big bang

O Big Bang não explica nada

Por Rogério Gava 

rogeriogava@integracaodaserra.com.br 

No princípio, era o “Nada”. A total ausência de qualquer coisa. Difícil imaginar. O nada absoluto soa como absurdo. Algo que escapa ao nosso entendimento. É como tentar pensar em um quadrado redondo. Ou o time ser rebaixado no mesmo ano em que é campeão. Dá um nó no cérebro.

Dizem os cientistas de que desse “nada” surgiu o famoso “Big Bang”, a grande explosão primordial. Isso há uns “meros” 13,8 bilhões de anos, um pouco menos, um pouco mais. Até onde se sabe (ou não se sabe), parece que, assim, do “nada”, surgiram o espaço, o tempo e a energia, tudo inconcebivelmente unido e muito, mas muito quente. Uma sopa cósmica colossal, uma espécie de plasma primitivo, que foi se expandindo, expandindo, e de onde tudo se originou (inclusive, você, eu, os Rolling Stones e a Gisele Bündchen).

Esse tal de Big Bang, no entanto, deixa uma pergunta em aberto. Uma questão, aliás, típica das crianças – que ainda não se tornaram adultos presunçosos repletos de certezas e que por isso mesmo fazem indagações inteligentes. O estimado leitor e a prezada leitora acho que alguma vez já se perguntaram: “se tudo era nada, de onde diabos veio essa explosão?” Sim, porque, se algo explodiu, era preciso que algo existisse para justamente explodir. Mas, não acabamos de dizer que no início nada existia? Confusa essa história!

A Bíblia dá a conhecida resposta, nos dizendo que nesse “nada” havia Deus. Foi ele, quem, portanto, criou dali tudo o que veio a existir. Fiat lux! Tão simples quanto acender um fósforo. Mas, eis que novamente a nossa amada criança intervém: “e quem criou Deus?” Impossível responder. Aqui, ou você tem fé, ou não tem. Mas o mistério permanece. Insondável e impenetrável. Para crentes e ateus.

Voltando ao Big Bang, a verdade é que três perguntas nos desafiam: O que explodiu? Por que explodiu? O que havia antes da explosão? Talvez jamais tenhamos as respostas. Quem sabe seja melhor fazer como os índios da tribo Pirarrã, que vivem na Amazônia. Eles acreditam que a terra e o céu sempre existiram, ou seja, ninguém os criou. Certa vez, ao serem questionados por antropólogos sobre o que havia antes do mundo, responderam: “sempre foi assim”. Os Pirarrãs não acreditam em nada que não possa ser visto ou provado. Espertos esses índios.

O filósofo Leibniz – que certamente não era adepto da filosofia dos Pirarrãs – nos repete a pergunta crucial: “por que existe tudo e não o nada?”. Ou seja, por que, afinal, o Universo calhou de existir? Confrontados com essa interrogação, temos dois caminhos: acreditar que há um sentido oculto por detrás de tudo, e que algum dia iremos descobri-lo; ou acreditar que não há sentido algum, e que, portanto, perguntar- se sobre o sentido de tudo é, por si só, uma pergunta sem sentido algum. O universo, nessa última concepção, é o resultado de uma loteria cósmica. O mundo e nós nele, uma grande roleta aleatória, girando ao sabor das probabilidades no cassino do mistério sem fim.

Crenças à parte, o fato é que o tal do Big Bang segue sem elucidar o que havia antes dele próprio. Há os que dizem que é só por enquanto, e que algum dia descobriremos de onde, afinal, tudo se originou. Pode ser, mas, até lá, o Big Bang segue nos devendo uma explicação melhor. Esse Big Bang que nasceu para explicar tudo, mas que até agora parece não ter explicado nada.

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