a moda

A Moda

Por Ancilla Dall´Onder Zat

Recentemente, observei em várias vitrines, de diferentes lugares, um objeto, no caso uma bolsa, considerada comum em outros tempos, mas em destaque no atual verão. Seria a moda? Mas o que é a moda? A palavra “moda” significa, no cotidiano, ser “mais usado”, como, por exemplo, a cor que mais aparece no vestuário numa determinada estação seria a “cor” da moda.

A obra de Canton e Schiller “Moda: uma história para crianças” descreve com propriedade de linguagem a moda através dos tempos. As autoras afirmam que “a moda é como a gente se apresenta para o mundo”. E ainda, como você se veste, os acessórios que você usa, o jeito de pentear, cortar e até pintar os cabelos ou usar os óculos. A moda é tudo isso.

Entretanto, o meu foco de atenção volta-se para a moda estatística. Nesta perspectiva, a moda é o valor que se repete o maior número de vezes, num conjunto de valores, isto é, o mais frequente. São muito comuns expressões que mencionam a preferência por determinado produto, maior audiência entre as emissoras, obras mais vendidas, candidato mais votado, numeração de calçados – femininos e masculinos – de maior procura, e outras que passam a ideia de um valor mais frequente, estatisticamente denominado moda. Convém assinalar que a expressão “a maioria” num conjunto de dados, nem sempre representa a moda estatística, assim como o “modismo”, que é passageiro.

A referência mais remota do uso da moda está citada na obra de Wallis e Robert e se refere ao cerco dos plateus pelos peloponésios em 428 a.C. No inverno desse ano, os plateus, juntamente com os atenienses, estavam sitiados pelos peloponésios e pelos beócios. Armaram um plano para escaparem, forçando a passagem pelas muralhas inimigas. Para construir escadas que alcançassem a altura da muralha inimiga, muitas pessoas contaram e recontaram, ao mesmo tempo, as camadas de tijolos (pedras). Ainda que alguém errasse, a maioria haveria acertado. Foi dessa forma que obtiveram o comprimento necessário para as escadas alcançarem os objetivos.

Contudo, o termo moda foi utilizado pela primeira vez em Estatística por Karl Pearson, em 1895, influenciado pela maneira de falar das pessoas ao afirmarem que tal objeto estava na moda, com o significado de coisa mais frequente, que no exemplo inicial seria a bolsa das vitrines. Aliás, esta forma de atribuir significado, permite observar que um conjunto de valores pode possuir mais de uma moda ou até a ausência dela, isto é, amodal.

Percebe-se, intuitivamente, que a moda, como parâmetro estatístico, se faz presente não apenas na maneira de vestir ou de calçar – tamanhos e cores – nas vitrines, mas na oferta e demanda de produção e negócios. A moda vai e volta, mas nesse espaço de tempo cria, recria e aperfeiçoa, inova produtos que satisfaçam as necessidades de seus usuários, como foi o exemplo do Jeans. Então, a moda pode ser descrita por diferentes enfoques, traduzidos pela arte que a gente veste, no modo de ser de cada um.

 

 

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