Crônicas na Bagagem

E se não houver outra vida, essa você viveu?

Por Carina Furlanetto

Voltando do Parque Nacional dos Glaciares, depois de um dia inteiro caminhando pelas

plataformas que permitem contemplar o famoso Glaciar Perito Moreno, fui vencida pelo

cansaço e adormeci. Enquanto lutava para manter os olhos abertos – a paisagem é

deslumbrante e queria gravar o máximo possível na memória – uma frase ecoava em meus

pensamentos: e se não houver outra vida, essa você viveu? Às vezes mergulho em umas

espirais infinitas de pensamento tentando entender o sentido de tudo o que nos passa

enquanto estamos vivos. Não importa qual seja a sua crença, é algo a ser pensado.

 

Antes de pegarmos a estrada perdi horas de sono questionando se era “certo” o que

estávamos querendo fazer. Como assim: “largar tudo” para só viajar e desfrutar, sem

trabalhar? Ousar ir na contramão do que prega a norma moralmente aceita em muitos

momentos pareceu uma loucura sem tamanho. Mas enquanto contemplava o azulado

 

horizonte montanhoso contrastando com os tons terrosos da vegetação à beira da ruta, só

conseguia pensar: e por que não?

 

Não é possível que estejamos aqui na Terra apenas para ver os anos passarem em vão

ou vivendo uma vida que não é exatamente a que gostaríamos de levar. Para mim, estar

viva é estar em movimento e dá para fazê-lo até mesmo sem sair do lugar, desde que

estejamos abertos a novas descobertas.

 

Encontrar outros viajantes e adentrar em casas de até então desconhecidos (já fomos

recebidos por 19 anfitriões) tem me feito um bem enorme. Estou descobrindo, dia a dia,

que há tantas formas de viver quanto o número de pessoas no planeta – e não há nada de

errado em não fazer o que todo mundo faz ou não ser como tudo mundo é. Estar vivos,

enfim, é o que mais importa.

Crônicas na Bagagem

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