Homenagem ao Dia do Colono: Empreendedorismo feminino na agroindústria Sabores da Montanha

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Reportagem: Natália Zucchi | Edição: Kátia Bortolini

“Eu queria evoluir, não queria ficar só na roça”. A afirmação é de Cirley Antunes dos Santos Lorenzatti, 60 anos, proprietária da agroindústria Sabores da Montanha. Moradora da Linha Jansen, interior de Pinto Bandeira, ela é mais uma, entre tantas mulheres empreendedoras, que arriscaram investir na agroindústria como forma de ampliar a renda familiar. Com o apoio do marido, Antoninho, e dos dois filhos, Moisés e Otávio, a família deu início ao novo negócio em 2008, a partir de economias pessoais e também do financiamento através do Pronaf Mulher, extensão do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), voltado às mulheres produtoras rurais.

Na propriedade, a família cultiva uva, pêssego, figo, laranja, lima, bergamota, caqui, tomate e marmelo. Com essas frutas, Cirley elabora doces cristalizados, frutas desidratadas, geleias diversas (com e sem açúcar) e molhos de tomate. Outros doces também são feitos com produtos criteriosamente escolhidos através de uma distribuidora, com abacaxi, banana, morango e maçã, não cultivados por Cirley. Os produtos são comercializados na propriedade, em feiras e em alguns estabelecimentos comerciais da região. Também são enviados pelos correios para Gramado e alguns municípios de Santa Catarina.

Das uva e pêssegos a outras variedades de frutas 

20294226_1240905049371479_3750705905107276983_nA família Lorenzatti sempre cultivou uva na propriedade de 8,4 hectares. Eles entregavam para a Cooperativa São João. Também cultivavam pêssegos, distribuídos nas câmaras frias. Segundo Cirley, a agricultura tem permanecido familiar porque há pouca mão de obra no interior. “As pessoas que vivem na nossa zona rural dependem da própria renda. A agroindústria foi uma forma de dar
oportunidade aos nossos filhos de ficarem por perto. O novo negócio trouxe o dobro de trabalho, mas fico feliz em garantir a sucessão familiar nesse ramo”, salienta ela.

Produção certificada

A marca Sabores da Montanha possui o selo estadual “sabor gaúcho” e o federal “aqui tem agricultura familiar”, certificações para produtos oriundos de agroindústrias familiares rurais produzidos artesanalmente, respeitando o meio ambiente e a legislação vigente. Para a produção, Cirlei construiu um espaço atrás da sua residência, seguindo as especificações sanitárias e técnicas exigidas. Ali, ela separa as frutas e faz a higienização e o corte.

materia de capaa (8)Algumas são destinadas às geleias, outras, para os doces e, ainda, para o forno, onde ocorre a desidratação. Nele, as frutas podem ficar entre 35 e 40 horas, a 35ºC, em média. Dentro desse horário, é preciso fazer o manejo das bandejas para melhor distribuir os pedaços de frutas. “Cada uma tem um tempo diferente. O abacaxi e a banana levam mais tempo para desidratar por terem bastante água”, explica. De todos os processos, esse é o mais tranquilo, conforme ela conta. Acrescenta que às vezes chega a trabalhar 19 horas por dia. “É puxado.
Mas eu desejo ter muita saúde para trabalhar ainda bastante tempo. É o que eu gosto”.

Merenda escolar

A agroindústria Sabores da Montanha está cadastrada no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) através do qual fornece frutas, pães e molho de tomate para o cardápio de lanches de escolas municipais e estaduais de Bento Gonçalves e de Pinto Bandeira. Previsto em lei, 30% da merenda escolar deve ser fornecida pela agricultura familiar da região, valorizando a produção local. Em Bento Gonçalves, a agricultura familiar é responsável por de 90% dos produtos utilizados na merenda escolar  da rede municipal de ensino.

Elogios e críticas

20245361_1240905116038139_2245978171016241782_nCirley participa de diversas feiras, entre elas ExpoBento, ExpointerFenadoce. Também participa de edições da Feira de Agricultura Familiar, através de instituições como Emater, Fetag e Embrapa. “Essas feiras são uma maneira de agregarmos valor aos nossos produtos, como também mostrar o que pode ser feito com frutos como o caqui. A Fenadoce, por exemplo, foi uma experiência fantástica. Feira longa, cansativa, mas valeu a pena. Público enorme. A maior parte dos nossos produtos terminou antes do fim da feira”, relata. A oportunidade serviu para divulgar o município de Pinto Bandeira, através da distribuição de dois mil panfletos. “Pouca gente conhece Pinto Bandeira. O fato de eu estar lá colaborou muito para divulgar meu trabalho e também a produção da cidade. Eu voltei com elogios e críticas para o município”, destaca.

Especial de capa

Empreendedorismo no meio rural –  Em homenagem a todos agricultores é comemorado, em 25 de julho, o Dia do Colono. A data foi instituída em setembro de 1968 pela da Lei Federal 5.496. Popularmente, a data se tornou conhecida em 1924, em função das comemorações do centenário da vinda dos alemães para o Rio Grande do Sul. A reportagem de capa desta edição do Jornal Integração da Serra homenageia a todos os que tiram seu sustento da terra gerando alimentos e riquezas para suas cidades. São quatro histórias de empreendedorismo rural, como acréscimo de rentabilidade.

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