Doenças de início de ciclo da Videira

VideiraNesta época do ano começam as brotações da videira e, por esse motivo, alguns cuidados são necessários para a prevenção de doenças. Antes de mais nada é imprescindível que seja feita a diagnose correta para que se consiga um controle eficaz do patógeno.

No início do estádio vegetativo, as principais doenças que acometem a videira são a Antracnose (“varola” ou “olho de passarinho”) e a Escoriose. Ambas possuem sintomas semelhantes. Muitas vezes, o agricultor confunde essas doenças e acaba fazendo o controle errado, não erradicando a doença e prejudicando a planta.

A Antracnose pode causar danos na produção do ano e também comprometer as safras futuras, estragando as brotações e galhos novos. O patógeno ataca todas as partes verdes e jovens da planta que possuem tecidos mais suscetíveis do início da brotação até o início da maturação dos frutos, o que deprecia o produto. O fungo da Antracnose causa prejuízos com temperaturas na faixa de 15° a 18°C, primaveras úmidas, com chuvas abundantes e ventos frios. Nas folhas, aparecem pequenas manchas castanho-escuras no limbo, pecíolo e nervuras, na ponta dos ramos e dos brotos novos aparecem cancros profundos e dão a impressão de queimadura. Após o desenvolvimento dos cachos, o ataque pode ocorrer no pedúnculo e nas bagas, aparecendo lesões arredondadas, necróticas e deprimidas, dando aspecto de olho-de-passarinho.

O fungo da Escoriose ataca tecidos jovens da videira, incluindo ramos, folhas, flores, ráquis e frutos. A temperatura ótima de infecção é de 23°C e com água livre ou 100% de umidade relativa. O fungo sobrevive durante o inverno em ramos, ráquis e no interior de gemas e na primavera reinicia o ciclo da doença. Períodos prolongados de chuva no início da primavera, quando as brotações estão emergindo, são favoráveis a infecção. Se o frio e a umidade se prolongarem, o patógeno pode prosperar e a infecção se espalhar causando epidemia. O patógeno tende a se propagar dentro do vinhedo e não de um vinhedo para o outro e a disseminação a longas distâncias é causada pelo transporte, material de propagação ou mudas infectadas. Os sintomas característicos surgem nas bases dos ramos do ano, geralmente até o terceiro ou quarto entrenó, no início da brotação e se apresentam na forma de crostas ou escoriações superficiais de cor marrom-escura ou na forma de lesões alongadas longitudinais.

O controle da Antracnose pode ser feito seguindo as seguintes recomendações:

– Evitar plantio em baixadas úmidas, ventos frios;

– Pomar com boa insolação e arejamento;

– Eliminar da parreira ramos com cancro (enterro, compostagem);

– Utilização de quebra vento;

– Utilização de cultivares resistentes (Concord, Isabel);

– Tratamento de inverno com calda sulfocálcica (cuidar com as variedades suscetíveis ao enxofre como a Concord e Bordô) e calda bordalesa;

– Controle químico no estádio 5 (ponta verde) até 35 (início da maturação) – repetir o tratamento com a ocorrência de condições favoráveis;

O controle da Escoriose pode ser feito seguindo as seguintes recomendações:

– Pomares com boa orientação solar (leste-oeste), aeração e evitar baixadas úmidas;

– Realizar a poda verde;

– Retirar o material infectado do interior do vinhedo;

– Tratamento de inverno com produtos à base de enxofre e cobre);

– Utilização de fungicidas no estádio 5 (ponta verde) e no estádio 7 (primeiras folhas separadas).

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