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Crônicas na bagagem: nossa própria filosofia

Por João Paulo Mileski 

Assim que chegamos em Viedma, na entrada da Patagônia, fomos recebidos pela Claudia. Quando nos mostrou a casa, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a quantidade de livros de Filosofia, dos mais variados autores. Explicamos a nossa história e contei que antes de pegarmos a estrada eu estudava Filosofia. Ela, então, reagiu dizendo que a nossa filosofia seria a própria viagem.

A Claudia tinha razão. Quase todo os dias, na estrada, nos pegamos matutando algo sobre o qual não pensávamos antes ou, então, conhecemos alguém que nos ensina alguma coisa que, por mais simples que pareça, acaba mudando nossa forma de pensar.

Em El Calafate, conhecemos a Vale. Trocamos experiências e ela nos contou sobre a reação “negativa” de algumas pessoas quando descobrem que ela viaja pedindo carona, sozinha. Para a Vale, às vezes, o que gera medo não é a situação em si, mas como as pessoas reagem diante dela. Até agora, ela não teve nenhum problema na estrada. Pelo contrário, encontrou não apenas pessoas que garantiram carona aos lugares, como também lhe ofereceram hospedagem em suas casas. “Se eu tenho uma energia boa, acho que também posso atrair pessoas boas, não?”, disse.

Com essa frase, pensei na quantidade de pessoas que não saem de casa ou deixam de fazer coisas que gostariam por medo do que pode acontecer, e esse medo quase sempre é reflexo não de uma experiência própria, mas do que ouvimos no dia a dia, seja de um amigo, colega de trabalho ou quando ligamos a televisão.

Não posso dizer que o mundo não é perigoso porque não conheço todos os lugares e todas as pessoas, mas posso afirmar que também, assim como a Vale, estamos descobrindo um mundo diferente daquele que sempre nos contaram – onde não seria possível ser feliz jogando tudo para o alto e percorrendo a América dormindo em um Sandero.

Não sei qual filosofia vou descobrir ao final de tudo isso, mas ando cada vez mais convencido de que, por mais que lemos, ouvimos ou assistimos, só é possível enxergar o mundo real quando olhamos com os próprios olhos.

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