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Libreflix: plataforma brasileira de streaming gratuita completa dois anos, com média de 85 mil acessos mensais e obras de diferentes estilos

Por Rodrigo De Marco

rodrigo@integracaodaserra.com.br

Atualmente o mercado de plataformas de streaming ocupa uma fatia importante do público consumidor de séries e filmes. É possível afirmar que a Netflix é a empresa que abocanha o grande público disposto a pagar uma mensalidade média de R$ 30 reais para ter acesso ao seu catálogo. Por outro lado, tem surgido alternativas que têm conquistado uma outra parte do público ávido pelo audiovisual.

Foi pensando em oferecer um conteúdo de qualidade e gratuito que, em 2017, o jovem pesquisador paranaense Guilmour Rossi, graduando na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) lançou o Libreflix, uma plataforma de streaming colaborativa e gratuita.

Ao acessar a plataforma o usuário se depara com uma coleção de obras de diferentes gêneros e estilos catalogadas em diferentes grupos de categoria, tais como: Social, Tech, Música, Sci-Fi, Ativismo, Veganismo, Feminismo e Educação. Tudo isso disponível de forma gratuita. Rossi concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Integração da Serra, contando sobre os dois anos desde o surgimento do Libreflix e os planos de expansão da plataforma.

INTEGRAÇÃO: O Libreflix é uma plataforma de streaming colaborativa e gratuita. Foi necessário quanto tempo para desenvolver a página?

GUILMOUR ROSSI: O Libreflix sempre está em constante desenvolvimento, onde as melhorias sugeridas e discutidas pela comunidade e usuários são implementadas e incorporadas ao projeto. E nisso já se vão dois anos. A primeira versão beta, lançada em agosto de 2017, demorou pouco mais de quatro meses para ficar pronta e desenvolvida para um projeto na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

INTEGRAÇÃO: Qual o número de pessoas envolvidas na criação da página?

ROSSI: Inicialmente essa versão beta começou como um projeto solo, mas após o “lançamento”, outros desenvolvedores puderam mandar contribuições. Como é um projeto que segue a filosofia do Software Livre, qualquer um pode sugerir e implementar melhorias. Assim, mesmo não tendo um time oficial de colaboradores, o número de pessoas que já auxiliaram diretamente com a programação ao longo desses dois anos chega a 10.

INTEGRAÇÃO: Como surgiu a ideia de criar a plataforma e quais foram as maiores dificuldades no início do processo de criação?

ROSSI: Eu desejava que existissem meios de acessos à cultura audiovisual, tão práticos e amigáveis como os já existentes, só que se fundissem com as ideias que eu acredito, sejam elas políticas: do uso de software livre, do sem fins lucrativos e do fomento à cultura livre; ou técnicas: do desenvolvimento colaborativo e do uso de código-aberto.

INTEGRAÇÃO: O Libreflix tem uma média de quantos acessos ao mês?

ROSSI: A média de acessos para esse ano é de 85 mil acessos mensais.

INTEGRAÇÃO: Conte sobre o processo para conseguir os direitos de exibição dos filmes na plataforma. Como funciona?

ROSSI: No Libreflix podemos definir que existem dois tipos de obras a respeito de seu licenciamento. As primeiras são as obras cujos realizadores apenas liberaram para serem assistidas gratuitamente pela web. Neste caso, não há nenhuma cessão de direitos de cópia para a plataforma e, caso o autor venda esses direitos para outros meios, precisa nos avisar para que retiremos a obra do catálogo, como já aconteceu algumas vezes. Outro caso de obras no Libreflix, e o que mais fomentamos, é que as obras sejam liberadas com licenças permissivas, como a Creative Commons, Licença Arte Livre ou outras. Nesse caso, além da obra ficar disponível para exibição dentro do Libreflix, ela, potencialmente, poderá também ser baixada, copiada pelos usuários para uma amizade, ou ainda, se a licença permitir, ser usada e remixada em outras obras. Sempre de acordo com a licença.

INTEGRAÇÃO: O catálogo conta com quantos títulos?

ROSSI: Hoje, no Libreflix temos pouco mais de 300 títulos, mas o número de obras cadastradas chega a 700. Nosso desafio é receber as obras, colher suas informações, fazer artes de capa e adequar os vídeos para exibição. Então, logo após o recebimento, há um processo de arquivamento que precisa ser feito pelos voluntários que moderam essas obras em seu tempo livre.

INTEGRAÇÃO: O Libreflix é gratuito, porém existe a possibilidade de contribuição com qualquer valor. Atualmente a página conta com quantos cadastros e quais são as formas de captação de recursos para manter a página funcionando?

ROSSI: Mesmo o cadastro não sendo obrigatório, a plataforma conta hoje com quase 30 mil usuários cadastrados. Nesse ano começamos uma maneira formal de contribuição, com qualquer valor, para ajudar na manutenção e expansão do serviço. Fizemos uma vaquinha que ficará no ar o ano todo e o nosso objetivo é captar R$ 10.000,00 para cobrir gastos básicos com servidores e alguns equipamentos.

INTEGRAÇÃO: Existe um plano de expansão do Libreflix?

ROSSI: Sim, com certeza. Nosso principal objetivo é conseguir chegar a mais pessoas, levando o streaming livre da plataforma. Nossas metas são criações de aplicativos para smartvs e o aprimoramento dos aplicativos para smartphones. Outra coisa interessante é a criação do Libreflix Offline, que possibilitará que a plataforma rode em redes comunitárias onde o acesso à internet seja nulo ou limitado. Mas acreditamos que isso possa ser feito com um desenvolvimento horizontal e sem a pressa habitual do mercado.

INTEGRAÇÃO: O Libreflix apoia produções independentes. Para quem tem um curta-metragem ou até mesmo um média ou longa realizado com pouco recurso e tem o desejo de incluir no catálogo de vocês, de que forma é possível?

ROSSI: É bem simples, basta apenas entrar na plataforma e submeter a produção. As dificuldades atuais dizem apenas respeito, como já mencionado, ao trabalho pós-cadastro de arquivamento inerentes a plataforma e que também acabam esbarrando em questões técnicas e financeiras para que a distribuição ocorra adequadamente.

INTEGRAÇÃO: Vocês recebem quantas produções para análise ao mês?

ROSSI: O recebimento de obras cadastradas é bem variado com o tempo, mas no último ano podemos dizer que fica entre 5 e 10 todo mês.

INTEGRAÇÃO: De que forma você avalia o mercado audiovisual independente brasileiro?

ROSSI: O audiovisual brasileiro independente é, mesmo com todas as dificuldades, extremamente rico e potente. Os problemas hoje são relacionados ao financiamento e a distribuição dessas obras, e mais recentemente vêm sofrendo com uma demonização cultural. Mas a principal ferramenta que pode ajudar o audiovisual independente é a internet como um todo. De uma forma mais “rebelde” por meio de blogs e das redes sociais cria-se um maior diálogo entre criadores e expectadores e surgem novas possibilidades de mobilização como as campanhas de financiamento coletivo, a organização de festivais e a maior oferta para o acesso e download das obras. É um meio que só tende a crescer, junto com o poder da internet. O dever agora é nosso, seja como consumidor ou criador, de debater a mudança e advogar por um novo audiovisual e por meios mais democráticos de distribuição.

Foto: Karolyna Gutierres

Matéria Libreflix- foto de Karolyna Gutierres, Coletivo Libreflix

 

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