Vinho “laranja” feito à base de uva peverella: anárquico e cultural

“Para mim o vinho continua sendo, como entendia Galileu Galilei, humor líquido e luz”. A afirmação é do enólogo poeta Luís Henrique Zanini, da Vallontano Vinhos Nobres, do Vale dos Vinhedos, que foi um dos entrevistados pela sommelier argentina Cecília Aldaz para a série “Um brinde ao Vinho”, da Globosat. Cecília Aldaz, que está viajando pelo Brasil e outros países da América Latina em busca dos melhores vinhos, entrevistou Zanini em função do lançamento do “vinho laranja” no Brasil.

Luis Fernando Zanini vinho coloridoZanini comenta que a ideia de elaboração de vinhos com essa tonalidade surgiu no ano 2000, tomando forma através do “projeto peverella” que, em 2008, resultou no lançamento da linha Era dos Ventos. Acrescenta que os vinhos artesanais da linha são elaborados com as uvas brancas peverella e trebiano. “A cor laranja é resultante do processo de maceração, feito com mais intensidade, vinificando-as como se fossem tintas, e do período de maturação de, no mínimo, dois anos”, explica.

A produção anual da linha, de cerca de 600 garrafas cada variedade, está sendo comercializada nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a valores acima de R$ 100,00 a unidade. A recomendação é que, por serem picantes, sejam harmonizados em refeições.

“Esses dois vinhos da Linha Era dos Ventos são anárquicos, por não se enquadrarem na tendência atual”, define o enólogo. Ele complementa que, além disso, a utilização da uva peverella para a elaboração de vinho é um resgate cultural. “Seu plantio foi introduzido na região da Serra Gaúcha no final do século 19, por imigrantes das regiões do Trento e do Vêneto, do Norte da Itália. Até a década de 70, ela foi muito utilizada pela indústria vinícola nacional como base para vinhos brancos e espumantes”.

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