As festas de junho

Por Ancila Dall Onder Zat

As folhas coloridas formam tapetes nos jardins, pomares, encostas e até mesmo nas calçadas: é o outono, que logo mais se despede e anuncia a proximidade do inverno. É o mês de junho chegando com suas festas religiosas.

A primeira delas é a de Santo Antônio, nosso padroeiro, celebrada no dia 13 não só pelos paroquianos, mas também pelos fiéis peregrinos que acorrem pela fé, devoção e graças alcançadas. Denominado de Santo Casamenteiro, atraiu para a véspera de sua festa a data dos namorados. Entretanto, a fé dos devotos atribui ao grande Santo também a recuperação da saúde e de objetos perdidos, entre outras inúmeras graças. A ele nossa devoção e homenagem, gratos por termos sido festeiros de uma de suas festas.

Poucos dias após a festa de Santo Antônio e antecedendo os festejos coloridos de São João, junho lembra o protetor dos jovens, São Luiz, que expressa a pureza da juventude.

São João também é festejado em junho. Seus festejos ocorrem na véspera de 24 de junho ou na mesma semana. Sobressai-se pela alegria das músicas, danças, trajes típicos, arraiais coloridos, fogueiras e festas nas escolas. É uma forma de reverenciar o anúncio do seu nascimento. Em meio a tanta alegria, quem resiste às delícias como pinhão, pipoca, amendoim ou quentão…

O mês encerra os festejos em 29 de junho, com São Pedro, fiel apóstolo de Jesus. A ele foram confiadas as chaves do céu, como aprendemos desde cedo. Do tempo de criança, guardamos a fé dos imigrantes e seus descendentes, entre os quais me incluo. Passei minha infância onde nasci, no distrito de São Pedro, também conhecido por Caminhos de Pedra. Guardo na memória a “Sagra”, como era chamada a festa máxima da localidade.

A festa de São Pedro consistia numa missa solene pela manhã e almoço, quase sempre em família. À tarde, havia a reza do terço, do qual participavam, principalmente, as mulheres, os jovens e as crianças.

As festividades comemorativas ao Santo padroeiro eram esperadas com ansiedade por todos, entretanto, para os jovens era a oportunidade de se reunirem com outros jovens e, quem sabe, na troca de olhares, encontrarem o futuro namorado ou namorada. Enquanto isso, as crianças brincavam sem desperdiçar um instante, era a imaginação acalentando sonhos e esperança no porvir. Tudo acontecia sob o olhar atento das mães, que conversavam entre si.

Entre os jogos oferecidos estava a pesca, o pau de sebo, do qual não cheguei a participar; as bochas e as cartas eram as preferidas pelos homens. Para o dia da festa, os cabelos e as unhas eram aparados, ganhávamos roupas e sapatos novos. O almoço em casa era melhorado. Não faltava sopa de capeletti, frango e doces. Era uma delícia! Essa era a Sagra de São Pedro vivida na fé e no aconchego da família.

Junho, pródigo na fé e na devoção, se despede após a festa de São Pedro.

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