“Todos podem conquistar um novo dia a dia”

isauraFrente ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bento Gonçalves – SINDISERP-BG está uma mulher. Ela é Isaura Bolesina, natural de Santa Tereza. Isaura é graduada em licenciatura em Ciências pela Universidade de Caxias do Sul (UCS-FERVI) e pós-graduada em Psicopedagogia. Assumiu a presidência do Sindicato em 2013, dando início a quarta gestão da entidade liderada por mulheres. Ao todo, são 26 anos que mulheres presidem o SINDISERP- -BG.

Filha de agricultores, Isaura come- çou a trabalhar aos 18 anos, na linha de produção de uma vinícola. Passou para o escritório e assim percebeu que, para ir além do chão de fábrica, era necessário estudar. Em 1987, aos 19 anos, ingressou na universidade e começou a trabalhar na rede municipal de ensino como professora. Participou da Diretoria do SINDISERP-BG nas três gestões anteriores a sua na Presidência. “É a motivação e a vontade de querer ir além na busca de realizações. Todos podem conquistar um novo dia a dia”, afirma Isaura. Ela também ressalta que faz parte da missão dar continuidade ao bom trabalho desenvolvido pelas gestões anteriores, priorizando a ética e a honestidade. “Luto por manter direitos conquistados e pela ampliação de convênios e parcerias que tragam benefícios aos associados, com amparo jurídico para garantir seus direitos”, complementa.

O SINDISERP-BG representa os funcionários públicos municipais a ele associados. Entre os cerca de 1.850 associados, 1.400 são mulheres. Professoras, auxiliares de educação infantil, técnicas em enfermagem, fiscais, entre outras profissões. “Uma de nossas conquistas foi a obtenção da trimestralidade salarial para os servidores, com reajuste a cada três meses, através do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que atualiza o poder de compra”, ressalta. Nos quatro anos de sua gestão o Sindicato aumentou o investimento em cursos para os associados. “Ampliamos os canais de comunicação com os associados, com ferramentas da web. Foi dado mais ênfase aos cursos de línguas atendendo associados e familiares, com valores de mensalidades abaixo do mercado. Além disso, a entidade tem convênio com os dois cinemas da cidade, o que garante ingressos pela metade do preço quando retirados no Sindicato”, complementa.

Isaura prioriza a busca por igualdade salarial e direitos trabalhistas entre homens e mulheres. Cita como exemplo os salários pagos pela prefeitura de Bento Gonçalves aos concursados. “Para cada cargo há um valor tabelado, independente do gê- nero. Porém, os salários de algumas categorias precisam com urgência de alterações de leis municipais. Há várias gestões essas categorias têm seu básico abaixo do salário mínimo nacional”, explica.

Na avaliação de Isaura, as políticas públicas que procuram a igualdade entre gêneros não levam em consideração a realidade da mulher brasileira. “De fato, a mulher brasileira se tornou bem mais independente, mas em atividade constante. Passa até dez horas no emprego e outras tantas ainda cuidando da casa e dando atenção à família. Existe uma aproximação do homem aos afazeres domésticos, mas isso ainda está longe de ser algo comum nos lares, principalmente com gerações mais maduras. A realidade é que a mulher continua com mais responsabilidade e não acho justo não terem considerado essa realidade na nova proposta de aposentadoria pelo governo federal”, observa Isaura.

Sobre o Dia Internacional da Mulher, ela reporta as palavras da professora da Unicamp, Maria Célia Orlato Selem: “o dia 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países”.

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