Patas e Focinhos

Integração na rede de apoio a animais abandonados ou vítimas de violência

Por Natália Zucchi

Na última edição de 2017 do Jornal Integração da Serra iniciamos uma série de ações voltadas à conscientização sobre a responsabilidade das pessoas com os animais domésticos e rurais, entrevistando a próxima relações públicas da ONG Patas e Focinhos, Simone Lunelli.

No decorrer de 2018, faremos mais entrevistas, reportagens e artigos, tanto para os exemplares físicos como para as redes sociais do veículo, destacando informações relevantes no cenário atual, no qual o bem-estar dos animais é garantido pela lei federal de crimes ambientais nº 9.605, de 1998. Conforme o artigo 32 dessa lei, é crime praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A pena é detenção de três meses a um ano, e multa. Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorrer a morte do animal.

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A ONG Patas e Focinhos, de Bento Gonçalves, desde 2012 atua no município no resgate e realocação de animais em vulnerabilidade, principalmente os que sofrem abandono e maus tratos. Atualmente, 12 pessoas trabalham na ONG como voluntárias. A partir de janeiro de 2018, a organização será coordenada pela vendedora Simone Lunelli, que hoje atua como voluntária.

Integração – Qual é o seu plano de ação para a ONG após assumir a coordenação?

Simone – O termo de adoção será mais rígido para preservar o bem-estar e a saúde do animal. Reforçaremos junto à comunidade de Bento Gonçalves a informação de que maltratar animais é crime. Uma série de informativos físicos e virtuais serão distribuídos no município e estaremos cobrando mais fortemente do poder público leis mais severas para o abandono e maus tratos. Não podemos deixar que situações cruéis e extremas, como o caso do cachorro que foi enterrado vivo, continuem acontecendo sem represálias.

Integração – A ONG se mantém como?

Simone – Por ser uma Organização Não Governamental, a Patas e Focinhos não recebe apoio financeiro do poder público, seja ele municipal, estadual ou federal. A ONG depende de doações de pessoas físicas e jurídicas para manter sua atuação no municí- pio. Muitas pessoas acham que ONG é um órgão público, com dever de atender a todo tipo de chamado e de custear qualquer procedimento. A equipe da Patas e Focinhos é formada por voluntários que dispõe do seu próprio tempo para ajudar a causa animal. É mantida com doações da comunidade, a maioria de pessoas físicas, uma vez que poucas empresas se sensibilizaram com a nossa causa até agora. Também arrecadamos dinheiro em pedágios e vendas de produtos, revertido ao atendimento veterinário e a gastos com alimentação, enquanto o animal estiver sob o cuidado da ONG. Hoje, o que mais faz falta para a Patas e Focinhos é um veterinário disponível para atender 24 horas, a valores acessíveis.

Integração – Por que a ONG acomoda gatos e cachorros para adoção em lares temporários?

Simone – A organização não possui nem sede nem canil, por isso a necessidade de lares temporários para abrigar os cães e gatos resgatados. Nosso único ponto de referência é uma página no Facebook. As pessoas precisam entender que somos pessoas comuns, com poucos recursos. Muitas vezes somos julgados por não conseguirmos atender todos os chamados. Nossa equipe é reduzida, precisaríamos de no mínimo 30 voluntários, e estamos priorizando casos em que a vida do animal está em risco.

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Integração – Nos casos de resgate de animais em risco, o que mais chama a atenção?

Simone – Em muitos casos de resgate, pessoas comuns vestem a camisa da causa e conseguem, na própria comunidade, alocar o bichinho em um novo lar e encontrar recursos para os tratamentos necessários. Já outras querem transferir imediatamente a responsabilidade pelo animal à ONG. Mesmo que tenham boas intenções, o comodismo de algumas pessoas dificulta nosso trabalho. Nós entendemos que nem todos possuem recursos, tempo livre e espaço para cuidar de um animal, mas atitudes pequenas no momento do resgate podem ser o diferencial para o futuro desses cachorros e gatos abandonados ou vítimas de maus tratos.

Integração – Como a ONG administra indicações de recolhimentos de animais nas ruas ou em locais onde estão sendo maltratados pelos donos?

Simone – Os animais só são recolhidos se houver um lar temporário, seja pela própria pessoa que o encontrou, por algum voluntário ou outro interessado em ajudar. Hoje estamos muito carentes desses lares e precisamos de mais espaços para abrigar os bichinhos. Não há critérios fixos para ser lar temporário, basta ter boa vontade, espaço suficiente para receber o animal em segurança, com o básico para mantê-lo. A única restrição, de um ano, é para lugares onde estiveram animais com a doença cinomose, para evitar que ocorra novo contágio. A ONG fornece todo suporte necessá- rio para manter o animal no lar temporário, mas não é responsável por custear despesas de animais que já têm dono.

Integração – Há muitos casos de cachorros perdidos em que populares entram em contato com a ONG. O que os proprietários de cães com possibilidades de se perderem devem fazer?

Simone – É indispensável aos cães terem coleira de identificação com o nome e número do telefone do dono para contato. Isso resolveria 60% dos casos de animais perdidos no município. Também ressalto a importância da cirurgia de castração, não apenas para a evitar a reprodução, mas, também, para prevenir doenças. A ONG exige do novo dono, antes de liberar a adoção, que seja feita a castração, principalmente se for fêmea.

Integração – Nos doze meses de atividades da ONG em 2017, cerca de quantos foram atendidos, entre gatos e cachorros?

Simone – Em levantamento realizado no último dia 15 de dezembro, recolhemos 64 cães e 90 gatos. Destes, foram doados 54 cães e 77 gatos. Durante o período também apenas três cachorros resgatados não sobreviveram.

Conta para doações:
Banco do Brasil
Agência 0181-3
CC: 74908-7
CNPJ: 18483041/0001-41

Clique aqui e entre em contato com a ONG PATAS E FOCINHOS através do Facebook

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