Setembro!

Ancilla Dall´Onder Zat

Professora ancila@italnet.com.br

O incêndio que recentemente atingiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, fato lamentável, mas previsto, chamou a atenção dos brasileiros para um bem maior, o “nosso patrimônio histórico”, que guarda a memória da nossa identidade cultural. Assim como os pais procuram ensinar aos seus filhos os costumes e as tradições da família, que guardam suas origens, um povo também procura a transmissão intergeracional para que não se percam as raízes.

Cada país adota uma língua pátria falada pelos seus habitantes, os filhos da pátria, que pelo idioma escrito e falado mantém o elo de ligação nacional. Algumas variações podem ocorrer, como no sotaque, da língua culta para a coloquial ou popular. No italiano temos os dialetos derivados dos diferentes contextos de origem e locais. Entretanto, os descendentes dos italianos guardam em sua cultura o “Talian”. Mas falar e escrever corretamente a língua pátria, no nosso caso, a Língua Portuguesa, é, antes de mais nada, um gesto de amor à Pátria.

Aliás, o amor à pátria é também amor à cultura e à tradição de um povo, que não se expressa apenas na Semana da Pátria, mas cotidianamente, cada um fazendo a sua parte pelo bem comum. Nosso país é rico em diversidade cultural, colonizado pelos portugueses, habitado por índios de diversas tribos, recebeu os africanos, os alemães, os italianos, os poloneses e de muitos outros países, inclusive no pós-guerra da Segunda Guerra mundial. Recentemente, vieram os haitianos, senegaleses e estão chegando os venezuelanos. O Brasil e um país acolhedor e rico culturalmente. Apesar da variedade de costumes e de idiomas, a convivência sadia respeita as manifestações culturais de cada povo, inclusive que a tradição gaúcha se expresse de forma significativa. Não me refiro apenas às manifestações que ocorrem na Semana Farroupilha, mas a todo um cenário conservado, como é o caso de Piratini, que respira história, uma história bem conservada. E o que dizer do Castelo de Pedras Altas?

O Estado respira cultura tradicionalista nos CTGs, nas cavalgadas, na referência aos seus ícones, como o que perdemos recentemente, Paixão Cortes, compositor, folclorista, radialista e pesquisador da cultura gaúcha.

Como se percebe, setembro é um mês especial, evidencia a Pátria e a cultura gaúcha em especial. Lamento não ter podido visitar o Museu Nacional quando realizei curso de pesquisa para orientadores de estudos monográficos na UFRJ, mas, em compensação, guardo com carinho o nascimento do Museu do Imigrante, em 1965, no Mestre Santa Bárbara. É a nossa história!

Enfim, setembro nos brinda com uma nova estação: a Primavera.

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