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Educação sem universidades

Por Elvis Pletsch 

elvis_pletsch@hotmail.com  

Uma das melhores formas de refletir em soluções para problemas é criar uma realidade absurda. Por isso que, ao ver os protestos pela educação, imaginei o que faríamos se o dinheiro acabasse e as universidades deixassem de existir. Será que a educação não existiria? As pessoas não iriam buscar conhecimento? Viveríamos no abismo da ignorância?

Esse questionamento já havia surgido há alguns anos, quando duas situações despertaram meu interesse em contestar axiomas educacionais.

A primeira situação foi quando comecei a participar voluntariamente de um grupo de estudos voltado para a economia, filosofia e política. Ali encontrei um formato que funcionava para mim: não havia um tutor ou uma apostila, havia apenas a interação com aquelas pessoas que possuíam uma busca de um conhecimento em comum.

Esse grupo funcionava através de debates, compartilhamento de conteúdos e de encontros de leitura. Dessa forma, cada membro do grupo participava de forma espontânea, auxiliando naquilo que possuía mais facilidade.

A segunda situação foi através de um professor universitário, que tinha o costume de sugerir diversos livros como leitura complementar após finalizar algum conteúdo. Segundo ele, o que havia ensinado naquele momento era apenas “um ponto de vista”.

Curioso sobre seu posicionamento, resolvi questioná-lo sobre diversos assuntos e, para elucidar minhas dúvidas, não era raro que trouxesse inúmeros livros, revistas e artigos (muitas vezes em inglês) que, de outra forma, jamais teria ouvido falar. Não à toa, costumava reforçar a ideia de que todos deveriam aprender inglês para poder encontrar materiais que nunca foram traduzidos para o nosso idioma.

Através disso cheguei à conclusão de que a sociedade possui um vício na institucionalização do aprendizado. As especializações e os diplomas são tratados como referência para o conhecimento. Deixamos de utilizar os métodos dos nossos avós para levar em conta apenas a bibliografia dos cursos.

A diferença salarial entre os níveis de ensino pode ser o grande incentivador desse abandono, já que uma pessoa graduada pode ganhar cerca de 140% a mais que uma pessoa que cursou apenas o ensino médio, segundo pesquisa divulgada pela OCDE, em 2017. Mas será que não existe nada melhor que um profissional graduado? Será que o método acadêmico é dono da absoluta verdade?

Para quem costuma se vangloriar de seus títulos, o currículo acadêmico parece bem enxuto. Ele leva em conta apenas uma parcela do conhecimento disponível para cada área de atuação. Certamente você já conheceu Sócrates, Hobbes e Kant quando estudou filosofia, mas dificilmente ouviu falar em Eric Voegelin, Ivan Illich ou Ayn Rand no ambiente escolar.

Isso não significa que as instituições ou os seus profissionais sejam ineficientes. Na verdade, elas lembram a antiga educação grega, que tentava abraçar todos os assuntos – do preparo militar ao debate intelectual – mesmo que fosse impossível abordar todos os assuntos curriculares de forma satisfatória. Até por isso, diversos cursos são continuamente substituídos por novas especializações, com o objetivo de agregar outras fontes intelectuais.

Contrapondo-se a isso, em uma distópica sociedade sem universidades, fica claro que há a possibilidade de desenvolver uma metodologia de investigação independente, consultando as filosofias divergentes de cada campo, e não somente buscando a verdade na opinião do currículo escolar.

Acredito que a solução para isso seja uma dose de liberdade, permitindo buscar uma instrução adequada para sua individualidade, evitando assim uma eventual prisão da opinião popular, que costuma ignorar as múltiplas realidades a serem exploradas, por mais contestadas que sejam.

Essa constatação não é pura rebeldia e nem quer minimizar a importância das instituições de ensino para a evolução da sociedade, especialmente na área de pesquisas. A intenção é mostrar que o mundo é maior que o seu quarto (ou que a sua universidade), deixando claro que a formalização do ensino não é a única opção para a educação e que, portanto, não devemos limitar o termo “educação” ao método institucional.

Atualmente, podemos aprender de formas tão diversas e abundantes que a escolha de metodologias ficou tão difícil quanto decidir o filme que queremos assistir no Netflix, e não há dúvidas que a tendência é a criação de formas de ensino ainda mais diferenciadas. É por isso que o mercado está sendo bombardeado por “Edtechs” ou por novos métodos, que envolvem a aprendizagem através da arte, do esporte, ou da tutoria individual.

Mas, mesmo assim, sem questionarmos a metodologia tradicional e os dogmas da educação, será que vamos conseguir mudar a realidade brasileira com essas novidades?

Ou vamos acreditar que a educação de qualidade só virá com mais repasses do governo?

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