Alteridade: a visão do outro

ancilaAncila Dall´Onder Zat

Estava participando de um seminário de pesquisa qualitativa, quando tive contato pela primeira vez com o termo. Um tanto distraída anotei literalidade, mas a colega ao lado advertiu-me que era “alteridade”.

Fui ao dicionário Aurélio: “caráter ou qualidade do que é outro”. A explicação não era suficiente, porque pensava que outras palavras também tinham algo a ver “com o outro”, como solidariedade, bondade, piedade, amizade… pois não existiriam sem o outro. Mas, não poderia generalizar com a simples dedução. Por isso, prossegui na busca de significado no Aurélio (1ª ed., p.75). Para surpresa, não encontrei o vocábulo, entretanto explicava o significado de “alter ego”, no latim “outro eu”, ou seja, “amigo íntimo no qual se pode confiar, tanto como em si mesmo”.

A busca de outras fontes remeteu à Antropologia, que estuda “o homem inteiro” em todas as sociedades de forma contextualizada e salienta a importância da palavra “alteridade”. Todavia, a Antropologia, por estudar o Homem em sua plenitude e os fenômenos que o envolvem, é considerada a ciência da alteridade. Laplantine (2007), em sua obra, destaca a descoberta da alteridade, ou seja, a relação que nos permite identificar nossa pequena província de humanidade com a humanidade e, ao mesmo tempo, reconhecer o “outro” como semelhante, embora distinto com suas características peculiares. Ainda, a alteridade é distinta da empatia que “é identificar-se totalmente com o outro”.

Cortella (2015) refere-se à “capacidade de ver o outro como outro, e não como estranho”. Como somos para nós e para os outros? O autor exemplifica a arrogância como a incapacidade de alguém ter a visão de alteridade. Relaciona a arrogância e a ganância nessa perspectiva, explicando que a pessoa ambiciosa é a que quer mais, enquanto a gananciosa quer mais só para si.

Voltando ao termo, li que alter significa “o outro” e alius indica “o estranho”, termos que possibilitam entender o significado de: alienado, alheio, alien, alienígena, forasteiro e/ou estrangeiro para aquele que não é como nós ou assim considerado, evidenciando a não alteridade. A palavra também nos remete à filosofia de Platão, à lógica de Hegel e ao existencialismo do século XX.

Enfim, retornando ao caderno de anotações do Seminário de Pesquisa, observei ter escrito ao lado da palavra “alteridade”: a chegada do outro, fator humano e social, reconhecer-me também! Esta é a minha visão de alteridade!

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