Boro - Coluna Pancotto

A importância do Boro para a videira

Por Aldacir H. Pancotto

Técnico em Agropecuária EMATER/RS-ASCAR Santa Tereza 

É neste período do ano que muitos produtores encaminham análises de solo para laboratórios e verificam as deficiências ou, muitas vezes, excessos.

Um dos produtos normalmente recomendado é o Boro. O comportamento do boro tem sido registrado em diferentes regiões vitícolas. Este micronutriente é fundamental no processo de floração-frutificação e sua deficiência prejudica a produtividade dos vinhedos e a qualidade da uva.

Na região da Serra Gaúcha têm-se constatado sintomas típicos da deficiência de boro em vinhedos de Concord, Bordô e outras viníferas como:

a) a retenção das caliptras (capuz da flor), ocasionando grande queda de botões florais e, consequentemente, a diminuição da frutificação;
b) a presença de bagas de tamanho reduzido, o que deprecia consideravelmente o produto final, principalmente quando a uva for destinada ao consumo “in natura”;
c) formação de manchas cinza-escuro na película (parte externa) e polpa (parte interna) das bagas.
Em geral, a videira é sensível à deficiência de Boro, porém as cultivares americanas têm mostrado maior dificuldade de absorção desse mineral, tanto pelas raízes, quanto pelas folhas. Entre as americanas, Concord, Bordô, Jeques, Niágara Branca e Rosa e Isabel são as que mais têm apresentado os sintomas típicos da deficiência de boro, identificados somente quando a produtividade já diminuiu.

Sabe-se que o estado nutricional das plantas tem muita influência no processo de absorção dos nutrientes. Toda a planta desequilibrada ou em estresse nutricional pode retardar ou reduzir, em muito, a distribuição dos nutrientes recebidos via foliar. No caso dos micronutrientes, a sua movimentação dentro da planta é bem menor do que a dos macronutrientes. O Boro é considerado como imóvel dentro da planta, ou seja, tem o seu transporte muito reduzido, via floema (casca), das folhas para as outras partes da planta. Os nutrientes aplicados em plantas deficientes podem ficar retidos nas folhas até que o teor seja bastante alto para, então, passarem a ser transportados para outros órgãos.
Para solucionar esses problemas, tem sido utilizado o bórax em adubações do solo e o ácido bórico para adubações foliares. Existem no mercado diferentes fontes de Boro para uso em adubações foliares, visando a uma melhor eficácia em sua absorção. As doses dos adubos à base de Boro, para aplicação no solo, variam em função do tipo de
solo e, principalmente, de sua capacidade de absorção. É importante ter cuidado com a dose a ser usada, porque o boro tem uma faixa muito estreita entre os níveis normais e tóxicos.

As doses de Boro atualmente recomendadas para a videira são: bórax via foliar – 0,25% a 0,50%, aplicado desde a brotação até o início da floração; e bórax no solo – 30 g/planta ou 70 a 100 kg/ha – utilizado no inverno. Bons resultados podem ser obtidos com aplicação foliar de bórax ou outro produto à base do boro, em pós-colheita, com duas a três aplicações, conforme a análise foliar.

Uma coisa é certa: bom preparo do solo, adubações mais racionais, através de análises do solo e foliar, e um bom programa de tratamentos fitossanitários, além de um adequado manejo da copa, conduzem as plantas a melhores condições nutricionais, inclusive em Boro, proporcionando boas produções e uvas de melhor qualidade.

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Fonte: Embrapa

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