Cedenir Postal

Safra da Uva 2020: previsão de quebra de 30% em relação a 2019

Diminuição da quantidade está sendo compensada na qualidade, diz sindicalista

O total da colheita da safra de uva 2020 nos municípios produtores de uva da Serra Gaúcha, a “pleno vapor” agora em fevereiro, deve girar em torno de 500 milhões de quilos, com uma quebra de cerca de 30% em relação a 2019. A estimativa é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bento Gonçalves, Cedenir Postal, que também coordena a Comissão Interestadual da Uva. Segundo ele, essa quebra ocasionada pela falta de chuvas, tende a ser recompensada no acréscimo de qualidade das uvas, em relação as colhidas em 2019. Segundo Postal, algumas vinícolas estão sinalizando de como vai ser a forma de pagamento dessa safra. “Algumas pagarão em três parcelas, outros 30 dias depois da safra, algumas outras em quatro parcelas de 25% cada. Há alguns agricultores que não receberam toda safra de 2019, mas são casos mais pontuais“, acrescenta ele.

Segundo Postal, a vida dos agricultores melhorou muito em decorrência das tecnologias, principalmente nos últimos 20 anos. “Antes o tratamento das parreiras era manual. Hoje, é com tratores. Com a abertura de estradas nas fileiras das parreiras e com os carretos basculantes para o transporte, o agricultor consegue transladar a colheita sem tanto esforço. Ele diz que a atual dificuldade dos agricultores,  que não contam  todos os anos com as mesmas pessoas para auxiliar na colheita da uva, é encontrar essa mão de obra.

O sindicalista ressalta que ainda é preciso melhorias na infraestrutura das estradas do interior, principalmente nas do município de Bento Gonçalves. “A gente vê o avanço que os municípios vizinhos tiveram com o asfaltamento. Nas comunidades que têm asfalto, as famílias vivem mais felizes, porque não tem poeira nas casas e o transporte da produção é feito com mais segurança. A disponibilidade de internet e sinal de telefonia celular também é importante. Muitas localidades já têm. É uma ferramenta indispensável nos dias de hoje”.

Uvibra aguarda liberação do Fundovitis para dar continuidade às ações do Ibravin

O Instituto Brasileiro do Vinho ( Ibravin), sediado em Bento Gonçalvfes, no Parque de Eventos, em outubro do ano passado, após 20 anos de atividades, demitiu colaboradores e paralisou atividades por falta de verba. Com irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), a entidade deixou de receber R$ 12 milhões do Fundovitis. Para o setor não ser prejudicado, a União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) mudou seu estatuto para receber a verba. O convênio ainda não foi assinado, mas a entidade já organiza seu plano de trabalho.

No transcorrer da existência do Ibravin, a legislação estadual foi sendo alterada, gerando essas irregularidades, explica o presidente do Ibravin, Márcio Ferrari. Segundo ele, essa não é a primeira vez que a entidade enfrenta esse problema. ”Esse momento realmente é delicado para o Ibravin, mas o esforço de todas as entidades envolvidas fará com que o resultado final seja bom para o setor vitivinícola nacional”. Ele ressalta que a Uvibra está aguardando a liberação dos recursos do Fundovitis para a continuidade de ações voltadas a promoção do setor vitivinícola do país.

Marcio Ferrari (Ibravin)

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