Em Bento Gonçalves, inadimplência cresceu 18% em 2016

A inadimplência do consumidor gerou um prejuízo de mais de R$ 11 milhões em Bento Gonçalves – valor acumulado dos últimos cinco anos. O montante da dívida cresceu 18,23% em 2016, no comparativo com o total cumulativo registrado até dezembro de 2015. Os dados, divulgados pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Bento Gonçalves (CDL), têm como base de consulta o sistema do SPC-Brasil e as informações repassadas pelos 600 associados ao CDL do município – a cidade possui mais de 2.500 lojas. De todos os CPFs consultados em 2016, 30% apresentaram alguma restrição de crédito

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Marcos Carbone, presidente do CDL-BG.

Conforme levantamento, o número de registros caiu 4%. Isso significa que menos pessoas estão devendo mais – trazendo o alerta para os lojistas serem cada vez mais rigorosos na análise e concessão de crédito, evitando maus negócios.

O total de consultas ao sistema do SPC também caiu 3% em 2016 no comparativo com 2015. “Sempre que o comércio faz uma venda sem estudar o perfil do cliente está assumindo o risco do prejuízo”, alerta o presidente da entidade, Marcos Carbone.

Perfil da inadimplência

O valor do ticket médio que fica inadimplente em Bento Gonçalves está entre R$ 50 e R$ 250 – representando aproximadamente 70% dos registros. O perfil do devedor revelado pelos indicadores mostra predominância de pessoas físicas frente às jurídicas – mas impressiona o crescimento exponencial desse grupo  na parcela de devedores: cerca de 40% no comparativo de 2016 com relação a 2015.

Os dados também evidenciam que as mulheres devem mais na modalidade de crediário: elas respondem por aproximadamente 65% das contas não quitadas. Já os homens assinam 75% dos cheques que não podem ser descontados por falta de saldo. A faixa etária que concentra o maior volume de inadimplentes é a de 30 a 49 anos (com mais de 55% dos registros).

“Há dois anos atrás, o cenário era outro: quem estava devendo mais eram mulheres entre 20 e 25 anos. Hoje nós vemos essa mudança como uma resposta a economia brasileira dos últimos anos. Na maioria dos casos, o provedor da família foi demitido, não conseguiu encontrar um novo emprego e não pode arcar com as contas”, analisa Carbone.

Panorama: pessoas deveram mais em 2016

O valor da dívida registrada no SPC de janeiro a dezembro de 2016 foi 31% maior do que os números contabilizados no mesmo período de 2015. Ou seja, os consumidores deveram mais. A quantidade de registros únicos também foi maior: 15,76% no comparativo 2016-2015. Isso quer dizer que mais consumidores ficaram inadimplentes.

Mesmo diante das dificuldades orçamentárias, as pessoas estão se esforçando para voltar a ter o nome limpo na praça. Em 2016, o número de indivíduos que conseguiu sair da situação de inadimplência foi 45% maior do que o registrado em 2015. O mês de novembro registrou o pico de exclusões de registros – os devedores utilizaram a primeira parcela do adiantamento do 13º salário para quitar as pendências financeiras.

Do total de registros contabilizados no sistema, 53% foram quitados em prazo inferior a um ano – fica a dica para o lojista: quanto antes registrar a ocorrência da inadimplência, mais cedo tende a recuperar o valor da dívida.

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