Cachorro Grande: Turnê do novo disco Electromod em Bento lotou casa de shows

Por Natália Zucchi

unnamed (3)A banda gaúcha Cachorro Grande apresentou, em Bento Gonçalves, o show da turnê Electromod no palco do pub Ferrovia Live, na noite de 3 de junho deste ano, para um público de cerca de 370 pessoas.

O álbum e o single foram lançados em 2016 e a turnê iniciou em janeiro de 2017, passando até agora por 16 cidades brasileiras.

A banda contou, em entrevista para o Jornal Integração da Serra, detalhes sobre o novo disco com sonoridade influenciada pelo movimento mod dos anos 50.

unnamed (1)Jornal Integração da Serra: Por que o título Electromod para o novo álbum?

Beto Bruno (vocal Cachorro Grande): Porque as composições ainda são no violão, em casa, no estilo mod que era o que a gente era no início, só que com a inclusão da música eletrônica no estúdio.

JIS: Quais foram as influências para o álbum Electromod lançado em 2016?

Há uma árvore genealógica para explicar o conceito do álbum. Penso que esse tipo de sonoridade unindo o eletrônico com o rock vem desde o Rod Stewart, passando pelos discos que o David Bowie fez em Berlim na trilogia de estúdio “Low”, “Heroes” e “Lodger”, culminando no disco Sandinista do The Clash. Quando chega no britpop dos anos 90, esse som é revisto. No Brasil nunca teve banda que fizesse isso. Era uma coisa inédita aqui. A gente sempre foi apaixonado por todos esses nomes, além de Keith Moon e Depeche Mode, então tínhamos uma vontade muito forte de fazer isso, recriar esse som. De um disco para o outro a gente busca inovar, para aparecer com uma turnê diferente da outra e não se acomodar. Se o som do disco anterior deu certo, a gente não tem que repetir a mesma receita pra continuar na estrada. A gente tem que gostar de estar em cima do palco tocando essas músicas. O desafio tem que fazer parte disso.

19149387_1204167623045222_1642803758430188355_nJIS: Nesses 17 anos de história, como o público tem reagido com a mudança de sonoridade a cada disco?

BB: A cada turnê e a cada disco novo, o público se renova. Mas, ao mesmo tempo, tem aquelas pessoas que nos acompanham desde o primeiro show. É o que nos fortalece. A gente precisa desses dois públicos para continuar tocando.

JIS: Como foi abrir o show do Rolling Stones em março de 2016 na capital gaúcha?

19149197_1204167719711879_5602035203645475745_nBB: Foi a coisa mais legal que aconteceu nas nossas vidas. Mas, mesmo com toda expectativa, estávamos muito preocupados com a reação do público, porque já vimos uns 20 shows dos Rolling Stones e o público sempre pedia para as bandas de abertura acabar o mais rápido possível. Em todos os shows o que se ouvia era “saí daí que a gente quer ver os Stones”. EM TODOS. Com a Cachorro Grande não aconteceu isso. O público cantou nossa música e pediu bis. Eu vi os Titãs abrindo em São Paulo e também já vi O Barão Vermelho abrindo no primeiro show dos Stones no Brasil. Pensava em como era aquela sensação e ficava imaginando se um dia aquilo iria acontecer, então para mim não poderia ter sido melhor. Ainda parece um sonho. A gente teve uns 15 minutos de fama e foram os mais doidos das nossas vidas.

JIS: Vocês sentiram um tratamento diferente por parte do público após o show?
BB:
No Brasil, muita gente passou a nos respeitar mais. Mas a maioria das pessoas que estava em Porto Alegre assistindo os Stones naquela noite, pela menos a galera da nossa geração, muito ouviu os Stones por nossa causa, pelo nosso som. Faz quase 20 anos que a gente só fala em Beatles, Stones e The Who, e a nova geração passou a se interessar muito por nossas referências. Da mesma forma que a gente ia atrás de conhecer quem estava por trás dos sons que a gente gostava. Um exemplo foi quando eu vi o Ira pela primeira vez. O que eu pensei foi “bah, uma banda como The Who no Brasil, isso é demais”.

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