KÁTIA – ENTRE TÓPICOS DA EDIÇÃO DE JULHO

PRONÚNCIA DO PORTUGUÊS

A reportagem de capa dessa edição do Integração é dedicada ao colono, por ocasião de seu dia, com matérias que ressaltam o empreendedorismo e a força de trabalho das famílias do meio rural da região. Antigamente, os colonos tinham vergonha de serem colonos por sofrerem bullying de moradores da cidade ao falarem misturando dialetos italianos com o português, o que resultava na pronúncia de palavras com dois erres com um erre só.

A letra da música “O Colono”, de Teixerinha, ressalta essas injustiças. Na semana passada vi um vídeo no WhatsApp com um rapaz de Bento Gonçalves se defendendo de bullying por ter passado para o grupo errado uma declaração apaixonada para a namorada, na qual falava como se fosse criança (coisas de apaixonados) com forte sotaque. Que ridículo o rapaz ter que se defender por causa de sua forma de comunicação numa terra onde a maioria das pessoas, de uma forma ou de outra, peca na pronúncia do português. As crianças aprendem a falar como seus pais e avós, entre outros cuidadores. Se eles falam errado, por também terem aprendido errado, o ciclo é vicioso. Se falar errado, com sotaque, fosse o maior de nossos males, estaríamos no paraíso terrestre.

Botas penduradas em parreirais

Em entrevista na propriedade da família Strapazzon, a repórter Natália Zucchi registrou os parreirais da família de uma forma curiosa. Neles, botas de borracha, tradicionais da lida na colônia, encontram-se em grande quantidade, penduradas nos postes que sustentam as videiras. Segundo Celso Strappazzon, seu pai, Flávio, tinha o costume de aproveitar os calçados que não serviam mais para o trabalho, como enfeite aos parreirais. Mas após ver a funcionalidade da brincadeira, passou a incluir em cada poste, uma bota. Segundo ela, as ajudam a preservar a madeira da umidade das chuvas, ampliando sua durabilidade.

BELO EXEMPLO

Adoro ser jornalista. A profissão permite entrar em contato com diversas realidades e também dá acesso a muitos resgates históricos, como a reportagem de capa desta publicação sobre a primeira Fenavinho, ocorrida há 50 anos. Ao todo, foram promovidas quinze edições do evento. Cada uma no seu perfil, com seus ganhos e perdas. Sobre as primeiras edições, eu tinha memórias de infância, agora ampliadas em função da reportagem. A primeira Fenavinho, organizada em seis meses, superou todas as expectativas, projetando Bento Gonçalves no cenário nacional. A população bento-gonçalvense, na época com cerca de 40 mil moradores, foi bastante envolvida pelo evento, tanto nos preparativos como na hospedagem e alimentação de milhares de turistas. Os visitantes tomaram o município atraídos pela divulgação da grande mídia sobre a distribuição gratuita de suco de uva e vinhos. O sucesso foi estrondoso.

Como diz uma das letras das tantas músicas de Raul Seixas: “sonho que se sonha só é só um sonho que se sonho só, mas sonho que se sonha junto é realidade”. Fica o belo exemplo de garra e organização do povo da época para as atuais lideranças e moradores locais.

 

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