Constelação Familiar

Terapia alternativa vem conquistando novos adeptos 

A atual disseminação de informações e imagens em larga escala pela internet tende a voltar em demasia o ser humano ao mundo exterior. Em contrapartida, nas redes sociais, tem se popularizado a divulgação de terapias alternativas direcionadas a interiorização pessoal, a manutenção da saúde e a resolução de conflitos. Várias dessas terapias estão incluídas nos atendimentos prestados pelo Governo Federal, como Práticas Integrativas e
Complementares (PICs).

É o caso do método fenomenológico da Constelação Familiar que, desde 2012, tem sido utilizado pelo poder judiciário, como PICS. O método, desenvolvido pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, foi incluído pelo Ministério da Saúde, em março deste ano, no rol de procedimentos disponíveis no SUS, também no escopo de PICs. O método tem sido utilizado ainda na psicoterapia, aconselhamento de casais, pedagogia, consultoria de empresas, dramaturgia, política e solução de conflitos sociais.

Bert Hellinger (psicoterapeuta alemão, inventor da constelação familiar)

Hellinger foi padre e missionário na África por mais de 20 anos, onde trabalhou e observou as tribos zulus e seus comportamentos familiares. Posteriormente, aprofundou seus estudos e pesquisas tornando-se psicanalista e, por meio da dinâmica de Grupos, da Terapia Primal, da Análise Transacional e de diversos métodos hipnoterapêuticos, entre outras técnicas, desenvolveu sua própria Terapia Sistêmica e Familiar a qual denominou:Familienaufstellen (“Colocação do Familiar”, traduzido no Brasil como Constelação Familiar.

As três leis
Indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2011, Hellinger tem 93 anos e continua seu trabalho com as Constelações pelo mundo. Suas obras já foram traduzidas para mais de 20 idiomas. Segundo ele, quando se age de acordo com as três leis que atuam na família, a vida flui e os objetivos se desenvolvem. Quando as transgredimos, a consequência é a
perda da saúde, da vitalidade, da realização e dos bons relacionamentos. As três leis são: hierarquia, pertencimento e equilíbrio.

“O ser é estruturado pelo tempo”
A hierarquia é estabelecida pela ordem de chegada. O pertencimento é estabelecido pelo vínculo. O equilíbrio é estabelecido pelo dar/receber. De acordo com Bert Hellinger, quando essas leis são violadas em uma família, surgem compensações que atuam em outros membros, entre eles muitos nem nascidos quando o problema ocorreu.

1. Lei do Pertencimento – “A família vai além mesmo da nossa necessidade de sobrevivência. Isso significa que estamos dispostos a sacrificar nossa própria vida pela necessidade de pertencimento”.

2. Lei da Ordem – “O ser é estruturado pelo tempo. O ser é definido pelo tempo e, através dele, recebe seu posicionamento. Quem entrou primeiro em um sistema tem precedência sobre quem entrou depois. Sempre que acontece um desenvolvimento trágico em uma família, uma pessoa violou a hierarquia do tempo”.

3. Lei do Equilíbrio – “O que dá e o que recebe conhecem a paz se o dar e o receber forem equivalentes. Nós nos sentimos credores quando damos algo a alguém e devedores quando recebemos. O equilíbrio entre crédito e débito é fundamental nos relacionamentos”.

Dramatização dos conflitos

A terapia é feita com um grupo de pessoas, a maioria estranhas entre si, em forma de dramatização, coordenada pelo constelador. Na sessão, o constelado apresenta o problema que o preocupa e escolhe pessoas do grupo para representação dele e familiares. Num segundo momento, o terapeuta relaciona as vivênciais apresentadas pelas
conexões para identificar a raiz da questão. Na dramatização dos conflitos, a constelação traz à tona questões pontuais mal resolvidas dentro da história familiar, como mortes precoces, abortos, perdas e rupturas, que seriam capazes de influenciar comportamentos futuros, muitas vezes inconscientes, dos membros da família.

De acordo com a Associação Brasileira de Constelações Sistêmicas, a terapia de Constelação Familiar não tem o objetivo de substituir outras terapias ou se colocar acima da medicina convencional, mas sim servir de complemento e possibilitar que o indivíduo tenha conhecimento de seu sistema familiar. E, claro, auxiliar na resolução de conflitos,
junto aos processos de mediação e conciliação.

Constelação familiar em grupo (foto Instituto Constelações)

“Trazendo à luz o que geralmente está oculto”

“O que mais chama a atenção no método da Constelação Familiar é a sua rápida atuação, principalmente na ampliação da percepção diante dos fatos. Faz com que a pessoa se situe melhor, percebendo situações que, muitas vezes, parecem simples olhando de fora, mas que dentro se tornam quase imperceptíveis. Também reflete na tomada de responsabilidade perante os fatos da vida e na mudança de papéis, porque a pessoa encontra o seu lugar de pertencimento na família, na vida e no mundo”, ressalta a terapeuta holística Marcele Tonett, de Bento Gonçalves, que há 12 anos aplica constelação familiar. Ela acrescenta que ao constelar, a pessoa posiciona elementos da
questão a ser abordada, trazendo à luz o que geralmente está oculto e identificando crenças e padrões limitantes de comportamentos.

Marcele ressalta a importância da busca de auxílio para clarear questões emocionais, seja através de uma constelação ou de outra abordagem. “A diferença entre um atendimento convencional e a constelação é a forma de olhar a abordagem sistêmica e fenomenológica. Muitas vezes precisamos de mais tempo para identificar questões que,
em uma única sessão de constelação, vem à tona. Posso dizer que minha vida se transformou após conhecer a constelação familiar. Amo esta forma de trabalhar e me sinto grata por fazer parte”, salienta.

Constelação - Marcele

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