Ao final do dia, serão sorteadas três caixas de abelhas com enxames, prontas para a criação. Inscrição e informações pelo Instagram @vallerustico.

 

Um hobby para jovem advogado

matheus

A curiosidade sobre o mundo das abelhas impulsionou o advogado Matheus Leites Bernardo, 29 anos, a adquirir e manejar abelhas sem ferrão. Além do prazer em manter contato direto com as abelhas, Bernardo descobriu a paixão por uma nova atividade. Confira a entrevista.

 

Como surgiu o interesse em criar abelhas sem ferrão?

Matheus: Sempre gostei de abelhas e tive noção da importância delas para o equilíbrio ecológico e para a dispersão e reprodução de espécies da flora. Até pouco tempo não tinha noção da existência de abelhas nativas sem ferrão, ou melhor, com ferrão atrofiado (não funcional). Achava que só existiam as abelhas apis comuns. Comecei a conhecer mais sobre elas há uns cinco meses, através do meu irmão, que passou a adquirir e a estudar abelhas nativas brasileiras.

 

Estás há pouco tempo nessa atividade. Ainda te considera um entusiasta?

Matheus: Meu interesse passou a aumentar à medida que vou descobrindo o amplo e incrível universo que é o da Meliponicultura. Considero-me, ainda, mais um entusiasta do que um conservador, hobbista ou empreendedor. Tenho apenas duas caixas na minha casa, uma de abelhas Jataí e outra de abelhas Manduri.

 

Qual a quantidade média de mel produzida por essas abelhas?

Matheus: A quantidade de abelhas nas caixas e de mel produzida depende da variedade de espécies existentes. As Manduris formam colônias de 300 a 350 indivíduos e podem produzir até três litros de mel a cada verão, dependendo das condições climáticas e geográficas e de um bom manejo por parte do meliponicultor. As Jataís formam colônias de mais de mil indivíduos e não produzem proporcionalmente tanto mel, embora este seja um dos mais apreciados e medicinal dentre todos.

 

A criação exige um cuidado especial ou uma pessoa sem técnica pode manejar facilmente em casa?

Matheus: Para mim, que me considero um hobbista iniciante e com apenas duas caixas, a criação delas é relativamente simples. É necessário, sim, ter conhecimento básico sobre a vida e o comportamento das abelhas sem ferrão, para que o cuidado e o manejo seja ideal para o bom desenvolvimento desses seres. Por exemplo, o verão é mais tranquilo para o meliponicultor, já que as temperaturas mais elevadas permitem às operárias sair para forragear (coletar pólen, néctar e resina). Então, elas mesmas “fazem o serviço”. É importante, nessa época, ter cuidado com a invasão de outros insetos na caixa, como pequenas formigas ou forídeos. Nas épocas mais frias do ano, é preciso estar atento, ajudando-as com suplementos de pólen e xaropes caseiros e naturais, que as auxiliam na produção de mel. Qualquer pessoa pode iniciar a criação de abelhas nativas, não é preciso uma formação específica em Biologia ou algo do gênero. Só é recomendável que a pessoa faça cursos e estude sobre o tema, para que possa ter sucesso na empreitada. Além disso, é necessário que haja uma fonte natural de água potável próxima (rios, arroios), ou mesmo artificial. Se o meliponário tiver um número realmente grande de caixas e espécies deve fazer o registro no Ministério da Agricultura.

 

Existe local ideal para colocação das caixas?

Matheus: É importante que as caixas estejam localizadas fora de casas ou apartamentos, em local mais elevado (para evitar possíveis predadores ou ataques de outros insetos) e com sombra. O ideal é que seja uma região arborizada e com plantas que  possam fornecer os recursos básicos, como néctar, pólen e resina.

 

Pretendes estudar ainda mais sobre as abelhas sem ferrão e, futuramente, aumentar a tua criação?

Matheus: A intenção, agora, é fazer um curso pela Embrapa, para ter melhor conhecimento sobre a meliponicultura, porque ainda há muito para aprender. É um universo fascinante. Pretendo adquirir mais caixas futuramente.

 

Na história do Brasil

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As abelhas nativas ou abelhas sem ferrão (ASF) já viviam no Brasil muito antes das espécies estrangeiras chegarem aqui. As melíponas povoam diversos biomas do território brasileiro, com mais de 300 espécies.

 

A meliponicultura é a atividade de criar abelhas deste grupo, diferindo da apicultura, que é a atividade de criação das abelhas Apis mellifera, popularmente conhecidas como “europeias” ou “africanas”.

 

Por volta do século XVIII, os jesuítas trouxeram abelhas da Europa do tipo Apis para o Brasil. O objetivo era produzir cera para as velas usadas nas missas. Na década de 1950, pesquisadores da Unesp levaram para o interior de São Paulo algumas abelhas da África, também do tipo Apis, que tinham bastante produtividade. Contudo, algumas abelhas, operárias e rainhas, escaparam do laboratório, indo parar diretamente na natureza. Do cruzamento com outras abelhas do tipo Apis – as europeias, surgiu o que conhecemos, hoje, por abelha Apis mellifera ou africanizada, sendo conhecida também pelo poderoso ferrão que possui.

 

Meliponicultura

É a criação racional de abelhas sem ferrão (Meliponíneos), especialmente das famílias meliponini e trigonini. Na meliponicultura, as colmeias são organizadas em meliponários, praticada há muito tempo pelos povos nativos da América Latina, em especial do Brasil e do México. Os objetivos da meliponicultura estão na produção e comercialização de colmeias (ou parte delas), mel, pólen, resinas, própolis e outros substratos como atrativos e ninho-iscas, além das abelhas serem os principais agentes da polinização e conservação da biodiversidade, ou simplesmente a proteção das espécies contra a extinção. Os povos indígenas já manuseavam as abelhas sem ferrão e utilizavam o seu mel para diversos tratamentos de saúde, entre eles a catarata.

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Consciência negra: O racismo estrutural na Serra Gaúcha

Por: Rodrigo De Marco

rodrigo@integracaodaserra.com.br

Edição: Kátia Bortolini

katia@integracaodaserra.com.br 

O espancamento de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, até a morte, ocorrido em um hipermercado de Porto Alegre, no último dia 19 de novembro, associado a racismo, às vésperas do Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, causou comoção nacional, gerando protestos em cidades do Rio Grande do Sul e em outros Estados. Em Bento Gonçalves, a manifestação ocorreu na tarde do último dia 21 de novembro, na Via Del Vino, centro da cidade, organizada pelo Movimento Negro Raízes, coordenado pelo economista Marcus Flávio Dutra Ribeiro, de 50 anos.

O Integração da Serra reporta cinco depoimentos sobre a questão do racismo em Bento Gonçalves e região.

 

Movimento Negro Raízes reivindica

Coordenadoria da Igualdade Racial

negro raizes

 

O Movimento Negro Raízes, que surgiu em Bento Gonçalves em 2018, reivindica à prefeitura a criação da Coordenadoria da Igualdade Racial. O órgão terá a atribuição de propor, articular e executar políticas públicas voltadas para a defesa dos direitos étnicos e raciais. O coordenador Marcus Flávio Dutra Ribeiro, ressalta que a implementação da Coordenadoria vai facilitar ações do Movimento nas áreas de educação, e cultura, entre outras.

 

“Nas últimas eleições, enviamos questionário sobre racismo no município aos candidatos majoritários. Algumas respostas se demonstraram muito distantes da realidade da questão racial. O caso do Carrefour é emblemático, porque representa o contexto da pessoa que entra num supermercado e é vigiada. Racismo e intolerância geram violência e a violência não escolhe cor, atinge a todos”, observa Ribeiro.

 

O Movimento, com mais de 18 mil seguidores no Facebook, tinha planejado para este ano várias intervenções sobre a Consciência Negra em escolas da rede estadual sediadas no município, mas foram adiadas para o próximo ano, em função da pandemia do Coronavírus.

 

“Ser preto, aqui ou em qualquer lugar”

rogerio

 

“Sempre fui morador de Bento Gonçalves. Nem consigo lembrar da minha primeira experiência de racismo. Minha mãe, que é branca, conta que inúmeras vezes perguntaram a ela se eu “era adotado”. Ainda hoje, no local onde trabalho, clientes perguntam se sou estagiário. Quando digo que não, com cara de espanto, dizem: “mas tu não és daqui”. Como se por ser preto eu não pudesse ocupar o emprego que ocupo, nem ter o direito de nascer nessa cidade. Vejo também como os imigrantes haitianos são tratados. Impossível não pensar que, muitas vezes, quem assim os trata é descendente de imigrantes que vieram para cá por motivos muito parecidos ao dos haitianos”, desabafa o bancário Rogério Rodrigues, de 38 anos.

 

Enfrentar o racismo com sabedoria é uma das formas de Rodrigues lidar com a situação. Mesmo sendo bancário e com uma rotina atribulada e cansativa, encontrou na arte a forma de externar seus sentimentos e também, de certo modo, sua revolta. Na última semana, gravou em vídeo a poesia, de sua autoria, intitulada Tarja Preta, compartilhada dezenas de vezes em diversas páginas das redes sociais. Sem meias palavras, Rodrigues foi na veia e deixou escorrer um sentimento mesclado a dor, revolta e indignação. De acordo com ele, Tarja Preta foi gravado a pedido de sua amiga Eunice Pigozzo, que havia publicado nas redes sociais diversos trabalhos de artistas negros, em especial residentes de Bento Gonçalves, utilizando a #artistasnegrosbg.

 

Segundo Rodrigues, ao gravar a poesia, ele ainda não tinha conhecimento dos acontecimentos ocorridos no hipermercado Carrefour, em Porto Alegre. “A arte, de forma geral, em específico a poesia, me ajuda muito a externar sentimentos de forma que outras pessoas possam sentir algo com aquilo”, diz.

 

Para ele, “Poesia é algo que vem de dentro, do fundo da alma. Por capricho, enfeitamos esse sentimento com métrica, ritmo e rimas. Nos debruçamos sobre o sentimento, que muitas vezes é o vômito daquilo que engolimos todos os dias, na esperança de dar sentido a ele, tocar o coração e a alma das pessoas nem que seja apenas pela beleza. Levei duas décadas, vinte anos, para concluir Tarja Preta”.

 

Rodrigues recorda ainda de um dos fatos mais marcantes ocorrido há mais de duas décadas no Rio Grande do Sul. O enredo é muito parecido com histórias recentes, envolvendo personagens semelhantes.

 

“Mais ou menos há vinte e um anos atrás, um jovem de dezessete anos, assim como eu na época, preto como eu, periférico como eu, foi encontrado morto em uma localidade do interior do Estado. O “acusado”, que nunca foi preso, alegou que o rapaz estava roubando. Amigos da vítima disseram que ele apenas pulou o muro para buscar a bola que tinha caído lá dentro. Populares disseram que o rapaz não era boa coisa, que cheirava cola e roubava no supermercado. Há que diga que os assassinos eram policiais e quem encomendara a morte era o dono do supermercado. Mas o fato é que o rapaz foi encontrado morto em uma propriedade com vários tiros, de armas de diferentes calibres. Mas preto é sempre julgado e condenado, mesmo desarmado”, desabafa.

 

Ao longo da história, o mundo viu líderes negros erguerem as mãos e enfrentarem o racismo das ruas. O marco dessa luta está nos Estados Unidos, um dos países com histórico marcante da segregação racial.

 

“A luta pelos direitos civis nos Estados Unidos teve diversos líderes, alguns pacifistas como o pastor Martin Luther King. Mas penso que, sem os radicais, como Malcon X e os Panteras Negras, não se teria chegado a lugar nenhum. Na África do Sul, Mandela também fez a diferença, junto da sua esposa Winnie. Conheço pessoas inteligentíssimas que acabam aceitando a falácia que devemos perdoar o passado e seguir em frente como se nada nesses 500 anos de Brasil tivesse existido. Eu penso que precisamos da união do povo preto para exigir nossos direitos”, salienta.

 

TARJA PRETA

 

Preto quando entra no mercado é vigiado.

desarmado,

mas sempre cercado.

julgado e condenado,

às vezes até acorrentado e açoitado.

 

Olho no delinquente!

diz o segurança pro colega do lado.

 

Que é isso moço!?

Tenho uns trocados no bolso,

só quero comprar almoço

pros chegados.

 

Preto com dinheiro é traficante!

Ou assaltante!

o segurança

(que também é preto)

pensa nesse instante.

 

podia ser hoje,

podia ser aqui,

podia ser eu…

 

Mas todo dia!

no jornal, na página policial

tem um preto qualquer

bandido, marginal, indigente,

menor

algemado ou pior

 

nos olhos  só o escuro

uma grade, um muro

uma tarja preta.

 

Autoria: Rogério Rodrigues

Bento Gonçalves

 

“O racismo pode estar presente em

poucas palavras, em mínimas atitudes”

talita

 

O preconceito racial, na visão da estudante Talita Masiero, de 18 anos, do 3º ano da Escola de Ensino Médio Alfredo Aveline, autora do desenho da Branca de Neve Preta e do poema “Vidas”

 

O que originou a criação do poema e do desenho?

Talita: Nas aulas de Geografia e Ensino Religioso, a nossa professora, Eliana Passarin, sempre faz questão de abordar temas importantes da sociedade, como a intolerância racial. Estávamos abordando esse assunto e nos foi solicitado um trabalho que expressasse a nossa reflexão sobre o tema. A princípio não precisava ser um poema, porém, adoro escrever e disso saiu “Vidas”. A Branca de Neve na cor preta reporta a uma cena de preconceito racial envolvendo uma menina, que presenciei em 2017.

 

Qual foi o principal objetivo do desenho?

Talita: Desenhei a Branca de Neve Negra com o objetivo de mostrar, não só para os negros, mas para qualquer pessoa, que todos podem ganhar o seu lugar, ser o que quiser, independente de raça ou cor de pele. Precisamos de mais espaço para tratar sobre assuntos raciais, e fico imensamente grata ao ver que outras pessoas também se tocaram com o meu desenho. Até para mim, que fiz esse desenho, é tocante analisar o significado que ele possui.

 

Tu já escrevias poesias ou Vidas foi a primeira criação literária?

Talita: Eu amo escrever e sempre tento colocar no papel o que eu sinto ou penso em relação a algum assunto. Já escrevi outros poemas sim, mais pessoais… Mas Vidas, sem dúvida, é um dos meus preferidos.

 

Tens contato com grupos sociais de representatividade negra em Bento?

Talita: Por enquanto, apenas tenho contato com o casal que deu origem ao Movimento Negro Raízes, Solana e Marcus, mas adoraria conhecer outros grupos.

 

Já pensaste em realizar outros trabalhos em parceria com esse movimento?

Talita: Ainda estou em choque com a repercussão do meu poema e desenho com o movimento, então ainda não pensei. Mas sempre estou aberta a novos projetos, principalmente com esse movimento que tanto defendo.

 

Que ações as escolas poderiam tomar para tentar, ao menos, diminuir o racismo?

Talita: Acredito que projetos e trabalhos sobre o racismo e o preconceito são necessários, mas não são suficientes. O racismo pode estar presente em poucas palavras, em mínimas atitudes… As escolas precisam estar mais atentas e presentes para as possíveis vítimas dessa injustiça. Penso que o melhor caminho é mostrar aos alunos, fazê-los refletir sobre o fato de que uma sociedade é feita de pessoas, de diferentes raças, formas, personalidades e raças. E que a empatia se mostra cada vez mais necessária. Todos somos de uma única raça – a humana – e o que temos de diferente apenas é o que nos faz únicos, é o bônus.

branca de neve preta

 

VIDAS

 

Personalidades, cores, raças

Arco-íris de possibilidades

Pessoas, diferentes na sua forma

Ainda humanas, ainda desrespeitadas

 

Preconceito tão antiquado

Antepassado, longínquo

Falando que o branco é a solução

E o negro a abominação

 

Como podem, ainda hoje

Propagar tal ofensa irracional?

Como podem, depois de anos

Pregar que o negro é o mal?

 

Arco-íris de possibilidades, eu disse

Todas com sua alma, ainda humanas

E que ainda merecem respeito

E que ainda tem que provar seu valor

 

Negro é raça, com coração

Povo injustiçado, lutador

Que merece seu lugar, posição

Assim como qualquer pessoa

 

Talita Masiero

Aluna da turma 311

Escola Alfredo Aveline

Bento Gonçalves

Tutora: Professora Eliana Passarin

 

Processo histórico do estabelecimento de

afrodescentes na região da Serra Gaúcha

professor

 

Relato do historiador e coordenador de Relações Universitárias da Universidade de Caxias do Sul, Lucas Caregnato, 35 anos, eleito Vereador em Caxias do Sul no último pleito

 

“É importante destacar que a formação da região da Serra Gaúcha está relacionada a uma decisão, opção que o império faz, que é de atrair mão de obra livre no final do segundo reinado, por pressão da Inglaterra ao império brasileiro de que a escravidão acabasse e que a mão de obra livre passasse a ser dominante no Brasil. Grande parte dos países americanos já tinham abolido a escravidão, e o Brasil era um dos únicos países que ainda não o tinha feito. A economia vigente na principal potência da época, que era a Inglaterra, já se baseava na mão de obra livre e na industrialização. Com a mão de obra escrava tínhamos uma economia que não se dinamizava, não gerava mercado consumidor, não gerava a troca de moeda, compra de produto.

 

O pano de fundo principal da vinda dos imigrantes europeus é a atração da mão de obra livre e ocupação de terras devolutas, que era parte das terras aqui da antiga região de colonização italiana. Geograficamente estávamos numa região habitada por indígenas e que era atravessada por tropeiros, porém, a nossa historiografia não analisou, não estudou esses grupos que aqui viviam, então a produção historiográfica da nossa região também voltou seu olhar quase que exclusivamente aos povos europeus, que imigraram também por um processo de crise. Vale lembrar que a Itália e a Alemanha recém estavam se unificando, e havia um interesse desses reinos unificados que a população desses locais fosse diminuída. Os habitantes da península itálica, que vieram ao Brasil a partir de 1875, também vem de uma condição de exclusão do reino que recém se unificava e precisava excluir o excedente populacional. Em razão disso, temos a vinda dos imigrantes europeus, e aqui nessa região de terra devoluta e uma região voltada às colônias de imigração italiana era proibido, desde a lei de terras de 1850, que houvesse mão de obra escrava, justamente porque as colônias de imigração eram destinadas a mão de obra livre, por isso que na nossa região não tivemos a mão de obra escrava, em razão dessa questão legal. Já em algumas colônias de imigração alemã, nas décadas de 20, 30 e 40, principalmente no século XIX, havia a coexistência de mão de obra livre e a mão de obra escrava dos africanos e descendentes escravizados.

 

Nos Campos de Cima da Serra havia uma presença efetiva da mão de obra escrava. Nas últimas décadas do século XIX, muitos desses negros escravizados acabaram fugindo ou buscando nas cidades que estavam se formando, uma alternativa para suas vidas. Então, esse é um elemento importante a ser destacado. Uma alternativa era tentar buscar o trabalho que sobrava. Em Caxias do Sul, podemos perceber, em fotos e fontes históricas, que os negros trabalhavam na construção de estradas, de pontes, todos os trabalhos mais insalubres. O que a população citadina não fazia, sobrava para esses grupos. Eu gosto sempre de destacar o exemplo de Caxias, onde esses afrodescendentes vão se fixar em dois bairros. É o Complexo Jardineiro Ramos, conhecido como Burgo. O outro lado, perto do campo do Caxias, o Beltrão de Queiroz, conhecido como Vila do Cemitério. Eram regiões que não eram ocupadas pela sua geografia muito íngreme, mas que, ao mesmo tempo, não estavam distantes do centro urbano da cidade, o que possibilitava que essas pessoas que lá viviam pudessem buscar trabalho. Também é um elemento para a gente pensar, como o racismo estrutural se mantém. Mesmo findada a escravatura, esses afrodescendentes não vão conseguir ter as mesmas condições que outros grupos da nossa sociedade”.

 

“Mesmo quem é branco sofre preconceito aqui”

Adma e a mulher Kátia Soliman (1)

O encanador Adma Gama Soliman, de 35 anos, nasceu em Saint Louis du Sud, no Haiti. Foi criado pela avó, já que seus parentes mais próximos haviam ido morar na França quando ainda era criança. Ainda jovem, residiu na República Dominicana e na Guiana Francesa. Após o terremoto que devastou o Haiti, em 2010, ele tentou aprovar seu visto para encontrar os familiares, porém foi negado.

 

A história de Soliman no Brasil iniciou no Acre, onde se juntou a uma empresa de Bento Gonçalves que estava precisando de trabalhadores. Foi então que, em 2012, chegou na Capital Brasileira do Vinho, sendo considerado o primeiro haitiano a residir em Bento Gonçalves. Aqui fixou residência e casou com a brasileira Kátia Soliman. Ao deixar de trabalhar na empresa, Soliman passou a prestar serviços como encanador profissional.

 

Há dois anos, Soliman conseguiu obter a cidadania brasileira. Hoje, já bem adaptado com Bento Gonçalves, é reconhecido pela determinação, profissionalismo e altruísmo, ajudando centenas de outros imigrantes que aqui chegaram e se estabeleceram. Ao longo desses anos lutou contra um inimigo presente em seus dias: o racismo. A discriminação no trabalho e na rua era visível, mas foi com determinação, coragem e personalidade que venceu todas as adversidades e hoje é também um cidadão bento-gonçalvense.

 

No último pleito, Adma entrou para a história de Bento Gonçalves como o primeiro imigrante haitiano a concorrer a uma cadeira na Câmara de Vereadores. Ele mostrou desenvoltura e determinação ao longo da campanha, defendendo os imigrantes e a população mais carente. Não foi eleito, mas ampliou sua rede de contatos.

 

“Bento Goncalves é uma cidade limpa, bonita, de gente trabalhadora. Infelizmente, nessa mesma cidade progressista, observamos atitudes preconceituosas e desigualdades sociais. Mesmo quem é branco sofre preconceito por aqui, como o da condição financeira, entre outros. Moradores da periferia não são bem-vindos na sociedade em geral. A cor e a condição social da pessoa não têm nada a ver com a sua inteligência e caráter”, avalia.

adma e afillhada

menina

arte 2

Filme “Legado Italiano” é tema de live nesta sexta-feira

O bate-papo será sobre os pontos turísticos que estão no documentário e o turismo na Serra Gaúcha

O documentário “Legado Italiano” é o tema de uma live que a especialista em turismo Ivane Fávero e a gerente comercial da Giordani Turismo e presidente do Bento Convention Bureau, Gabrielle Signor Rodrigues, apresentam nesta sexta-feira, dia 4, a partir das 17h. O bate-papo poderá ser conferido no Instagram, nos perfis @viajantemaduro e @giordani_turismo e terá retransmissão pelo perfil do filme @legadoitaliano. Além do documentário, Ivane e Gabrielle falarão sobre o turismo na Serra Gaúcha, que anualmente atrai milhares de visitantes em busca de experiências com vinhos, espumantes, farta gastronomia e belezas naturais.

Dirigido pela jornalista Marcia Monteiro, “Legado Italiano” revisita, os 145 anos da imigração italiana para a Serra Gaúcha e os inúmeros legados deixados ao longo desse tempo, como a música, a gastronomia, a arquitetura, a religiosidade, a indústria, o talian e o vinho, abordados a partir dos relatos dos descendentes de imigrantes da região e de especialistas em diferentes áreas.

No Rio Grande do Sul, as gravações ocorreram nas cidades de Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Monte Belo do Sul, Nova Pádua, Pinto Bandeira, Vila Flores e São Sebastião do Caí. Cada uma evidencia um dos temas desenvolvidos no filme.

Na Itália, Marcia visitou as regiões do Trentino e do Vêneto, de onde saiu o maior número de imigrantes para o Brasil, e da Liguria, de onde partiam os navios a vapor com destino à América. A equipe esteve em Conegliano, Comunità della Vallagarina, Brentonico, Isera, Nogaredo, Rovereto, Terragnolo, Villa Lagarina, Castellano, Pedersano e Gênova.

Onde assistir
O filme está disponível em formato on demand (locação digital) pelo site exclusivo www.legadoitaliano.com.br. O custo por locação é de R$ 14,90.
A produção é da Camisa Listrada, com coprodução com Globo Filmes, GloboNews e Celeiro Produções e distribuição da Lança Filmes

Serviços
O que: live sobre o filme “Legado Italiano”, com Ivane Fávero e Gabrielle Signor Rodrigues
Quando: sexta-feira, dia 4, às 17h  
Onde: 
perfis @viajantemaduro e @giordani_turismo e retransmissão no @legadoitaliano no Instagram

O que: documentário “Legado Italiano”, de Marcia Monteiro
Produção: Camisa Listrada, em coprodução com Globo Filmes, GloboNews e Celeiro Produções
Distribuição: Lança Filmes
Idiomas: diálogos em português e italiano com legendas disponíveis em português, italiano e inglês
Acessibilidades disponíveis: closed caption, libras e audiodescrição
Onde assistir: www.legadoitaliano.com.br
Quanto: R$ 14,90

filme legado italiano

legado 2