Arte do Desenho: Douglas Dias

Nossa reportagem de capa mostra a cobertura do Nerd Land em Bento Gonçalves, evento da cultura nerd e pop, ocorrido no último dia 03 de junho na UCS-CARVI. Entre os convidados do Nerd Land, alguns perfis do município e região. Abaixo, veja a reportagem com Douglas Dias.

19060196_1203426736452644_5133811311828001219_nDesenhista publicitário e gráfico, cartunista, quadrinista, caricaturista e ilustrador, Douglas Garcia Dias, 34 anos, é natural de Pelotas e há 11 anos vive em Bento Gonçalves. Seu nome artístico é apenas Douglas Dias. Assim assina seus trabalhos produzidos ao longo dos 14 anos como profissional do desenho. Focado na arte, realizou cursos livres voltados às áreas de animação, quadrinhos, aquarela e softwares para pintura, entre tantos. Hoje, está à frente do curso de desenho da Fundação Casa das Artes, além de atuar como ilustrador e auxiliar administrativo.

Jornal Integração da Serra: Desde quando desenhas?
Douglas Dias:
Já faz tempo, hehehe… na verdade nunca parei de desenhar, desde que minha família me proporcionou contato com papel e caneta. Uma criança que jamais teve uma de suas aptidões castrada, desestimulada, tende a desenvolvê- -la. Profissionalmente, penso que comecei a ganhar a vida com desenhos por volta dos meus vinte anos.

JIS: Como começou seu interesse por desenho?
DD:
Meu irmão, Fábio (in memoriam), cinco anos mais velho, também tinha a mesma aptidão. Ele se incumbia de me ensinar o que já havia aprendido sobre desenho, enquanto minha mãe nos estimulava comprando materiais para ambos. Então, aquela fase em que a criança pega um lápis de cor e um papel, passando pelas animações na TV, os quadrinhos que meu irmão lia para mim, os games que jogávamos, evoluiu até o entendimento por profissão. Meu interesse começou e continuou nessa linha temporal. As leituras de histó- ria em quadrinhos (HQ) sempre me acompanharam, hábito que também me aproximou do desenho ao reproduzir os quadrinhos com base nas minhas aptidões. Deveria ser assim nas escolas. Deveria ser assim com toda a criança.

JIS: Você têm projetos paralelos? Se sim, quais?
DD:
Sim. Atualmente tenho trabalhado bastante com a temática medieval. Também participo de uma exposição coletiva de cartuns itinerante e de uma nova parceria com Henrique Madeira, de Cruz Alta, para uma HQ de suspense, além de outra HQ autobiográfica que será coletiva com outros artistas.

JIS: De onde você tira a sua inspiração?

DD: Então, essa questão da inspiração é abordada nos meus cursos para o pessoal que pretende seguir a profissão de desenhista. Parece que enquanto estudante, experimentador, você tem mais tempo ou necessidade de divagar sobre referências e novas experiências visuais. Já quando você trabalha com clientes, projetos, prazos, é o contrário. Não há mais esse tempo e, devido à demanda de trabalho e acúmulo de experiência, também não tem toda essa necessidade. A inspiração acaba sendo o deadline mesmo. A janela do meu homework, quando aberta, dá de frente para uma parede cinza da casa ao lado da minha. Não é nada inspirador, mas o trabalho tem de ser feito.

Já nas minhas referências, tem muita gente dos quadrinhos, pintores, animadores, gente como Bill Sienkiewicz, Rod Reis, Simon Bisley, Riccardo Federici, Adriana Melo, Carlos Luzzi, Glenn Vilppu… Gente mais nova, mestres mundiais arcaicos… É bem eclética.

JIS: Qual a faixa etária principal dos teus alunos?
DD: Na Casa das Artes, atualmente, são jovens e adultos, a partir de 14 anos. Também já ministrei cursos para crianças e adolescentes.

JIS: De que forma é ministrado o curso?
DD: O nome do curso é Desenho Artístico. Então, trabalho com um pouco de tudo que serve de base para o aluno entender as experiências visuais, intelectuais e motoras a respeito do desenho. Anatomia humana, luz e sombra, perspectiva são apenas alguns dos conceitos básicos abordados. Além disso, falo de muitas outras coisas e, principalmente, das dúvidas sobre carreira e mercado de trabalho. Não posso deixar um aluno sair de um curso meu pensando em ser profissional sem ter uma ideia do que o espera lá fora.

JIS: Como você vê o interesse da população de Bento pelo curso e pela arte do desenho?
DD: Aumentando. A vinda de pessoas de fora da Serra Gaúcha para cá, a miscigenação, tem sido muito favorável para a expansão artística e a visão crítica. Há dez anos, era bem menor. Para mim era estranho ver crianças com pouco interesse em história em quadrinhos, por exemplo. Hoje já temos eventos nerds como o Nerdland, Ilustra’s Stock que celebra o Dia Mundial do Desenhista, a busca por cursos de arte, tanto na fundação como com os professores Micael Biasin e Marjori Vaccari. Temos grupos de desenho no Facebook. Estamos em expansão e isso é ótimo!

JIS: Há anos você participa do Encontro de Cartunistas Gaúchos (Cartucho) em Santa Maria?
DD: Participo desde 2014, ano em que fui convidado pelo organizador do evento, professor da UFSM e cartunista Máucio Rodrigues. É bem legal, reúne desenhistas de vários municípios do Estado. Rimos muito por conta do universo do cartum. Tem que fazer o cartum temático do ano, que só é revelado no último dia em exposição, o que sempre dá um frio na barriga. O evento é fantástico, encontro muitos mestres por lá. Procuro sempre participar de atividades e conversar com o público, fazendo o meu melhor.

JIS: Algo a acrescentar?
DD: Sim. Seguem informações que pode ser úteis para desenhistas que queiram se juntar para trocar ideias e experiências. Os grupos do Facebook abaixo citados foram criados por mim para unir o pessoal e difundir o grafismo.

Seguem os links: Desenhistas Bento Gonçalves https://www.facebook.com/ groups/1414591142185334/ Grupo de Estudos Bento Gonçalves e Região https://www.facebook.com/ groups/1711476929096446/

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