Scagliola: Particularidade histórica prestes a se perder em Tuiuty

ABANDONO

Decoração com scagliola: particularidade de prédio de Tuiuty, do município, inventariado como patrimônio histórico, está prestes a se perder

O casarão que sediava a subprefeitura de Tuiuty, distrito de Bento Gonçalves, tem uma particularidade histórica que está prestes a se perder em função do abandono do prédio, de propriedade do poder público municipal. A superfície da parede de um ambiente situado no primeiro pavimento do prédio é ornamentada com scagliola, técnica de imitação de mármore, presente na região da Serra Gaúcha apenas em residências antigas de famílias muito abastadas. O ornamento também é visto em parte da parede externa da casa. A palavra scagliola deriva-se de scaglia, italiano, “lasca de mármore”. Os egípcios, os gregos e os romanos antigos experimentaram a scagliola, mas a técnica foi desenvolvida principalmente por italianos no século XVII.

Casarão

Embora esse mármore artificial seja indistinguível do original, é realmente um emplastro colorido e lustrado. Como o mármore real, as torções e veias das escaiolas imitam perfeitamente a pedra. A escaiola, pelos seus componentes, é uma superfície durável.

Capa Mosaico e internas Mosaico (10)

Por essa e por outras particularidades, o prédio foi inventariado como patrimônio histórico da imigração italiana em 1994, em levantamento do patrimônio cultural do Rio Grande do Sul, realizado em conjunto entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Sua estrutura física é representada por três pavimentos, totalizando 454,49 metros quadrados de área construída, com pedra, tijolo e madeira.

Capa Mosaico e internas Mosaico (8)

Projeto de restauro elaborado em 2015

O casarão foi construído em várias etapas, entre 1940 e 1945, para servir de residência das famílias de Orestes Tomasi e Atílio Pompermayer. Na década de 60, começou a ser alugado para sediar estabelecimentos comerciais. Em 1979, Pompermayer permutou o imóvel com a prefeitura de Bento Gonçalves, na administração de Fortunato Janir Rizzardo (PDT). O imóvel foi adquirido para sediar a subprefeitura de Tuiuty. Serviu também como residência para o subprefeito, correio, central telefônica e posto de saúde. O administrativo da subprefeitura de Tuiuty trocou de endereço na gestão de Alcindo Gabrielli (PMDB), exercida de 2005 a 2008, mediante a precariedade do casarão, que ficou à mercê.

Capa Mosaico e internas Mosaico (7)

Em 2015, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Bento Gonçalves (IPURB) elaborou um projeto de restauro para o casarão, na época orçado em R$ 580.696,57. O projeto, sem previsão de início de execução, hoje orçado em R$ 1 milhão, mantém as características externas da edificação e resgata o seu uso como sede da subprefeitura de Tuiuty. Também propõe a criação de auditório e espaços para atividades anexas, como o escritório da Festa da Colheita, promovida pela comunidade.

Paredes de ambientes do casarão que sediava a subprefeitura são decoradas com scagliola imitando mármore, ornamento de época para imóveis de alto padrão

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