O Papel dos Pais por Karin Milani Zottis

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Psicóloga, Psicoterapeuta, Pedagoga

Em agosto, estamos nos aproximando de uma data tradicional que homenageia os pais. Como nossa sociedade percebe, hoje, o papel familiar do pai?

As inúmeras situações de abandono de lar pelos pais, deixando mulheres e filhos à mercê da vida, têm contribuído para que nos perguntemos a respeito. Nas escolas, a preparação para as comemorações pelo Dia dos Pais levam a situações constrangedoras, pois muitas crianças não têm um pai presente a quem homenagear ou não conheceram seus pais, caindo em comoção quando percebem sua condição de abandono físico e emocional. Felizes as que contam com outras figuras masculinas para substituí-lo ou com pessoas que conseguem exercer o papel paterno.

Talvez, a falta de consciência por parte dos pais a respeito da importância de seu papel, também seja uma causa deste afastamento da família. A incompreensão sobre as particularidades do processo de gesta- ção, o ciúme da relação mãe/filho (a) em seguida ao nascimento, a perda da atenção exclusiva da mulher para si, o acúmulo de responsabilidades, a inexistência de um bom exemplo de paternidade, enfim, a falta de preparo emocional e de informações, pode contribuir para o afastamento dos pais do seu meio familiar.

Pai? Para quê? – esta pergunta amarga é o que resta ao final… junto ao abandono, para filhos, famílias e pais.

Porém, felizmente, paralela a estas situações, existe uma via bem mais colorida, amorosa e possível, para uma parte considerável das famílias, que com amor e apego, conseguem respostas para esta pergunta.

Temos muitos exemplos de pais dedicados, que dividem as tarefas de cuidado de seus filhos com as mães (em casos extremos, tomam seu lugar), que dedicam tempo, presença, afeto, preocupação, que partilham momentos inesquecíveis e impagáveis com seus filhos, em todas as idades. Chegamos a brincar, dizendo que são “pães” (pais/mães)!

Nós todos, que tanto tememos as questões relativas à violência e drogadição, cabe lembrar que não é na adolescência ou na idade adulta que se começa a prevenção, mas na infância, sob o exemplo de correção, com a força da paternidade.

Papel de Pai? Fundamental! Construir e apoiar a construção de fundamentos, de alicerces para a vida de seus filhos, com presença e amor.

Como? Basicamente, assim:

  •  Na gravidez, ajudar a cuidar e oferecer condições, tanto materiais quanto emocionais, para que a gestação ocorra em segurança e com tranquilidade, tão necessárias à mulher e ao bebê;
  •  Nos primeiros momentos e meses de vida do filho (a), em que a natureza exige esta união tão íntima mãe-bebê, dar suporte material e especialmente emocional à dupla mãe-filho (a), no momento especial e fundador da saúde mental e física, bem como a outros filhos, se houver ( ser a “placenta” das primeiras relações mãe-filho);
  • Colocar-se entre mãe e filho (a), a seu tempo, mostrando, especialmente ao bebê, que existe um mundo maior e com muito mais elementos a considerar, que também inclui o pai, a família, a sociedade e auxiliando a dar limites, para a fundação da personalidade;
  • Acompanhar o crescimento e amadurecimento dos filhos, amando, educando, sendo exemplo e porto seguro.

Receita de paternidade?!! Não, é claro que não… mas podemos crer que nestes 4 itens as palavras carregam muitos significados fundamentais!

O especial neste processo, é que todo o investimento, as boas vivências e mesmo as mais difíceis, contribuem para o amadurecimento humano, experiência de que o pai fica privado, quando abandona os seus. A distância priva do amor, da admiração e da gratidão que podem receber de seus filhos e da família!

Nosso mundo dá sinais de que sente falta da função paterna. Não conseguimos perceber limites para as ações humanas, por todos os lados o desrespeito ao próximo, a si mesmo e às leis e normas de convivência.

É fundamental para o futuro da sociedade, que o exemplo de pai ensine aos garotos a como serem os melhores pais que conseguirem ser, os melhores cidadãos e seres humanos. Além disso, por gratidão, os filhos tendem a devolver aos pais aquilo que aprenderam com eles… vamos ensiná-los a amar e a cuidar, pois, de alguma forma, eles serão os nossos cuidadores, com o avanço do ciclo da vida.

Fica um chamado aos pais para que percebam a importância e exer- çam seu papel com orgulho e na certeza de que podem contribuir para um mundo melhor, mais feliz e justo, dentro e fora dos lares, hoje e no futuro.

Felicidades aos pais e a todos que exercem o papel de pais!

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