Homenagem ao Dia do Colono: Com vitivinicultura e enoturismo, Família Vaccaro recebe turistas

Reportagem: Natália Zucchi | Edição: Kátia Bortolini

Propriedade situada no Roteiro Estrada do Sabor cresceu com seus familiares fazendo o que dominam bem: receber pessoas

materia capa (1)A Família Vaccaro, da comunidade de Santo Alexandre, agregou enoturismo a vitivinicultura e hoje é um dos destinos mais procurados do roteiro Estrada do Sabor, de Garibaldi. Grupos de turistas, sob reserva antecipada, são recebidos na residência de Augusto Vaccaro pelo filho Francisco e pela nora Natalina para almoços e piqueniques, com pratos da gastronomia típica da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Os visitantes costumam passear pelo local em trilhas da propriedade ou em visita a cantina, situada nas proximidades.

A produção de uvas e vinhos iniciou com Francisco Vaccaro, conhecido como Guerino, com a elaboração de vinho comum para consumo familiar. Vendo que sua produção aumentava, o nono Francisco, em 1953, decidiu construir sua própria cantina e, com o passar do tempo, registrou-a como Vinícola Vaccaro e Cia Ltda. Atualmente, a empresa também elabora vinhos finos e espumantes. A produção é comercializada para turistas, em feiras e eventos e em pontos de vendas da região e da grande Porto Alegre.

A produção vitivinícola aliada a rota turística Estrada do Sabor, inaugurada em 2001, garante trabalho para a família de Francisco Vaccaro, conhecido como Chico, e para a de José Vaccaro. Chico e a esposa Natalina trabalham diretamente com o turismo e a gastronomia. A atividade conta com a participação da nova geração representada pelos irmãos Vinicius e Willian e o primo Diego, filho de José. Vinicius é formado em Administração, Willian em Enologia e Diego, em Turismo. Já José lida tanto nas parreiras como na vinícola, em várias frentes. Nos últimos cinco anos, os sócios investiram na reforma da sede da empresa e em novos varietais.

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materia capa (13)O nono Augusto Francisco, pai de Chico, recebe os turistas na propriedade com passeio regado a histórias e lembranças da família. Além da boa conversa, ele leva os turistas para visitar o “museu do nono”, espaço no porão da casa com pertences históricos. Natalina comanda a cozinha com o apoio da sogra Maria, responsável pelo toque caseiro muito procurado pelos turistas. Os eventos são regados a vinho e suco de uva à vontade para acompanhar as mais tradicionais receitas da família, entre elas o frango recheado assado no forno a lenha, localizado no terreno da propriedade. Eles recebem grupos entre 10 e 45 pessoas, durante a semana e também no final de semana, somente mediante reserva. “A família não pode ficar sobrecarregada. Precisamos ter nosso próprio tempo para garantir boa recepção aos grupos, porque o atendimento é primordial. Além disso, gostamos dos pequenos grupos. Nos tornamos mais íntimos”, afirma Natalina.

Para eles, o turismo já fazia parte da vida antes mesmo do empreendimento. Chico conta que recebiam muitos parentes com frequência, há- bito comum das comunidades do interior. Segundo ele, isso também fez com que o recebimento dos turistas seja feito de forma natural, espontânea, como se cada um realmente fosse parte da família. “Turismo é coisa boa, só gente amiga. Eles gostam de conversar, gostam de ouvir nossas histórias, não tem vergonha de perguntar. Eu gosto muito”, comemora. Mas não só de trabalho que os Vaccaro interagem com o turismo. Chico conta que as viagens para outras cidades e outros estados sempre foram comuns. A maioria delas para visitar os parentes espalhados por Santa Catarina e Paraná, entre outros Estados. “A gente também tem que conhecer outros lugares, outras rotas. Isso é bom para a nossa qualidade de vida e também para ampliarmos nossa visão dentro do nosso atendimento”, acrescenta Natalina.

Antes era o braço e o boi

materia capa (12)O nono Augusto, que acompanhou as mudanças na comunidade e nos negócios com o passar dos anos, lembra com carinho da sua infância. Ele conta que as famílias vizinhas seguiam o mesmo padrão do interior, de colher uva e fazer vinho, e que a maioria delas foi evoluindo junto. “Antigamente a despesa era pouca. Hoje a renda aumentou, mas o custo de vida é alto. No tempo que eu era guri, o dia a dia era muito mais simples. Lembro que a gente não se importava muito com o que vestia. Íamos para a escola de pés descalços. No início da vinícola, a uva era moída com a mão. Na época, a luz vinha da parte central de Garibaldi e qualquer problema na rede deixava a gente sem luz, mas para nós era natural ficar no escuro. Hoje, se a gente fica sem luz, não faz mais nada”, analisa. Para ele, além do orgulho do passado, fica a satisfação com o presente, onde os filhos dão continuidade ao trabalho do seu pai. “Antes era o braço e o boi. Mas o que nunca faltou foi uma xícara de café cedo pela manhã. Nossa família sempre foi amiga do trabalho”.

Especial de capa

Empreendedorismo no meio rural –  Em homenagem a todos agricultores é comemorado, em 25 de julho, o Dia do Colono. A data foi instituída em setembro de 1968 pela da Lei Federal 5.496. Popularmente, a data se tornou conhecida em 1924, em função das comemorações do centenário da vinda dos alemães para o Rio Grande do Sul. A reportagem de capa desta edição do Jornal Integração da Serra homenageia a todos os que tiram seu sustento da terra gerando alimentos e riquezas para suas cidades. São quatro histórias de empreendedorismo rural, como acréscimo de rentabilidade.

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