Por que devemos invadir a Venezuela?

Por Daniel Poletti, graduando em História

Era março de 2003. Eu estava em frente à televisão, impaciente com o que via. Há menos de dois anos, em 2001, estava em frente ao mesmo aparelho. Atônito com o que parecia impossível. As torres gêmeas vinham ao chão.

Em 2003, uma coalizão liderada pelos Estados Unidos, invadia militarmente o Iraque. Apesar da contrariedade de organizações como a ONU e a OTAN, violando assim normas internacionais, além do aviso dado por grandes nações como a Alemanha e a França, de que a invasão seria um erro, nada foi capaz de aplacar a ira dos norte-americanos.

Por qual razão o Iraque foi invadido? A operação, conhecida como “Operação Liberdade do Iraque”, tinha como objetivo derrubar o governo de Saddam Hussein. O motivo foi que para além da acusação de que ele apoiava a Al Qaeda, grupo terrorista acusado pelo ataque as torres gêmeas, o mesmo se negava a desarmar seu suposto arsenal nuclear alegando não os possuir.

Ao fim de 21 dias, o governo estava deposto. A invasão foi considerada um sucesso. Ainda que mais de 7.000 civis iraquianos tenham morrido em decorrência, principalmente, de bombardeios aéreos da coalizão norte-americana.

Minha história seria longa, se aqui coubesse a história por inteiro. Todavia, o ponto que quero chegar reside nas linhas de outra história.

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Estamos no início de 2019. Abro o jornal e vou de encontro a uma manchete que diz que a Venezuela fechou suas fronteiras com o Brasil. Eu, defensor de um mundo livre e sem muros, sempre me preocupo quando leio notícias como esta. Agrada-me mais quando vejo uma nação abrindo suas cancelas. O motivo dado pelo governo venezuelano é o de que o Brasil se alinha com os Estados Unidos, histórico inimigo da Venezuela, ao não reconhecer Nicolas Maduro como seu e de caminhar rumo a um possível apoio de intervenção militar em seu solo. De fato, militares brasileiros já afirmaram que poderiam responder se o Brasil fosse ameaçado.

Por qual razão querem invadir a Venezuela? Para libertar o povo venezuelano da opressão de seu governante, dizem. Uma temerosa releitura da, parafraseando, “Operação Liberdade da Venezuela”. O país, mergulhado em uma estratosférica hiperinflação, vê grande parte de seu povo sem acesso as mínimas condições de vida. Ainda assim, há quem comemore as sanções ao país, na grande parte outorgada pelos Estados Unidos, que somam quase R$30 bilhões, que somente agravaram a situação dos mais miseráveis. Ou seja, ao supostamente atingir o governo, carregam uma imensa parte do povo para a miséria. Assim nossa vizinha Venezuela mergulha na incerteza do que virá.

Voltando a 2003, o que muitos não sabiam, era que em 2005, dois anos após a invasão do Iraque, o Serviço de Inteligência norte-americano, CIA, divulgaria um relatório informando que desde 1991 o Iraque não possuía nenhum programa para construção de armas nucleares. Além disso, até hoje nunca foram divulgadas as supostas provas que os Estados Unidos diziam possuir, da ligação entre a Al Qaeda e o Iraque de Saddam Hussein. Hoje se sabe que elas nunca existiram e que também pela ausência delas a ONU não autorizou a invasão militar.

Com o tempo sendo senhor da razão, teria mesmo a operação “Liberdade”, sido um sucesso? Já sabendo que as razões eram infundadas, por qual outra razão os Estados Unidos enviariam quase 200 mil norte-americanos para a invasão de um país estrangeiro?

Após a derrubada de Saddam Hussein, a instabilidade reinou no Iraque. Ondas de saques e crimes se tornaram comuns. A invasão, que diziam, seria rápida, tornou-se uma longa operação que dura até os dias de hoje. A simples invasão evoluiu para uma guerra civil onde, até o momento, meio milhão de vidas iraquianas já foram ceifadas. Há ainda o aumento substancial de grupos terroristas, além do surgimento de outros, como o conhecido ISIS.

Por fim, sabemos todos, ao menos agora, que tudo girava em torno do tema “petróleo”. Os Estados Unidos tinham a real intenção de tomar o petróleo estatal iraquiano e, se tudo corresse como planejado, privatizá-lo. Porém, isso não foi possível. Houve enorme pressão de países que compõem a OPEP e temiam a interferência e o controle de empresa norte-americana sobre o petróleo iraquiano.

Entretanto, ainda que o Iraque e seu governo democraticamente apoiado pelos Estados Unidos, seja hoje capaz de produzir até 12 milhões de barris por dia, produz apenas 3 milhões. Em outras palavras, com a oferta escassa, aumenta-se o valor do barril. E as multinacionais norte-americanas do petróleo comemoram o sucesso da verdadeira operação, outra vez parafraseando, “Operação Liberdade dos Lucros”.

Agora você já sabe onde quero chegar. Por qual razão querem invadir a maior detentora de reserva de petróleo do mundo? Sim, este é o título que a Venezuela carrega.

Em matéria publicada no último dia 21 de fevereiro, pelo jornal “O Globo”, lia-se a seguinte manchete: “Ex-diretor do FBI afirma que Trump quer guerra na Venezuela por causa do petróleo”. De acordo com o ex-diretor, Trump teria dito em julho de 2017, em uma reunião particular com funcionários da inteligência a seguinte frase: “Eu não entendo porque não estamos olhando para a Venezuela. Por que não estamos em guerra com a Venezuela? Eles tem todo o petróleo e estão na nossa porta dos fundos”.

A Venezuela precisa encontrar uma saída. Mas nenhuma delas deve passar pela ingerência de nações belicosas e com desejos de fins obscuros.

2 respostas
  1. vinicius lima
    vinicius lima says:

    não há pq perder muito tempo com esse texto, é as mesmas desculpas de sempre… mas esse trecho absurdo é apenas desconhecimento economico.

    “Em outras palavras, com a oferta escassa, aumenta-se o valor do barril. E as multinacionais norte-americanas do petróleo comemoram o sucesso da verdadeira operação”

    1. pq vc não comenta o apoio da Rússia para a venezuela, segundo maior produtor de petróleo do mundo? 2. pq o eua quer tanto tomar o petróleo se a venezuela gasta bilhões comprando nafta dos eua para refinar o proprio petroleo? 3. vc sabe que é mais caro uma petroleira americana investir na venezuela do que comprar e revender né?

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  2. elisa
    elisa says:

    Desconhecimento total: sem conhecimento de respeito aos paises e comércio exterior, mesmo que estejam em dificuldades o que é inegável, além de comer miudinho o imperialismo americano e entrar de gaiato na história.

    Responder

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