Sandra Criolani

Sandra Criolani: entre os palcos e as telas de cinema da Argentina

Por Rodrigo De Marco

rodrigo@integracaodaserra.com.br  

Ser ator é estar sempre em transformação, buscando novos objetivos e trabalhando com amor. É desta forma que pensa a atriz argentina Sandra Criolani, 35 anos. Natural da cidade de Oncativo, localizada na província de Córdoba, Sandra encontrou em Buenos Aires a oportunidade de crescer na carreira e se destacar no teatro e mais recentemente no cinema. A atriz que esbanja simpatia e um largo sorriso ao falar sobre sua profissão conversou com exclusividade com o Jornal Integração da Serra, contando sobre a carreira, sonhos e os principais planos para 2020. Nessa entrevista especial, você irá conhecer um pouco mais sobre uma das atrizes que está em ascensão no cenário argentino. Sandra começou a estudar teatro aos 11 anos e já trabalhou em mais de 10 peças de diferentes gêneros e estilos. Em 2016 iniciou sua aventura no cinema trabalhando no filme “No Te Olvides de Mi”, dirigido por Fernanda Ramondo. Em 2019 deu o grande salto em sua carreira sendo coprotagonista do longa-metragem “El Kiosko”, de Pablo Gonzalo Pérez, em que atuou ao lado do ícone do cinema argentino, Pablo Echarri. E para este ano está previsto o lançamento do filme “El Cuento del Tío”, de Ignacio Guggiari, marcando sua consolidação nas telonas. Confira o super bate-papo com Sandra Criolani e conheça um pouco mais do país que tem uma das principais escolas de cinema da América Latina.

INTEGRAÇÃO: De que forma começaste a estudar teatro e como foi o início de tua carreira?

SANDRA CRIOLANI: Eu sou de Córdoba, oriunda de uma localidade que se chama Oncativo. Quando eu tinha 11 anos entrei no teatro municipal de Oncativo, e fiquei estudando aí até os 18 anos, quando resolvi ir estudar em Córdoba, capital. Com 18 anos ingressei na universidade e como estudante me conectei com outras pessoas de distintas províncias, porque Córdoba é um polo de estudantes de todo o país e agora também de outros países. Me recordo que criamos um grupo independente que se chamava El Gallinero Teatro, e fomos avançando juntos na carreira. Quando estava terminando o curso me faltava fazer a tese e eu estava começando a trabalhar num tema que me deu a oportunidade de vir trabalhar em Buenos Aires. Em Córdoba conheci também pessoas aqui de Buenos Aires que entraram em contato comigo e aos poucos fui me transferindo para cá. Por sorte eu tinha tios vivendo aqui e fui ficando na casa deles. Hoje eu gosto muito de Buenos Aires e a possibilidade de produzir arte por aqui, crescer e estudar, me motiva cada vez mais.

INTEGRAÇÃO: Esse ano será repleto de trabalho com novidades no teatro e também no cinema. Atualmente Você está com as peças “Hombres y Ratones” e “Unidos a la Fuerza” em cartaz. Conte um pouco sobre cada uma delas e o que projeta para 2020?

SANDRA: Neste momento estou com duas peças, mas na realidade estou com três (risos) porque deve restrear “La Patada del Camello”, outra obra que começou sendo produzida por outra atriz e que escrevemos juntas e estreamos em 2018, sendo que esse trabalho foi parte de minha tese de licenciatura em teatro. Para mim é muito bom poder trabalhar com mundos distintos. “Hombres y Ratones” está em cartaz em Mar del Plata e tem a ver com a vida no campo em 1968, na pampa argentina em que tudo era bastante masculino e hostil.  O lugar da mulher nessa época era bem diferente de agora. Na história, em geral, uma mulher sozinha do campo é rodeada por homens e está em constante perigo. Já “Unidos a la Fuerza” é uma espécie de ficção científica, então são caminhos diferentes. A verdade é que requer muita energia. É um prazer estar com esses dois elencos.

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INTEGRAÇÃO: Eu me recordo de uma entrevista em que você disse que “hay que animarse a dar el salto”. Eu te pergunto: qual foi o maior salto que já deu em sua carreira?

SANDRA: Um dos meus grandes saltos foi ter começado a fazer teatro na infância. Desde o início, quando fui para a primeira aula, já sentia de alguma maneira que ia mais adiante de uma simples atividade ou passatempo. Na adolescência me comprometi de forma intensa ao teatro e foi quando minha família ficou com um pouco de medo que eu fosse me dedicar somente para isso. Houve um momento que não estavam muito de acordo que eu seguisse nessa área. Um outro salto foi quando vim viver em Buenos Aires, e que por sorte tinha tios e família por aqui. Não foi muito fácil para mim porque eu não conhecia ninguém da indústria e estava perdida, no entanto, eu encontrei distintas pessoas que me facilitaram caminhos, e isso foi um grande salto. E o nosso crescimento pessoal está totalmente ligado aos pequenos saltos que damos no dia a dia. O ator trabalha não só com o corpo, mas com toda a integridade, corpo emocional, sua alma, os vínculos com outras pessoas. Creio que tudo deve ser cultivado. São saltinhos que a pessoa vai dando e temos que nos animar a dar esses pequenos passos diários (risos). Tudo tem a ver de nos conectarmos com o coração. Não são decisões tão racionais, e a maior delas está no coração.

INTEGRAÇÃO: Você é atriz, produtora e tem realizado importantes trabalhos no cinema e teatro. Para você como é equilibrar tantas funções e de que forma define o seu trabalho?

SANDRA: A nível de teatro tenho o projeto de continuar com as duas obras “Hombres y Ratones” e “Patada del Camello”. Estou com a ideia de iniciar outra obra, mas ainda está no início, e seria algo mais pessoal para desenvolver, incluindo a parte escrita. “La Patada de Camello” nos abriu a possibilidade de começar a escrever algo voltado para o cinema. Tem algo que não tem a ver com a obra, mas com a equipe, e estamos com a ideia de escrever um roteiro. Em julho vai estrear o filme “El Cuento del Tío”, e é uma história que, assim como “El Kiosko”, também tem uma parte muito forte do costume do argentino. Eu diria que é uma comédia mais “negra”.

INTEGRAÇÃO: Em “El kiosko” você contracena com Pablo Echarri”, grande nome do cinema argentino. Como foi realizar um trabalho tão importante ao lado dele?

SANDRA: Para mim foi um prazer, e ele é uma pessoa muito generosa, muito profissional, além de ser um ótimo ator. É muito trabalhador, e nisso também nos conectamos em vários pontos. Na medida que o filme foi sendo rodado construímos um importante vínculo, e esse foi o primeiro filme em que eu sou uma co protagonista. Echarri me facilitou muito e o trabalho com ele foi feito com muita generosidade e companheirismo.

INTEGRAÇÃO: De que forma você observa o cinema realizado de forma independente na Argentina?

SANDRA: A cultura é uma das partes que mais sofrem quando se atravessa uma crise econômica e cultural, e nos últimos anos o cinema sofreu muitos cortes, e inclusive tivemos muitas dificuldades em distribuir “El kiosko” nas salas de cinema do país. Todos que trabalham nisso, nós artistas, somos responsáveis por fazer um bom trabalho com os recursos que temos.

INTEGRAÇÃO:  O que Buenos Aires representa para você?

SANDRA: Para mim Buenos Aires representa uma consolidação sobre minha profissionalização do trabalho pessoal. Eu vim para cá e comecei a trabalhar de forma mais profissional e tomar a consciência de que queria me dedicar a ser atriz de teatro e cinema. Aqui encontrei realmente uma indústria que lamentavelmente no resto do país não tem a mesma força e incentivo que aqui na capital federal. Eu posso salientar que encontrei um lugar com muitas oportunidades, mas que também me apresentou dificuldades, porque é uma cidade imensa e tem de tudo. Buenos Aires é uma cidade linda, mas às vezes muito estressante também. Ela te abre portas, e às vezes fecha na cara. É um pouco de tudo (risos). Foi quando vim viver aqui que comecei a ter oportunidades de viajar e conhecer o resto do mundo. E neste momento estou fazendo um monte de coisas, pensando também em ocupar outros papéis além de atriz em produções de teatro e cinema.

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2 respostas
  1. Fani
    Fani says:

    Hermosa nota felicitaciones hija y gracias al periodista que la realizó ! Tu amor y talento en la profesión te llevo a luchar incansablemente y conseguir todo lo que hiciste y estás haciendo hoy ! Que sigas transitando con energías el camino que te resta recorrer !……

    Responder

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