Dicas de Filmes: Rocky – Um Lutador

Por Bruno Nascimento

Ano: 1976 Gênero: Drama Direção: John G. Avildsen Roteiro: Sylvester Stallone Elenco: Sylvester Stallone, Carl Weathers, Talia Shire, Burt Young

Rocky é um lutador de quinta categoria que esperou sua vida inteira pela chance certa. Enquanto não está treinando na academia precária dos subúrbios da Filadélfia, está coletando dinheiro de devedores para a máfia. Sua vida somente é chacoalhada quando o campeão mundial, machucado, Apollo Creed, precisa escolher um lutador fácil para vencer.

O tom motivacional encontrado nos filmes de luta e extensivamente explorados pelas sequências de “Rocky – Um Lutador”, pode parecer uma fórmula barata. Mas é – quase – infalível dentro da franquia. Todos os filmes, com exceção do horroroso quinto, carregam o coração nos lugares certos. Seja na solidão do personagem, na sua ingenuidade, na falta do calejo social, na valorização de seus poucos amigos e na própria transformação épica de sua condição emocional. Ele é um eterno Golias, treinando ininterruptamente para enfrentar a ameaça muito maior.

Mas os maiores problemas de Rocky nunca estiveram no ringue. Se ele não vencer a luta por nocaute ou por pontos, encontra em sua persistência a vitória pessoal. Os reais transtornos estão em equilibrar sua relação com seu treinador, em conquistar a mulher de sua vida e em lidar com a impotência gerada por um mundo indiferente.

 download

Dunkirk

Por Bruno Nascimento

Ano: 2017
Direção e roteiro: Cristopher Nolan
Elenco: Tom Hardy, Mark Rylance, Cillian Bruno Murphy, Harry Styles

Em uma das maiores derrotas da Aliança durante a Segunda Guerra Mundial, 300 mil soldados esperam por resgate na baía do oeste europeu. Um caça britânico corre contra o tempo para oferecer suporte aéreo e um barco de civis atende um chamado desesperado para ajudar no resgate antes que seja tarde demais.

Na filmografia de Nolan percebemos muitas proezas audiovisuais. Sua abordagem “matemática” com a câmera e roteiro raramente deixou espaço para um brilhantismo dramático. Aqui ele entende sua limitação e foca na busca da exatidão cinematográfica.

Ao contrário de outra obra icônica do gênero, O Resgate do Soldado Ryan (1998), que domou tanto imersão como dramaticidade, Dunkirk investe todos os seus esforços exclusivamente em inserir o espectador no conflito. Seja como gado prestes a ser abatido, uma lata de asas ou um casco flutuante.

f54f0f14-7205-11e7-83f1-667fddf1d78f4

Dicas de Filmes: Apocalypse Now

bruno_nascimento

Por Bruno Nascimento

Apocalypse Now
Ano: 1979
Gênero: Drama, Guerra
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: John Milius, Francis Ford Coppola, Joseph Conrad (escritor do livro não creditado)
Elenco: Martin Sheen, Marlon Branco, Robert Duvall, Frederic Forrest

Durante a guerra do Vietnã, Willard, um capitão do exército americano cheio de vícios é chamado para mais uma campanha. Sua missão é apreender um coronel condecorado e desertor que agora supostamente controla uma tribo de nativos. O soldado – erroneamente – acredita estar calejado o suficiente para experimentar mais uma vez os horrores da guerra.

apocalypse-now

O filme é inspirado no livro sobre o colonialismo “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad, onde seu personagem, ao adentrar cada vez mais no rio e perceber a fragilidade de suas instituições perante uma cadeia alimentar rígida, perde a fé na civilização. Aqui o mesmo descontentamento ocorre, porém, o gatilho é diferente.

São os horrores da guerra que transformam as pessoas, presenteando-as com olhar distante e de desprezo.

Enquanto Willard desce o rio no barco com sua tripulação, se dá conta de que os horrores não são premeditados e só acabam quando você para de percebê- -los. Quando sua mente se for.

Apocalypse Now se firma como uma das maiores obras anti-guerra, carregada de momentos lisérgicos e ressaquistas, ao som de clássicos do rock n’ roll e também da música erudita. É excelente material de reflexão para melhor compreendermos a natureza humana.

Dicas de Filmes: Cidade de Deus

bruno_nascimento

Por Bruno Nascimento

Ano: 2002 Direção: Fernando Meirelles, Kátia Lund Roteiro: Bráulio Mantovani, Paulo Lins (livro) Elenco: Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino, Bruno Phellipe Haagensen, Seu Jorge

Enquanto Zé Pequeno cresce no mundo do crime como líder cruel e implacável, Buscapé tenta quebrar o círculo de violência se tornando um fotógrafo profissional. Afirmar que um local é um personagem vivo pode soar como exagero, pois normalmente são tabuleiros estáticos onde as peças fazem seus movimentos. Aqui não é o caso. Cidade de Deus cresce – e decaí –, em congruência com seus elementos. A mudança da fotografia de quente para fria e a crescente de estruturas suburbanas – criando um cenário cada vez mais opressor – são dois exemplos notáveis.

Se por um lado o ambiente é ativo, quem é responsável por tal dinamismo são justamente os personagens, na sua maioria, interpretados por não atores e moradores de favela. Outra escolha que denota o naturalismo da história é o tom documental que surge momento ou outro – e que é equilibrado com situações mais intimistas.

Não é por falta de motivos que Cidade de Deus é um dos produtos brasileiros mais exportados para o mundo, sendo motivo de reverência – e referência – para muitas figurinhas marcadas do cinema mundial.

download

Dicas de Filmes: 2001 – Uma Odisseia no Espaço

Por Bruno Nascimento

Há quatro milhões de anos, um monólito misterioso entra em contato com um grupo de símios irracionais. A presença do objeto acaba despertando um novo tipo de consciência naqueles seres e a história da humanidade se inicia.

Enquanto acompanhamos a odisseia do homem por respostas, entre relaxantes valsas espaciais ou sonoridades operísticas desconcertantes, somos instigados a interpretar. 2001 – Uma Odisseia no Espaço dificilmente se explica, mas instiga a divagação de forma vagarosa. É uma obra que engrandece quanto maior for o repertório, seja de filosofia nietzschiana, arquitetura francesa ou até a obra original de Arthur C. Clarke (este último para uma explicação linear e descomplicada da história).

É fácil de deixar escapar, mas com certa insistência – de preferência em um dia pouco sonolento –, se apresenta uma obra que perdura. Não somente em memória individual, mas em resistência ao tempo relativa a evolução das mídias. As técnicas inventivas que Kubrick usou para representar o espaço tornam o longa equiparável ao seu monólito. Único e merecedor de admiração.

00

Dicas de Filmes: Sangue Negro

Por Bruno Nascimento

Título original: “There Will Be Blood”
Ano: 2007
Genêro: Drama
Direção e roteiro: Paul Thomas Anderson
Elenco: Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Dillon Freasier, Ciarán Hinds

Sangue negro filme

Daniel Plainview é magnata e pioneiro na indústria do petróleo americana que instala sua operação próxima a uma comunidade comandada pelo pastor e também prospector Eli Sunday. Enquanto as duas forças de oratória conflitam pela conquista de influência, presenciamos o início de uma potência mundial com a forte cultura da abundância.

O filme nos mostra o que a falta de escrúpulos e a ganância podem trazer ao homem. Seu sucesso através da inconsequência gera um complexo de deus. Seu suor derramado é pura e mera justificativa para se firmar como soberano. Até mesmo os entes se tornam extensões de si mesmo na tentativa de atingir a imortalidade.

Os dois líderes buscam prestígio e ambos têm grande influência sob as pessoas. Mas somente um tem o que precisa para prosperar neste novo mundo. As histórias mudam, mas no fim das contas, o título original (“Haverá Sangue”) predita a mesma consequência para todas.

Onde os Fracos Não Tem Vez

Por Bruno Nascimento

21007978_20130523175557996.jpg-c_300_300_x-f_jpg-q_x-xxyxx

Título original: No Contry for Old Men
Ano: 2007
Genêro: Crime, Thriller, Faroeste
Direção e roteiro: Ethan Coen, Joel Coen
Elenco: Javier Bardem, Josh Brolin, Tommy Lee Jones, Kelly Mcdonald

LLewelyn Moss encontra uma maleta com 2 milhões de dólares em meio a um massacre realizado no deserto. Decidido a ficar com o dinheiro, o veterano do Vietnã começa a ser perseguido por um cartel e por um assassino cruel. Atrás de todos, o velho Xerife Ed Tom Bell investiga o caso e se impressiona com a matança que é deixada para trás.

O filme é um dos trabalhos mais primorosos dos irmãos Coen. Ao mesmo tempo que se mantém fiel ao livro que o origina, somos presenteados com uma cinematografia louvável. A narrativa, de certa forma, não é o foco.

Não existe a pretensão de incluir a história em um dos clássicos moldes. Aqui o que importa é a motivação – ou a carência dela – nos personagens, os enredos que se criam a partir de seus encontros e a construção de clímax nos seus desencontros.

É um faroeste contemporâneo – em todos os seus sentidos. É aquele filme em que cada vez que é revisitado, o espectador vai perceber um detalhe novo que vai fazer a sua admiração crescer. Recomendado para amanter de thrillers, histórias policiais e faroestes.

 

O Despertar dos Mortos

FilmeAlguns dias após o início do apocalipse zumbi, um grupo de quatro pessoas se encontra refugiado dentro de um shopping. Enquanto o tom de solidão aumenta, o perigo perambula pelas vielas do gigante e bate incansavelmente nas suas portas de vidro.

O segundo filme da trilogia dos mortos, de George Romero, é provavelmente o mais discutido até hoje. Ele carrega uma visão particular e utiliza o apocalipse de mortos-vivos para refletir o consumismo exagerado da sociedade. Cada metáfora percebida em tela consegue até mesmo causar um riso no meio de uma situação de completo isolamento depressivo.

A continuação de a Noite dos Mortos Vivos é em cores e apresenta maquiagem e efeitos gráficos mais agressivos. É verdade que o filme não envelheceu tão bem, principalmente para aqueles acostumados com o cinema de horror mainstream recente. Mas compreendendo a relevância que o Despertar teve em sua época e suas fortes visões, apresenta-se uma obra pretensiosa e bem resolvida de um diretor importantíssimo para o cinema, mas que infelizmente é cada vez mais esquecido pelo mesmo.

Ano: 1978

Título original: Dawn of The Dead

Diretor: George Romero

Roteiro: George Romero

Elenco: Ken Foree, Scott H. Reiniger, David Emge, Gaylen Ross

Blade Runner 2049

FilmeNum futuro alternativo e distópico, humanos criaram uma espécie chamada de replicantes – seres sintéticos biologicamente idênticos ao organismo humano. Cabe aos blade runners eliminar os rebeldes enquanto uma nova geração mais obediente é inserida na sociedade. Neste contexto, o blade runner conhecido como K é encarregado de caçar o possível filho de uma replicante – que teoricamente não carregam a capacidade de procriar.

A história de Blade Runner 2049 vive de ambientação. Essa é uma característica do clássico de 1982 que, também presenteia o público com extensos momentos de pura contemplação. A cada novo cenário, a câmera viaja pelas belas e decadentes paisagens de uma Califórnia cyberpunk.

Enquanto alguns admiram – e outros bocejam -, todos são pegos por temas ricos, de: veracidade das memórias, originalidade de identidade, preconceito entre iguais, escravidão e tantos outros temas existencialistas cabíveis. Ao longo de suas quase três horas de duração, o filme não se preocupa em responder suas próprias questões, mas nos faz senti-las.

Dica de Filme: A Vida de Brian

FilmeTítulo original: Life of Brian

Ano: 1979

Direção: Terry Jones

Roteiro e elenco: Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin, Terry Gilliam, John Cleese, Graham Chapman

 

Brian nasceu no mesmo momento e ao lado do estábulo onde Jesus Cristo nasceu. Por isso, ele passa a vida inteira sendo confundido com o novo Messias, enquanto grita para o mundo dizendo que não passa de uma pessoa ordinária.

 

O humor britânico sempre criou uma divisão do lado de cá do oceano. Aqui, as piadas non-sense criam uma divisão no público acostumado com as risadas mais imediatistas das comédias americanas e latinas.

 

A Vida de Brian é um dos filmes mais ácidos do grupo de comédia Monty Python, chegando a ser proibido em alguns países. Mas a obra não se atenta às críticas superficiais ou gratuitamente pesadas. Com um humor único, o grupo comunica uma mensagem simples. Aquele problema que talvez todos nós já detectamos mas, às vezes, por distração das responsabilidades podemos esquecer e praticá-lo livremente.

 

Em um momento de fanatismo podemos visitar o passado e ver esta valiosa obra. Uma comédia que não é para agradar a todos mas, com certeza, merece estar no radar de qualquer um.