Mulheres brasileiras do século XXI: Maristela Cusin Longui

Cada vez mais as mulheres brasileiras, guerreiras, brilham administrando empresas e liderando entidades representativas de cadeias econômicas. A maioria dessas mulheres tem família para dar atenção e atende à demanda.

Qual é a formula do sucesso para o conciliamento das funções? Cada mulher tem a sua, mas todas parecem envolver amor e determinação, como a da empresária Maristela Cusin Longhi, de Bento Gonçalves, que no dia primeiro de janeiro deste ano assumiu a presidência da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), com mandato até 31 de dezembro de 2021.

Maristela, que também integra o Conselho de Administração do Hospital Tacchini, diz ser “uma prova do novo mundo que estamos vivendo”.

 

Integração – Quais são as metas da tua Diretoria frente à Abimóvel, além as de dar continuidade ao trabalho do ex-presidente Daniel Lutz?

Maristela – A principal meta é a recuperação gradativa e a articulação da cadeia produtiva de madeira e móveis e sua competitividade, através do seu desenvolvimento sustentado. Estes últimos anos foram difíceis para os setores produtivos, com queda nas vendas, baixas margens de lucratividade, falta de linhas de crédito e incentivos à exportação. Acreditamos em um novo momento, com um ambiente de negócios melhor, o qual temos que aproveitar para incrementar as vendas e também as exportações, pois as empresas brasileiras possuem competência, tecnologia, parques industriais e produtos para atender mercados exigentes. Já estamos alinhando com o governo uma pauta estrutural para o setor, no mercado interno e externo, além de apoiarmos as pautas econômicas, como reforma da Previdência, simplificação tributária, desburocratização, desoneração da folha, combate à corrupção e o Reintegra, pois, só assim, teremos uma economia alicerçada, com ciclos econômicos mais equilibrados e o retorno gradativo do crescimento.

Integração – O teu perfil profissional, de administradora de empresas, foi se desenvolvendo ao longo dos anos a partir de que fase da tua vida?

Maristela – Desde pequena, sempre tive uma fascinação muito grande por números, por isso da escolha do curso de Auxiliar de Escritório, Economia e outros na área financeira e de gestão. Meu sonho era trabalhar em um escritório, parece que o universo conspirou para isso… comecei a trabalhar em empresa de móveis da família (tios) em 1976, onde tive a oportunidade de aprender e me aperfeiçoar em todos os setores administrativos, pois na época as estruturas eram pequenas e tínhamos que ser polivalentes. Em 1980 sai da empresa da família, pois desejava mais e sentia que poderia crescer. Fui trabalhar na área contábil para empresas moveleiras. No mesmo ano, eu e meu marido Euclides abrimos nossa primeira empresa, que vendia matérias-primas para a indústria de móveis. Nela, eu cuidava de toda a parte operacional, conciliando com o serviço de contabilidade que prestava para outras empresas. Analisando a potencialidade do mercado de móveis, em 1995, convidei meu irmão Ivo Cusin para fundarmos a Multimóveis, onde atuo desde então como Diretora Administrativa Financeira, o que muito me orgulho.

Integração – Ao contrário das mulheres europeias, que optam entre carreira profissional e família, as brasileiras assumem os dois desafios. Como conseguistes conciliar a administração de tua empresa e a participação em entidades de classe com a atuação familiar?

Maristela – Não é fácil. Tem que ter foco, determinação e ser muito organizada para conciliar tudo. Tenho na empresa uma estrutura que respalda a minha participação em entidades, me dando todo o suporte necessário. Tenho um amor muito grande pelo que faço. Creio que isso ajuda a enfrentar os desafios que estes cargos impõem. Meu trabalho nas entidades, em prol do setor de móveis, também ajuda as nossas empresas, pois na minha visão, não é simplesmente uma empresa, ou um setor, é parte da minha vida. Comecei a participar das atividades nas entidades quando minhas filhas já tinham idade e responsabilidade para não precisarem da constância da mãe. Criei elas para serem independentes, para serem do mundo e, ao mesmo tempo, responsáveis com o meio e a sociedade em que estão inseridas. E observo que acertei… quando as vejo profissionais competentes, centradas, mães amorosas e zelosas com seus filhos. Por outro lado, meu marido sempre foi um grande companheiro e incentivador dessas escolhas e isso, com certeza, fez a grande diferença. Isso muito me orgulha, pois vejo que hoje as mulheres têm um papel fundamental no mundo globalizado, quer por sua força, competência, determinação e foco, quer pela aliança que construímos com nossos colegas e parceiros na sociedade.

Integração – No mundo de negócios e na diretoria de entidades setoriais, onde ainda prevalecem os homens, chegastes a enfrentar alguma “saia justa” por ideias ou posturas mais ligadas ao emocional, forte no sexo feminino, em contraponto ao contexto racional, próprio do sexo masculino?

Maristela – No início da minha carreira realmente isso era mais premente e frequente. Como sempre trabalhei em cargos de gerência, muitas vezes lidei com situações em que homens mais velhos eram subordinados. Em decorrência havia a diferença por eu ser mais jovem e também mulher, o que gerava alguns problemas. Mas sempre procurei tratar estas questões de forma profissional e, com o tempo, a gente aprende a dar valor somente ao que merece. Nunca entendi que competência e comprometimento fossem tratados por gênero. Para mim não existe esta diferença. Profissionalmente somos colegas de trabalho e não estamos aqui para competir e sim para aproveitarmos as melhores competências de cada um em prol dos melhores resultados. Eu sou uma pessoa muito emotiva com a minha família, com meus amigos e com as pessoas que eu gosto, mas profissionalmente sou muito racional, objetiva e determinada. Sou uma prova do novo mundo que estamos vivendo. Foram homens que lideram o setor e também as entidades, que me escolheram e me indicaram para os cargos que assumi e que continuo dando a minha contribuição. Cargos que honro com o meu trabalho e dedicação.

Integração – Quantos polos moveleiros existem no Brasil e quais são seus diferenciais?

Maristela – São basicamente 17 grandes polos moveleiros, localizados em Bento Gonçalves (RS), Lagoa Vermelha (RS), São Bento do Sul (SC), Chapecó (SC), Arapongas (PR), Curitiba (PR), Grande São Paulo, Votuporanga (SP), Mirassol (SP), Valentin Gentil (SP), Ubá (MG), Belo Horizonte (MG), Grande Rio de Janeiro, Linhares (ES), Recife (PE) e Fortaleza (CE). São polos com perfis distintos de móveis, tecnologias, inovação e design, mãode-obra aplicada, plantas industriais e que, em síntese, produzem dormitórios, sala de jantar, sala de estar, estofados, modulados, escritórios, colchões e outros.

Integração – Quanto por cento das empresas de móveis do Brasil trabalham exclusivamente para o mercado interno e quantas exclusivamente com o mercado externo?

Maristela – A maioria das empresas brasileiras está voltada para o mercado interno – cerca de 80%, por ser um mercado grande, de domínio e conhecimento dos fabricantes e das necessidades dos consumidores. Para as empresas acima de 30 funcionários, o índice de exportadores é de 20%, o que nos mostra um total de quase 800 exportadores de móveis no país – regular ou ocasional. Abaixo de 30 funcionários, a ocorrência de exportadores é de quase 0%.

Integração – A fórmula do setor moveleiro é o Associativismo?

Maristela – Acredito muito no Associativismo como o diferencial para as indústrias e os setores produtivos e sempre dei o melhor de mim por esta causa. Trabalho com muita dedicação, transparência e profissionalismo, contribuindo para o fortalecimento da cadeia produtiva de madeira e móveis e do setor como um todo.

Maristela

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