21 de abril, Dia do Metalúrgico

Élvio

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico, Élvio de Lima,  que representa cerca de 14 mil profissionais da categoria de 18 municípios da região nordeste do Rio Grande do Sul, comenta sobre algumas das temáticas presentes na pauta metalmecânica.

O Dia do Metalúrgico, neste ano, vem acompanhado de muita apreensão para os trabalhadores do setor. Quais os principais fatores que preocupam os profissionais?

Elvio de Lima: Não só os metalúrgicos, mas os profissionais de todos os segmentos estão bastante apreensivos com a possibilidade de aprovação das reformas Trabalhista e Previdenciária, propostas pelo Governo Federal. Estamos severamente preocupados com essa alteração constitucional que é danosa para todos os cidadãos. No caso da reforma Previdenciária, as maiores prejudicadas serão as mulheres, que terão aumento de 10 anos para se aposentar (no caso delas, a idade mínima passará de 55 para 65 anos). Já a reforma Trabalhista tira direitos legalmente conquistados e firmados na CLT, enfraquece o profissional e isola o Sindicato de suas funções de defender aqueles que representa. É um retrocesso sem tamanho. Não podemos aceitar passivamente essa agressão. As pessoas precisam assumir seu papel na sociedade e protestarem contra essas reformas, que terão impacto negativo não só sobre elas, mas também para seus filhos e netos. É necessário agir agora para impedir a aprovação de uma proposta que em nada beneficia o trabalhador.

Como o setor reagiu diante de outra questão polêmica, que foi a aprovação da Lei da Terceirização?

Elvio de Lima: A aprovação do projeto que libera a terceirização geral causou grande revolta pois é uma afronta aos direitos conquistados pelo trabalhador e garantidos pela CLT. Com esse retrocesso, os profissionais ficam desamparados na relação com o empregador e socialmente desprotegidos; perdem propriedade na hora de negociar salários e condições dignas para exercer suas atividades, ficando à mercê de um mercado sem regras. Além disso, a medida submete o trabalhador a uma situação de insegurança permanente com relação ao seu futuro. A consequência mais séria dessa decisão é a precarização da mão de obra. De forma alguma teremos, com essa medida, os alegados incentivos à geração de emprego e movimentação da economia – muito pelo contrário. A aprovação dessa medida abre precedente para enfraquecer os direitos conquistados pelos trabalhadores de todas as classes e subjuga-los às mais nocivas condições de exercício profissional, com total desamparo da lei.

De que forma o movimento Sindical tem se posicionado diante dessas problemáticas?

Elvio de Lima: A O movimento sindical nacional está fortemente mobilizado, engajando os cidadãos em diversas frentes de protesto e na interlocução com a presidência da república, na esperança de reverter esse passo desastroso. Aqui em Bento Gonçalves e região temos replicado essas ações, com diversas intervenções junto aos trabalhadores – distribuindo material informativo, por exemplo e esclarecendo dúvidas sobre o tema. Nesse mês de abril tivemos, também, uma audiência pública debatendo sobre as reforças Previdenciária e Trabalhista, realizada na Câmara de Vereadores do município. Entendemos que existem muitas outras formas de o governo ajudar as empresas a se tornarem mais competitivas sem, com isso, sacrificar o trabalhador – e vamos defender seus direitos de forma incansável.

A ameaça do desemprego é uma constante no dia a dia do trabalhador – dados do IBGE mostram que o número de pessoas sem ocupação bateu recorde entre dezembro de 2016 e fevereiro deste ano, ultrapassado os 13 milhões de indivíduos. De que forma o STIMMME tem atuado para auxiliar os profissionais?

Elvio de Lima: Quem enfrenta o desafio de manter seu cargo ou procura a recolocação no mercado precisa ficar atento a um diferencial muito importante: a qualificação permanente do currículo. Mostrando os caminhos para quem deseja investir em sua formação, o Centro Profissionalizante do Setor Metalmecânico e Material Elétrico oferece de forma permanente cursos de capacitação e especialização no segmento. Implantado em Bento Gonçalves pelo STIMMME, o CEPROMEC já qualificou mais de duas mil pessoas desde 2010, com o diferencial de deixar o aluno realmente apto a aplicar seus conhecimentos em situações reais da rotina de uma empresa, ou seja, com plenas condições de conquistar sua colocação no mercado de trabalho.

.Em um cenário de tantas adversidades, que motivos os profissionais encontram para celebrar neste Dia do Metalúrgico?

Elvio de Lima: Estamos, sim, passando por um momento com diversos fatores causadores de apreensão – mas é importante que mantenhamos a convicção de que essa será uma fase passageira e, em breve, começaremos a notar sinais de melhora, especialmente no contexto macroeconômico. Acompanhamos diariamente o esforço das empresas para manterem seus negócios competitivos e preservarem seu quadro funcional e acreditamos que até o segundo semestre deste ano haverá aquecimento nas demandas. É importante, contudo, que preservemos as características de união e engajamento que identificam nossa categoria e a tornam tão forte e representativa. Atuando em defesa de seus direitos e trabalhando de forma permanente em busca de ações capazes de resultar em melhores condições e mais qualidade de vida, a família metalúrgica de Bento Gonçalves e região conta com a dedicação do STIMMME-BG. Em seus 50 anos de trajetória, tem um histórico de conquistas que a todos beneficiam – com destaque para os atendimentos médicos e odontológicos gratuitos, certamente um suporte muito importante para o trabalhador. Apesar de quaisquer adversidades, nosso compromisso com os profissionais representados continua diariamente renovado.

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