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Escritora gaúcha lidera o projeto Surdos que Ouvem, financiado pelo facebook

Por Rodrigo De Marco 

rodrigo@integracaodaserra.com.br 

Escritora, empresária, palestrante e criadora de conteúdo. Essas são algumas das funções da sorridente Paula Pfeifer,37 anos, (gaúcha de Santa Maria e radicada no Rio de Janeiro), que no dia 18 de maio lançou em São Paulo o projeto Surdos que Ouvem, vencedor do Facebook Community Leadership Program (Programa de Liderança na Comunidade). No dia 29 de junho Paula promoveu um talk show com médicos especialistas no Teatro Unisinos, em Porto Alegre. O projeto que foi contemplado pelo Facebook com uma verba de US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,7 milhões) vais ser apresentado ainda em Curitiba, Salvador e Rio de Janeiro. A escritora é autora de dois livros sobre o tema. Em 2013 lançou o livro “Crônicas da Surdez” e em 2015 “Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear”, que também foi traduzido para o inglês com o título “New Chronicles of Deafness: my cochlear implant epiphanies”.

Integração da Serra conversou com Paula, que contou sobre como nasceu a ideia do projeto e os próximos planos para a carreira.

INTEGRAÇÃO: Como foi que nasceu a ideia de realizar o projeto Surdos que Ouvem e como está sendo a experiência de apresentá-lo em diferentes regiões do país?

PAULA: A ideia nasceu da necessidade de desmitificar a surdez e mostrar toda a diversidade que existe dentro dessa deficiência.

INTEGRAÇÃO: A sua história envolve muito amor e superação, sendo um exemplo para milhares de pessoas. Conte um pouco sobre como foi perceber que estava perdendo a audição e o processo de aceitação.

PAULA: Desde pequena eu sabia que havia algo errado, mas recebi meu diagnóstico apenas aos 16 anos, quando já estava na surdez bilateral de grau severo. Minha surdez era progressiva, então lidar com a possibilidade iminente de não ouvir mais nada era aterrorizante. No início, entrei para o armário da surdez e lá fiquei por alguns bons anos torcendo para que ninguém percebesse. Mas o armário era de vidro.

O processo de aceitação foi lento, mas acabou se transformando em algo muito poderoso que hoje ajuda outras pessoas a não enfrentarem a situação do mesmo jeito.

INTEGRAÇÃO: Tu tens dois livros lançados e que fazem enorme sucesso entre diferentes faixas etárias. Qual o significado dessas publicações na sua vida?

PAULA: É engraçado pensar que nos meus tempos mais sombrios de surdez, quando não via esperança alguma, eram os livros que me salvavam nos momentos tristes. Sempre amei ler e sempre quis publicar um livro. A fila do lançamento do primeiro livro em Porto Alegre é algo que jamais vou esquecer: nunca vi tanta gente, foi um dia especialíssimo. Meus livros são como dois filhos, que marcaram dois momentos distintos da minha vida. Cada um deles me trouxe presentes maravilhosos: o mais especial deles foi conhecer o meu marido, que leu meu primeiro livro e me enviou uma mensagem pelo Facebook. O Luciano é otorrino, se interessou pela minha história de vida e a nossa conexão foi instantânea.

INTEGRAÇÃO: Poderias dizer que a literatura ajudou em seu processo de superação?

PAULA: Eu costumo dizer que não se supera uma deficiência, apenas adapta-se a ela. E a literatura me permitiu essa adaptação, pois me permitia viajar para os mundos que a surdez me negava acesso.

INTEGRAÇÃO: Estás programando outras publicações? Conte sobre.

PAULA: Eu estava trabalhando no terceiro livro quando venci o programa do Facebook, portanto, ele está em standby até o projeto chegar ao fim. O projeto Surdos que Ouvem toma todo o meu tempo, é um processo de muita dedicação e envolvimento full time. Para escrever um livro é preciso estar numa vibe de paz e tranquilidade.

INTEGRAÇÃO: Quais são as perspectivas para o segundo semestre deste ano?

PAULA: Acabei de voltar de Columbia e em julho passo uma temporada na Califórnia, no QG do Facebook, com os colegas e mentores do Facebook Community Leadership Program. Depois, seguimos com a execução dos eventos e das outras iniciativas do projeto: o curso online para pais de crianças surdas e a iniciativa de engajamento da nossa comunidade, para que a causa dos #surdosqueouvem chegue aos quatro cantos do Brasil.

O projeto Surdos que Ouvem pode ser acessado nas redes sociais.

site http://www.surdosqueouvem.com

Instagram @CronicasdaSurdez

Facebook: https://www.facebook.com/groups/CronicasDaSurdez/

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