Vale do Buratti: História e Vida

Livro reúne histórias e depoimentos de moradores da comunidade

No próximo dia 20 de janeiro, será lançada o livro “Vale do Buratti: História e Vida”, uma obra de histórias coletadas e organizadas pelas palavras de Nelson e Claudino Piletti e traduzidas pelas fotografias de Luciano André Lemos. O evento de lançamento ocorrerá no salão da comunidade do Burati, a partir das 19 horas. A obra terá 256 páginas e cinco capítulos com histórias, depoimentos e colaborações de mais de 30 representantes das famílias que residem na localidade. Hoje, cerca de 100 pessoas residem no Burati. “Uma característica fundamental é a coletividade da obra. Todas as famílias da comunidade estão dentro do livro, pessoas que antes nunca escreveram para fins de publicação contribuíram para a obra”, destaca Piletti. Em Bento Gonçalves, será realizado o segundo lançamento às 19 horas da terça-feira, 23 de janeiro, na Dom Quixote Livraria e Cafeteria.

BURATTI livro

Pelo Rio do Buratti

Vale do Buratti começou a ser escrito por Nelson Piletti ainda em 2015, transcrevendo uma série de entrevistas gravadas com personalidades locais durante anos antes, a fim de preservar as lembranças e as histórias. Entre o conteúdo abordado, “Histórias do Buratti” escritos por João Adelino Tonelo, “O Moinho” escrito por Marino Giusti e “Geraldo Bellé e suas histórias” – contos engraçados do cotidiano buratense, escrito por Volmir Bellé.

Burati poço nelson

“Lembro de quando eu tinha seis anos e minha mãe lavava roupa no rio do Buratti, e eu ficava brincando bem no meio do rio, no pocinho, como a gente chama”. Num sábado de janeiro de 2017, Nelson e Luciano foram a procura dos fragmentos da infância. Uma das paradas foi no Rio Buratti. “Ele entrou naquele rio e sabia exatamente onde estava pisando. Naquele dia eu vi o Nelson voltar a ser uma criança”, afirma Lemos. Segundo Piletti, como na época não tinha outro meio de conservar e refrigerar os alimentos, entre eles carnes e bebidas, eram colocadas no meio do rio para mantê-los fresquinhos. “Era típico da região”, destaca.

Após 65 anos de vida, para Piletti, lembrar da infância é “reviver experiências”. No mergulho ao passado, entre os materiais e objetos antigos encontrados nos galpões e nas residências da família e de vizinhos, um caniz, espécie de armadilha para pesca. O objeto era típico da época e era seguidamente usado para garantir os pescados da família, segundo o ex-morador.

burati caniz

Outro objeto é a Slitta, que em italiano significa trenó, um meio de transporte comum da época. Construído com troncos de árvores e galhos cortados, pregados e montados para sustentar cargas medianas, era preso à um gancho ligado às cordas do cavalo, que a puxava. A Slitta era muito usada na colheita da uva, transportando as cestas com a fruta, além de carregar o pasto para alimentar as vacas.

burati slitta

Obra independente financiada por recursos privados

Durante o mês de novembro de 2017, Piletti, que hoje mora em Florianópolis, passou 15 dias hospedado em Bento Gonçalves junto ao amigo Luciano, para realizar a captação de recursos e para finalizar o conteúdo destinado ao livro. Só para as despesas com a gráfica, era preciso R$ 27 mil. A obra teve financiamento totalmente privado, vindo de pessoas físicas residentes e ex-moradores da região e de empresas locais. “É um trabalho por real amor ao tema. É um tributo a essa terra e a todas as pessoas que nela viveram”, destaca Piletti.

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