Dicas de Filmes: 2001 – Uma Odisseia no Espaço

Por Bruno Nascimento

Há quatro milhões de anos, um monólito misterioso entra em contato com um grupo de símios irracionais. A presença do objeto acaba despertando um novo tipo de consciência naqueles seres e a história da humanidade se inicia.

Enquanto acompanhamos a odisseia do homem por respostas, entre relaxantes valsas espaciais ou sonoridades operísticas desconcertantes, somos instigados a interpretar. 2001 – Uma Odisseia no Espaço dificilmente se explica, mas instiga a divagação de forma vagarosa. É uma obra que engrandece quanto maior for o repertório, seja de filosofia nietzschiana, arquitetura francesa ou até a obra original de Arthur C. Clarke (este último para uma explicação linear e descomplicada da história).

É fácil de deixar escapar, mas com certa insistência – de preferência em um dia pouco sonolento –, se apresenta uma obra que perdura. Não somente em memória individual, mas em resistência ao tempo relativa a evolução das mídias. As técnicas inventivas que Kubrick usou para representar o espaço tornam o longa equiparável ao seu monólito. Único e merecedor de admiração.

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Dicas de Filmes: Sangue Negro

Por Bruno Nascimento

Título original: “There Will Be Blood”
Ano: 2007
Genêro: Drama
Direção e roteiro: Paul Thomas Anderson
Elenco: Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Dillon Freasier, Ciarán Hinds

Sangue negro filme

Daniel Plainview é magnata e pioneiro na indústria do petróleo americana que instala sua operação próxima a uma comunidade comandada pelo pastor e também prospector Eli Sunday. Enquanto as duas forças de oratória conflitam pela conquista de influência, presenciamos o início de uma potência mundial com a forte cultura da abundância.

O filme nos mostra o que a falta de escrúpulos e a ganância podem trazer ao homem. Seu sucesso através da inconsequência gera um complexo de deus. Seu suor derramado é pura e mera justificativa para se firmar como soberano. Até mesmo os entes se tornam extensões de si mesmo na tentativa de atingir a imortalidade.

Os dois líderes buscam prestígio e ambos têm grande influência sob as pessoas. Mas somente um tem o que precisa para prosperar neste novo mundo. As histórias mudam, mas no fim das contas, o título original (“Haverá Sangue”) predita a mesma consequência para todas.

Onde os Fracos Não Tem Vez

Por Bruno Nascimento

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Título original: No Contry for Old Men
Ano: 2007
Genêro: Crime, Thriller, Faroeste
Direção e roteiro: Ethan Coen, Joel Coen
Elenco: Javier Bardem, Josh Brolin, Tommy Lee Jones, Kelly Mcdonald

LLewelyn Moss encontra uma maleta com 2 milhões de dólares em meio a um massacre realizado no deserto. Decidido a ficar com o dinheiro, o veterano do Vietnã começa a ser perseguido por um cartel e por um assassino cruel. Atrás de todos, o velho Xerife Ed Tom Bell investiga o caso e se impressiona com a matança que é deixada para trás.

O filme é um dos trabalhos mais primorosos dos irmãos Coen. Ao mesmo tempo que se mantém fiel ao livro que o origina, somos presenteados com uma cinematografia louvável. A narrativa, de certa forma, não é o foco.

Não existe a pretensão de incluir a história em um dos clássicos moldes. Aqui o que importa é a motivação – ou a carência dela – nos personagens, os enredos que se criam a partir de seus encontros e a construção de clímax nos seus desencontros.

É um faroeste contemporâneo – em todos os seus sentidos. É aquele filme em que cada vez que é revisitado, o espectador vai perceber um detalhe novo que vai fazer a sua admiração crescer. Recomendado para amanter de thrillers, histórias policiais e faroestes.

 

O Despertar dos Mortos

FilmeAlguns dias após o início do apocalipse zumbi, um grupo de quatro pessoas se encontra refugiado dentro de um shopping. Enquanto o tom de solidão aumenta, o perigo perambula pelas vielas do gigante e bate incansavelmente nas suas portas de vidro.

O segundo filme da trilogia dos mortos, de George Romero, é provavelmente o mais discutido até hoje. Ele carrega uma visão particular e utiliza o apocalipse de mortos-vivos para refletir o consumismo exagerado da sociedade. Cada metáfora percebida em tela consegue até mesmo causar um riso no meio de uma situação de completo isolamento depressivo.

A continuação de a Noite dos Mortos Vivos é em cores e apresenta maquiagem e efeitos gráficos mais agressivos. É verdade que o filme não envelheceu tão bem, principalmente para aqueles acostumados com o cinema de horror mainstream recente. Mas compreendendo a relevância que o Despertar teve em sua época e suas fortes visões, apresenta-se uma obra pretensiosa e bem resolvida de um diretor importantíssimo para o cinema, mas que infelizmente é cada vez mais esquecido pelo mesmo.

Ano: 1978

Título original: Dawn of The Dead

Diretor: George Romero

Roteiro: George Romero

Elenco: Ken Foree, Scott H. Reiniger, David Emge, Gaylen Ross

Blade Runner 2049

FilmeNum futuro alternativo e distópico, humanos criaram uma espécie chamada de replicantes – seres sintéticos biologicamente idênticos ao organismo humano. Cabe aos blade runners eliminar os rebeldes enquanto uma nova geração mais obediente é inserida na sociedade. Neste contexto, o blade runner conhecido como K é encarregado de caçar o possível filho de uma replicante – que teoricamente não carregam a capacidade de procriar.

A história de Blade Runner 2049 vive de ambientação. Essa é uma característica do clássico de 1982 que, também presenteia o público com extensos momentos de pura contemplação. A cada novo cenário, a câmera viaja pelas belas e decadentes paisagens de uma Califórnia cyberpunk.

Enquanto alguns admiram – e outros bocejam -, todos são pegos por temas ricos, de: veracidade das memórias, originalidade de identidade, preconceito entre iguais, escravidão e tantos outros temas existencialistas cabíveis. Ao longo de suas quase três horas de duração, o filme não se preocupa em responder suas próprias questões, mas nos faz senti-las.

Dica de Filme: A Vida de Brian

FilmeTítulo original: Life of Brian

Ano: 1979

Direção: Terry Jones

Roteiro e elenco: Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin, Terry Gilliam, John Cleese, Graham Chapman

 

Brian nasceu no mesmo momento e ao lado do estábulo onde Jesus Cristo nasceu. Por isso, ele passa a vida inteira sendo confundido com o novo Messias, enquanto grita para o mundo dizendo que não passa de uma pessoa ordinária.

 

O humor britânico sempre criou uma divisão do lado de cá do oceano. Aqui, as piadas non-sense criam uma divisão no público acostumado com as risadas mais imediatistas das comédias americanas e latinas.

 

A Vida de Brian é um dos filmes mais ácidos do grupo de comédia Monty Python, chegando a ser proibido em alguns países. Mas a obra não se atenta às críticas superficiais ou gratuitamente pesadas. Com um humor único, o grupo comunica uma mensagem simples. Aquele problema que talvez todos nós já detectamos mas, às vezes, por distração das responsabilidades podemos esquecer e praticá-lo livremente.

 

Em um momento de fanatismo podemos visitar o passado e ver esta valiosa obra. Uma comédia que não é para agradar a todos mas, com certeza, merece estar no radar de qualquer um.

O Estranho Sem Nome

FilmeO Estranho Sem Nome

Título original: High Plains Drifter

Ano: 1973

Direção: Clint Eastwood

Roteiro: Ernest Tidyman

Elenco: Clint Eastwood, Verna Bloom, Marianna Hill,

Mitchell Ryan

Um homem misterioso surge nas colinas e vai em direção da cidade de Lago. Ele encontra os habitantes fragilizados pela ameaça de um grupo de bandidos e oferece a sua ajuda em troca de privilégios. O povoado, então, começa a perceber que talvez o estranho sem nome não seja bem a ajuda que eles gostariam de receber.

No primeiro faroeste dirigido por Clint Eastwood, ele consegue ir além das suas referências e constrói uma história bizarra, com interpretações que podem ir do racional até o sobrenatural e tão misteriosa quanto o seu personagem (de moral extremamente questionável).

O filme é um tiro certeiro do diretor que até então havia somente atuado no gênero. Todos os ensinamentos de seus mestres anteriores aqui servem para uma obra original e enrustida nos clássicos estereótipos dos pistoleiros anteriormente interpretados por Clint.

Em uma cena em um cemitério, podemos ver em alguns túmulos os nomes “Don Siegel”, “Brian G. Hutton” e “Sergio Leone”. Clint Eastwood estava enterrando os seus diretores e marcando o início de uma etapa brilhante de sua carreira.

Trainspotting

bruno_nascimentoBruno Nascimento

Trainspotting

Direção: Danny Boyle

Roteiro: John Hodge, Irvine Welsh (livro)

Elenco: Ewan McCregor, Ewen Bremmer, Jonny Lee Miller, Kevin McKidd

Um grupo de jovens delinquentes tem na heroína a única escapatória da existência pífia que a sociedade oferece. Mark Renton, um deles, sofre com o inevitável fato de que a vida exige que escolhas sejam tomadas. Por isso, segue o caminho mais prazeroso – e curto.

Danny Boyle já demonstrava seu potencial artístico muito antes dos holofotes o encontrarem em 2008, com “Quem Quer Ser um Milionário”. Sua capacidade de realizar filmes com pitadas de genialismo é aparente em 1996, com Trainspotting. O figurino simplório que combina com o estado dos personagens, a representação prática dos sentimentos de prazer, horror, obsessão, etc. Tudo colabora para construção de uma narrativa rica em filosofia e auto-compreensão.

Trainspotting se mantém como uma obra artística fundamental para refletirmos o indivíduo e a sua participação (inevitável) na sociedade.

DICAS DE FILMES: Mad Max: Estrada da Fúria

Por Bruno Nascimento

chmogs0qnqyiejnz7zn9mjoa18t1Título original: Mad Max: Fury Road

Ano: 2015

Direção: George Miller

Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy, Nick, Lathouris

Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne

Max se vê no meio de uma perseguição mortal iniciada pela Imperatriz Furiosa. Eles precisam escapar de um comboio insano que quer resgatar as mulheres grávidas de seu líder, o Immortan Joe.

Em uma epoca em que filmes de ação são adolescentes, Estrada da Fúria se sobressaí como uma obra adulta. George Miller, mesmo sendo um setentista, consegue apresentar mais potência e idealismo do que qualquer diretor jovem.

O filme não somente se sobressai como uma ópera do gênero de ação, mas carrega uma narrativa poderosa. Diálogos não são tão presentes, fato. Mas não nos enganemos, pois é justamente nesse espaço que se encontram as mensagens de empoderamento feminino e luta.

Mesmo em uma narrativa enrustida nas clássicas simbologias do faroeste, o quarto filme da série vai continuar sendo jovem e representativo por muitos anos.